No One Is Alone
5 O que você está fazendo aqui?
Notas iniciais
05
Kurt estava andando de um lado para o outro no corredor. Blaine estava sentado em uma cadeira na recepção, e já havia pedido as contas de quantas vezes o castanho tinha feito aquele mesmo trajeto desde que haviam chegado ao hospital. Algumas pessoas apontavam e cochichavam entre si sobre o castanho, mas Blaine, apenas as ignorou. O relógio da recepção agora indicava que as cinco da manhã se aproximava, o que só aumentava a angústia do moreno, Kurt ainda não tinha dito nenhuma palavra e isso o preocupava um pouco.
O castanho agora, tinha cinco anos a mais em seu rosto preocupado e triste, ele já não era mais o homem sorridente da conversa de algumas horas atrás. O moreno, sentia que a qualquer momento o outro poderia desmoronar, por isso estava atento todo o tempo.
*flashback on*
– Maurice, o que… — As palavras do moreno foram caladas por a cena que ele viu ao chegar na porta do quarto. O sobrinho estava sentado na cama do castanho menor com o menino desacordado nos braços.
– Fredo! — Kurt tinha chegado logo atrás de Blaine e o empurrou para o lado, tentando chegar ao seu filho e o menor o seguiu. Ele sentou do outro lado da cama e puxou o corpinho desacordado do filho para seus braços. — Fredo, Fredo por favor, não morra. — Sua cabeça encostada na de Alfredo, sentindo a respiração fraca do filho.
Vendo aquela cena, o moreno puxou o celular do bolso e discou um número do telefone. — Aqui é Blaine Devon Anderson, precisamos de uma ambulância… urgente. — Ele apenas escutou enquanto a mulher lhe explicava o procedimento. — Uma criança com câncer, ele desmaiou. — Desligou o celular jogando em qualquer lugar por ali, suas mãos agora estava nas pernas do garoto acarinhando o local.
– Blaine, ele está ficando frio. — O castanho chorava apertando o pequeno contra o proprio corpo. Blaine sentiu seu coração doer ao ver a dor de Kurt, um pai, com um filho tão pequeno desmaiado em seus braços com certeza era a pior coisa que alguém poderia presenciar. Ele segurou o punho do pequeno e checou os sinais vitais, verificando o tempo em seu relógio, a pulsação de Alfredo era fraca, mas serviu para tranquilizar o moreno.
– Kurt, você precisa se acalmar. Os sinais estão fracos, mas ainda estão aí, a ambulância vai chegar a qualquer momento. — Por instinto, a mão livre do moreno foi até a mão do maior, que estava apoiando as costas do filho, seus dedos fazendo carinhos nela tentando acalmar o castanho… a outra criança se aproximou devagar e deitou sua cabeça no peito do tio. O moreno o abraçou, falou algo em seu ouvido e pode ver a tristeza claramente no rosto dele quando ele por fim se afastou. — Eu vou ligar para o seu pai, agora vá por favor Many. — Kurt estava perdido em seus pensamento, o que teria acontecido se Blaine e Maurice não estivessem ali, se os dois estivessem sozinhos em casa, Kurt não podia ter aquele tipo de reação, aquilo apenas iria se tornar mais corriqueiro e ele teria que ter controle de si. O castanho tirou sua mão da de Blaine e foi deitando o filho sobre a pequena cama, sua postura agora era de um homem totalmente seguro de si e calmo diante da circunstância que estava sendo apresentada o que pegou o moreno de surpresa.
– Preciso fazer uma ligação, posso usar seu telefone?
– Claro, eu fico aqui com Alfredo, está em algum lugar por aqui.
O castanho logo encontrou o celular de Blaine e digitou um número sem prestar direito atenção no telefone, seus olhos estavam no filho e no moreno que acariciava a mão do pequeno.
– Sam… — Kurt falou depois de um tempo, o moreno pode ouvir o deslize da voz do castanho, era evidente o quanto o afetava ter que falar com o ex parceiro. — Eu achei que devia saber, Alfredo está piorando, agora ele passou mal e estamos levando ele para o hospital. — Mais um silêncio, por mais que o menor tentasse não ouvir, era impossível, e a situação estava começando a ficar incômoda. — Você não está me perguntando isso, Samuel seu filho, por que ele ainda é seu filho. Seu filho está indo para um hospital e quer saber quem é o "estamos". Eu tenho que desligar. — O rapaz soltou um grande suspiro e pressionou as têmporas com os dedos tentando afastar uma leve pontada que sentiu. — Me desculpe eu…
– Senhor… a ambulância. — Uma mulher morena, de uma idade um pouco mais avançada apareceu na porta assustando os dois.
O maior apenas tinha dado um passo em direção a cama, quando viu Blaine já de pé com Alfredo em seus braços. — Por favor Chloé, tente acalmar Maurice, ok? Eu volto quando puder.
– Você não precisa ir, quer dizer, já está fazendo demais… — O castanho falou apressado, ao perceber a intenção do menor, mas internamente ele queria que Blaine fosse, não queria ter que ficar no hospital sozinho.
– Por favor, faça isso Chloé e mande também uma muda de roupas. — O moreno agora com sua atenção no mais alto. Um grande alívio tomou conta do castanho, ele já não estaria sozinho. — Acha que vou deixar você ir sozinho ao hospital?
*flashback off*
– Senhor Hummel?
– Sou eu. — O castanho se apressou a ir até o médico que o chamara na porta da sala de emergências.
O médico tinha cabelos castanhos, olhos negros e uma aparência bastante jovial, Kurt poderia aportar que a idade dele não era muito mais do que a sua. — Senhor, estabilizamos a situação do seu filho, Alfredo sofreu arritmia cardíaca, o senhor sabe do que se trata?
O castanho mordeu o lábio tentando segurar o choro, suas pernas fraquejaram, mas imediatamente Blaine se pôs atrás dele e o segurou por seus braços. Apenas o fato de Blaine estar ali para o apoiar, significava um mundo para Kurt, eles não se conheciam bem, a alguns dias estava matando um ao outro por um pedaço de terra, mas agora, o moreno estava se mostrando um perfeito cavalheiro, e Kurt não deixou isso passar despercebido. — Mas ele já está melhor doutor? — Perguntou o menor num tom mais formal.
– Ele está, no geral casos de arritmias não são considerados grave, mas como o garoto teve uma forte reação nervosa, ele perdeu os sentidos. Precisamos fazer uma bateria de exames, mas como ele tem sempre feito exames, o mais provável motivo é o estresse. Ele esteve em alguma situação de estresse?
– Não, eu… creio que não doutor.
Bom, pode ser até decorrido do câncer, em alguns minutos vocês poderão vê-lo, com licença.
Os olhos do castanho estavam fechados, seu sangue agora fluía por todo seu corpo normalmente, o rapaz virou-se derrepente e fechou seus braços em volta de Blaine, por mais que os dois não se dessem bem, um abraço era tudo o que ele precisava para se sentir melhor, ele enfiou sua cabeça na curva do pescoço do menor, este tinha um cheiro amadeirado e ao mesmo tempo, suave como a brisa, que fez o maior relaxar um pouco. — Isso é tudo minha culpa.
– O que? — O menor perguntou confuso, como se estivesse pegado a conversa do meio dela.
– Alfredo… ele é sempre tão calmo. Ele nunca se desespera, esse meu jeito preocupado, isso faz com que ele se sinta inseguro e acaba o estressado. Eu estou fazendo isso com meu filho. — A agonia na voz do castanho, fez com que Blaine apertasse mais o castanho contra seu corpo.
– Escute. — Finalmente os braços do moreno descansaram ao lado do corpo, deixando o castanho mais livre. Suas mãos foram até o rosto do maior e ele o prendeu, fazendo o castanho manter seus olhos nos neles. — Você não tem culpa, um adulto em perfeita saúde, não consegue se conter quando tem arritmia, imagine um pobre garoto? Kurt, você não pode se culpar por tudo, discutimos a maior parte do tempo em que nos conhecemos, mas eu pude ver naquela primeira conversa, que tinha um motivo pelo qual você estava sendo um teimoso, e que faria de tudo por isso. Agora eu sei e pude ver o quanto você da duro e se dedica aquele garoto ali dentro. Agora pare de falar bobagens.
Tentando segurar o choro, o castanho apenas concordou com a cabeça, mas em seu interior, ele sentia que tudo pelo que o filho estava passando era culpa sua, de algum modo, era culpa sua.
– Kurt?
– Sam, o que está fazendo aqui? — O castanho levou um grande susto ao escutar a voz do ex companheiro, desde que Sam se fora, as únicas vezes que ouvia a voz dele, era quando ele ligava para conversar com Alfredo, o que não era tão comum. Ver o loiro ali, não era como Kurt tinha imaginado, ele sempre pensou que não conseguiria o ver, que seu corpo sederia e que todos os sentimentos em relação ao outro voltaria, mas ele estava errado, a única coisa que ele sentia em por aquele homem, era uma imensa mágoa e uma pena desmedida, por ele não ter aproveitado todos os momentos incríveis que Alfredo proporcionou a Kurt.
O moreno tirou suas mãos do rosto do maior, quando sentiu que ele estava tentando se afastar, seus olhos foram direto aos olhos do loiro, seu jeito debochado e a maneira com que estava olhando para o castanho, fizeram sua aversão a ele crescer. Suas mãos estavam agora em punhos junto ao corpo, aquele era o homem que havia largado o marido e o filho com medo de enfrentar dificuldades, o mesmo homem que deixou sozinho um pai e um filho que estava morrendo. O moreno estava tão bravo, que se aquilo não fosse um hospital, certamente aquele olho azul, agora estaria com uma grande marca roxa ao seu redor.
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