No Quarto ao Lado

8 Capítulo 08


Notas iniciais
IT'S BRITNEY, BITCH! (peço que leiam o texto da nota final) ~ (ultimamente eu ando numa vibe pra tia neyde, amo/sou)

Ichigo voltou para seu apartamento com uma ponta de chateação lhe atingindo. Jogou suas roupas em qualquer canto e ligou para Yuzu. Queria passar o natal com Grimmjow, mas se desmotivou muito, mesmo não tendo o direito. Sabia desde o começo que tudo aquilo não iria ser sério. Mas pensar em acordar com um ‘eu te amo’ era bem mais atrativo do que apenas tomar um café e ganhar um selinho. Estava exigindo demais e ele sabia disso muito bem. Porém, ao contrário de Grimmjow, Ichigo ainda sabia amar. E só estava aguardando que alguma pessoa ocupasse o lugar esquecido em seu coração.

Yuzu gritava de felicidade, assustando o irmão no outro lado da linha. O fato de Ichigo passar o natal com a família realmente lhe deixou contente. Ichigo soltou um sorriso. A sensação de ser amado, mesmo que apenas por sua família, era algo tão bom. Sentiu um pouco de pena do vizinho de cabelos azulados. Quantos natais ele teria passado sozinho?

Após terminar a ligação com Yuzu, ligou para Rukia. Ela saberia lhe aconselhar. Na verdade, não.

“Rukia? É o Ichigo.”

“Ichigo, seu babaca. Deveria ter me desejado um feliz natal antes.” Rukia continuava sendo agressiva. Não que Ichigo achasse estranho. Tinha se acostumado.

“Então, eu estou bem, e você?”

“Ai, seu traste.” Rukia soltou alguns risos baixos. “Feliz natal.”

“Feliz natal, Rukia. Você vai passar o natal com o Byakuya?”

“Claro. Não vou deixar meu nii-sama sozinho.”

“Eu preciso te perguntar uma coisa.” O tom da voz de Ichigo mudou para sério, em uma fração de segundos. Rukia estranhou.

“Com essa voz, já tô vendo que não vai prestar. Diz.”

“Só vou te contar isso, pois confio em você. Vê se fica quieta.”

“Como se eu fosse fofoqueira. Fala logo.”

“Você por acaso sabe como ensinar uma pessoa a amar?”

Alguns segundos de silêncio.

“Em qual sentido?”

“No sentido romântico.”

“A passiva tá apaixonada!” Rukia começou a soltar risos histéricos. Ichigo queria jogar o telefone na parede.

“Droga, vê se ajuda ao invés de rir! Passiva é você, projeto de gente.”

“Ichigo, é ver engraçado você assim. Quem é a garota?”

‘A garota.’

Droga.

“É alguém aí, você não conhece.”

“Eu conheço o mundo, Ichigo. Me fala.”

“Vai me ajudar ou não?” A voz de Ichigo mudou de seriedade para irritação.

“Calma, sua passiva.” Após a última frase, Ichigo apertou o telefone com raiva, querendo o quebrar com a própria mão. “Me conta dessa pessoa aí, não tem como eu te ajudar sem saber dela.” Ichigo sentia cada vez mais vontade de jogar o telefone na parede com as insinuações de Rukia. Ah, amigos...

“Passiva é tua mão. Enfim... Essa pessoa é meio reservada, misteriosa. Não tem mais esperança em nenhum tipo de relacionamento e é bem séria também. Mas sabe ser dócil se necessário. Parece até alguém que controla uma marionete, gosta de ficar no comando de tudo.”

“Você já dormiu com ela, não é?” E Rukia voltou a rir.

“Não te interessa. E então, o que eu faço?”

“Faça ela se interessar por você, oras. Mostre o que você tem de bom.”

“Mas como eu faço isso?”

“Não vou te dar tudo mastigado.”

“Ah, Rukia. O que custa?”

“Custa meu tempo. Vou desligar agora, Ichigo. Preciso sair. Depois você me liga.”

“Desgraçada.”

“Se fode aí.” Logo a garota desligou o telefone, deixando Ichigo com raiva. Mostrar o que ele tinha de bom? Mas o corpo já tinha sido oferecido, certo?

Você não está apaixonado, Ichigo.

O ruivo teve um pequeno flashback, seguido de sua consciência querendo falar mais alto que ele próprio. Lembrou-se do dia em que voltou a falar com Grimmjow após a ‘discussão’ que tiveram, e que encarou a situação apenas como a ‘atração do momento’. Mas se fosse atração, ela já estaria satisfeita com a noite anterior, certo? Então por que o ruivo se sentia... Incompleto? Talvez insatisfeito fosse a palavra certa. Começou a repetir ‘não’ para si mesmo, soltou um sorriso de escárnio misturado com a raiva presente em seus punhos, que socavam o balcão da cozinha.

Ichigo não iria deixar algo maior acontecer. Para o bem de ambos.

—

Ichigo jogava conversa fora com as irmãs. Tinha esquecido completamente de agradecer a Yuzu pelo moletom de orelhas de gato. Prometeu a Isshin que compraria presentes e que os visitaria com mais frequência. Só lhe restou comer e celebrar ao lado da família. Talvez se Masaki ainda estivesse viva, ela entenderia a situação do filho. Ah, natal... Tão bom e tão terrível ao mesmo tempo...

Duas semanas depois.

23h47.

Grimmjow tomava um copo de refrigerante enquanto pensava no que iria fazer no ano que acabara de entrar. Não queria começar uma nova faculdade. Saiu do emprego como professor substituto e já queria jogar o emprego no jornal para o alto, por mais que ele só iria trabalhar por apenas mais dois dias, ganhando suas recompensadas férias de um mês. Porém, se quisesse, não precisava trabalhar. Era apenas uma simples questão de falar com seus pais e num passe de mágica, a palavra ‘emprego’ sairia de seu vocabulário para sempre. Mas seria maçante viver sem fazer nada. Se lembrou da vida desocupada que tinha antes de entrar na faculdade. Era bom? Sim. Não ter preocupações e sequer pensar no dia de amanhã era ótimo. Mas uma hora ou outra, o senso de responsabilidade iria gritar. E se não fosse por responsabilidade obtida ao longo dos anos, o espanhol não teria conhecido Ichigo.

Tal Ichigo sumido por duas semanas.

A última vez que havia falado com o Kurosaki, foi no natal. Nem no ano novo Ichigo inventou de aparecer. Apenas mandou uma mensagem desejando um feliz ano novo e fim. Usou a justificativa de estar trabalhando demais, o que não era uma mentira. Sem contar o fato de Ichigo ter regressado a faculdade de arquitetura há alguns dias. O espanhol soltou longos suspiros. Deixou o copo de refrigerante no chão e rolava no pequeno espaço do sofá, morrendo de tédio. Sua vida resumida a trabalho era incrivelmente chata e entediante sem a faculdade para ocupar seu tempo.

Ou sem um certo vizinho, que ocupa seu tempo de uma forma bem chamativa.

O rapaz de cabelos azulados não conseguiu evitar o riso. Olhou para o teto do apartamento e pensou no que faria caso Ichigo estivesse com ele. Não queria admitir, mas estava dando por falta do vizinho. Lembrou-se de quando bateu boca com o ruivo pela primeira vez, e quando nessa discussão, Ichigo falou que quem acabaria se machucando no fim, seria unicamente ele. Ichigo estaria virando o jogo, no qual Grimmjow foi vitorioso por tanto tempo?

Inadmissível.

“Você é terrível, ruivinho.” Grimmjow falou sozinho. Se bem que ‘terrível’ era pouco. Será possível que só uma noite foi o necessário para Ichigo se dar por satisfeito? Teria ele arranjado outra namorada? Céus.

Esperar seria a melhor pedida no momento. Soltando mais suspiros insatisfeitos, ligou a tv e começou a encarar a tela. Dormiria naquele sofá, mesmo sem trocar de roupa ou escovar os dentes. Não deu a mínima para o aquecedor ligado e a tv; uma só noite não faria tanto mal. Nada naquela noite conseguiria piorar seu mau humor.

“Ichigo!” Grimmjow abriu a porta de seu apartamento com certo desespero. Encarou a expressão assustada do ruivo, que logo mudou para um semblante sério e frio.

“Não faça barulho. É quase meia noite.” O ruivo alertava o espanhol, o deixando com um pouco de raiva.

“Como se eu me importasse. Eu faço o que eu quiser, Kurosaki.”

“O que você quer? Como soube que eu iria chegar essa hora?”

“Escutei o barulho da chave. E não é óbvio o que eu quero?” O rapaz de cabelos azuis lançou um olhar malicioso a Ichigo. Sem nenhum receio, logo cercou Ichigo na porta entreaberta do apartamento. Tal porta entreaberta que levou os dois ao chão ao abrir por completo.

“Mas puta merda, Grimmjow!” Ichigo fazia o máximo para não gritar. “Já tá tarde, daqui a pouco alguém vem reclamar com a gente. E cara, você quer me matar?” Ichigo sofreu todo impacto da queda, ainda com certo espanhol em cima de seu corpo. Sentia as costas pulsarem de dor.

“Será que você não sabe calar a boca, Ichigo?” Grimmjow estava prestes a beijar Ichigo, mas o ruivo virou o rosto. O espanhol mordeu os lábios de frustração.

“Não tô afim. A única coisa que eu quero é tomar um banho e dormir. Me deixa em paz.” Grimmjow ignorou. Seus lábios logo se encontravam no pescoço de Ichigo, marcando a área de todo jeito possível.

“Eu não tive o prazer de nascer em família rica como você, Grimmjow. Tenho que trabalhar ou então fico sem comer. Me solta.”

Silêncio.

Grimmjow se levantou do chão e entrou em seu apartamento com raiva, batendo a porta com violência e fazendo ainda mais barulho. Não se sentia mal pela negação das carícias por Ichigo, mas sim por ele ter se referido ao seu trabalho. Nasceu em família rica, não era mentira. Mas não dependia dos pais para nada. Tinha seu emprego e não precisava ser bancado por ninguém.

Desgraçado.

Finalmente escovou os dentes. Desligou tv, aquecedor, e foi dormir.

—

Sábado. 12h17.

Grimmjow se encontrava no térreo do apartamento, lendo algo no tablet e ganhando sermões grátis da senhora Kumi por ter feito muito barulho nas últimas setenta e duas horas. Suspirou. Até quando uma figura já conhecida abria o portão do prédio. Era Ichigo. Kumi correu na direção do rapaz ao ver o primeiro fio laranja aparecer ali.

“Ichi, você também ganhou reclamação esses dias por causa do barulho. Vê bem o que você e o Grimm-kun andam aprontando por aí, ok?” Ao terminar a frase, Kumi se colocou na ponta dos pés para acariciar a cabeça de Ichigo.

“Desculpe, Kumi-san.” O ruivo ficou um tanto confuso com a carícia tão repentina. Mas sorriu em seguida.

“Você é como um filho pra mim, Ichi. Não faça besteira.”

“Não farei, Kumi-san. Desculpe, novamente.” Enquanto isso, Grimmjow só analisava a cena. Por que Kumi era tão boa com Ichigo e não com ele?

Após se despedir de Kumi, Ichigo seguiu ao encontro de Grimmjow. Enquanto o último parecia um tanto melancólico, Ichigo mostrava determinação.

“Apareça no meu apartamento daqui a meia hora.” Ichigo avisou ao espanhol e foi em direção do elevador. Grimmjow não deixou de olhar com curiosidade para o mais novo. Poderia ser... Interessante.

—

Grimmjow se colocou a frente da porta de Ichigo, suspirou e logo bateu na porta. O ruivo logo abriu e pediu para que o espanhol entrasse.

“Sente-se. Quer chá?” Grimmjow foi em direção das banquetas pretas na cozinha de Ichigo. O último enchia uma enorme caneca de chá para Grimmjow.

“Quer açúcar? É chá preto.” Grimmjow negou, e Ichigo logo serviu o vizinho. Sentou ao lado do espanhol, que ficava com as lentes do óculos borradas com a fumaça do chá.

“Obrigado, Ichigo.”

“Por nada.”

“Então... Por que você me chamou?” O ruivo se sentiu com um tanto de culpa. Precisava falar, e não poderia perder a coragem agora.

“Enfim... Se eu não falar agora, não falo mais. Eu não quero mais nada com você, Grimmjow.”

Ichigo brincava com fogo. E no momento, sem receio algum.

Notas finais
{11.01.2014} Atenção: Vocês devem ter notado que eu deixei 'semihiatus' por apenas três dias aqui no meu perfil do Nyah. E realmente, eu estava querendo desistir. As vezes eu acho que dar um adeus definitivo para as minhas fanfics é a melhor coisa a se fazer. Mas seria um tanto injusto, não? Tem mais de 70 pessoas acompanhando esta história (o que deve ser um bug, risos). Sem contar minhas outras longfics em andamento, que sinceramente, não sei como estão tendo certa repercussão aqui no fandom de BLEACH. Acho que vocês já sabem que eu sou muito insegura e mimimi. "Mas Akane, por que você quer(ia) apagar suas histórias?" As vezes eu acho que o que eu escrevo não passa de uma grande porcaria. E eu ando doente nestes últimos quatro dias, indisposta e sem coragem pra pegar no celular e escrever. E isso só acaba me deixando mais desmotivada. Fora que tenho as minhas 'rixas' e paranoias com outros autores daqui, sendo que eles nem sabem da minha existência. :'D Nunca acho que serei boa o suficiente. Sou um tanto atelofóbica, confesso. E me sinto dividida a gostar disso e odiar ao mesmo tempo. MAS NEM TUDO SÃO ESPINHOS ♪ A boa notícia (ou má) é que eu vou continuar escrevendo minhas histórias `3´ Apesar desses 'surtos' que eu tenho, é interessante ver que o que eu posto, é lido por algumas pessoas. E eu acho que seria uma injustiça colocar algo em hiatus. Me coloco no lugar dos leitores, tenho infelizmente uma fanfic em hiatus e sei como é ruim para o leitor. Mas o leitor (fantasma) poderia se colocar no lugar do autor e fazer um comentário ao menos, certo? heh A propósito, peço que não coloquem a história como favorita se não tiverem feito algum review. Sério. Isso é muito chato, gente. :~ Eu queria MUITO agradecer a Sayan. Sério. Essa linda merece bem mais do que um obrigado, acho que se não fosse por ela, eu já teria desistido faz tempo. E vocês devem ama-la dando aquela lida + review maroto em Always Attract e Do I Wanna Know. (é uma ordem u3u) E falando em reviews, tentarei responder todos os reviews pendentes de NQAL e das minhas outras histórias. ♥ Sem contar que estou devendo uma pá de reviews para um monte de histórias, ou seja: se você souber que eu leio uma história sua e ainda não comentei, pre-para que eu irei fazer um comentário bem gay (ou tentar rç) AGORA EU ACHO QUE DEVERIA SER UM TANTO DECENTE E FALAR DO CAPÍTULO. Ichigo passiva desu. ( ●˘ ³˘●) Beijo da Akane. ♥