No One Is Alone
4 A Casa dos Anderson
Notas iniciais
– Vamos pai.
– Alfredo, deixe de pressa, estaremos lá daqui a pouco, não é como se eles vivessem em outro estado. — O rapaz fechou a porta da casa, enquanto o mais novo batia o pé na porta do taxi impaciente. Ele estava tão animado com a visita à casa do amigo, que juntou todos os panfletos que tinha pego, durante aquele ano e meio que se passou, desde o início do seu tratamento. E obviamente aquilo tinha deixado uma bagunça em toda a casa e se tornado uma preocupação a mais para Kurt, já que agora a bagunça ficaria para quando chegassem e ainda precisariam levar uma mala pequena para a casa dos Anderson.
Kurt Hummel estava mesmo fazendo aquilo, estava indo para o covil das cobras, a casa daquele que queria tirar dele o lugar onde havia vivido os melhores anos da sua vida. Claro, que nem tudo foram flores, eles passaram ali todo o sofrimento da descoberta do câncer de Alfredo, o abandono de Sam, mas mesmo assim, todo o resto era uma linda lembrança, depois que o filho cumprisse seu tempo na terra, aquela casa seria a única prova, de que tudo realmente acontecera.
O castanho e o filho pegaram um taxi para ir ao local, Kurt tentava distrair a mente com a preparação do itinerário para o evento da empresa onde trabalhava, enquanto Alfredo mal conseguia manter a emoção. Tudo tinha uma explicação, o menino, estava sempre acompanhado, mas sua companhia eram sempre adultos, sempre eram o pai, a madrinha ou o tio e a tia que sempre ficavam com ele no período da manhã. E já que ele não frequentava mais a escola, não tinha muitas crianças com quem se envolver.
O castanho ainda não estava recuperado da outra noite, no seu rosto agora, tinham profundas olheiras estampadas, suas pálpebras estavam pesadas, mas ainda assim, buscava forças para realizar os desejos do filho, ele tinha feito essa promessa a sí, um ano e meio atrás, não importava a situação, o quão cansado ou aborrecido estivesse, ele sempre estaria lá para fazer o seu filho feliz.
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A casa dos Andersons era igualmente luxuosa como as empresas State Free, o jardim, tinha arbustos enormes, podados em diferentes formas de animais, cercados por roseiras. Flores com as mais variadas cores e formas. Dois carros estavam parados na porta da grande mansão, um preto e um prata, carros que Kurt não soube identificar o modelo, mas isso não era surpresa nenhuma, já que ele nunca fora tão ligado a carros quanto os outros rapazes.
Enquanto o táxi parava, o castanho pode avistar duas pessoas paradas por trás dos carros, um homem adulto de cabelos negros que se moviam soltos com vento e uma criança ao seu lado. O taxi parou e então o homem pode ver que se tratava de Maurice e… não podia ser, aquele era Cooper Anderson, um dos atores da Broadway, por quem Kurt tinha um amor platônico.
– Espere, Cooper Anderson… Cooper… ah não pode ser. — Kurt falou baixo para si mesmo enquanto esperava o homem lhe entregar o resto do dinheiro. — Obrigado.
Alfredo abriu a porta e saiu na frente, para encontrar um Maurice eufórico que corria em direção dos dois. O castanho foi seguindo os meninos que agora estavam parados ao lado de Cooper.
– Senhor Hummel, esse é o meu pai, Cooper Anderson, papai esse é o pai do meu amigo Alfie, que eu tenho falado.
O castanho sentiu suas pernas tremerem, estar alí, no mesmo lugar que Cooper Anderson tinha que ser um sonho, Kurt estava vivendo seu momento fangirl. Suas mãos tremiam e agora estavam molhadas com suor, mesmo assim, ele a estendeu para retribuir o cumprimento do moreno. — Seu filho é um grande garoto, eu ouvi muitas histórias dele durante esses dias.
– Papai, esse não é aquele da foto no seu quarto? — O castanho de olhos azuis olhou para o filho estarrecido, tentou erguer seus olhos mas a vergonha não o permitiu. Seu rosto estava vermelho vivo, mas o homem não deu muita importancia.
– Vocês gostam de musicais? Maurice pode levar vocês quando quiserem.
– Nós vamos adorar, não é Fredo? Adoramos os seus musicais.
O menino tinha os olhos semiserrados para o pai, o tiro havia saido pela culatra, ele não poderia dizer não alí, na cara dura. Então ele concordou com a cabeça, deixando o pai com um enorme sorriso de satisfação.
– Então está marcado, basta que combinem com Many, então posso arranjar lugares na frente. Agora eu tenho que ir filho. Eu te vejo em três dias. Tchau Alfredo, e mais uma vez, foi um prazer conhecer você Senhor Hummel.
– Kurt. — Foi tudo o que o castanho pode pronunciar.
– Tchau pai. — O homem se abaixou o beijou a cabeça do menino, foi até ao carro prata e sorriu educadamente para os três antes de entrar no carro e sair por os grandes portões da entrada.
– Seu pai é famoso! — Exclamou o castanho menor. Seus olhos brilhavam com admiração enquanto o carro ia desaparecendo de vista.
– Vamos entrando meninos? — Uma voz veio de trás assustando os três. — Olá senhor Hummel, como o senhor está? — Blaine cumprimentou o mais alto com um aperto de mão suave. O castanho muito reservado e ressentido, tirou sua mão logo em seguida, o que não passou despercebido por o moreno. Aquele momento estava se tornando cada vez mais incômodo, os dois homens desconfortáveis desviaram seus olhares para as crianças que já estavam correndo em direção a casa. — Acho que devemos entrar.
– É devemos.
– Por favor, entre. — O castanho não esperou muito e subiu as escadas para a casa, lá dentro, o luxo e beleza dos móveis eram inigualáveis, a única vez que Kurt tinha visto algo do tipo, havia sido nas telenovelas que uma velha amiga do colégio, insistia para verem quando se reuniam em sua casa, em sua cabeça, ninguém gastaria tanto dinheiro para viver daquela maneira. Mas ele estava errado.
A tarde foi se passando sem que eles realmente percebessem, Kurt quase não havia falado nada o dia todo, limitando-se a responder as perguntas das crianças e insistindo para os empregados da casa, que não era preciso lhe servir coisa alguma, se ele precisasse de algo, ele perguntaria onde ficava e ele mesmo faria. Assim de passou a tarde, os dois meninos brincaram de tudo o que puderam imaginar, depois de ver um dos panfletos de Alfredo sobre enjôos marítimos, o garoto mais velho, teve a ideia de fazerem uma pequena barca, pendurando os lençóis nas pontas dos sofás, o problema é que a ideia não deu muito certo e os lençóis ficaram cobertos por suco.
– Senhor Anderson, me desculpe por isso. O senhor pode me enviar a conta por correio, já que tem meu endereço, eu faço questão de pagar o valor dos lençóis. — Obviamente seria um preço bastante exacerbado, que lhe custaria muitas horas extras de trabalho longe do filho.
– Senhor Hummel, é a quarta vez, nos últimos quinze minutos que diz a mesma coisa. Não é preciso pagar, até por que, quem derrubou o suco foi Maurice e mesmo que não tivesse sido assim. — O moreno tentou encorajar o outro homem com um sorriso, mas o castanho se limitou a ficar quieto no seu canto, era estranho estar convivendo com "o inimigo".
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– Por favor senhor Hummel, por favor. Eu prometo que eu pego todas as entradas para os musicais do meu pai que o senhor quiser, até o resto das nossas vidas. — Insistia Maurice depois do castanho decidir que estava na hora de ir embora.
– Meu querido, o problema é que não trouxemos roupas para ficar e também, aqui fica longe da clínica onde Alfredo recebe o tratamento, se alguma coisa acontecer…
– Nada vai acontecer pai, prometo ficar bom a noite toda.
O castanho tinha seus braços cruzados na frente do seu corpo, enquanto Blaine estava parado logo atrás dele com um ar divertido em sua expressão. Kurt se virou e pegou o moreno quase rindo para as crianças, e na desconfiança da atitude dele, o castanho estreitou os seus olhos para o homem. — O que você acha?
Em um ato de rendição aos garotos que estavam atrás do mais alto, com as mãos juntas em frente ao corpo fazendo uma súplica silenciosa para ele, o moreno abriu os braços deixando cair ruidosamente nas laterias de seu corpo enfiando as mãos nos bolsos em seguida. — Bem, dando fato de que eu não consigo dizer não ao Many e que estou indo no mesmo caminho com o Alfie, eu diria que seria ótimo ter vocês aqui. E com as roupas, poderia vestir alguma coisa minha que te deixasse confortável.
– E o Alfie, pode vistir quantas roupas minhas quiser.
O castanho menor, olhava com seus grandes olhos azuis pidões para o pai, que claro não recusaria aquele pedido. O castanho olhou mais uma vez para o moreno que estava atrás e então para as crianças, seu grande suspiro rendendo-se foi a deixa para que as duas crianças saíssem correndo por toda a casa em gritos de comemoração, como se tivessem feito um gol numa partida final da copa do mundo.
– Quer tomar alguma coisa? — O moreno perguntou inocente. Kurt tinha que admitir que durante todo o dia, o homem tinha sido muito atencioso, com ele e principalmente com Alfredo, talvez ele não fosse o total babaca que o castanho imaginava, a não ser é claro, quando estava tentando pegar a sua casa.
– Tudo bem.
Definitivamente aquela era a casa mais bonita que Kurt havia visto em toda a sua vida, a cozinha tinha um grande lustre pendurado no teto, com paredes de vidro que tinham vista para a piscina, a qual tinha um jogo de luzes que focavam em uma grande fonte em formato de um leão, algo familiar, ele chegou mais perto do vidro para conferir e estava certo, era mesmo familiar, era Simba, de O Rei Leão.
– Many adora essa coisa. — O castanho deu um pulo para trás, segurando o peito com a mão. A cena fez com que o menor soltasse uma boa gargalhada.
– Você é louco? Do que está rindo? Quase me mata do coração. — O castanho gritava esganiçado, o susto quase o fez perder o ar, mas, a risada do outro era tão bonita e tão serena que fez a respiração dele que estava curta, voltar aos poucos a seu ritmo normal. Seu coração agora não batia como um potro sem rumo e suas pernas não tremiam como se ele estivesse tomando uma descarga elétrica. A calmaria repentina, fez com que o castanho liberasse a sua tensão e finalmente risse com vontade pela primeira vez dentro daquela casa.
– Você precisava ver a sua cara. — O moreno dizia ainda sem conseguir parar de rir, com grande culpa do sorriso esplêndido que Kurt trazia em seu rosto naquele momento. Blaine nunca tinha olhado o castanho de outro modo, que não fosse o inflexível homem que dificultava seu progresso, mas agora não. O castanho estava alí na sua frente, desarmado, totalmente transparente sorrindo em sua frente. Claro que aquele lindo sorriso, trazia traços de dor, mas quase não eram possíveis de se notar.
O moreno levou um copo até uma máquina que estava no balcão e trouxe de volta, cheio de café, deixando em frente a Kurt. — Então, qual o filme preferido do Alfie?
– Bem, obvia e infelizmente ele não puxou meu bom gosto. — O moreno riu baixo do comentário do outro homem. — Mas, o seu preferido é Bernardo e Bianca.
– Ah, qual é, nem é ruim.
– Mas ele poderia gostar de Tarzan. Até mesmo Rei Leão.
– Eu sou neutro, gosto de todos. Você gosta de musicais? Aquela coisa do Many de "eu consigo todos as entradas da peça do musical do meu pai" foi por isso? — Imediatamente o rosto de Kurt adquiriu um tom escarlate que se fez claro em sua pele pálida. — Você está corado. — Nem mesmo era uma pergunta.
O castanho fechou os olhos tentando evitar contato com os olhos âmbar do moreno. Aquele tinha que ser o momento mais embaraçoso de sua vida, nem mesmo quando fôra coroado Rainha Do Baile na sua antiga escola, ele tinha ficado tão envergonhado. — É eu sou um amante da Broadway. E… — Kurt não podia acreditar no que estava prestes a fazer, mas mesmo assim, ele queria fazer. — E-eu-meio-que-tenho-uma-queda-pelo-seu-irmão. — As palavras voaram da boca do castanho, rápido e sem respirar.
– V-você o que? — O moreno se desdobrava em cima do balcão, sua risada podia ser ouvida por toda a casa e agora o maior se sentia incrivelmente tonto por ter contado aquilo daquela forma. — V-vo… — Suas palavras não tinham coerência, quanto mais ele tentasse se conter, mas sentia vontade de rir, era a coisa mais engraçada que ele tinha ouvido em muito tempo.
– Eu já entendi… mas, é uma queda, não QUEDA. — Ele enfatizou a última palavra. — É que ele é muito bom no que faz e é muito bonito também e… você já pode parar de rir seu ridículo.
O moreno mordeu os lábios com força para segurar o riso que teimava em sair. Precisou de um tempo de concentração e muita respiração funda para que ele finalmente se controlasse. — Me desculpe, é só que foi totalmente inesperado. Você é tão sério que…
– Qual é, achou que eu não tenho coração? — O maior agora tinha um sorriso nos lábios e sua sobrancelha arqueada em desafio.
– Sim… — O maior fez uma cara de surpresa, que o moreno teve que fazer força para não sucumbir em risadas outra vez. — Não, eu estou apenas brincando.
Os dois, agora estava à algumas horas conversando. Se tivessem dito a qualquer um dos dois, que aquela visita, terminaria com uma gostosa e alegre conversa sobre os gostos, as crianças e todo o resto, dificilmente eles acreditariam. Blaine, que era o mais reservado, estava agora como um adolescente, contando todos os seus grandes momentos da adolescência, enquanto Kurt ria e as vezes protestava contra a veracidade dos fatos. Os dois pareciam dos amigos de muito tempo, que acabaram de se encontrar.
– …e ai, ela disse na frente da escola toda que sabia que eu era gay. Ora, eu duvido, sempre fui bem no que fazia, eu era um garanhão na escola. — Kurt tinha a mão na boca, cobrindo-a para esconder o riso, enquanto Blaine tomava outro gole do seu conhaque.
O silêncio agora ia se estendendo entre os dois, o castanho já estava se sentindo incomodado e pronto para ir checar as crianças, na tentativa de quebrar o clima quando Blaine resolveu falar. — É muito difícil?
– Desculpe?
– Você sabe… cuidar de Alfredo, sozinho.
– Uou! — O castanho que ainda não tinha tomado nenhuma gota de álcool naquela noite, pegou o copo da mão de Blaine. Seus dedos deslizaram por a pele macia do outro, fazendo com que o castanho sentisse um arrepio, mas ele apenas ignorou, tomou um grande gole da bebida e colocou o copo sobre a mesa com mais força que o necessário. O maior não costumava contar a sua vida para estranhos, mas com Blaine era diferente, não era como se essa fosse a primeira conversa dos dois, depois de alguns encontros conturbados, era como se um fosse parte da vida do outro a muito tempo, de alguma forma. — As vezes. Sabe, foi bem mais difícil quando Sam nos deixou. Alfredo não chorava por estar com câncer, ou porque ele iria morrer, ele chorou, porque o pai não estava mais ali, porque ele já não tinha mais com quem conversar sobre jogos, ou vídeo games. Eu fiz de tudo para que ele se sentisse melhor, mas eu não sou bom nessas coisas, e ele odeia musicais. — Ele sorriu, mas não tinha alegria naquele sorriso. — Eu entendo ele sabe? O Sam… é complicado lidar com a situação as vezes, e nós tivemos Alfredo tão jovens, não tivemos tempo para amadurecer, mas… Fredo é meu filho, como não ficar do lado dele? Como não fazer o impossível para que sua vida seja a melhor, pelo menos na medida do possível. Agora não é tão difícil, Fredo e eu, somos como um conjunto formando uma parte única, quando ele está fazendo seus exames, recebendo tratamento, bem… eu não sei se vai conseguir entender, eu não sinto a dor física que ele sente, mas, meu coração se parte dolorosamente em mil pedaços por não poder sentir aquilo por ele, e o cansaço que ele sente? Para mim? É o cansaço emocional, que me consome por não poder fazer a nada por ele.
Na verdade, Kurt já estava se sentindo exausto, até mesmo pensar, sobre tudo o que ele vivia e suportava era cansativo, mas ele não se deixava abalar, pensar no que o filho, tão pequeno aguentava renovava as suas forças para continuar. — Mas aqui estamos nós. Eu aprendi a gostar das coisas que ele gosta, assim, ele não sentiria tanta falta do outro pai, e ele… bem, ele aprendeu a não reclamar tanto sobre a Broadway. Quando se tem um filho, se aprende o verdadeiro significado de amor. O meu amor por ele, não me deixa sentir dificuldade, é como se, toda a dor, toda a mágoa por o que está acontecendo, fosse embora, no momento em que um sorriso, por menor que seja, aparece em seu rosto. Sabe quando você chega em casa estressado, então Maurice chega perto e tudo se acalma? É algo do tipo, só que mais forte.
Blaine mal esperou que Kurt terminasse de falar, se levantou da sua cadeira, foi até ele e deixou seus braços envolverem o homem, seus sentimentos estavam no total controle do seu corpo, obviamente se ele pudesse se conter, por sensatez ele reprimiría qualquer vontade desse tipo, mas ele não conseguiu. Ele tinha agora um Kurt assustado e surpreso, mas no fundo agradecido, em seus braços e tudo que ele podia e queria fazer, era se apertar aquele homem e poder curar um pouco dessa dor e dividir com ele a sua angústia.
O castanho não era um parente, nem um amigo próximo, nem mesmo um colega de trabalho, mas Blaine sentia a estranha necessidade de cuidar e proteger aquele homem. Ele ainda estava tentando entender, qual o motivo para que o ex parceiro do castanho, deixasse Alfredo e ele sozinhos, passando por tudo aquilo, mas ele sabia, que se fosse esse homem, nunca os teria abandonado.
– Obrigado…
[♥♥]
– Pra cama, agora. — Blaine, agora sério, tentava não ser tão flexível com o sobrinho, para não desautorizar a ordem de Kurt para que Alfredo fosse dormir.
– Mas tio…
– Eu sei que estão se divertindo Many, mas Fredo tem mesmo que descansar. — O castanho tentava, tentou apaziguar os ânimos.
– Tudo bem, vocês vão vir aqui outras vezes?
– É claro que sim, não é papai?
– Só se forem para cama agora. — Blaine disse atacando os meninos e jogando cada um em sua cama os fazendo rir.
– Boa noite Fredo. — Kurt foi até o meio entre as duas camas e beijou o topo da cabeça do filho. — Boa noite Many. — O garoto estendeu a mãozinha, ele e o castanho fizeram um HiFive. — Descansem bem.
– Boa noite meninos. — Então Blaine desligou as luzes e fechando a porta devagar, pode ainda ouvir as crianças.
– Boa noite Alfie, foi muito bom ter você aqui.
– Boa noite Many, eu também gostei muito. Obrigada por ter me convidado.
[♥♥]
– Foi muito gentil da sua parte não ser um completo babaca e tirar minha ordem para as crianças irem se deitar. — Kurt se ajeitava em um colchonete perto da cama de Blaine, tinha sido parte do acordo para que Alfredo e ele ficassem ela, que ele teria que dormir próximo ao filho.
– Quem ainda fala babaca?
– Cala a boca.
O moreno se revirou na cama, deitando-se de lado para poder ver o rosto do castanho reluzir com a fraca luz do abajur. — Não quer mesmo dormir na cama? Não me incomoda.
– Está enlouquecendo? Acha mesmo que eu sou o tipo de hóspede que abusa dos anfitriões?
– Não, você decididamente não é esse tipo de hóspede. Boa noite Kurt.
A luz fraca pode refletir o sorriso fraco que tinham os labios do maior. — Boa noite Blaine…
O dia não fora como o castanho estava pensando que seria, de certo modo ele achava que o moreno, apenas estava usando o sobrinho para que ele pudesse chegar perto o bastante e conseguisse o que queria. Mas hoje, ele conheceu um outro lado daquele homem, que julgava tão ganancioso e egocêntrico. Blaine havia se mostrado um grande homem, de grande coração e que de certa forma, entendia as dificuldades de criar uma criança sozinho. Talvez, eles pudessem ser amigos. Os olhos do castanho começaram a pesar, seu corpo foi ficando mais leve e o mundo em sua volta estava sumindo gradativamente. — TIO, SENHOR HUMMEL ME AJUDEM… — O cérebro de Kurt entrou em lupim, seu corpo se levantou automaticamente, agora tudo estava em câmera lenta, seus olhos arregalados, foram de encontro aos de Blaine, implorando por ajuda. 'Por que agora? Alfredo estava tão feliz.'
– Kurt?
– É Alfredo. — Mesmo com o mundo girando em sua volta, o castanho conseguiu se levantar e os dois saíram correndo para o quarto de onde vinham os gritos desesperados de Maurice.
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