No Other

9 Capítulo 9 - Antidote


Notas iniciais
Música do capítulo, para a pessoa mais foda dessa fic, Antidote - St. Vicent http://www.youtube.com/watch?v=vOsuw1rBbG4 Aproveitem o capítulo e me desculpem a demora -q Boa leitura!

Fui para a escola no dia seguinte me sentindo estranha. Não sabia se tinha sido certo enviar aquele e-mail. Não que eu não amasse meu pai e me arrependesse de dizer aquilo, mas me pareceu uma ação desesperada.

– E pensar que só acabamos o 1º bimestre, tem mais 3. – Lólli se sentou à minha frente, abrindo a caixinha de suco.

– Acho que até que passou rápido. – Louis falou entre garfadas no seu almoço. – Quando você fica longe da bagunça até que passa rápido.

– Bagunça? – Peguei um pedaço de pizza do prato de Duran, ao meu lado. – Vocês eram os baderneiros da escola?

– Não, mas Ali era. Eu e Lólli andávamos muito com ela. – Louis deu de ombros.

– Aliás, ela ainda tá na escola? – Lólli largou o suco. – Ela não disse que ia mudar de escola.

– Ela nunca disse metade das coisas que ia fazer, Lólli. Não me surpreenderia se ela não avisasse que ia embora e sumisse assim. – Ele parou para tomar seu suco. – Mas também não me surpreenderia se ela só estivesse matando aula.

– Por um bimestre todo? – Perguntei surpresa.

Ele deu de ombros. Duran comeu o resto da pizza que eu ainda segurava, mordendo um dedo meu.

– Ai, caralho. Você podia simplesmente pedir ao invés de arrancar meu dedo.

– Só roubei de volta. – Ele limpou a boca com um guardanapo e se levantou. – Pessoas lindas, partiu aula.

– Vou com você, Du. – Ele se virou para mim, franzindo o cenho. – O quê? Duran é demorado.

– Vamos logo então, preguiçosa. – Revirei os olhos e fui atrás dele.

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Passei o intervalo antes da aula começar com os fones de ouvido, escutando Antidote. Incrível como a trilha sonora dos filmes de Crepúsculo conseguia ser tão boa.

Janet entrou calmamente, fechando a porta atrás de si. Guardei meu Ipod e peguei minha lapiseira, começando a fazer riscos aleatórios na mesa.

– Andei dando uma lida nas redações da primeira aula do ano. Demorei para ler todas, mas gostei do resultado. A maior parte de vocês já se conhecem, mas ainda quero fazer isso.

Parei de riscar a mesa e passei a apagar meus traços. A professora pegou um monte de folhas. Shaun estava atrás de mim, batucando com o lápis na própria perna.

– Eu vou entregar seus textos, de forma que vocês leiam o texto de outra pessoa. Depois vão me entregar outro texto, falando o que acharam da pessoa sobre quem leram, ok?

Ela começou a passar entre as carteiras, entregando as folhas. Ela me entregou uma folha, mas antes que eu visse quem tinha escrito a porta se abriu bruscamente.

Shaun parou de batucar o lápis na perna e Janet se virou, encarando-a. A garota na frente da sala nos encarava, sem demonstrar emoção alguma.

Ela era linda. Os cabelos dela eram pretos, repicados pouco abaixo dos ombros. Os olhos castanhos claro, quase verdes e o rosto ovalado, combinando com o resto. Eu devia ser uns 15 centímetros mais alta que ela, mas ela era muito mais...

– Gostosa. – Me virei, surpresa. Shaun a encarava com um sorriso estranho em seu rosto.

– O que? – Sussurrei de volta, vendo Janet caminhando até a garota.

– Alice é gostosa. Podia ser mais alta, concordo, mas ainda assim, gostosa. – Franzi o cenho. – Que foi?

– Nada, só nunca te imaginei falando isso. Só achei estranho. – Alice soltou a maçaneta da porta, encarando a professora.

– Não sou nenhum anjo, Megs. Bem, com você às vezes. – Ele batucou com o lápis nas minhas costas e se calou. Antes que eu pudesse reagir, Janet falou.

– Tenho certeza de que você não deveria invadir sala alguma. Você é?

– Alice. E olha, eu não quero saber da aula, só preciso marcar presença. Se você me expulsar vai ser melhor, tanto pra mim quanto pra você.

Minha cara de surpresa deve ter sido hilária, porque Alice me encarou de lado, sorrindo, rapidamente.

– Sente-se, rápido. – Senti o tom amargo na voz de Janet. – Leia o texto com Shaun e escreva uma opinião. – Alice passou com a mochila, voltando a me encarar. Os olhos dela eram muito mais claros que os meus. Vi meu reflexo neles, sentindo um arrepio.

Não que eu não tivesse gostado dela, ou ficado com medo. Mas ainda me sentia estranha. Ela pegou uma cadeira e a puxou para o lado de Shaun.

Peguei a folha que recebi e olhei de quem era: Shaun Heat. Olhei de soslaio para ele, vendo-o inclinado sobre uma folha, junto com Alice. Voltei a encarar a folha e passei a ler o texto.

“Sou Shaun Heat, tenho 16 anos, e vivo na Califórnia desde que nasci. Bem, na verdade sou de Nova York.”

Franzi o cenho. Shaun era nova-iorquino? Peguei uma folha de fichário para responder o texto, escrevendo o comentário por partes.

“Não imaginava que ele fosse de Nova York. Achei interessante.” Passei os olhos pela frase que eu tinha escrito antes de voltar para o texto dele.

“Moro na casa do meu pai, mas quase nunca o vejo. Ele tem pouco tempo. Minha mãe morreu no meu parto e, desde então, quem me criou foi minha avó. Ela morreu ano passado.”

Demorei um pouco para achar um comentário sobre aquilo. Me senti um pouco mal por ele. Eu já imaginava que a avó dele tivesse morrido, porque ele me disse que o carro tinha sido herança, mas nunca imaginei que eles fossem tão próximos.

“Shaun sempre me pareceu um cara muito fechado. Mas o jeito que ele falou da avó me surpreendeu. Ele se expressou tão bem, que parecia que ele sempre falava disso.”

“Gosto de ler, ouvir música e jogar videogame. Meu livro favorito é O Senhor Dos Anéis: O Retorno Do Rei. Gosto de rock clássico, grunge e indie rock. Não gosto muito de jogos de tiro, prefiro os de fantasia, por assim dizer.”

Ah, para! Shaun é meu clone. Uma versão masculina e mais bonita. Mas ainda assim, como isso era possível?

“Eu e Shaun temos gostos muito parecidos, tanto para livros, quanto em música e jogos. Seria um bom assunto para começar uma conversa. A única diferença é que eu não consegui decidir qual o melhor dos Senhor Dos Anéis ainda, ele já.”

“Para resumir, me considero preguiçoso, mas isso nunca afetou minhas notas. Sou um pouco detalhista, por isso costumo irritar um pouco as pessoas. E me irrito um pouco fácil também.”

“Shaun não tem cara de ser muito arrumado. Acho que com detalhista ele quis dizer em relação ao que os outros falam. Mas para resumir, Shaun é introvertido, mas ainda assim legal.”

Janet parou ao meu lado, segurando uma pilha de folhas no braço. Estendeu duas delas para mim e pegou a minha. Ela passou a minha folha para Shaun e me entregou as duas que segurava.

Olhei as duas folhas. Uma era de Shaun e a outra de Alice. Li a dele antes.

“Já cheguei a conversar com Megan algumas vezes, mas não sabia tanto dela. Me surpreende saber que compartilhamos gostos e um pouco da personalidade.

Fiquei interessado na banda do irmão dela, Jack. Provavelmente vou pedir para ouvir alguma música deles depois.

Megan é uma pessoa bem interessante. Já percebi que ela tem um humor negro, o que facilita uma conversa. Às vezes falo um pouco sem pensar e acabo ofendendo as pessoas, mas não ela.

Ela é muito tímida, mas legal com desconhecidos, e totalmente espontânea com conhecidos. De vez em quando é o contrário, mas enfim, ela é uma boa amiga.”

Peguei a folha de Alice, evitando pensar no que Shaun dissera. O texto dela era bem menor, sem rodeios.

“Megan me parece ser bem legal. Tem bom gosto musical, tem estilo próprio, pelo que observei, e atitude, pelo que Shaun me contou. Espero que ela possa virar minha amiga, e eu dela, claro.”

Dei um sorriso, com a testa franzida. Alice me achou legal. E tinha me avaliado, em questão de segundos. Mas o que Shaun tinha contado para ela não me vinha à cabeça.

Janet liberou nós três. Eu guardei minhas coisas de qualquer jeito na mochila e fui para a sala de estudos, pra esperar o horário de saída.

Já estava há alguns minutos tentando resolver uma questão do dever de física, quando uma sombra sobre minha folha me distraiu.

Ergui meu rosto, encontrando os olhos de Alice. Ela franziu o cenho quando a encarei, mas logo sacudiu a cabeça e se sentou.

Só então, quando ela deu um sorriso, lembrei que estava com a caneta na boca, parecendo um cachorro roendo um osso. Peguei a caneta e tentei dar um sorriso.

– Então, tudo bem? – Perguntei hesitante. Ela colocou o Iphone em cima da mesa antes de responder.

– Bem. – Ela sorriu. Ok, além de bonita ela ainda era fofa. – Você?

– Também. – Ela colocou os fones, me indicando um deles. – Não, valeu.

– Certeza?

– É, to de boa ouvindo Duran Duran. – Apontei pro meu próprio fone. Ela ergueu uma sobrancelha.

– Mais uma no grupo dos clássicos. Shaun, Duran e agora Megan. E o baú foi reaberto. – Ela disse sorrindo, enquanto dava play na música que queria ouvir.

– Não posso fazer nada se o clássico é o melhor. – Dei de ombros. – Mas eu gosto de música nova também.

– Nova, tipo...?

– Ahm, Pink, Jason Mraz, sei lá. – Larguei a caneta sobre o caderno.

– Já ouviu k-pop? – Ela se inclinou na cadeira.

– Já. Você gosta? – Eu que franzi o cenho dessa vez. Aquela garota, que não dava uma foda pra nada, gostava de k-pop? Nada contra, mas eu achava que ela era bem mais afim desses grupos de rock novos.

– K-pop é vida. Você gosta? – Ela começou a sorrir, se inclinando ainda mais na cadeira.

– Nunca cheguei a prestar atenção, mas... – antes que eu terminasse de falar, ela puxou uma cadeira pro meu lado e me entregou um dos fones.

– Depois você procura mais uns em casa. – Ela foi para um lista de vídeos e colocou um pra tocar. Sorry, Sorry do Super Junior.

Ouvi a música, prestando atenção no clipe. Puta que pariu, que povo gostoso! Todo coreano era bonito daquele tanto? Ok, eu sabia que não, mas olhando para aquele vídeo me deu até uma ilusão de que era.

– Ai que lindo! – Alice quase deu um grito, me fazendo tirar os olhos do vídeo por um segundo. – São lindos, né?

Concordei, murmurando um “Aham” idiota. Acho que tanta gostosura me deixou meio retardada. Nota mental: fazer uma pesquisa sobre Super Junior assim que chegar em casa.

– Ai, cara, que delícia! – Comecei a rir. Ela riu junto.

Passei o resto do horário com Alice, vendo vídeos um atrás do outro e rindo. Até consegui diferenciar um pouco os integrantes do Super Junior. Ela era simpática e gentil, ao menos comigo, e, não sei se por querer, fofa. Eu parecia uma empregada doméstica do lado dela.

Mas talvez ela estivesse certa. Esperava que virássemos amigas. Eu queria mesmo aquilo.

Notas finais
E então, o que acham da Alice? Ela é inspirada na Mio, linda, que favoritou minha fic u.u ♥ Bjs para todos vcs ^.^