No Other

4 Capítulo 4 - Unwritten


Notas iniciais
Então, leitores adoráveis, espero que estejam gostando ^^
Tentei postar esse mais cedo, mas semana de prova é difícil digitar :X
http://www.youtube.com/watch?v=b7k0a5hYnSI Unwritten - Natasha Bedingfield ^~^
Boa leitura!

Enterrei o rosto no travesseiro quando o despertador tocou. Provavelmente Jack me carregou do carro até meu quarto, já que eu tenho certeza de que não fui sozinha até lá.

Jared e Ian me sacudiam, mas eu me negava a acreditar que já eram 6:30. Quase sorri pro travesseiro quando os dois pararam de me sacudir, eu finalmente poderia voltar a dormir.

Mas na mesma hora, Ian puxou meu cobertor, me fazendo arrepiar com o frio que me atingiu.

– Bom dia, docinho. – Ele disse com a voz mais irritante possível, sorrindo e segurando o cobertor. – Você provavelmente vai querer lavar o rosto antes de ir pra escola, pra tirar essa maquiagem.

Me levantei, fuzilando Ian com um olhar, e puxando a saia do meu vestido, que eu ainda estava usando. Caminhei até o espelho e olhei minha cara.

Realmente, puta que pariu. Minha cara estava tão borrada que eu acho que se fosse num berçário seria expulsa por assustar os bebês. Ian sorriu de novo, encarando minha imagem no espelho.

– Eu ainda te acho linda, amor. – Ele mandou um beijo pro espelho, sorrindo.

– Vai se fuder, Ian, na moral. – Fui pro banheiro antes que ele respondesse. Ouvi Jack entrando no meu quarto assim que fechei a porta, xingando Ian. Não ouvi direito, mas devia ser por ter puxado o cobertor e visto minha bunda.

Tomei um banho bem rápido e vesti uma roupa qualquer: calça jeans escura, camiseta vermelha, e meus coturnos. Prendi meu cabelo num rabo de cavalo e sai do quarto, agora vazio, colocando uns brincos.

Passei pelo quarto de Elijah, fazendo bastante barulho, para acordá-lo. Mas o menino era tão vagabundo que só se virou na cama.

Fui para a cozinha e enchi uma caneca de café para mim. Eu simplesmente odiava café, mas eu precisava acordar. Nada melhor que cafeína pra isso.

– Bom dia para você também. – Minha mãe falou num tom irônico, sem sequer desviar o olhar do jornal.

– Desculpa, bom dia, mãe. – Dei um beijo na bochecha dela e me sentei no banco ao lado dela. – Bom dia, Liam...

– Bom dia, Megs. – Ele deu um sorriso leve, quase mórbido.

– Ei, pequena, quer carona hoje? – Jack se apoiou nas costas do banco, com os olhos fixos na bancada de granito.

– Pode ser, eu tenho que conhecer o prédio 2, é melhor eu chegar mais cedo. – Tomei metade do café num gole só, fazendo uma careta logo em seguida.

Ian se sentou ao meu lado e pegou a caneca da minha mão, tomando o resto. Jared deu um peteleco na orelha do irmão e me perguntou se eu queria que ele pegasse mais café.

– Não, valeu, eu ia jogar aquele resto fora. – Ele deu de ombros. – Bem, vou arrumar minha mochila.

Sai da cozinha e fui pro quarto. Peguei minha mochila e coloquei os cadernos das matérias, estojo e meu livro amado, Crônicas de Nárnia. Desci de novo, dando tchau pra minha mãe.

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Em cinco minutos cheguei na escola. Dei um beijo em Jack e fui direto pro prédio 2. O estacionamento começava a encher.

Olhei meu horário de terça enquanto andava entre carros e pessoas. Matemática, geografia, física, redação e espanhol. O último horário era opcional, então eu ficaria livre para andar pela escola. Só que eu teria que esperar o horário em que liberavam os portões.

Deixei minha mochila na sala de matemática e corri até o prédio para pegar meus livros no armário. Quando estava voltando para o prédio 2 o estacionamento já estava cheio. Acabei trombando numa garota.

– Me desculpa. – Me virei para ver quem era. A líder do grupinho que sempre me fuzilava, como ela fazia agora.

– Você é cega, garota? – Ela falou com o maxilar cerrado.

– Não, realmente, me desculpe. – Sorri ironicamente dessa vez e me afastei. Aquela menina com certeza era vadia.

Entrei no prédio 2 de novo e corri pelos corredores até a sala de matemática.

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Os 3 primeiros horários antes do almoço passaram rápido, e eu adorei os novos professores. Carl, de geografia, e Justin, de física. Claro que não quer dizer que eu gostei das aulas.

Comprei um sanduíche na lanchonete e fui pra uma mesa mais afastada no refeitório. Algumas pessoas ainda me encaravam por ser novata, mas ignorei.

– Oi. – Louis se sentou ao meu lado, com um pedaço de pizza de almoço. – Como foi sua manhã?

– Legal. Só a aula de geografia que foi um cu. Sono da desgraça. – Ele concordou, mordendo a pizza. – Física também, já vi que vou me fuder esse ano.

Louis ia dizer alguma coisa, mas Lólli cruzou o refeitório correndo e quase pulou na nossa mesa, me gritando o tempo todo. Os outros alunos olharam por alguns instantes, mas deram pouca importância pro escândalo.

– Ok, Megs, você tem que se explicar e a hora é essa. – Ela se sentou à minha frente, colocando a mochila na cadeira do lado. – Que história é essa de sair com Shaun Heat no primeiro dia de aula?

– Você saiu com Shaun no seu primeiro dia em Nightfalia High? – Louis parou de comer e ficou me encarando, chocado. – Tipo, não que eu não goste dele, até o considero amigo, mas ele nunca é simpático com ninguém. Muito menos novatos.

– Realmente, ele é totalmente antipático, e egocêntrico, e arrogante. – Comentei com Louis antes de responder Lólli diretamente. – E não tem nada de mais, Lóh. Eu fiquei olhando o carro dele, ele me viu e ofereceu a carona. Só pra mostrar o carro.

– Sério? Só isso? – Ela cruzou os braços, incrédula.

– É. Eu nem o vi mais.

– Não é bem um problema, ele é do 1º ano também, provavelmente têm alguma aula juntos.

– Ai, gente, tá, e daí? Qual o problema, o que eu tenho que explicar?

– Pra gente nada... – Ela apontou com a cabeça pra uma garota na mesa ao centro. A garota líder do grupinho, em quem eu trombei mais cedo. – Com a piranha oxigenada, vários problemas.

– Ah, Deus...Deixa eu adivinhar, ela é a garota mais popular de todas, é afim dele e provavelmente já me odeia por estar roubando a atenção dela, por ser novata?

– Eu não conseguiria fazer um resumo tão bom da piranha. Claro, né? Todo mundo aqui venera a garota e a beleza dela. – Lólli usava o tom mais irônico que tinha.

– Jessica realmente adora fazer um drama, me surpreende que ainda não tenha te atacado. – Louis falava mais para si mesmo que para mim. – Pena que age feito uma vadia e tem uma alma corrompida.

– A garota é tão louca com seu posto de rainha que eu não duvido que ela mataria alguém por ele. – Olhei Jessica, com os cabelos loiros compridos perfeitos caindo numa cascata sobre um dos ombros. Mas eu podia imaginá-la matando alguém.

– Nunca confirmaram nada, Lorenna, poderia ser só um boato. – Arqueei uma sobrancelha, esperando uma explicação. – Dizem que uma vez, só porque ele arranhou ela por estar com medo de um trovão, ela afogou o próprio gato.

– Porra! É sério isso? – Louis deu de ombros. – Que bizarro, cara. Que medo.

– Nunca confirmaram nada, mas se for verdade, eu entendo seu medo. Ela não fez nada ainda, mas tenho certeza que hora ou outra ela vai te incomodar. Principalmente quando ela ouvir sobre Shaun. – Lólli me encarava, com raiva da outra garota.

– Jessica é afim de Shaun desde o primeiro ano dela aqui na escola. Nosso primeiro ano.

– E agora ela acha que eu to afim dele também, ótimo!

– Não ficou? Todo mundo fica afim de Shaun ao menos por um mês.

– Não, Lorenna. E também não quero morrer afogada.

– É o que minha irmã falou antes: acho que ela ainda não sabe da história da carona, mas é bom ficar alerta.

Mudamos de assunto depois disso, conversando sobre o horário livre que teríamos. Na verdade o horário era livre apenas para quem optasse não fazer a aula de espanhol, e como eu odeio espanhol, foi meu caso.

Louis ficaria comigo, esperando o horário que os portões abriam, mas Lólli teria aula. Não entendia como ela conseguia suportar a aula. Ela disse que não se importava mesmo, era melhor do que ficar sem fazer nada.

Peguei minhas coisas e fui para a aula de redação, ficando sozinha.

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Como sempre, deixei o papel que os professores tinham que assinar sobre a mesa e fui para o fundo da sala. Não tive tempo de pegar meu livro já que assim que me sentei a professora entrou na sala.

Era uma moça, de seus 20 e poucos anos no máximo, baixa, com os cabelos compridos presos num rabo de cavalo e vários piercings nas orelhas. Os outros alunos também a estudavam, como se nunca a tivessem visto antes. Talvez ela também fosse nova.

– Olá para todos. Meu nome é Janet, a professora nova de redação. – Ela não parecia ser rude, mas alguma coisa nela me incomodava. – Eu ainda preciso conhecê-los por ser nova.

Ficamos em silêncio, esperando para saber se ela ia perguntar nossos nomes por fileiras ou algo do gênero. Ela se sentou na mesa e continuou.

– Por hoje, tudo que vocês tem que fazer é um texto se apresentando. Falem de vocês, família, gostos, tudo. – Ela cruzou os pés. – Bom que também me familiarizo com a letra de vocês.

Peguei um caderno e abri numa folha em branco, pegando a caneta no estojo. Encarei as linhas por alguns instantes, pegando uma lapiseira e borracha, pra fazer um rascunho antes. Respirei fundo e comecei.

Meu nome é Megan Stone, tenho 15 anos e me mudei recentemente para a Califórnia. Nasci e cresci em Minnesota.

Moro com minha mãe, Johanna, e meu irmão, Elijah. Ele deveria estar na faculdade, mas digamos que ele é um pouco indeciso. Eu tenho um outro irmão mais velho, Jack, que vive na Inglaterra com outros 3 amigos por causa da banda que eles têm, “The Secret Weapon”.

Meu pai, Will, mora na Flórida com minha madrasta e a filha dela. Eu até gosto da filha dela, Isabela, mas nem sempre me dou bem com minha madrasta. Meu pai tenta sempre manter contato, mas às vezes fica difícil por causa do trabalho.

Ainda não fiz muitos amigos por aqui, mas isso não me surpreende. Não sou exatamente o que se pode chamar de sociável. Mas nem parece que os dois que eu fiz só conversam comigo há dois dias.

Gosto muito de ler. Adoro livros de aventura e universo alternativo, mas também leio muito fics. Meu livro favorito é O Senhor Dos Anéis, de J. R. R. Tolkien. Meu irmão, Jack, até me deu o cordão que eu uso hoje, com a réplica do Anel de pingente.

Quanto a gosto musical, é meio difícil definir. Claro que eu gosto de mais de um estilo, mas acho que gosto de estilos diferentes demais. Amo Elvis Presley, Angus e Julia Stone, Nickelback, Pearl Jam e Seether, por exemplo. Vai de rockabilly pra grunge e indie. A banda de Jack também, que é uma coisa mais metal, tipo Korpiklaani.

Em resumo, sou um pouco preguiçosa, mas procuro me esforçar na escola. Sou tímida, mas nem tão quieta , e tranquila. Não sei mais o que falar, o resto de mim ainda não foi escrito.

Olhei a folha mais uma vez e a arranquei do caderno, com cuidado. A professora me encarou, com um ar questionador. Ergui um pouco a folha, mostrando que tinha acabado e ela me fez um sinal para entregar o texto.

– Foi bem rápida. Muito bem, está liberada. – Ela deu uma olhada rápida no texto antes de guardar a folha. Peguei minhas coisas, quase correndo.

Quando estava passando no corredor entre as carteiras, quase derrubei o garoto que estava se levantando na hora. Ele se virou devagar, provavelmente pra me xingar, como eu esperava, ou ver quem o acertara, quando vi seus olhos violetas. Shaun. Ele não disse nada, só saiu do meu caminho.

Sai da sala e fui para o prédio 4, guardar meu material. Guardei os livros no armário e fui para a sala de estudos do 2. A sala era cheia de mesas redondas, para no máximo 8 pessoas.

Me sentei, colocando os fones de ouvido e pegando o caderno de física. Eu simplesmente estava fudida com física. Que negócio capirotesco.

– Oi. – Levantei a cabeça, observando Shaun se sentar.

– Olá. – Respondi, lembrando do aviso de Lólli sobre a maluca-do-gato-afogado. Procurei discretamente por ela na sala, mas não a vi.

– O que foi? – Shaun era um cara bem direto, tanto que na maioria das vezes eu ficava meio lerda com as perguntas dele.

– Hum? Ah, nada. Por que você acha que tem alguma coisa errada? – Eu definitivamente não sabia disfarçar.

– Eu nunca disse que era algo de errado, só perguntei o que estava acontecendo porque você tá com uma cara estranha. – Ele pegou uma caneta e começou a girá-la entre os dedos. – Então?

– Só uma coisa que eu ouvi mais cedo, mas não tem nada,não. – Me encolhi na cadeira, como se ele pudesse ler minha mente. Por que eu estava agindo tão estranho com ele?

– Se você diz... – Ele passou a encarar a mesa, ainda girando a caneta. E então ele parou a caneta e voltou a me encarar. – Posso te fazer uma pergunta?

O encarei por um instante, tentando imaginar o que ele poderia perguntar. Por fim, dei de ombros, sem conseguir pensar em nada.

– Por que se mudou para a Califórnia?

– Minha mãe conseguiu um emprego aqui e trouxe a gente com ela. Por que? – Era a coisa mais comum de se ouvir, se mudar pelo emprego dos pais, mas não entendo como isso podia ser interessante.

– E você concordou? – Ele parecia um pouco...decepcionado com aquilo. – Não tinha nada que te prendesse em Minnesota? Amigos, namorados, algum lugar especial, nada?

– Minha casa aqui é muito parecida com a de lá, ainda converso com meus amigos e nunca tive um namorado. Não fez tanta diferença, afinal. – Eu me sentia estranha falando daquele jeito da minha vida em Minnesota, como se não tivesse valido nada.

– Sempre faz diferença, senão não se chamaria mudança. – Ele voltou a rodar a caneta, encerrando a conversa, exatamente com a entrada de Louis.

– Oi, Megs. Tudo bem, Shaun? – Shaun o cumprimentou com a cabeça. – Saíram mais cedo?

– Aham, aula de redação. Ela só pediu um texto e liberou a gente.

– Me surpreende que tanta gente ainda esteja lá. – Shaun comentou com Louis, encarando a porta.

Depois disso ficamos conversando. Louis e eu começamos a falar de Crônicas de Nárnia, e Shaun acabou entrando na conversa. Não sabia que ele gostava de Lewis.

Notas finais
Me digam o que acha que está ruim ou precisa ser melhorado e o que gostaram ^^
Bjs