No Need to Say GoodBye
28 Trocando de roupa pra festa
Notas iniciais
Pov Rei Edmundo
Hoje é um dia muito importante. Lúcia estava esperando por hoje há meses, e aposto que agora deve estar toda eufórica fazendo todos ao seu redor pirarem coma pressão de que tudo deve estar perfeito. Nunca fui muito fã de festas. Lembro-me de quando era moleque, e ia nas festas com minha mãe meu pai. Eu sempre derrubava a bandeja do garçom, sujava a toalha de mesa com sorvete, ou derrubava o anfitrião e sua esposa idosa. Eu era terrível.
– Rindo sozinho, majestade? — Zahra pousou do meu lado.
– Quando não se costuma conversar com outras pessoas, é legal rir sozinho. Deveria tentar um dia desses. — eu retruquei, sentando no gramado.
Zahra sentou do meu lado, e ficamos ali, olhando para o horizonte. Cair Paravel fica em uma colina, para quem não sabe. Quando se senta paa fora dos muros do castelo, pode-se ter uma boa visão de toda a planície lá embaixo. Que agora, estava cheia de centauros, minotauros e faunos, armados até os dentes, machando, prontos para a batalha.
– Aslam é mesmo muito rápido... — eu sussurrei.
– Esses aqui são a linha de frente. Vão proteger o castelo, caso ela ataque aqui primeiro. — ela explicou. Levantou sua trombeta, e os soldados pararam de marchar.
– Não acha que seria mais prudente deixar uma orda preparada na festa? — eu perguntei — Lá é um ponto mais estratégico para se atacar do de aqui, principalmente porque será onde todos os nobres estarão reunidos esta noite.
Ela me olhou.
– Jamais teria pensado nisso.
Zahra se levantou, tocando sua trombeta. Boa parte dos soldados começou a marchar para as montanhas, sobrando apenas uma pequena orda para proteger o castelo.
– Você é ótimo estrategista, majestade! — ela sorriu.
– Gosto de xadrez. — eu fiz ela rir.
Olhei na direção do campo de treinos. Lúcia puxava Cristal pelo pulso, muito animada, e ambas riam, enquanto corriam em retorno ao castelo. Tinha razão ao dizer que ela estava muito ansiosa com essa festa.
– Lúcia se afeiçoou muito a essa garota. — eu comentei — Foi bom ter trazido ela para cá, tudo tem ficado mais alegre desde que ela chegou. Lúcia não para de sorrir, até Pedro tem estado mais alegre. Pena mesmo que a única missão dela aqui tenha sido desmascarar o mal...
– Ora, majestade! Não finja que não sabe qual é a verdadeira missão dela aqui! — Zahra ralhou.
– Perdão? — eu olhei para ela, confuso.
– O senhor mais do que ninguém sabe porque ela está aqui. — ela continuou — O maior valor dela será para mais tarde. Sua real missão não está aqui, não se lembra?
– Está me dizendo que ela está aqui apenas para que a conheçamos? — eu perguntei.
– Ela está aqui agora para que ela os conheça, e conhecendo, venha cumprir sua real missão quando retornar ao seu mundo. — ela me olhou — Compreende agora?
– Por que não fala isso abertamente para os outros? — eu a encarei.
– Os outros jamais aceitarão. — ela suspirou. — Ela é um presente de Aslam, uma última tentativa de resgatar o que havia se perdido.
– A alegria de meus irmãos. — eu sorri. — E talvez mais.
– Com certeza muito mais. — e ela ergueu voo.
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Pov Rei Pedro
– O que acha, Ed? — eu me olhei no espelho — Muito exagerado?
Eu estava vestindo a roupa em que retornei pela primeira vez para a Casa do professor Kirke, na é poca da Era de Ouro: camisa vinho de manga comprida, calça roxa, botas e uma túnica envolta em meu pescoço, de um tom de púrpura bem forte e bordados dourados.
– Pela milésima vez, não, Pedro! — Ed riu — Tá ótimo assim!
– Estou com medo de ficar exagerado, não sei... — eu falei — E se eu vestisse a roupa da minha coroação?
– Aquela capa amarelo-ovo?! — ele zombou — Tá bem melhor assim.
– Acha mesmo? — eu olhei para ele.
– Tá ficando esquisito... Você reclamando de roupa... — ele debochou outra vez.
– Não me amole! — eu rosnei, e ele riu — Agora pega minha coroa na caixa ali.
Ele reornou, com minha coroa dourada em mãos. E colocou em minha cabeça.
– Melhor agora, seu chato? — ele cruzou os braços.
Eu me olhei mais uma vez no espelho. Mesmo usando essas roupas e minha coroa, não me sinto magnífico. Talvez eu só esteja nervoso mesmo.
– Quer saber? — eu retruquei, zangado, sentando em minha cama — Não vou mais nessa festa!
– O quê? E perder a oportunidade de ver Eustáquio derrubar bolo no vestido da Aurora? — ele falou — Pode se animando! Eu não vou sozinho pra lá! Levanta dessa fossa! Você é um rei ou um rato?
– Um rato. — eu respondi.
– Duvido! — ele riu.
– Quer saber? Você não está ajudando em nada! Vou falar com a Lúcia! — eu me levantei.
– Tava demorando! — ele cruzou os braços.
– O que foi? Eu não vou lá só pra ver a Cristal tá! — eu caminhei até a porta.
– Não falei nada da Cristal. — ele provocou, e eu senti meu rosto corar.
– Querido Rei Edmundo, o Justo. — eu gaguejei — Imploro veementemente que vá se ferrar!
– Depois de você, irmão! — ele riu.
Eu saí do meu quarto, e caminhei pelo corredor até chegar no quarto dela. Quando bati na porta, Lúcia atendeu. Ela estava muito encantadora, havia cacheado os cabelos, e usava um vestido perolado.
– O que foi? — ela perguntou.
– Eu... ahn....
– Vai assim? — ela perguntou novamente — Tá quase perfeito, só falta o presente da Cristal!
– Lúcia!!!! — eu ouvi ela gritar, furiosa, lá de dentro.
– Ele ia saber uma hora ou outra! — Lúcia retrucou para ela — Entre, estou terminando de arrumar ela, a gente já vai sair.
Ela deu passagem, e eu entrei, sentando-me na cama. Lúcia correu para a armação de madeira, e logo eu ouvia os gritos de raiva da Cristal.
– Era para ser surpresa! — ela rosnou.
– Era para ele, então não tem problema eu contar! — Lúcia retrucou, doce. — E aliás, a maior surpresa vai ser quando ele te ver!
– Lúcia! — ela rosnou denovo.
– Depois que eu a vi de calças, garanto que nada vai me surpreender! — eu gritei, e ouvi os risos das duas.
– Aposto duas moedas como está errado! — Lúcia gritou.
Então Cristal saiu de trás da armação (lê-se Lúcia a empurrou). Ela estava linda, e o colar de lua brilhava ainda mais, destacado nessa roupa. Ela olhou para mim, e corou.
– Pare, Pedro. Não fique me encarando. — ela disse, nervosa. — Diz alguma coisa!
– Eu.... ahn....... — voltei a gaguejar.
– Dá o presente pra ele! — Lúcia falou.
– Ah, é!
Cristal abriu uma gaveta de sua cômoda, e tirou uma caixa preta e grande, aveludada. Ela caminhou até mim, e abriu a caixa. Era um medalhão dourado. Um círculo, com um sol resplandescente dentro.
– Wow! — eu suspirei.
– Achei que seria justo. — ela sorriu.
Então ela puxou o medalhão e o colocou em meu pescoço, por debaixo da capa. Ele brilhava, e sua corrente era comprida o suficiente para deixar o medalhão aparecer.
– Tem razão, Lu. — ela disse — Ficou ótimo nessa roupa.
– Eu sempre tenho razão! — Lúcia piscou — Agoa vamos, pombinhos, a festa vai começar com o pôr do sol!
Lúcia caminhou na frente, puxando Cristal pelo pulso. Eu simplesmente não conseguia parar de admirar ela. Ela é perfeita.
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