No Olho da Tempestade Reboot!
11 Justo
Notas iniciais
“Deixa de ser ridícula. Você tem seus próprios problemas pra resolver, mulher!” Ah, lá estava. Rabugento e barulhento, do jeito que tinha que ser “Quando tiver chama o suficiente pra se defender sozinha eu penso se deixo você se preocupar comigo.”
E terminaram o dia assim.
Limpando a cozinha fedendo a alho poró, café e melão.
***
Haru acordou com os rugidos matinais de sua mãe convocando-a pra fazer faxina do fim de semana. Toda quebrada pelas noites que dormiu no futon, prometera a si mesma, novamente, que aquela fora a última vez que cedera a cama pro rapaz. Pra completar seu despertar, quando sentou-se para chamar Gokudera, confortavelmente embrulhado em seu cobertor fofinho com estampa de cupcakes como se fosse dele, o grisalho já adiantou um “Só o SEU nome surgiu na bronca, mulher. Não tenho nada com isso…” embaixo do travesseiro e voltou a dormir.
Qualquer traço mais meigo que deixara escapar no dia anterior… evaporara com os roncos durante o sono.
“Hmph. Cabeça de polvo ingrato.”
Durante aquele fim de semana, entre treinos, relatórios e deveres domésticos, Haru percebia um aumento tanto de um praticamente inevitável laço de confiança entre eles, quanto o puro pânico do rapaz do que dizia respeito àquela situação.
No geral, Gokudera era de se comportava-se quase como a própria arma box: ia e vinha quando queria, sem aviso ou explicação, só chamando quando não tinha outra alternativa senão de depender de outra pessoa por alguns minutos…
Mas não mais. E o fato de não poder contar com seu precioso Juudaime não ajudava.
Pretendiam ir corrigindo e reparando equívocos à medida que se acertavam com as investigações, mas, com Tsuna e Bianchi cada vez mais inacessíveis (sendo o chefe correndo atrás do problema com os Guardiões da Névoa e da Nuvem e Bianchi… … Bianchi era um completo mistério!), o suposto “casal” encontrava-se praticamente ilhado dentro de casa até Gokudera decidir que era seguro.
O que provavelmente só aconteceria quando Reborn pousasse um jato particular Vongola no teto de sua casa para levá-los pra Itália… Haru não via a menor intenção de Hayato em tentar enfrentar a situação de frente.
Era como um gato enfurnado embaixo da cama, pronto pra fugir ou atacar quem enfiasse a mão ali para tentar puxá-lo pra fora.
Depois de escovar os dentes e passar uma água no rosto, preparando-se pra descer, Haru ficou com uma sensação estranha. Era como se ainda pudesse sentir os braços dele envolvendo sua cabeça, uma mistura de medo e aconchego emanando…
Tão… atípico… vindo dele, pelo menos.
Gokudera não estava bem. E ela não pretendia arrastar esse problema ao ponto de largar tudo do jeito que estava, mas nem pensar!
***
“Pegou as roupas do rapaz?” foi a primeira coisa que ouviu ao chegar na lavanderia com o cesto de roupas do banheiro.
“Bom dia…” e pôs o cesto no chão, pronta pra separar claras e escuras o quanto antes e preparar o café da manhã “não peguei… por que-desu?”
“Como assim,’por que-desu’? Acha que vai cuidar só das suas coisas ago-” mas nem precisou terminar.
Com um “Bom dia” baixo, rouco, e cara ainda amassada, Gokudera aparece na lavanderia só pra checar suas roupas no varal. Todas limpas. Pegou a camiseta, já seca (e sem cheiro de alho), algumas meias e o pijama de sorvetinhos que usara na primeira noite, dobrando-os pra levar pro quarto. Deu uma desamarrotada no moletom preto e na última calça jeans e pendurou-os de volta deixando espaço para as roupas dos outros.
Só quando não suportou mais o peso dos olhares que respirou fundo e se atreveu a soltar um “Que foi?”, ao grave risco de se arrepender da resposta.
“Quando lavou essas coisas?”
“Ontem de noite.”
“O pijama da Haru também?”
“Se fui eu quem usou…”
“Usou a máquina?”
“Não...?” E aquilo tudo era pra ser muito óbvio. Não era?! “No tanque. Tava muito tarde pra deixar essa coisa fazendo barulho.”
“Ah…” e assentiu com a cabeça castanha algumas vezes, não sem olhar pra porta da sala um segundo e perguntar “Isso de ajudar nas tarefas… é coisa sua ou de europeus em geral?”
Gokudera coçou queixo e nuca enquanto soltava um curto bocejo ainda cheio de sono e/ou nenhum saco para aquele assunto.
“Sei lá! Eu só acho que faz bem mais sentido que deixar essa aqui fazendo tudo sozinha…” e sim, ele apontou pra Haru como se fosse uma criancinha arteira. “É só justo.”
E assim ele saiu. Não antes de deixar Haru ligeiramente inquieta com um olhar de “O que deu na sua mãe?” seguido de um sorrisinho muito sutil quando ela deu de ombros, tão confusa quanto.
Ultimamente, quase qualquer coisa que Haru fazia, trazia uma reação dele que acabava por deixá-la agitada. Ela sentia-se como Lambo ou Ipin (mas mais Ipin)...
Não… Melhor! Sentia-se como Uri, que qualquer coisa vira motivo pra fazer “Awww…” e “Nhuuuu!”.
Só que Gokudera não faz barulhos. Ele não é de demonstrar o que pensa ou sente. Ela descobrira naquele momento, e sabia que era assim porque já o vira olhar pra arma de estimação daquele modo… Quando achava algo fofo, ele tentava conter o sorriso, pressionando um lábio contra o outro, mas sempre deixando escapar um dos lados.
O que a expressão final tinha de atraente, tinha de irritante.
Era tão… injusto…!
Haru sentia-se pequena e inofensiva quando ele fazia aquilo… e Haru não queria ser qualquer uma dessas coisas naquele momento….
Haru queria ajudá-lo com o que lhe causava medo.
Ela queria se sentir forte...
Separou as roupas umas das outras e arregaçou as mangas pra preparar o café. Assim que acabasse as tarefas ela procuraria Uri e iriam treinar, ou, ou… falariam com Kyoko, procurariam Bianchi! Alguma coisa!
Tão logo a mais nova saiu da lavanderia, seu pai chega com um jornal dobrado embaixo do braço, mão no barrigão e aquela cara de pidão:
“Ainda num tem cafézinho pronto-desu…?”
E agora quem arregaçou as mangas fora a Sra. Miura, pegando metade das roupas sujas e colocando nos braços do marido.
“Hagi!”
“Lava isso que eu faço o ‘cafézinho’!”
Limpou as mãos uma na outra e foi para a cozinha.
E assim, o pobre professor é puxado pra dentro da estranha onda de arrumação que acometia seu castelo aos fins de semana, mas, que até então, ele fora capaz de driblar. Coisas ainda mais bizarras estavam pra acontecer, mas, como o bom matemático que era, presumiu que seria capaz de prevenir tempestades futuras.
Mas estava errado.
...
“É justo…” murmura pra si mesmo ao abaixar seu equipamento preferido de espionagem. Um contido sorriso se faz oculto debaixo do denso bigode negro.
Sem dúvidas… chegara a sua hora de agir
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