No Ritmo
10 De volta pra casa
Notas iniciais
Por fim quando criou coragem abriu por inteiro os braços e sentiu como se abraçasse o amanhecer, uma força renovadora entrava naquele momento, que sensação incrível, ela queria que durasse, que não parasse, abriu um sorriso, Cebola a olhou pelo espelho lateral e também sorriu, parecia que naquele momento ele apresentava um novo mundo para ela.
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Cebola esperou mais um pouco, e após isso voltou para a rota normal, Monica tornou a segura lo com força, seguiram assim um tempo, seus cabelos esvoaçavam pelo capacete, e ela se sentia incrivelmente bem, desejou que aquele passeio durasse horas, mas não durou, passados um pouco mais de vinte minutos ele foi parando a moto, chegando na porta do prédio da Magali.
Monica teve um pouco de dificuldade para descer novamente devido ao seu vestido, tirou o capacete e chacoalhou os cabelos os desamassando.
Cebola não desceu da moto, a observou se arrumar apoiando um pé no chão para segura-lá.
– Bom, de certa forma, obrigada – Monica agradeceu sorrindo – Até que foi legal.
– Ah, não ferra, eu vi você abrindo o sorrisão, até parecia que nunca tinha feito nada igual – Cebola comentou arrumando os cabelos rebeldes.
– Nada a ver, só curti o momento... – Monica comentou colocando o cabelo para trás da orelha omitindo o fato de realmente nunca ter feito nada parecido. – Acho que já vou entrar, está friozinho.
– Bom, boa viagem então, até quem sabe algum dia – Cebola se despediu entendendo que não daria pra tentar algo com ela, pelo menos não aquela noite – Boa sorte na prova – Ele desejou voltando a colocar seu capacete agora com o cheiro doce do perfume dela.
– Obrigada, e obrigada pela carona, eu... Bom, nada tchau – Monica se despediu o abraçando meio sem graça.
Cebola ligou a moto e deu partida, a olhando mais uma vez pelo espelho, Monica esperou ele sumir de vista para tocar o interfone do prédio.
– Oi, eu vou no apartamento da Magali e da Denise – Monica falou do lado de fora do prédio tremendo um pouquinho de frio.
– Bom dia, como é seu nome? – O porteiro perguntou.
– Monica Sousa.
– Oi Senhorita Monica, a Magali pediu para te entregar essa chave – O porteiro estendeu a mão para fora da cabine a entregando.
– Ah Obrigada – Monica respondeu abrindo o portão liberado.
Monica subiu no elevador quieta e pensativa, abriu a porta do apartamento, e percebeu o que já sabia, a amiga não tinha a esperado acordada, entrou em silencio, tirou o sapatinho e sentou no sofá massageando os pés.
Foi pé ante pé até o quarto, entrou em um dos quartos e viu Denise dormindo de bruços, saiu devagar, entrou no outro onde Magali dormia calmamente ao lado de uma cama já arrumada e ela entendeu na hora ser a dela.
Monica tirou seus acessórios, prendeu o cabelo num rabo de cavalo e deitou com a roupa que estava mesmo, pensando nos acontecimentos da noite, virou para um lado e para o outro um pouco impaciente, por fim adormeceu ainda lembrando do amanhecer alaranjado.
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Acordou assustada com a claridade invadindo seu rosto, olhou no celular eram 10h da manhã, bateu um desespero, seu vôo sairia em pouco tempo, viu que as meninas ainda dormindo e decidiu arrumar as coisas primeiro, antes de acordá-las.
Abriu sua mochila e jogou tudo que tinha tirado dentro, a fechou com um pouco de dificuldade, aproveitou que já estava vestida e só desamassou a roupa, passou uma make, arrumou o cabelo e colocou seus óculos de Sol, estava pronta pra ir.
– De... — Ela chamou no outro quarto — Maga, acordem – Ela tornou a chamar.
– Oi?! – Denise acordou sonolenta.
– Preciso ir meninas, já está quase na hora do meu vôo – Monica falou ansiosa.
– Ah, não... Perdemos a hora, queria fazer um café bem gostoso pra você – Denise entrou no quarto da Magali reclamando.
– Magina meninas, vocês me receberam super bem, nem sei como agradecer – Monica falou as olhando com ternura.
– Faz o seguinte, quando vier prestar a prova da Le Ballet, fica aqui de novo, vai ser muito legal – Magali ofereceu sentando na cama sonolenta.
– Ah, que ótimo, obrigada meninas, a gente combina, agora vou chamar o taxi – Monica respondeu pegando o celular.
O taxi chegou e as despedidas foram breves, prometeram de se reencontrarem logo, e Monica também as convidou para passar um tempo no Rio, ela toparam na hora, agora seria só marcar.
Passou um pouco mais de meia hora ela já estava no aeroporto, embarcando para sua volta, antes de subir no avião olhou um pouco para trás, respirou fundo e entrou, sentou em sua poltrona colocando os fones no ouvido e pegou no sono.
Abriu os olhos na hora em que o aviso de pouso foi dado, olhou na janelinha reconhecendo sua cidade que tanto amava, normalmente estaria se sentindo extremamente feliz em voltar, mas não hoje, hoje estava sentindo uma coisa diferente, não que não estivesse feliz, mas parecia que tinha deixado alguma coisa para trás, sentiu uma saudade estranha de algo que ainda não tinha vivido.
Desembarcou, pegou suas malas e foi ao encontro dos pais que já a esperavam do lado de fora em frente ao carro da familia.
– Filhinha linda – Dona Luisa a abraçou com força.
– Oi mami, ou papi, tudo bem? – Monica os cumprimentou se sentindo feliz com aquele abraço.
– Oi filhota, como foi sua viagem? Me da aqui a mala, deixa que eu carrego – Seu Sousa perguntou arrumando o porta malas.
– Foi ótima pá, a palestra foi incrível, peguei várias dicas, até recebi proposta da coordenadora de balé pra participar da equipe dela de apresentações, as aulas deles são fundamentadas nos concertos da Le Balltet – Monica contou sorridente.
– Nossa filha que maravilha – Luisa comentou – Mas e a Le Ballet? Não é seu sonho?
– Ah sim, com certeza vou prestar lá primeiro mami – Monica respondeu tentando enxergar a expressão do seu pai pelo retrovisor.
– Lá vem vocês com essa idéia dela mudar pra São Paulo de novo – Seu Sousa comentou com o rosto serio.
– Pai, só estamos pensando nas possibilidades, mas estou confiante, vou passar na Le Ballet, vocês vão ver, o meu próximo show será por eles – Monica concluiu bocejando.
Ela desbloqueou seu celular e viu mensagem das meninas, respondeu avisando que tinha chegado bem e o bloqueou novamente.
Olhou pela janela do carro pensativa, continuava sentindo um desconforto, tinham sido apenas dois dias, porém dois dias de coisas que ela nunca tinha vivido antes, lembrou da moto e do amanhecer e seu estomago deu um looping. Passou as mãos sobre a barriga tentando disfarçar a agonia.
Chegou em casa cansada, queria dormir pelo menos a tarde toda, subiu jogou sua mochila sobre a cama, abriu a janela e admirou o mar, logo depois sentou na cama e foi guardando as coisas uma por uma, por fim quando terminou e viu seu quarto arrumado, começou a tirar a roupa para entrar no banho, tirou o colar, os brincos, e a pulsei... Perai cadê a pulseira? Ela tateou o braço.
Monica enrolou rapidamente a toalha sobre o corpo, e voltou para o quarto, pegou sua bolsinha de jóias que tinha acabado de guardar e a olhou, não estava lá, rodou o olho por toda a cama, dentro da mochila, pela sua carteira, bolsos, não encontrou, começou a se agitar com a possibilidade de perda.
Virou a bolsa de jóias na cama olhou de uma em uma, verificou no banheiro inteiro e nada, por fim se sentou no chão ao lado da pia e colocou a cabeça entre os joelhos, ela não conseguia acreditar que tinha perdido a sua pandora, logo essa que significava tanto para ela e a acompanhava em todos os momentos importantes da sua vida.
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Cebola acordou cansado, se espreguiçou e olhou no relógio, eram meio dia já, caraca, fazia tempo que não chegava tarde em casa, e com a canseira da semana toda acabou perdendo a noção do tempo.
Levantou esfregando os olhos, olhou seu quarto e estava realmente bagunçado, sua mochila com cadernos de dança estava jogada toda aberta, tinha seu skate fora do lugar, que ele sabia muito bem quem “Maria Cebolinha” tinha mexido, e algumas roupas jogadas.
Começou arrumando a cama, logo depois decidiu ir por partes, deu uma varrida no chão, arrumou o skate e os bonés que ficavam pendurados no quarto, e por fim, pegou sua mochila de apostilas e jogou sobre a mesa do computador para arruma la, ouviu o barulhinho de alguma coisa caindo no chão, olhou rapidamente e estranhou o que viu, o que era aquilo?
Abaixou e pegou o que parecia ser uma pulseira, analisou devagar, e reparou nos detalhes e em como era delicada, como aquilo tinha ido parar ali?
Sentou na cama, afastando os cadernos e olhou mais um pouco para a pulseira, reparou os diversos pingentes que continha nela, viu o de fé, o dream, e parou em um deles que o fez pensar exatamente de quem essa pulseira seria, era uma sapatilha de balé.
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