No One Will Be There
1 Capítulo 1
5 de abril de 1994
A arma pesava na sua mão esquerda, talvez não fosse o peso do metal, mas sim pensar que acabaria com os seus vinte e sete turbulentos anos de vida. Enquanto pensava nos seus últimos dias andava pela sua casa até a estufa, uma noite agradável para qualquer um menos pra ele. Se sentou no chão frio e fumou o seu Camel Light, ele sorria para o cigarro caro e a hipocrisia que cheirava mal e impestiava a estufa trancada. Pegou no bolso do jeans surrado a carta mais triste, aquela que nos seus momentos de dor ele imaginava e a jogou para o lado. A arma estava nas suas mãos agora, não tinha porque ter pressa, mas tudo rodava lentamente e sua mãos tremiam e ele viu que nunca teria coragem para se matar, descansou a arma no chão e tirou as balas do bolso da jaqueta, como ele não parava de tremer as balas rolaram pelo chão junto com um papelote com heroína preta mexicana.
Ele levou as mãos ao rosto e chorou, lágrimas que demoraram muito a descer, lágrimas de arrependimento e dor. Não desistiria da idéia, por isso se levantou determinado e foi até a pia, pegou um recipiente e encheu de água, se sentou novamente e fez aquele ritual que já havia feito tantas vezes, dissolveu a heroína e injetou na sua veia, as lágrimas desapareceram e sua mão estava firme, recolheu rapidamente as balas e preencheu a arma. Deitou no chão sujo e virou seu rosto e a carta continuava lá, sem demorar ele colocou a arma na boca.
NO ONE WILL BE THERE WHEN YOU FALL.
Um barulho o acordou:
\"Kurt, não!\" um grito feminino. Ele levantou e fitou a parede de vidro, um grito desesperado de dor quebrou o silêncio da noite na sua casa, ele gritou apavorado e com raiva.
\"Vá embora!\" ele gritou em cólera.
\"Kurt, me perdoe, eu estou aqui! Não faça isso, por favor!\" ela gritava alto batento nas paredes de vidro.
\"Você está na minha cabeça, não é?\" ele apontou frio a arma para a sua amante, não imaginava a sua morte, pois ela não existia.
Apavorada, a ruiva se deitou no chão e colocou as mãos na cabeça, pensado que seu amor atiraria no que ele pensava ser a sombra do seu lado obscuro, mas o tiro não foi em sua direção, o disparo foi ensurdecedor. Ela levantou temerosa, mas ali estava o corpo ensanguentado de Kurt Cobain no chão. O sangue estava envolta da sua cabeça explodida, o seu rosto lindo havia desaparecido, o cantor de uma geração havia desaparecido. Ali jazia Kurt, morto por uma mentira. Cultivara muitos amigos em vida, mas aquela que provocou a sua ruína era a única que sofria pelo seu cadáver. Enfraquecida pela culpa ela estava ajoelhada na grama fria enquanto um dia nublado nascia, ela fitava o seu amor morto. Não conseguia chorar, não conseguia falar ou se mover, ela estava morta como Kurt.
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