No Quarto ao Lado

4 Capítulo 04


Notas iniciais
jçlhfdmfkç A A A A A Socorro. Pensei que esse capitulo não fosse sair nunca. ;A; Um obrigadão a TheInterlude, por ter recomendado a fanfic, mesmo estando apenas com três capítulos. Cara, eu comecei a escrever como uma louca depois disso dlfkmdlçfhd Se antes eu já tinha vontade de escrever esta fanfic, agora então nem se fala. Dona Akane pretende não decepcionar vocês. ♥ Esse capítulo ficou bem legal até. Tô chorosa pois não consegui escrever 3000 palavras como eu costumava fazer em Apatia, mas acho que não está sendo necessário nessa fanfic. Talvez quando a inspiração venha, eu escreva mais. Ainda estou trabalhando no enredo, digamos que está perto de ficar pronto! Leiam com carinho. ♥

Sexta feira à noite. Kurosaki Ichigo, 19 anos. Beijando seu vizinho Grimmjow Jaegerjaques pela primeira vez. Beijando um homem pela primeira vez.

Enquanto se acabava nos lábios com gosto de pizza do espanhol, pensava em uma desculpa para o ocorrido. Talvez ‘eu dei a louca e decidi te beijar, simples’ fosse o motivo real do beijo. Mas Ichigo não sabia ao certo porque tinha feito aquilo. Preferiu não se desesperar. Só aproveitar o beijo. Algo que ele estava facilmente apto a fazer.

Uma onda de choque tomou seu corpo. Os lábios do espanhol tinham se separado dos seus. E o rosto do ruivo corou instantaneamente.

“Até que você beija bem, Ichigo.”

Ichigo ficou tão vermelho quanto o seu nome.

Só após o ar retomar a seus pulmões, sua consciência regressou. Céus. Tinha beijado seu vizinho por vontade própria. Aquilo não era certo. Talvez porque Ichigo só conhecia o vizinho há menos de uma semana. Ou então porque Grimmjow era um homem. E que homem.

Grimmjow inverteu os corpos, ficando em cima de Ichigo e levantando do carpete escuro sem olhar para o rosto de seu vizinho. Grimmjow ficou em pé apenas a um metro de distância de Ichigo, que estava estirado no chão, pensando no que iria falar. Até o momento em que Grimmjow invadiu seus tímpanos com a tão temida pergunta. Tal pergunta que o ruivo já tinha ideia da resposta.

“Por que você me beijou, Ichigo?” A voz de Grimmjow saiu baixa. Porém incrivelmente chamativa e atraente. Ichigo levantou do chão e encarou o corpo de Grimmjow de costas. Que bunda, hein.

“Ah... É que eu precisava te beijar para tirar umas... Dúvidas.” Como Ichigo conseguiu falar, ninguém sabe. Mas a coragem precisou aparecer de uma forma ou outra.

“E que dúvidas seriam essas?” Grimmjow virou e enfrentou os olhos castanhos de Ichigo. O espanhol caminhou em sua direção. Ichigo estava dando passos para trás, por instinto.

“Você me beijou por que está em dúvida da sua sexualidade... Não é?”

Grimmjow derrubou Ichigo no sofá. O último não reagiu. Só olhava para baixo com o rosto vermelho. O espanhol começou a provocar o pobre ruivo, ‘montando’ em cima de seu corpo e inclinando seu tórax, o fazendo tocar no peitoral do mais novo. Um sorriso psicopata deu as caras enquanto as unhas de Grimmjow passeavam no pescoço de Ichigo.

“Eu posso fazer você duvidar ainda mais.” Sussurrou bem perto do ouvido de Ichigo. Roçou os lábios na área e saiu de cima do corpo do ruivo. Foi em direção da cozinha.

“Meu deus.” Ichigo sussurrou para si mesmo enquanto se ajeitava no sofá. Olhava para Grimmjow abrindo a geladeira e suspirou. Um flashback da situação passou na sua cabeça. Grimmjow não mentiu quando disse o motivo do beijo. Ichigo estava confuso de verdade. Até três meses atrás tinha uma namorada. E agora estava talvez sentindo atração por um homem que sequer conhecia bem. Aquilo era errado, novamente. Caso Isshin soubesse, o que faria com o filho?

Como se Isshin fosse saber de alguma coisa.

Ichigo já era adulto. Pagava suas contas e sua faculdade. Se dormisse ou beijasse alguém do mesmo sexo, o problema seria unicamente dele. Continuaria sendo uma pessoa que respira, como todo mundo.

Grimmjow voltou para a sala com dois copos de água gelada, sentando no carpete e quebrando completamente a linha de pensamento de Ichigo. O último não conseguia olhar para os olhos azuis do espanhol.

“Calma, Ichigo.” Grimmjow estendeu o braço com água, fazendo menção para que Ichigo pegasse. “Foi só um beijo. E se você me beijou ou não, o problema é seu.”

Grimmjow nem precisou ‘ler’ os pensamentos de Ichigo. Estava praticamente estampado no belo rosto de Ichigo o que ele pensava ou deixava de pensar.

“Grimmjow.” Ichigo suspirou. Queria quebrar o ‘clima pós-beijo’ de alguma forma. “Eu sempre acho que você lê minha mente de alguma forma.” O espanhol não deixou de rir.

“Você não é a única pessoa que diz isso. Mas tem motivo. Minha próxima faculdade será psicologia. E eu não leio mentes. Apenas observo o olhar das pessoas e relaciono com a situação atual. Fica fácil de saber.”

“Incrível.” O clima continuava pesado. Ichigo levou o copo de água a boca, estava precisando. Respirou fundo por alguns instantes e se levantou do sofá, indo até a cozinha e deixando seu copo lá.

“Grimmjow, eu já vou. Obrigado pela pizza.”

“Certeza de que quer ir?” Aquilo soou malicioso. Um sorriso fino deu as caras enquanto Ichigo ia em direção da porta, hesitante. Ouviu passos atrás de si. Tais passos que, quanto mais se aproximaram, acabaram cercando seu corpo na parede. Puta merda. De novo, Ichigo?

“Se você quiser algumas ‘aulas’ de como beijar alguém, te dou com todo prazer.” E mordeu a orelha de Ichigo. Começou a rir como um psicopata novamente, porém com a voz baixa. Deixou Ichigo ir para casa, soprando seu pescoço, propositalmente. Mas afinal, quais eram as intenções reais de Grimmjow? Sentia atração por Ichigo? Ou gostava de provoca-lo por puro divertimento?

Ao abrir a porta de seu apartamento, Ichigo entrou, respirou e se escorou na parede, respectivamente. A confusão tomava conta de sua cabeça. O que havia acontecido naquele apartamento era verdade? Grimmjow estava ‘dando mole’ para Ichigo? Ou era apenas uma zoação com sua cara?

Ichigo foi escovar os dentes e caiu no futon, não conseguindo dormir. Dinheiro ele tinha; porém a vergonha na cara para comprar uma cama já era outra coisa.

Como se uma reles cama fosse ser a fonte dos problemas de Ichigo.

Se tudo desse certo, colocaria um plano em ação no dia seguinte, para tirar suas dúvidas de uma vez. Encarava o teto branco de sua sala toda vez que falhava em fechar os olhos. Amanhã não iria trabalhar nem estudar, talvez compraria sua cama em alguma loja próxima. Tinha também que fazer algumas compras para casa, se continuasse a viver de lámen, morreria. Não era importante se preocupar com Grimmjow com tanta coisa acontecendo. Inquieto, levantou de sua ‘cama’ e pegou o papel e caneta mais próximos. Se não escrevesse seus planos para o dia seguinte, provavelmente acabaria não fazendo nada. Mandou uma mensagem para sua amiga Orihime; ela iria ser importantíssima no momento.

Meia hora depois, foi tentar dormir com a mensagem respondida por Orihime. E o sono apareceu, para a felicidade de Ichigo.

—

Sábado. 08h15.

Ichigo acordou estressado. Não tinha conseguido dormir bem à noite e ainda acordou cedo. Sentia-se cansado, porém não sentia sono. Foi direto para o chuveiro. Após um banho rápido, lavou a louça, separou cuidadosamente seu dinheiro e pegou sua lista de tarefas.

Chegou a portaria e cumprimentou Yoshida, desanimado como sempre. E encontrou Grimmjow em uma das mesas, tomando um copo enorme de café. Parecia estar lendo algo em um tablet. Sexy. Mesmo com calça de moletom xadrez e camiseta lisa. Seu cabelo caído sobre seu óculos o deixava ainda mais bonito.

“Ichigo.” O pobre ruivo gelou com a voz do vizinho. Parecia um juiz falando, devido ao tom autoritário que usou.

“Bom dia, Grimmjow.” Ichigo não encarou o vizinho. Não tinha condições para isso.

“Aonde vai tão cedo?”

“No centro, comprar umas coisinhas.”

“Vai sozinho?”

“Vou encontrar uma amiga lá.”

“Tudo bem então. Volte logo.” A última frase soou como um aviso. Ichigo foi embora e passou numa pequena cafeteria, pegando um copo enorme de café enquanto esperava o ônibus chegar. E seguiu para o centro ao encontro de Inoue.

—

Ichigo chegou ao prédio indignado. Não conseguia acreditar no que aconteceu, no vexame que passou e no fato de Orihime talvez nunca mais querer olhar na sua cara. Segurando três sacolas enormes de compras e um rosto de descontentamento, entrou no elevador e aguardou com impaciência até chegar ao sexto andar. Chegando a seu apartamento, bateu a porta com violência, fazendo um barulho alto. Seus vizinhos iriam reclamar, sem sombra de dúvida. Mas aquilo não importava muito.

Alguns minutos após Ichigo chegar, batidas na porta. A visita era óbvia.

“Oi, Grimmjow.”

“Eu ouvi um barulho alto vindo daqui.”

“Não foi nada.”

“Tudo bem então.” Grimmjow ia embora. Mas Ichigo o impediu.

“Eu vou fazer um chá agora. Entra.” Em silêncio, Grimmjow adentrou o apartamento. Ichigo fez menção para que Grimmjow se sentasse numa banqueta, a frente do balcão que dividia a sala e a cozinha. O ruivo encheu uma chaleira com água e a colocou no fogão. Foi se sentar com Grimmjow.

“Gostei das banquetas.” Plástico fosco na cor preta, metal cromado, parecia até ser de algum bar. Eram realmente bonitas.

“Obrigado. Comprei hoje.”

“O que mais você comprou? Desculpe a curiosidade.”

“Não é nada. Comprei essas banquetas, uma geladeira e uma cama.” Grimmjow sorriu com malícia após Ichigo pronunciar a última palavra, mas passou despercebidamente pelo ruivo.

“Rico.” O espanhol brincou e soltou um riso. Ichigo não deixou de sorrir.

“Que nada. É dinheiro juntado faz tempo. E eu paguei a vista, teve desconto.” Ichigo voltou a sorrir. Levantou da banqueta e foi preparar o chá. Ainda estava meio desconfortável com Grimmjow, porém o clima pesado não poderia ficar para sempre. Grimmjow suspirou. Ao sentir o aroma do chá preto e por ter dado uma boa secada no bumbum de Ichigo. A calça preta o deixava... Interessante.

“Chá preto com um pouquinho de açúcar. Gosta?” Ichigo colocou o chá em uma pequena xícara. Fez menção de servir seu vizinho.

“Claro.” O espanhol sorriu e pegou a xícara. Soprou a fumaça, fazendo seu óculos borrar.

“Aqui.” Ichigo deu um guardanapo para Grimmjow limpar o óculos. O último deixou a xícara no balcão para limpar o óculos. Enquanto isso, Ichigo se sentava ao lado de Grimmjow e bebia o chá quente. Grimmjow acabou deixando o óculos no balcão e pegou o chá.

“É a primeira vez que te vejo sem óculos.”

“Minha cabeça dói quando eu não uso.”

“E por que você usa óculos, Grimmjow?” Ichigo gostava do nome do vizinho. Talvez pelo fato de ter aprendido a pronunciar corretamente.

“Quando eu tinha uns catorze anos, eu lia muito no escuro e forçava muito a visão. Quando eu completei dezesseis, comecei a usar. Eu sentia muita dor de cabeça fazendo qualquer coisa.”

“E hoje em dia?”

“Eu ainda sinto, mas não muita.” Ichigo suspirou após a última frase de Grimmjow. Um silêncio incômodo tomou conta do local por um bom tempo enquanto Ichigo e Grimmjow apreciavam o chá ainda quente.

“Ichigo?”

“Sim?”

“Você chegou nervoso com alguma coisa, não foi? Posso saber o que foi?” O espanhol lançou um olhar desafiador. Foi impossível de Ichigo negar o pedido.

“É que... Teve uma confusãozinha quando eu fui comprar minha cama.”

“Sério?” Grimmjow soltou uma risada.

“É... Hoje eu chamei uma amiga minha pra me ajudar a escolher. Na hora que chegamos na loja, a vendedora pensou que fossemos namorados. Só piorou quando...” Ichigo não tinha estruturas para continuar. Era constrangedor demais.

“Quando...”

“Eu pedi pra essa minha amiga... Me beijar. A vendedora viu, e nos empurrou.” Sendo sincero, Ichigo nem acreditou quando a menina o beijou de verdade. Soube faz algum tempo que Orihime gostava dele mais do que um amigo, mas ela acabou desistindo. Ichigo achou até bom. Gostava bastante de Orihime, e se sentia triste por não poder dar a ela o tipo de amor que ela desejava. Foi interessante ela ter amadurecido mais e não ter dado um chilique por causa de um beijo.

“Só?”

“Eu acabei encoxando ela e minha cabeça foi parar bem nos se... Você sabe o que.” Ichigo terminou a frase com o rosto vermelho. Grimmjow se acabava de tanto rir. Ria pensando na cena, no rosto vermelho de Ichigo. E ele sabia muito bem o motivo de Ichigo ter pedido para beijar a amiga. Mas preferiu não comentar. O ruivo estava aderindo a outro lado da força. Quem sabe algum dia ele pediria para Grimmjow o beijar. Sem sombra de dúvida, o espanhol faria isso com todo prazer.

“Não precisa rir tanto assim.” Ichigo falou emburrado.

“Ai ai... Você é cômico, Ichigo.”

“Enfim... Posso te dizer uma coisa, Grimmjow?” O espanhol olhou com certa desconfiança para qualquer lado onde a cara de Ichigo não pudesse ser vista, depois soltou uma risadinha. Mudando de assunto, Ichigo. Tsc.

“Pode sim.”

“Você tem cara de ser baladeiro.” Ichigo ficou meio sem graça. Mas era verdade. A cara de Grimmjow só era santa as vezes.

“Até que sim, sabe? Antes e no começo da faculdade, eu era uma pessoa completamente diferente. Era bem mais estressado e vivia bebendo, fumando. Falava mal do mundo por qualquer motivo.”

“... Interessante.”

“Essa palavra é minha, desgraça.” Grimmjow fez um bico e logo começou a rir junto de Ichigo. “Quando eu me estresso, parece que essa personalidade ruim de alguns anos atrás vem a tona. Não a abandonei por completo.” Ichigo que o diga. Os sorrisinhos psicopatas faziam jus ao tipo de pessoa que Grimmjow aparentava ser. Ou aparenta.

“Então, senhor baladeiro, sábado à noite, e nós aqui tomando chá. É ruim pra você?”

“Claro que não.” Grimmjow tomou um pouco mais do chá, já com pouca fumaça e temperatura moderada. Estava perfeito.

Voltaram a tomar o chá em silêncio. Ichigo estava com os pensamentos desordenados. Quando conversava com Grimmjow casualmente, sentia como se ele fosse o irmão mais velho que nunca teve. Mas as provocações frequentes, o beijo... Não era coisa que um ‘irmão’ iria fazer. Se bem que, parando para pensar, Grimmjow sendo um ‘ex’ baladeiro, provavelmente deve ter ficado com várias pessoas. Um semblante desapontado habitou o rosto do pobre ruivo. Mal tinha iniciado suas experiências com o mesmo sexo e era só mais um que um dia, teve a oportunidade de beijar os belos lábios de Grimmjow. Frustrante. Não que Ichigo já estivesse colocando expectativas naquilo... Na verdade, ele estava. Se culpou internamente. Mas era errado, continuava sendo errado pelo fato dele ser um homem! Por mais que Grimmjow fosse o homem, seu orgulho estava em jogo. Ichigo não sabia mais o que pensar.

“Você tá legal, Ichigo?”

“Ah. Sei lá.”

“Eu fiz alguma coisa?” O espanhol perguntou preocupado.

“Tudo bem então, me responda. Eu sou só mais um pra você, Grimmjow?”

Aquilo não deveria ser dito.

Notas finais
{03.12.2013} Ai gente hjlkçdhfdfd então, é isso. Minhas atualizações são desordenadas pois as vezes eu nem consigo pegar o celular pra escrever. Sério. Minha criatividade some. Essa semana, eu estou tendo provas, e depois, ADIOSSSSS ESCOLA. E estou muito feliz pois eu tenho uns 90% de chance de ter passado na ETEC. ;w; Ok, mas acho que isso não vem em questão agora (ou vem, pois minhas provas podem afetar meu desempenho) ~ Obrigado a todos vocês que fazem os reviews dessa história crescerem cada dia mais. Minha insegurança vai embora aos poucos com cada palavra carinhosa que eu recebo aqui. ♥ Até a próxima atualização, chu :*