Notas iniciais
AHHHHHHHH cheguei.

“Haru! Tentei te ligar e você tão me atende!” diz sua mãe.

“Oras, Sra. Miura, não há motivo para culpá-la...” Um homem grande, mas menor do que seu pai e com um bigode cheio, escuro se levanta e lhe estende uma mão cheia de anéis para cumprimentá-la. “Você deve ser a Haru… Prazer, eu sou o pai de seu noivo, Gokudera.”

***

Em meio a destroços de bases escondidas, o cheiro de fumaça e pólvora anunciava a destruição local. A batalha fora excruciantemente intensa… e do cume dos destroços, somente seis silhuetas se erguem diante do sol:

Reborn e Leon, sentados em cima do trono do inimigo que os tentara vencer com a vantagem dos números, mas foram derrotados pelo fator da qualidade dos soldados. Yamamoto e Ryohei, apoiando-se um no outro feito irmãos de guerra. Gokudera, cujas dinamites mais básicas foram o suficiente para quebrar seu galho enquanto estivesse sem o sistema C.A.I, e, por fim...

Ele… que liderara a batalha. Conquistara a vitória. Que era o cabeça e a coroa da Famiglia:

Natsu?

“Eita. Cadê o Tsuna?”

“Caiu do morro ali atrás faz uns dois segundos.” responde o bebê, (mais preocupado com sua conversa com Gianinni do que com a incapacidade do pupilo de fazer uma pose heróica decente), enquanto murmurava. “Mas é um Tsuna-bom-em-nada, mesmo.”

“JUUDAIME!!!” gritou, o grisalho, correndo para socorrer o chefe junto dos outros dois bobalhões.

***

De volta ao acampamento Vongola… os rapazes se lavaram e prepararam as malas. Teriam algumas horas de descanso antes que o helicóptero chegasse e os levasse de volta à Namimori. Todos os capangas fugiram, mas pelo menos conseguiram reaver suas boxes roubadas. Nenhuma delas eram a lebre ou a rena branca que atacou a ele e Haru na semana anterior… Mas pelo menos pareciam estar buscando na direção certa.

Apesar de exausto e com dores tão profundas no corpo que talvez atingissem seus descendentes, Gokudera desejava com mais intenso ardor de sua chama que aquele dia não acabasse.

A adrenalina da luta, a sensação da vitória… Estava de volta a ação. de volta ao campo.

De volta ao lado direito de seu chefe!

Era onde ele pertencia.

Havia ainda muito chão antes da atual máfia japonesa (pelo menos as famílias rivais à Vongola) poderem se tornar um problema de longo prazo. Com ou sem trapaça.

“HE!” limpo e agasalhado, o rapaz atirou-se com satisfação na rede logo ao lado da do chefe, (rede pela qual duelou numa intensa disputa de jo-ken-po que durara 37 partidas e só acabou quando os outros dois desistiram de vencer) “E pensar que os vencemos mesmo aqueles ladrões terem tentado usar algumas das nossas boxes contra nós, hein, Juudaime!”

Mas o pequeno chefe não respondeu. Estava distraído demais com o que tinha em mãos.

Gokudera percebeu a pequena caixa aveludada (agora toda empoeirada de destroços de luta) e respirou fundo.

“O senhor quer que eu compre outra numa loja? Melhor ainda! Mando fazer uma igualzinha, a Sasagawa nunca vai saber…!”

“Hiii!” finalmente percebeu o amigo “N-n-n-não precisa, Gokudera! Eu... eu… nem sei se vou conseguir entregá-lo à Kyoko...”

“E porque não entregaria?” diz Yamamoto, na rede da esquerda, assustando seu líder outra vez. Tsuna parecia acreditar plenamente que fazia as coisas sem que seus guardiões percebessem.

“Ah… não… não sei se ela vai gostar...”

“Gostar do q-” começa a perguntar Ryohei, quando nota a mesma caixinha. “Ahhhh…. MAS É CLARO QUE VAI! MINHA IRMÃ VAI GOSTAR AO EXTREMO!!!”

“Tem certeza…?“ inseguro, o chefe estava prestes a mostrar a peça para que os amigos a avaliassem com os próprios olhos. Mas, com uma mão calejada, e amigos, Gokudera o impediu.

“Chefe.” quando Tsuna ergueu os olhos de castanho gentil, seus três guardiões, seus três amigos mais próximos, sua famiglia, sorriam-lhe com sincero apoio. “Independentemente do valor… Ela vai gostar.”

Então Tsuna pareceu relaxar. Fez que ‘sim’ com a cabeça, guardou o presente e sorriu de volta para os mais velhos.

Depois foram descansar. Pelo menos… a maioria foi. Em silêncio, Hayato olhava para os anéis acomodados na própria mão, abrindo e fechando o polegar vazio. Preferia que aquele dia não acabasse… Mas tinha ainda seus próprios assuntos para resolver.

Foi dormir. Mas não sem um mau pressentimento.

***

“...pré-natal, exames, obstetra, quarto, enxoval....”

Como…?

“...berço, babá, brinquedos, escola, professores particulares de música, de esportes, formaturas...”

Lembrava que abriu a porta e o viu… se cumprimentaram… conversaram quase que amigavelmente sobre “o casal”, suas famílias, uma suposta herança... e então… De repente...

“...cursinhos, mais professores particulares, faculdade, mais formatura, carro e, ah, não podemos esquecer que ele ou ela precisam de um cantinho pra morar e ser independente… O que acham melhor, um condomínio ou uma vila?” e depois do pasmo silêncio dos donos da casa que o recebia “Ah, deixa, eu compro os dois e meu neto escolhe...” dito isso, preencheu assinou mais uns três cheques vazios e os colocou acima dos trinta outros com um sorriso muito bobo, mas que arrepiava mais do que o cheiro da comida da Bianchi.

...lá estavam. Nadando em cheques.

Depois de quase um minuto de silêncio, tanto Haru quanto sua mãe começam a dar cutucadas cada vez mais fortes uma na outra, ansiando por alguém que dissesse àquele homem doido como é que as coisas funcionavam.

“V-v-v-você não pode entrar aqui, na minha casa, e-e-e-e estabelecer essa autoridade s-s-só porque você parece ter algum dinheiro! Aposto que nem fundo tem esses, esses cheques!!” Apesar disso, já tinha uns quinze deles enfiados no casacão surrado. Quando Haru tentou chamar sua atenção por isso, só fez responder que era professor e não teria outra oportunidade de pagar pelo futuro deles assim tão cedo. “Não é como se isso o transformasse num avô melhor que eu! Gente pobre também emrece respeito!”

Ouvir aquilo do único humano presente a saber que a tal gravidez não era real e que aquela história toda era um equívoco fora preocupante… O modo como seu pai suava, completamente frustrado, era um forte indicador que só estava falando mais besteira porque estava com o orgulho ferido.

Mas a pobre menina não teve tempo de sequer se preocupar com isso.

“O senhor tem toda razão.” diz o bigodudo, estendendo uma mão cheia, mas relativamente menor numa trégua para uma disputa que não deveria sequer ter começado! “Eu peço desculpas pelo meu comportamento. Era para estarmos discutindo o futuro das crianças, e não brigando por elas...” dito isso, ele se senta. Pesaroso, cansado, com sincera consternação pela atitude que tomara à pouco.

Os três Miuras se encararam e voltaram a se sentar. O pai de Haru ainda pegou umas duas folhas e enfiou na manga antes de recostar.

Falariam sério agora.

“Bom, como já lhes expliquei… minha relação com meu menino...” era muito estranho ouvir aquele sujeito usar o termo menino para Gokudera. Muito. De verdade. “...vem sendo distante desde que a mãe dele faleceu e não posso dizer que o culpo...” então ele leva os dedos pequenos e roliços aos olhos, sua voz já falhando “...eu só… só quero… uma segunda chance...”

Ah… se estivesse ali, se o Gokudera-filho estivesse ali, certamente esbravejaria… mas, como não estava, Haru encarava o pobre homem com um pouco de dó.

A morena não conseguia ver mafioso de bigode chorando...

“A propósito, os cheques não têm fundo mesmo, eu só fiz isso por força do hábito! Hahaha!” confessou simplesmente. “Já que não tenho para onde ir, eu esperava que pudessem me acolher em sua casa como fizeram com meu filho...”

A família Miura o encarou chocada por mais dois segundos, antes de atirá-lo para fora de casa e se retirarem para dormir.

Ainda podia ouvir gritos de “Mas você disse que pobre merece respeito!” vindas de baixo de sua janela.

Abaixou o vidro, fechou a cortina e apagou a luz. Tinha aula no dia seguinte.

***

Enquanto caminhava para a escola, Uri aconchegado nos braços, Haru perguntava-se quanto da personalidade de seu pai o grisalho realmente conhecia. E Bianchi? Será que a Hitman tinha consciência do ser absurdo que liderava sua família, ou teria fugido quando nova e se preservado da tortura que nem Hayato?

Ah, sim, importante dizer: por onde ela ia agora, o Sr. Gokudera a seguia. Mas não o fazia descaradamente. Ficava na moita.

Em cada uma das moitas. De sua casa até a escola. Ele ia, a via e se agachava. Ia, via, se agachava. Se pelo menos estivesse de fato se ocultando, usando um disfarce, ou qualquer coisa… talvez Haru nem ligasse. Na verdade, uns noventa por cento de sua decepção para com aquele homem residiam no fato de que ele não parecia minimamente competente no que quer que fizesse para transtornar o filho com o aquele terror.

Chegando na escola, deu umas três fotos que conseguira tirar de seu “stalker” e entregou aos seguranças. Entrou no portão ainda ouvindo protestos e pedidos de ajuda e piedade ficando cada vez mais para trás enquanto tinha certeza de que o Sr. Gokudera era expulso do recinto.

Enfim… sossego.

Sossego dessa história de família, de herdeiros, de gravidez...

Ou… será que ainda não?

“HAAAAARUUUU-CHAAAAAAANNN!!” gritou a voz melodiosa que a atropelou e a envolveu num dos abraços mais bem vestidos daquela semana.

Depois de rodá-la nos braços umas duas vezes, Bianchi põe a cabeça rosada, com madeixas num coque finamente preparado, em sua barriga, aos prantos, perguntando do suposto sobrinho ou sobrinha.

Apesar de feliz… Haru só conseguiu ficar em silêncio.

“Você não está grávida de verdade, não é?”

Haru negou com a cabeça.

Bianchi levanta e suspira, desamarrotando sua saia lápis.

“Eu já esperava.”

Eram tantas as coisas que ela e Gokudera precisavam ter falado com a mais velha antes que, agora finalmente a encontrara… mas antes de entrar em qualquer um deles:

“Bianchi-san, você não tinha largado o disfarce de professora na semana passada?!”

“Ah, meu bem, eu tentei, mas...”

***

Uma semana antes, na sala da diretoria…

Bianchi está diante dos coordenadores e pelo menos umas trinta meninas que compareceram só para entregar uma petição para colocarem as aulas da “Sasori-san” na grade de aulas oficiais, com o argumento de que suas matérias foram consideradas “mais aplicáveis na vida real do que física ou geografia” pelo conselho estudantil.

Basicamente, o que elas queriam oficializar fofocas e outras conversas de garota nas aulas.

Conseguiram.

Bianchi até chorou.

***

Aquilo foi no último dia que Haru pôs o pé na escola. Haru sabia que não devia ter faltado...

“E assim eu decidi que vou seguir minha nova vocação de professora de ensino médio e orientar essas futuras flores a desabrochar nos melhores anos de suas vidas...” diz Bianchi (ou Sasori), enquanto enxuga os olhos, pega um bloquinho e rabisca alguma coisa, rasga a folha e a entrega para Haru.

“Hagi!”

Era uma advertência. Outra falta e ficaria na detenção.

O sinal tocou e a morena teve que entrar na sala. A “professora” não ia trocar uma palavra enquanto estivessem no horário de aula, não importava quantos “mas, mas” Haru dissesse.

Depois de se acomodar em sua carteira, numa espécie sinistra e muito, muito mais real de Deja-vú, Bian- ah, digo, Sasori-san anunciou a chegada de duas alunas transferidas. Uma menina ainda levantou o braço, abriu a boca… mas fechou, respirou fundo e desistiu.

Não valia a pena questionar.

“Quero que dêem as boas vindas a Kyoko e Hana!” e as portas de correr se abriram.

Entram na sala, vestidas com o uniforme verde escuro de Midori, cabelos negro e ruivo, médio e longo, respectivamente…

Kyoko e Hana.

As verdadeiras

“Sentiu nossa falta… Haru-chan?” sorriu a ruiva.

Notas finais
GENTEEEEN NEM ACREDITOOOO FALTAM TRêS CAPITULOS!!! ÇOCOOOOORROOOOO Tá passando rápido demais ;------; Espero que gostem!!!!! Kissus e ja ne!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.