No More Lies... (lukabeth)
2 I. "Eu sou o único que a pode ajudar!"

PERCY POV
Eu estava me sentindo muito bem comigo mesmo, até que Luke se virou e me lançou um olhar sanguinário.
- Cronos tinha razão, Percy. Você é uma arma pouco confiável. Precisa ser substituído.
Não entendi muito bem o que ele queria dizer, mas não tive tempo de pensar a respeito. Um de seus homens soprou um apito de bronze, e as portas do convés se abriram violentamente. Mais uma dúzia de guerreiros foi despejada, formando um círculo à nossa volta, as pontas de bronze das lanças na nossa
direção.
Luke sorriu para mim.
- Vocês não sairão vivos deste navio.
- Mano a mano — desafiei Luke. — Do que você tem medo?
Luke franziu o lábio. Os soldados que estavam prestes a nos matar hesitaram, aguardando as ordens dele.
Antes que ele pudesse dizer alguma coisa, Agrio, o homem-urso, irrompeu no convés levando um cavalo voador. Era o primeiro pégaso preto puro que eu já vira, com as asas de um corvo gigante. A égua pégaso empinou e relinchou. Pude entender seus pensamentos. Ela estava chamando Agrio e Luke de nomes tão feios que Quíron teria lavado seu focinho com sabão para selas.
- Senhor. — bradou Agrio, esquivando-se dos cascos do pégaso. — Seu corcel está pronto!
Luke manteve os olhos fixos em mim.
- Vou matá-lo rapidamente — decidiu ele — Mas só depois de pegar o Velocino.
Luke agarrou a sela e subiu para o pégaso desaparecendo no céu. Sabia que Clarisse não teria a menor chance. Estávamos perdidos.
***
Não mais de meia hora depois, Luke surgiu no céu. Exatamente no mesmo lugar onde tinha desaparecido antes. Pude ver Clarisse amordaçada e presa ao dorso do pégaso enquanto Luke segurava o Velocino.
Pousou no navio. Clarisse tentava em vão desembaraçar — se das cordas.
- Agrio! — ele chamou enquanto me encarava com um ar de escárnio — Leve o Velocino e a loira para baixo. Eu e ela temos muito... para por em dia.
Agrio pegou Annabeth que ainda estava inconsciente desde a luta com Polifemo e levou — a para o interior do navio.
- Não te atrevas a tocar — lhe! — berrei.
- Que sabes tu? Tu não sabes nada. — respondeu irritado — Achas mesmo que a iria magoar?
- Tu não podes fazer nada por ela.
- Estás errado, Percy. — ele disse cuspindo o meu nome — Eu sou o único que a pode ajudar. Annabeth não é tua. Tu não sabes nada sobre ela. Tu não sabes nada sobre NÓS.
- Nunca houve nenhum nós entre ti e Annabeth.
Luke sorriu maldosamente para mim.
- Uma coisa que eu quero que você veja antes de morrer, Percy. — Ele olhou para o homem-urso Oreios, que ainda estava segurando Tyson e Grover pelo pescoço. — Você pode comer o seu jantar agora, Oreios. Bon appetit.
- He-he! He-he! — O homem-urso ergueu meus amigos e mostrou os dentes.
Foi quando o Hades inteiro foi libertado.
Zummm!
Uma flecha com penas vermelhas brotou na boca de Oreios. Com uma expressão surpresa na cara peluda, ele desmoronou no convés.
Por uma fração de segundo os guardas de Luke ficaram atordoados demais para fazer qualquer coisa a não ser olhar para o corpo do homem — urso se dissolvendo em fumaça.
Então se ouviu um coro selvagem de brados de guerra e um estrépito de cascos contra metal. Uma dúzia de centauros irrompeu da escadaria principal.
- Pôneis! — exclamou Tyson, empolgado.
Minha cabeça teve dificuldade de processar tudo o que vi. Quíron estava no meio da multidão, mas seus parentes não pareciam quase nada com ele. Eram centauros com corpo de garanhões árabes, outros com pelo dourado de palomino, outros com manchas laranja e brancas como paint horses. Alguns usavam camisetas de cores vivas com letras fosforescentes que diziam PÔNEIS DE FESTA: DIVISÃO DOSUL DA FLORIDA. Alguns estavam armados com arcos, alguns com bastões de beisebol, alguns com pistolas de paintball Um tinha a cara pintada como um guerreiro comanche e agitava uma enorme mão de isopor mostrando um grande Número 1. Outro estava de peito nu e inteiramente pintado de verde. Um terceiro usava óculos com olhos vesgos presos a molas, balançando para cima e para baixo, e um daqueles bonés de beisebol que têm latas de refrigerante com canudinhos penduradas dos dois lados.
Eles estouraram no convés com tamanha ferocidade e tanto colorido que por um momento até Luke ficou atordoado. Eu não sabia dizer se eles tinham chegado para comemorar ou atacar.
Tudo levava a crer que as duas coisas. Enquanto Luke erguia sua espada para convocar as tropas, um centauro disparou uma flecha diferenciada, com uma luva de boxe na ponta. Ela atingiu Luke na cara e o mandou para dentro da piscina.
Seus guerreiros se espalharam por todos os lados. Eu não podia culpá-los. Enfrentar os cascos de um garanhão empinado já é bastante assustador, mas sendo ele um centauro, armado com um arco e aos gritos, usando um chapéu com latas de refrigerante, até o mais bravo dos guerreiros bateria em retirada.
- Venham, acertem alguns! — gritou um dos pôneis de festa.
Eles mandaram ver com suas pistolas de paintball. Uma onda de azul e amarelo explodiu contra os guerreiros de Luke, cegando-os e emporcalhando-os da cabeça aos pés. Eles tentaram correr, apenas
para escorregar e cair.
Quíron galopou até Grover e pegou-o com facilidade do convés e o colocou nas costas. Clarisse, que entretanto se tinha soltado também subiu.
Luke se arrastava para fora da piscina.
- Ataquem, seus idiotas! — ordenou às suas tropas.
Em algum lugar sob o convés um grande sino bateu.
Eu sabia que a qualquer segundo seríamos esmagados pelos reforços de Luke. Seus guerreiros já estavam se recuperando da surpresa, avançando para os centauros com espadas e lanças erguidas.
Tyson jogou meia dúzia de lado com um tabefe, derrubando-os por cima da amurada na baía de Miami. Porém mais guerreiros vinham subindo pelas escadas.
- Irmãos, retirar! — disse Quíron.
- Você não vai escapar dessa impune, homem-cavalo! — berrou Luke.
- Quírion, não podemos deixar Annabeth para trás. — gritei no meio daquele barulho todo.
- Não temos tempo, Percy ela vai ficar bem. — gritou Grover de volta.
- Acha mesmo? Luke está mentido. Ele não vai ajudá — la.
- Percy, — Grover disse pacientemente — Você não sabe do que fala. Luke não lhe irá fazer mal, eu tenho a certeza.
Nessa altura tive a certeza que houvera alguma coisa entre ambos e que todos evitavam falar. Então, um centauro palomino me içou para seu lombo.
- Cara, chame seu amigo grandalhão!
- Tyson! — gritei. — Venha!
Tyson largou os dois guerreiros que estava prestes a amarrar em um nó e correu atrás de nós. Ele pulou para o lombo do centauro.
- Cara! — gemeu o centauro, quase cedendo sob o peso de Tyson. — As palavras "dieta de baixo carboidrato" significam alguma coisa para você?
Os guerreiros de Luke estavam se organizando em uma falange. Mas quando estavam prontos para avançar os centauros já tinham galopado para a beirada do convés e pulado sem medo por cima da amurada, como se aquilo fosse uma corrida de obstáculos e não dez andares acima do chão. Tive certeza de que íamos morrer. Despencamos para o cais, mas os centauros atingiram o asfalto praticamente sem um solavanco sequer e saíram galopando, bradando entusiasmados e gritando provocações para o Princesa Andrômeda enquanto galopávamos para as ruas do centro de Miami.
Não tenho idéia do que os moradores de Miami pensaram quando passamos galopando.
Ruas e edifícios começaram a se tornar indistintos enquanto os centauros ganhavam velocidade. A sensação era de que o espaço estava se compactando — como se cada passo de centauro nos levasse
por quilômetros e quilômetros. Num piscar de olhos, deixamos a cidade para trás. Disparamos por campos pantanosos, capim alto, lagos e árvores anãs.
Finalmente, estávamos em um acampamento de trailers à beira de um lago.
Notas finais
beijos ♥
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