No Regrets
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O relógio marcava 18h00 quando o avião pousou no Brasil. Benjamin se sentia cansado da longa viagem e não queria lidar com o que viria pela frente. Reencontrar sua mãe depois de tanto tempo sem vê-la lhe causava um sentimento entranho, havia passado cinco anos morando em Londres e não sentia a menor saudades de sua mãe. Estava ansioso para conhecer seus irmãos mais novos e estava morrendo de vontade de dar um abraço apertado em sua irmãzinha, Bella, e também queria ver ela, que há muito tempo não falava, uma pessoa que sempre esteve presente em suas melhoras memórias da infância, sua melhor amiga e seu primeiro amor... os pensamentos de Benjamim foram interrompidos quando ele escutou o barulho de um salto alto que pisava firmemente e ressoava pelo chão do aeroporto.
— Benjamin?
Lá estava ela, Beatriz Castelli, mostrando toda sua elegância em um salto alto que fazia qualquer um ficar impressionado com a capacidade que ela tinha de andar sem demonstrar dificuldade. Benjamin a olhou de cima a baixo e não acreditou no que viu, ele sempre achou a mãe muito bonita, mas não lembrava o quanto ela era deslumbrante. Sua mãe possuía uma beleza única, que chamava a atenção de todo mundo, sempre foi muito vaidosa e sempre gostou de se cuidar, mas não foi a beleza chamativa de sua mãe que o deixou abismado, e sim, a barriga de 6 meses que a mãe carregava. A gravidez já estava bem aparente e isso deixou Benjamim boquiaberto.
— Você está grávida daquele cretino de novo, Beatriz? — Disse Benjamin se levantando do banco desconfortável do aeroporto para ficar de frente a sua mãe.
— Ora mais, quantas vezes eu vou ter que repetir que eu não gosto que você me chame de Beatriz? Eu sou sua mãe e eu quero que você me chame por Mãe, e antes de mais nada vem aqui me dar um abraço pois estou morrendo de saudades.
O abraço foi mais rápido do que Beatriz gostaria. Benjamin se sentia muito incomodado com a mãe. O último abraço deles tinha sido naquele mesmo aeroporto, minutos antes do seu avião decolar e sua vida mudar para sempre. Benjamin sentia muita mágoa da mãe por ela ter escolhido o babaca do marido ao invés dele, de não ter o escutado e nem dado a atenção que ele precisava naquele tempo... cinco anos tinham se passado, mas alguns sentimentos continuavam ali, reprimidos.
— Meu filho, eu sei que nós temos muito para conversar ainda, e eu prometo que irei escutar tudo que você tem a me dizer, assim como eu quero que você também me escute.
— Eu não tenho nada a dizer.
— Bom, se você não tem, tudo bem, mas eu tenho muitas coisas para falar... Mas eu não quero fazer isso agora, você deve estar muito cansado dessa viagem, então eu sugiro que a gente esqueça todas as desavenças que porventura tenham ficado entre a gente, e que passemos essa noite em paz e amanhã a gente se senta e conversa sobre tudo.
— Eu já disse que não tenho a nada a dizer e também não quero que você me encha a paciência com todas as suas baboseiras. Eu conheço bem o seu discurso, Beatriz, e ele não cola comigo, então se puder, agiliza logo a ida para casa, que eu te peço que, se possível, seja feita em silêncio, assim eu já ficarei bastante agradecido.
As palavras de Benjamin cortaram o coração de Beatriz e ela teve que se esforçar para não chorar ali.
— Droga de hormônios de gravidez. — Sussurrou ela baixinho.
O trajeto para casa foi em silêncio, e Benjamin deu graças a Deus por isso.
Quando eles chegaram na enorme mansão da nova família da mãe, Benjamin ficou abismado com o tamanho da residência.
— Agora você tem a vida de madame que sempre quis, né? — disse ele
Beatriz resolveu ignorá-lo.
— Entre, seus irmãos querem te conhecer.
Ao entrar pela porta de vidro da enorme mansão, Benjamin se deu conta que o luxo que a mãe vivia era muito maior do que ele imaginava. Do chão ao teto, tudo tinha um acabamento impecável, e ele não podia negar, era tudo de muito bom gosto. No meio da sala de estar havia um sofá enorme branco, acompanhado de um tapete marfim também enorme, que ficava posicionado de frente a uma lareira em um mármore finíssimo. Benjamin se sentiu deslocado naquela sala. A vida em Londres com a avó não era ruim, mas nada poderia se comparar aquilo. No meio da sala havia um lustre que parecia cristais reluzentes, que descia do pé direito alto passando pela escada em formato de cascara. Na sala adiante, ele observou uma mesa de jantar muito elegante, com cadeira para dez pessoas. Mas não foi isso que mais o chamou atenção, e sim o que havia no canto direito da sala. Lá estava um magnifico piano de calda branco que praticamente gritava, implorava, para ser tocado por Benjamin. Mas antes que ele pudesse se sentar no banquinho e desfrutar do prazer de tocar aquelas teclas maravilhosas, ele viu sua irmã descer as escadas na sala de estar e não acreditou no quanto ela havia crescido.
— Benjamin?! Você voltou mesmo?!! — Lá estava ela, vestindo um vestido preto, com um cabelo curto e muito mais linda de que quando ele a tinha visto pela última vez.
— Bellaaaa, meu Deus, como você cresceu. Eu senti tanto, tanto sua falta, minha irmã. — Disse Benjamin correndo para abraçar sua irmã que era apenas três anos mais nova, e também era uma de suas maiores saudades do Brasil. Ela estava mais alta, seus seios tinham crescido e ela agora estava uma verdadeira moça, não era mais aquela menininha com quem ele corria e brincava o dia todo.
— Benjamin, eu não sei se eu te abraço ou se bato em você. Como você pôde me abandonar e me deixar sozinha aqui por todo esse tempo?
— Ô Bella, ficar longe de você foi a parte mais difícil da minha partida, se eu pudesse com certeza eu teria te levado comigo. Mas quando você estiver de maior e quiser ir comigo para Londres, eu irei te levar, não tenha dúvidas disso.
— Ai meus filhos, é tão bom ver vocês dois juntos de novo – Disse Beatriz – Inclusive, onde estão os meninos, Bella?
Antes que Bella pudesse responder, os três escutaram um alvoroço vindo de onde Benjamin acreditava ser a cozinha, e de lá saiu dois menininhos loirinhos:
— Mamãe, mamãe, o Bernardo me bateu de novo e gritou com a babá! — Disse um deles.
— Bernardo! Quantas vezes eu vou ter que pedir pra que você se comporte e respeite a babá? Você já precisa se comportar mais como um rapaz. Venham meninos, venham aqui falar com o irmão mais velho de vocês, o Benjamin, ele está aqui.
— Esse é o Benjamin, mamãe? Nossa como ele é grande – Disse Bernardo. Benjamin apenas riu e assentiu. Ele realmente muito alto e tinha uma beleza que deixavam as meninas loucas por ele
— Você é nosso irmão mesmo? — Disse Benício.
— Sou sim, na verdade meio-irmão.
— A gente pode te dá um abraço? — Perguntou mais uma vez Benicio.
— Claro.
Benjamin se abaixou para ficar na mesma altura que os pequenos, e os abraçou. Era uma sensação estranha para Benjamin, mas ele sabia que aquelas crianças eram seus irmãos também e não mereciam ser desprezadas por ele. Quando ele partiu para Londres a mãe ainda estava grávida deles e essa era a primeira vez que ele os via. Eles se pareciam muito com Benjamin quando era criança e também eram bastante travessos e espertos.
— Crianças, já está quase na hora do jantar, vão se arrumar.
Benício, Bernardo e Bella saíram em direção as escadas para se arrumarem para o jantar.
— Alberto, pode levar as malas do Benjamin para o quarto dele, por favor? — Disse Beatriz ao mordomo que Benjamin achou parecido com um pinguim.
— Claro, dona Beatriz. A propósito, a senhora prefere que eu mande servir o jantar que horas?
— Às 19h00 está perfeito, Alberto.
— Ok, mandame.
Benjamin revirou os olhos diante de toda aquela formalidade.
— Venha Benjamin, me siga, quero te mostrar seu quarto. Talvez não esteja de acordo com seu gosto, mas aqui você terá liberdade para arrumá-lo conforme sua vontade. — disse Beatriz, subindo as escadas.
Benjamin entrou no seu quarto e deu de cara com uma cama de casal enorme com uma coberta preta, em perfeita ordem. Ao lado havia uma escrivaninha com algumas decorações, e nas paredes tinham quadros modernos acompanhado de um papel de parede bem clean, e uma porta de vidro com uma cortina de linho branco na qual dava acesso ao terraço. Do outro lado do quarto tinha uma porta que dava acesso ao closet, e dentro do closet tinha uma porta que dava acesso a um banheiro enorme, composto por uma bancada de duas pias, um box, um vaso e uma banheira que também parecia gritar para ser usada por Benjamin.
— O quarto está confortável para você, filho? Você está em casa, o que não estiver do seu agrado pode me falar que eu mando arrumar para você.
Benjamin cruzou os braços no meio do quarto, olhou mais uma vez a decoração, respirou fundo e falou:
— Primeiramente: aqui não é minha casa. Segundamente: se a senhora pensa que com todos esses mimos e frufrus vai conseguir me impressionar de alguma forma pode ir parando de se iludir. Eu estou aqui porque a minha avó praticamente me expulsou de casa, e eu sei que isso aqui é um castigo que ela tá me dando. Mas nem se anime muito com minha presença aqui, logo, logo eu estarei de volta à Londres e você não precisará mais fingir que se importa comigo, e tudo voltará a ser como era antes... Agora, por favor, saia e me dê privacidade.
— Ai ai, Benjamin. Mesmo que você não queira nós teremos uma boa conversa amanhã, e antes que você fale mais qualquer coisa saiba que já estou de saída, só peço que se ajeite logo para jantarmos todos na mais perfeita paz e ordem, prometo que por hoje você nem ouvirá mais minha voz.
Beatriz saiu do quarto de Benjamin e foi em direção ao seu quarto com lágrimas no rosto. Ela tomou um banho rápido, se arrumou e desceu em direção a sala de jantar onde a mesa já estava posta. Ao passar pela sala de estar ela parou e observou a enorme bancada repleta de porta-retratos, e percebeu que em poucas fotos Benjamin aparecia, ela pegou um dos poucos porta-retratos que tinha ele e se lembrou do momento em que ela mesmo tirou aquela foto. Ele tinha pouco mais de quatro anos e na foto ele estava no colo do pai, Felipe Brenner, o grande amor da vida dela, junto com Bella, que ainda era uma bebezinha. Dali um mês iria completar sete anos de sua partida. A memória daquele dia trágico era bem viva em sua mente, e mesmo tendo consciência de que foi um acidente, ela não conseguia se livrar da culpa e carregava um grande peso em suas costas. Horas antes do acidente, Felipe tinha flagrado ela na cama com seu amante. Ela nunca conseguiu esquecer o olhar de decepção que Felipe lançou para ela. Aquela memória a despedaçou por dentro mais uma vez e ela só percebeu que estava chorando quando sentiu a visão ficar embaçada devido as lágrimas que se acumulavam em seus olhos.
— Bia, está tudo bem? — Disse Magda, sua melhor amiga e também sua chef de cozinha.
— Ah, Mag, está sim. São só os hormônios da gravidez. Nessa parece que eu estou três vezes mais sensível.
— Se quiser conversar saiba que estou aqui, viu? — Disse Magda dando um abraço reconfortante em Beatriz.
— Ah, e o jantar já está servido, estamos aguardando vocês na sala de jantar. Já pedi para a Amélia trazer as crianças.
— Ok, muito obrigada. Daqui a pouco estarei lá. O Henri ligou avisando se viria?
— Ligou sim, mas ele disse que não esperasse por ele porque está muito atarefado com as coisas da empresa.
— Empresa... sei... — Sussurrou Beatriz sabendo que o marido não estava na empresa.
Magda entendeu o que Beatriz quis dizer, mas preferiu ignorar e ir à cozinha servir a comida. Lá ela encontrou Melissa, sua filha, que era a babá da pequena Bianca de apenas dois aninhos. Melissa tinha dezesseis anos e trabalhava como babá nos horários que não estava estudando. Ela cuidava da pequena Bianca, a 3ª filha de Beatriz e Henri. Naquele momento ela estava dando o jantar de Bianca.
— A comida tá “totosa”, né princesinha? — Disse Melissa com uma voz infantil, brincando com a pequena. A menina apenas riu e continuou pedindo mais comida.
— Vai demorar muito aí, Melissa? — Perguntou Magda
— Não, mãe. Ela já está terminando. Por quê?
— Eu acho melhor você se apressar se você realmente não quiser ver o “você sabe quem”. O jantar vai ser servido e logo, logo ele estará por aqui, e eu sei que você quer fugir dele. Não sei por que isso, vocês eram como unha e carne quando eram pequenos, viviam juntos aprontando por aí e dando trabalho para mim e para Beatriz.
— MÃE! Eu não estou fugindo dele. É só porque... Eu.. Ah, não sei. Eu só não quero vê-lo agora. E acho que ele também não quer me ver.
— Hahaha, mas eu duvido muito, e quando ele ver o tipão de mulher que você se tornou não vai querer tirar os olhos de você, minha querida.
Melissa revirou os olhos, ficou em silêncio e continuou dando o jantar da pequena Bianca, que já mostrava sinais de que estava satisfeita.
...
Benjamin ainda estava no seu quarto decidindo se iria ou não jantar. Por fim, decidiu que iria ficar no seu quarto mesmo, e quando sentisse fome antes de dormir, desceria na cozinha e prepararia algo para comer. Às 19h15 ouviu alguém batendo na porta, era o mordomo da mãe o chamando para jantar. Ele dispensou o convite e disse que não precisavam fazer nada por ele, que ele mesmo gostaria de preparar a comida dele. Ele tomou um banho, vestiu uma calça moletom cinza e um camisa preta, deitou-se na cama e ficou mexendo no celular. Havia cinco ligações não atendidas da avó e várias mensagens da Alana, sua ex de Londres. Ele ligou pra avó Isabelita, disse que tinha chegado bem.. Conversaram bastante sobre várias coisas, e mais uma vez ele reclamou com sua avó pelo que ela tinha feito com ele.
— Você quer mesmo que eu te lembre o porquê disso, meu filho? -
Disse a dona Isabelita pelo celular.
— Vó, eu sei que aquilo foi muito errado e eu juro que não vou mais andar com aquele pessoal. Foi um vacilo mas eu quero voltar e concertar tudo, eu só não quero ter que ficar aqui preso com a Beatriz na mesma casa. Pelo menos deposita algum dinheiro pra mim que eu me viro, vai, por favor.
— Não Benjamin, o que você fez foi grave. Eu já sou uma senhora de idade e não tenho mais como ficar cuidando de adolescente problemático. Eu espero que esse momento aí no Brasil sirva de lição pra você aprender muitas coisas. Você precisa se reaproximar da sua mãe, meu filho. Já se passou muito tempo, tá na hora de esquecer os erros do passado e seguir em frente.
— A senhora diz isso porque não é você que está aqui convivendo com ela. Ela vai tentar de tudo e vai me encher muito o saco durante esses dias aqui, vó. Eu não sei se aguento. Por favor, me deixa voltar.
— Meu filho, eu sei que sua mãe às vezes não é fácil de lidar, eu mesma como mãe dela tenho dificuldade e há muito tempo nosso relacionamento não é o mesmo devido ao gênio difícil dela.. mas é melhor que você esteja aí. E trate de se comportar viu? Se eu souber que você está aprontando e andando com pessoas erradas assim como você estava fazendo aqui, vai demorar cada vez mais pra você voltar. Eu quero que você tente criar um relacionamento com sua mãe e seus irmãos de novo.. E se comportar também inclui ficar sóbrio, viu mocinho?
— Mas, vó...
— Não tem “mais” nem “menos”. Escute sua velha aqui... aproveite, meu filho. O tempo passa rápido e a gente não sabe quanto tempo de vida temos aqui. Então, por favor Benjamin, se esforce. Prometo que estarei te esperando aqui. Eu te amo.
— Tá. tá, vó. Eu vou provar pra senhora que eu posso mudar e que eu não irei repetir os mesmos erros. Eu também te amo, por favor se cuida aí, quero voltar logo, logo.
— Beijos, meu filho. Deus te abençoe.
— Beijos, vó. Fica com Deus.
Quando eles desligaram o telefone já passava das 21h00. A barriga de Benjamin começou a roncar e ele decidiu descer para cozinha para ver o que poderia fazer pra comer.
Ele foi andando na ponta do pé pra não fazer barulho, no caminho ele passou no quarto da irmã, Bella, para dá um beijo de boa noite. Ela já estava pronta para dormir pois no outro dia teria aula cedo.
Na cozinha, os empregados já estavam finalizando a limpeza e alguns se organizavam para irem para casa e outros para irem para seus quartos descansar.
— Pode deixar que eu finalizo aqui, Mazé. — disse Magda
— Muito obrigada, Magda. Eu vou logo então antes que eu perca meu buzão. Boa noite, até amanhã.
— Boa noite, Mazé — respondeu Magda e Melissa em uníssono.
— Aiai, que dia agitado. — disse Magda já bocejando
— Ô mãe, pode ir, deixa que eu termino aqui. Eu ainda vou jantar e vou aproveitar a internet daqui pra estudar. Hoje a Bianca me deu muito trabalho, agora que ela finalmente conseguiu dormir vou pôr as atividades em dia.
— Tá bom, meu amor. Eu vou só porque eu estou muito cansada, mas ver se não fica muito tempo aqui, viu? Boa noite.
— Ok, mãe, te amo. Boa noite.
Melissa deu um beijo no rosto de Magda, e foi em direção da geladeira buscar seu lanche para esquentar no micro-ondas. Enquanto o seu lanche esquentava, ela foi em direção a pia, lavar alguns pratos que estavam sujos para adiantar o serviço. Ela estava com sua calça jeans rasgada, all-star e uma blusa de manga cumprida e folgadinha na cor cinza. Enquanto lavava a louça, ela ouvia música com seus airpods e cantarolava baixinho o refrão da música The only exception, Paramore. Mesmo com os fones, ela sentiu que alguém estava se aproximando, mas como pensava que era mãe dela, não se virou para ver quem era, só continuou lavando a louça. Quando de repente ela olha para o lado e encara um par de olhos verde esmeralda brilhantes que a observava, e que também a acompanhava cantando o refrão que ela estava cantarolando baixinho. Melissa deu um pulo pra trás quando percebeu que aquele era Benjamin, derrubando no chão o copo de vidro que estava lavando.
— Caralho — Disse Benjamin
Foi caco de vidro por todo lado, e Benjamin também se assustou. Quando viu o que tinha acabado de acontecer, imediatamente. Melissa se agachou e tentou juntar alguns cacos, na mesma hora Benjamin se abaixou para ajudá-la.
— Desculpa, desculpa.. — disse Melissa, extremamente nervosa e envergonhada pelo que tinha acontecido.
— Não precisa pedir desculpa, eu que te assustei, deixa eu te ajudar.
— Não, não, eu derrubei, eu limpo, eu quem sou a empregada aqui.
— Puft, eu não tenho empregados. Eu que te assustei então eu tenho mais culpa que você. Me deixe limpar tudo isso.
Melissa ficou calada e tentou se concentrar apenas em recolher os cacos maiores sem se cortar.
— Você está bem? Está mais calma? — Perguntou Benjamin. Ele não conseguia tirar os olhos dela, algo na sua postura, voz, rosto, cabelo, lhe era muito familiar.
— Sim, estou.
Quando eles terminaram de juntar os cacos maiores, Melissa pegou a vassoura para varrer e eles recolheram e limparam tudo juntos.
— Pronto, trabalho em equipe concluído com sucesso. — disse Benjamin rindo.
Melissa olhou pra ele e esbouçou um pequeno sorriso. Naquele momento a expressão de Benjamin ficou séria e ele empalideceu, o coração de Benjamin parou, e um frio percorreu por toda sua espinha. Era ela, ele tinha certeza, era ela. Aquele sorriso tímido só ela tinha. Aqueles olhos, aquele jeitinho fofo de ruborizar só ela tinha. Naquele momento todas as palavras sumiram da sua cabeça e eles ficaram ali apenas se olhando em um silêncio constrangedor.
Quando ela percebeu o clima estranho e que ele não ia falar mais nada, ela pigarreou e falou:
— Bom muito bem, obrigada pela ajuda, tenha uma boa noite. E obrigada por não ter me reconhecido, também. Pensou ela
Ela aproveitou que ele ficou apenas calado e parado, a encarando como se tivesse visto um fantasma, e rapidamente pegou seu lanche no micro-ondas e foi em direção a saída da cozinha. Quando ela pensou que finalmente poderia sair dali e acalmar todas as borboletas que ainda estavam dançando no seu estomago, ela o ouviu dizer:
— Melissa, espere... Eu sei que é você.
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