No Olho da Tempestade Reboot!
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Notas iniciais
“Miura?” chamou uma das colegas. A atmosfera empolgada e colorida havia se perdido em algum momento do intervalo. "Querem falar com você." e apontou para a porta pela qual entrara havia pouco.
Uma garota um ano mais velha que elas estava na porta sorrindo.
Não queria ir... Mas sabia como funcionava.
"Já vou, Senpai." Haru sorriu de volta.
E a seguiu até a sala do Terceiro ano.
…
O treino transcorria bem, com tiros, explosões e gritos de pânico acometendo os guardiões no telhado da escola a cada vez que Reborn gritava “Ação!” em seu Leo-megafone.
Com uma diferença…
“Ok, Hana e Kyoko, vamos tentar outra vez, agora com o da mão direita!” instruiu o arcobaleno. “DAME-TSUNA, SE HESITAR EM ATACAR DE NOVO E ATRAPALHAR ESSE TESTE, VOU TESTAR A BOX DE CONFINAMENTO EM VOCÊ.”
Aproveitando uma conveniente ausência do temido Prefeito e utilizando a infame temática de cinema, O Hitman convocara a Décima geração para testar três novos dispositivos compatíveis com as armas box:
O Anel E, da mãe esquerda, do tipo armazenamento. A ideia era um guardião o energizá-lo para que membros “comuns” da famiglia pudessem ativar boxes específicas de defesa.
Anel D, na direita, para melhor canalizar uma chama já existente, mas fraca. Desse modo, membros que não fossem guardiões também estariam aptos a energizar Anéis E ou ativar as boxes de defesa.
As boxes de defesa. Ativavam escudos, ou ataques simples que propiciavam evasão. Os protótipos não apresentavam resultados lá empolgantes, geralmente apresentando um perigo maior para o usuário do que para a ameaça, o que vinha dando altas dores de cabeça para os Guardiões que, durante o dia todo, tiveram que interceptar os próprios ataques e defender as meninas das armas de defesa mais do que qualquer coisa… mas pelo menos poderiam ser melhor desenvolvidos ao longo dos anos, quando estivessem em sua própria base.
A tal Box de Confinamento, supostamente feita para aprisionar pessoas, ao invés de armas, na verdade, só existia em teoria… mas Reborn gostava de usá-la para ameaçar os meninos, então eles não sabiam disso.
“Acha que esses novos dispositivos serão o suficiente para protegê-las, Reborn?” ao lado do bebê, Giannini analisava os dados que sua super câmera (montada para se camuflar como equipamento profissional de filmagem) coletava e mandava para seu computador.
Conforme o esperado, Kyoko, assim como o irmão, era compatível com o Anel do Sol. Era até capaz de catalisar o suficiente para deixar a chama visível no dedo ou armazená-la no outro anel. Hana, por outro lado… com muito dificuldade conseguia utilizar. qualquer das versões.
Era por membros da Famiglia como Hana que precisavam de novos recursos urgentemente.
“GYAHAHAHAHAHA!! OLHEM SÓ! OLHEM SÓ!” enquanto os rapazes se recuperavam, um pequeno Bovino tivera a ideia de ficar correndo em círculos em cima de um tapetinho pra gerar estática… e estava com uns seis a dez Anéis D acomodados nos cabelos… “OLHEM O QUE LAMBO SABE FAZER!”
Os anéis começaram canalizar chamas de Trovão. Se chegasse até as boxes de defesa seria o fim.
“OE, SUA VACA ESTÚPIDA, QUER NOS MATAR?!” gritou Gokudera, agarrando o pequeno pelos cabelos.
Para a infelicidade do gênio da matemática, seu plano para impedir Lambo de ativar as boxes, fizera com que fosse eletrocutado. Mas podia ter sido pior… se Reborn não tivesse atirado os Anéis E em cima deles e absorvido a energia, o rapaz teria sido pulverizado.
E lá estava. "Vivo". Olhando para o céu já alaranjado e se perguntando por quantos protótipos, testes e "voluntariados" como cobaias teria que aturar até sentir que estavam de volta á ativa. Com certeza esses treinos eram melhor para seu psicológico do que a rotina de estudante, o trabalho na loja de conveniência e o último aluguel a pagar antes de entregar o apartamento... Mas ainda não parecia certo.
Ainda faltava alguma coisa.
Quanto aos outros, não tinha certeza... mas pelo menos, de sua parte, sabia que faltava entregar a missão de trazer a Mulher Estúpida de volta. Estivera inclusive observando-a à distância nos últimos dias, afinal, cada vez que se aproximavam, começavam a brigar e não chegavam à parte alguma. Ela havia até deixado fotos com a segurança da escola, acusando-o de ser um stalker. (observar é diferente de stalkear. Não sabia como. Mas era. Pra ele era.)... O que mais vinha perturbando-o desde a última vez que se falaram, fora que, no geral... Haru parecia normal. O normal dela, claro.
Era dentro da escola que seu comportamento mudava. Aí ela ficava normal normal... o normal dos outros. Normal esquisito.
Droga... depois de todos os e-books que lera sobre relacionamentos e como um ser humano se sente quando está de coração partido... todas as horas que gastara estudando a melhor forma de reatar a amizade dela com Juudaime (sem que ela se apaixonasse de novo, senão seria um Deus nos acuda)... só para constatar de que não era bem isso que a estava acontecendo.
Tinha isso. Sabia que tinha. Mas não apenas isso...
Ainda caído no chão, com espasmos no corpo e nos pensamentos, Lambo gargalhando… a última coisa que Hayato esperava, naquele momento…
Era Uri.
Depois de mais de seis horas de treino em que categoricamente ignorara todos os comandos (e súplicas) por ajuda de seu mestre, o felino despertou, farejou o ar, se aproximou de Gokudera… e lambeu um dos Anéis E.
No mesmo instante, sua chama mudou de cor. Agora era verde, como Trovão.
“R-r-r-r-reborn! Isso é normal?!” guinchou o Chefe.
“Hmm...” o bebê se aproximou do gato, fazendo um afago que fora recebido sem qualquer desconfiança. “Entendo.”
Ao que parecia, Uri, assim como o próprio Gokudera, era compatível com mais de uma chama. Sua permanência na Tempestade era, portanto, uma questão de predominância.
Aquilo era interessante… não sabia ainda pra quê… mas era interessante.
“Maa maa… Agora todos estão carregados com as chamas de Lambo...” Yamamoto recolheu os anéis e os guardou na caixa de proteção que Giannini preparara. Apesar do sorriso sereno, o espadachim torcia para que Reborn não decidisse continuar com o treino só para descarregá-las. Já tivera sua dose de golpes sofridos, e as boxes de defesa do Trovão eram as mais dolorosas de lidar. “Haha! Nãos seria possível que Uri estivesse com fome o suficiente para absorver todos os seis anéis….seria?!”
Gokudera se colocou na frente de Uri antes que o maníaco tentasse embriagar sua arma. Mas não foi necessário.
“Vamos encerrar por hoje… as meninas parecem cansadas.” dito isso, o arcobaleno devolve Leo para seu chapéu enquanto Gianinni recolhe o equipamento, fazendo o “set” que cobria o telhado inteiro ir se dobrando até caber numa pequena maleta metálica com o emblema Vongola.
Cada um recolheu suas coisas, prontos para sair antes que Hibari retornasse.
Enquanto caminhavam, Tsuna se desculpava com Kyoko pela milésima vez por cada ataque, ou falha de ataque, ou por respirar ou por existir. A ruiva, geralmente tão atenciosa para com os desesperos constantes do namorado, parecia muito aérea, encarando os dois Anéis do Sol que recebera e que haviam passado no teste.
“Me pergunto... qual seria a chama da Haru...”
“CHE! Aquela estúpida deve ter ainda menos determinação que a Hana!” diz Gokudera, olhando para o casal Ryohei-Hana caminhando pouco atrás de si. “Sem ofensas!”
“HAI! Não ofendeu!” foi a resposta automática do boxeador… até sentir o fuzilar da exauta e frustarda namorada ao lado “OFENDEU! OFENDEU! ESTOU EXTREMAMENTE OFENDIDO! RETIRE A AFIRMAÇÃO!”
Ambos os rapazes grisalhos começaram a discutir e a tentar sair no braço, mas doloridos demais para lutar, pareciam mais um casal de velhinhos discutindo. Yamamoto ajudando-lhes a caminhar sem cair e afagando-lhes as costas enquanto dizia "Yosh, yosh" cada vez que travavam de dor não agregava.
Apesar de tudo parecer normal… Kyoko continuava mirando os anéis, abatida. Esse abatimento afetou Tsuna.
No fundo, no fundo, por mais que soubesse que não tinha culpa, o rapaz não conseguia evitar se sentir mal pelo modo como Haru se afastara. Todos os dias ele se perguntava se, sinceramente, ele não tivera mais oportunidades de melhorar sua amizade com a morena… de um modo que, pelo menos… pudesse tê-la machucado menos com a situação.
Não se tratava apenas da melhor amiga da namorada… Haru tinha seu lugar na famiglia e a ideia de deixá-lo vazio realmente o perturbava.
E o que perturba Tsuna não passa despercebido por seu Braço Direito.
Tch. Ele precisava agir.
Como se os deuses dos OVNIS tivessem acabado de limpar as antenas para receber seu pedido, seu celular vibra com uma mensagem muito aguardada.
“Juudaime! Sasagawa! Não temam!” e revelou a tela trincada de seu aparelho para os chefes, com a empolgação de um Lambo fazendo besteira. “Eu tenho a solução. Até amanhã, garanto que a Mulher Estúpida estará de volta!”
Quando ambos olhara para a tela...
“O.K. “
Só. Era tudo o que dizia a mensagem.
E era tudo o que precisava para reafirmar Juudaime de sua competência em sua missão.
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No dia seguinte...
Haru checava novamente o último email que recebera de Kyoko. Havia várias fotos do último treino, do que faziam, do que pretendiam e o costumeiro convite para se juntar a eles quando quisesse.
Uma curiosidade: Sasagawa Kyoko nunca cobra nada. Ela propõe e as pessoas fazem. Porque querem.
Essa nasceu pra ser esposa de mafioso — desu~...
Sentiu o sorriso se desfazendo tão logo cruzara os portões de entrada da sua escola. Avistara as meninas do Terceiro que a cumprimentaram sorridentes. Sorriu de volta, deletou o email e guardou o celular.
O plano era simples: ficar quietinha, passar de ano, se formar e mudar de escola. Só isso. Nada de máfia, nada de Itália, nada de nada.
Só ficar quietinha… até esquecerem dela.
Quando chegou na sala de aula...
“Ahh~ Bem Vindas, lindas alunas...” e todas pareceram ter entrado em transe no instante que a viram, porque a mulher que viam, sim, podia ser descrita com todas as definições possíveis de linda. Jovem, mas com fala madura e longos cabelos róseos presos num refinado coque. “Sou a professora substituta de vocês… podem me chamar de Sasori-san.”
Apesar de falar com todas, seus olhos fitavam diretamente Haru, piscando assim que a morena a reconheceu.
Bianchi.
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