No Remorse
1 no remorse
Notas iniciais
Certo. Eu estava mais bêbado que a porra louca– trata-se de um desafio se você está ao lado de Dave Mustaine -, mas dava para lembrar o que eu tinha feito, não? Não, não dava. O problema do álcool é que ele te deixa fazer coisas que você, bem... Que você não deveria fazer. Coisas como vomitar na cama do Cliff ou fazer sexo com o guitarrista da sua banda.
Dave estava encostado no sofá, devia estar compondo alguma coisa, não sei... Só sei que ele estava puto demais. Uma coisa que eu aprendi: não chegue perto de Dave Mustaine se ele estiver aparentemente puto. Bom, se ele não te deu motivo para brigar, não vamos brigar.
Eu o vi se levantando e amassando o papel com raiva. Aquele cara definitivamente era hilário.
- Hey Dave, o que aconteceu? — perguntei, enquanto bebia um gole de whiskey. Aquela porra ardia — ou talvez eu fosse fresco demais.
Mustaine rapidamente virou-se e me encarou.
- Você é um puto.
Ri. Aquele palhaço estava me testando? Quem ele acha que é?
- E você é uma vadia.
Dave chegou mais perto e me encarou — nossos narizes quase roçavam. Bom, de fato, eu não me senti intimidado, pelo contrário, uma vontade de rir enorme se apoderou de mim. O problema era que ele era mais esperto que eu, então roubou facilmente minha bebida.
- Filho da puta! — disse, enquanto gargalhava e ia atrás de mais bebida. Espera... Por que eu não fui pegar o whiskey de volta?
- Onde estão Cliff e Lars? — perguntou da sala.
- Eles saíram... — falei, enquanto eu me encostava-se à parede e o observava frustrado, como sempre, tentando produzir alguma coisa. Talvez ele ainda estivesse sóbrio demais — detalhe: era a segunda garrafa de whiskey do dia (pelo o que eu me lembro).
Dave levantou o rosto.
- Merda... Por que você não foi com eles, cara?
- Eles simplesmente não deixaram — respondi. Apesar de ser uma resposta muito fodida da minha parte, porque bem, eu já sou independente, não é?
- James, James... — ele gargalhou — você é definitivame-
— Eu definitivamente sou melhor que você, seu filho da mãe! – Interrompi-o. De fato, não estava atrás de briga hoje, mas se ele queria confusão...
Quem sou eu para negar?
- É o caralho– a voz dele soou baixa e grossa o suficiente para te dar um arrepio na coluna. Mas digamos que com um whiskey na mão ninguém com fica com medo de Dave Mustaine.
- Cala boca, porra. Bebe e compõe aí — falei, tentando rastrear o mínimo de dignidade que eu — ainda – tinha, graças à Lemmy — é a única coisa que você sabe fazer direito.
Dei uma risada e bebi mais um gole de whiskey. Em seguida senti a doce mão de Dave socar o meu nariz.
- Você tá louco, seu porra? — gritei, enquanto passava a blusa no nariz, tentando limpar o sangue. Bom, pelo menos quebrado não tinha.
Dave não falou nem fez nada. Só me olhou por alguns segundos e voltou para o sofá, com aquela típica pose de merda que ele tem. Concluo que ele queira briga.
Bebi o resto do whiskey de uma vez — ignorando o fato que ardia — e parti para confusão. Eu sei, eu sei... Eu sei que eu não sou forte assim... Mas eu tento, né?
Acertei o queixo dele com a mão e depois chutei as costas dele, prensando o cara no sofá.
- Mustai-
Eu disse que não era forte.
Mustaine puxou a minha perna, fazendo com que eu me desequilibrasse e caísse no chão — uma puta queda, aliás. Mas eu estava altamente bêbado para dar valor à dor agora -, me deixando altamente vulnerável. O que eu não sabia era que aquela noite guardaria muitas surpresas para nós.
Eu, James Alan, poderia te dar uma série de prováveis reações do Mustaine. Ele poderia me socar de novo, me chutar, cuspir na minha cara, jogar alguma coisa em mim... Afinal, eu estava ali no chão, parado, de frente para ele e mais, com a minha cara à tapa. Eu gostaria de dizer a vocês que ele me impressionou dessa vez, não fazendo nada. Mas a realidade não é muito boa comigo.
- James — ele disse.
Demorei alguns segundos para processar a informação, apesar de ele ter dito apenas o meu nome. Eu sou assim mesmo.
- Ehm... Sim...? — respondi.
Senhor dê-me forças. Não sirvo para nada.
- Eu tenho uma proposta — murmurou, enquanto virava a garrafa de whiskey e se levantava atrás de mais álcool, me deixando totalmente avulso ali no chão.
PROPOSTA? COMO ASSIM? Lá vem merda...
- Que proposta, Dave...? — falei, me pondo de pé rapidamente.
Eu escutei a geladeira abrindo e vi um Dave sorridente demais para o meu gosto saindo da cozinha. Sinceramente, eu não sabia o que esperar.
- Você quer se divertir essa noite? — Mustaine perguntou, olhando bem pra mim.
Sério?
Ele não está sugerindo o que eu pensei, certo? Espero que não.
- O que você quer dizer com isso? — retruquei, tentando não gaguejar. Cara, por Lemmy, eu estava bêbado e tinha acabado de receber uma proposta recheada de segundas intenções vindas de outro cara!
Talvez eu estivesse gostando daquilo tudo.
Ou não.
- Você sabe — ele disse, chegando perigosamente mais perto, juntamente daquele sorriso filho da puta de sempre.
Era assustador. Eu tinha acabado de receber uma proposta um tanto indecente de um cara que há dois minutos tinha socado meu nariz e me derrubado no chão. Um cara que tinha roubado meu whiskey e me chamado de puto. Um cara que há menos de cinco minutos era só um guitarrista e agora passava a ser um homem atraente para mim... Assustador? Demais.
Só sei de uma coisa: me fodi.
- E se eu recusar? — digamos que eu não pensei muito antes de falar isso, certo? Estou alucinando.
- Se você recusar... — ele pausou, enquanto fez uma expressão pensativa (sem deixar de ser irônica ou sádica). — Bem, se você recusar, acho que vou ter que te forçar a fazer o que eu quiser — completou, me fitando com um olhar brincalhão e ao mesmo tempo perverso.
A primeira coisa que eu pensei foi em apagar o Mustaine. O cara estava bêbado demais e você sabe, todo bêbado — e se você adicionar o fato de que o Mustaine é naturalmente insano — fala muita porra. E bom, como eu apagaria o cara? Ele é um pouco maior que eu e relativamente mais forte (e eu não sou tão bom pra bebida assim). Ou seja, o primeiro plano fora um fracasso mesmo antes de entrar em ação.
A segunda coisa que me veio à cabeça foi aceitar. Sim, aceitar. É difícil até para eu mesmo acreditar que eu cheguei a uma conclusão dessas, mas porra... Dave bêbado é uma porra louca, literalmente. Nós íamos acabar na pancadaria e nem Lars nem Cliff estavam ali agora — e não iriam voltar tão cedo.
E então eu não via nenhuma outra saída. Estava realmente nas mãos de Dave e por parte odiava isso — pelo simples fato de estarmos sozinhos e bêbados — e por outra parte... Talvez pudesse ser divertido, não?
- E então... O que me diz? — Mustaine ataca novamente.
Bufei.
- Aceito — disse, enquanto encarava a cara daquele merda.
Dave sorriu e apagou as luzes.
Eu ouvi uma garrafa caindo no chão e quebrando, o que indica que ele bebeu uma cerveja de uma vez, fato que só piora a minha situação. Noite perigosa.
Em menos de um segundo, Dave me puxou para perto e me deu um beijo, seguido de um chupão. Certo que era estranho pra mim e tudo mais, afinal, eu nunca tinha... Bem, nunca tinha experimentado aquelas coisas com outros homens, certo? Mas porra, o cara sabia como fazê-las.
Nós fomos para o sofá — e um frio percorreu a minha espinha: era ali que a putaria começava — e eu não pude me sentir nada mais, nada menos do que uma groupie ou algo do gênero. Por Lemmy, Mustaine, você é um merda.
Ele me beijou. Senti-me tirando o primeiro beijo, blah. A boca dele era mágica: algo entre o paraíso doce e o inferno alcoólico. Era gostoso, era delirante, bom demais. Se eu sou um puto nojento depois disso? Sou um puto nojento com prazer.
Dave escorregou a sua mão direita, passeando pelas minhas costas e depois arranhando meu abdômen. Sua respiração fria no meu pescoço me deixava feliz e ao mesmo tempo ansioso.
E então ele escorregou a mão um pouco mais para baixo, tateando meu membro, enquanto me deixava com belos hematomas no pescoço. Isso não me traria uma boa repercussão amanhã, mas quem liga? Eu estava bêbado e estava bêbado com ele. Era divertido, no final das contas.
Ele parou de me beijar e sentou em cima de mim, tirando a blusa e em seguida abrindo a minha calça. Resolvi ajuda-lo, tirando-a por completo. Realmente, estava adorando aquilo.
Dave se encurvou e eu entendi o que ele queria. Encurvei-me mais e então ele pegou meu membro rijo com a mão e ficou brincando, vez ou outra olhando pra minha cara.
- Filho da puta – murmurei ofegante, mal controlando a minha vontade de enfiar aquela porra na boca daquele merda.
Então Dave fez o que eu mais queria que ele fizesse.
Arrepios subiam a minha espinha toda hora, me deixando cada vez mais insano. Prazer inundava o meu corpo e o suor estava por toda parte. Era estranho pensar no que estávamos fazendo, mas não era estranho fazer o que fazíamos. Ele era maravilhoso.
Devia gemer mais alto do que meus ouvidos conseguiam escutar, mas era impossível controlar aquilo. Não sei se ele gostava ou não — provavelmente adorava -, mas controlar como eu estava me sentindo não fazia parte da minha vida, certo? Não pensamos muito antes de fazer aquilo, então que seja feito, mas que seja feito da melhor maneira possível.
Os movimentos rápidos que Dave fazia com a boca me deixavam alucinado. Dave Mustaine me deixava alucinado.
Ele me “sugou” com mais força, me fazendo gritar e despejar minha porra na boca dele. Dave cuspiu tudo e gargalhou comigo.
- Não pense que acabou por aqui... — sussurrou no meu ouvido e em seguida chupou meu lóbulo, devagar.
Meu membro e o dele ainda continuavam firmes, e então nós começamos a nos beijar novamente. Até que Dave resolveu me fazer outra proposta.
- Não, eu não vou ficar de quatro! — gritei, me afastando dele, enquanto encarava aquele pateta rindo.
Ele me encarou por uns segundos, balançando aqueles cabelos louro/ruivo-alaranjados. Nunca sabia a cor — ninguém sabia, na verdade. Em seguida deu um sorriso de lado, um sorriso verdadeiro.
Como estávamos em polos distantes do sofá, Dave pôde vir engatinhando até mim — sensualmente engatinhando. Aquilo me fez rir e a minha risada fez com que ele fizesse uma expressão de raiva boba.
- James... — ele sussurrou meu nome devagar, enquanto eu virava a cara pra encarar algo potencialmente mais interessante que ele agora. O problema era que não tinha nada mais interessante que ele ali.
- O que é que você quer? — perguntei sem pensar muito na pergunta idiota que tinha feito. Era óbvio o que ele queria fazer comigo e era óbvio também que eu não estava disposto a fazer.
Mas era tarde demais.
- Eu quero foder você.
Assim que eu o escutei pronunciando aquelas palavras, não acreditei. Apesar de a noite ter sido divertida demais até o ponto em questão, David Scott poderia me surpreender mais, muito mais.
Dave se pôs de pé, tirando quaisquer peças que ainda o cobriam. Ele me encarou por um tempo e eu não conseguia tirar os olhos dele. Não poderíamos ser mais ridículos.
Então ele voltou a me beijar. Técnica patética.
- Não Dave... — murmurei entre um beijo e outro.
Ele parou bruscamente o que estava fazendo, se afastando de mim e olhou bem nos meus olhos (mania filha da mãe, porra).
- Você gosta de ser forçado a fazer as coisas, não é? — indagou desafiador — a noite estava um verdadeiro circo -, enquanto chegava mais perto de mim.
- Não! Claro que não! Eu só não vou fazer isso porque eu acho desconfortável — respondi nervoso. Palhaço.
Dave gargalhou — é incrível a capacidade que esse merda tem de ser o mais cômico e imprevisível possível em situações como essa– e sentou do meu lado.
- Então vamos ficar assim a noite toda até que você resolva o que quer fazer — disse, encarando o teto.
- Mas eu sei o que eu quero fazer!
- Não, você não sabe, James — sussurrou.
- Obviamente que sei — retruquei, com fogo na língua. Sinceramente, precisávamos de mais bebidas ou iriamos acabar em discussões novamente.
- Então faça.
Porra, Mustaine! Filho da mãe, você? Imagina.
Eu fiquei paralisado por uns minutos. Simplesmente não fiz nada, apesar de saber o que iria fazer e como iria fazer, mas bem... É como se eu não soubesse fazer nada com ele. Não conhecesse nada e então eu me senti inseguro e...
EU SOU UM FRESCO! UM PUTO DE UM FRESCO!
Merda.
Dave bufou.
- Viu? Você não tem ideia do que quer fazer... — disse, brincando com uma almofada que tinha no sofá.
Suspirei. Filho de uma mãe.
- Então... — ele começou.
- Então o quê? — retruquei imediatamente. Ia dar merda, estava pressentindo isso.
- Se você me deixasse continuar uma frase sequer, eu te ajudaria. Mas eu posso te ajudar de outro jeito, é só você colaborar — Dave falou, curto e grosso como costumava ser, mas sem o tom de piada, o que deixou aquilo muito estranho e continuamente desconfortável.
Olhei para ele. Nem acreditava no que já tinha acontecido, acreditaria no que aconteceria depois? Não. Com certeza, não.
Em poucos segundos Dave beijou-me e me jogou-me no sofá de novo, me hipnotizando, como só ele sabia fazer tão bem — se eu me sinto uma puta depois dessa noite? -, merda.
Suas mãos percorreram o meu corpo e antes mesmo que eu pudesse perceber, ele já tinha me domado. Seu membro rijo roçava minha pele enquanto eu tentava gemer baixinho, mas sabia que não aguentaria aquilo tudo — e nem queria, na verdade.
Não demorou muito até que ele penetrasse — e eu consequentemente ficasse morrendo de vergonha. Eu simplesmente não conseguia segurar meus gemidos doloridos, porque porra... Nunca tinha passado por uma situação como aquela. Mas com os movimentos rápidos de vaivém de Dave, a dor foi sendo substituída pelo prazer — e os gemidos doloridos deram lugar aos meus gritos (obviamente acompanhado dos dele).
Os movimentos eram mais rápidos, gerando mais insanidade e prazer aquilo tudo. Eu iria me arrepender bruscamente mais tarde — mas quem se importava?
Dave gemia tão alto quanto eu e pude sentir que chegávamos ao clímax.
Às vezes eu acho que deveria largar a música e trabalhar com coisas que me dessem realmente dinheiro... Coisas como... Prever?
Pff...
Alguns segundos depois, Mustaine despejou sua porra dentro de mim — o que me fez ficar nervoso, mas estava cansado e bêbado demais pra ficar nervoso com ele agora -, e tombou no sofá.
Eu estava praticamente desacordado, só senti Mustaine me carregando e me colocando provavelmente no quarto de Cliff. Eu escutei a porta fechar e assim que o quarto ficou escuro, eu vomitei ali. E cara, eu não iria dormir numa cama vomitada, certo?
Levantei-me e fui lavar a boca, merda. Minha cabeça explodia.
Saí do banheiro e abri a porta do quarto de Lars, me deparando com Dave ainda acordado, me encarando e rindo.
- Filho da puta – murmurei, enquanto deitava do lado dele.
Estava cansado, mas bah... Não sabia o que aconteceria nas próximas horas. Pelo menos vomitar tinha sido um bom pretexto.
Notas finais
espero que pelo menos alguém tenha gostado disso.
PRA GIULIA.
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