No Meu Pégaso Branco
18 Saio para um inocente pique nique na floresta
Notas iniciais
Coloquei um pijama e deitei na
cama, depois de duas horas um capanga foi lá no quarto se certificar que eu
estava dormindo, depois disso esperei mais uma hora e me levantei, devia ser
por volta da uma da manhã. Coloquei um robe e pantufas, escondi a chave, em
último caso eu estava procurando a cozinha para comer alguma coisa, o que não
era má ideia.
Segui
o caminho contrário que eu tinha levado para chegar ali, logo vi a porta de
ferro, fui nas pontas dos pés até lá e abri as fechaduras com a maior
delicadeza possível, nenhum sinal de que me perceberam, entrei ali e ela estava
olhando pela janela para a lua.
Bati
os dedos de leve no vidro, ela levou um susto, mas se acalmou quando viu que
era eu.
-
Vic! – Ela gritou sussurrando, se é que isso existe. – Desculpa ter desconfiado
de você... Devia saber que você não ia fazer uma burrice dessas...
-
Calma, eu vim aqui avisar que estou dando um jeito para você sair daqui,
provavelmente vou tentar falar com Nico e eles vêm salvar a gente... Tenho que
ser rápida, antes que me achem... – Falei dando uma espiada pela porta, tudo
quieto.
-
E o que aconteceu com você? Por que o Luke te tirou daquele jeito mais cedo? –
Ela perguntou se sentando na cadeira.
-
Por que... Ele só me trouxe aqui por que eu disse que o beijaria se ele
libertasse você... – Falei, ela ficou perplexa. – Agora tenho que ir, boa
noite.
Não
fiquei ali para ouvir ela responder, sempre que eu estou fazendo algo arriscado
meu coração fica a mil e eu não consigo nem pensar direito, saí dali, fechei
cada um dos cadeados e tentei voltar para o quarto, mas em algum ponto do
caminho me perdi. Ótimo, não tinha ideia de onde estava, ouvi algumas vozes se
aproximando, entrei na primeira porta que vi, era o armário do faxineiro.
-
Ei Luke, não acha que está dando confiança demais pra maninha? – Era Rick...
Aquele desgraçado...
-
Talvez, você sabe que o plano de verdade era só usar ela, mas quer saber, acho
que to gostando um pouco dela... É melhor a gente manter a garota por aqui
mesmo. – Era Luke, idiota, devia saber que ele só queria me usar pra atrapalhar
os outros... Mas ele está gostando de mim, isso significa uma coisa boa, eu
tenho ele na palma da mão.
Acontece
que a idiota aqui perdeu o controle, tropeçou na vassoura enfiou o pé em um
balde com rodinhas e caiu, fazendo um barulho um tanto alto e derrubando metade
daquela sala. Os passos de Luke e Rick voltaram e eles abriram a porta.
-
Victoria? – Rick me perguntou desconfiado.
-
Quem? O Quê? Onde eu estou? – Dessa vez eu tive que pensar muito rápido, me fiz
de sonâmbula.
-
Deve ser sonâmbula a coitadinha, o pai dela era... – Rick falou.
-
Corrigindo... Nosso pai... – Falei me levantando e me desprendendo dos
materiais de limpeza. – Acho que estava procurando a cozinha, pois estou com
uma fome...
-
Ótimo, estamos indo para lá bem agora. – Luke falou apontando para a direção
que eles estavam seguindo, fui os acompanhando.
-
Luke, onde exatamente estamos? Estou começando a ficar angustiada, parece que
sou uma prisioneira... – Falei como quem não queria nada.
-
Não tem problema, estamos na Angeles National Forest, rota 2N24, logo você vai
saber como sair e entrar aqui... – Luke falou me abraçando, uma onda de
calafrios atingiu meu corpo...
Caminhando
mais um pouco, o lugar aqui era mesmo grande, ainda estava tentando entender
como um esconderijo desse conseguia ficar escondida no meio da floresta
nacional, mas se o acampamento inteiro consegue se esconder em Long Island...
-
Aqui, pode pegar um desses biscoitos. – Estava tão distraída que nem percebi
que tínhamos entrado na cozinha, Rick estava estendendo um pote com cookies
para mim.
-
Obrigada. – Falei pegando dois. – Como você encontrou Luke? – Perguntei
curiosa.
-
A tia que eu fui visitar para fugir do orfanato, May Castellan. Luke foi fazer
uma visita a ela e me encontrou. – Rick respondeu pegando um cookie para ele
também.
-
E você sabe onde meu, seu, nosso pai foi enterrado? – Perguntei, eu haveria de
ir visita-lo quando tudo isso acabasse.
-
Não sei, acho que o corpo dele está guardado, esperando o fim da investigação,
sabe, aparentemente foi um ataque de bicho selvagem, mas o corpo da minha mãe
desapareceu. Claro que depois eu soube que ela era na verdade uma deusa, só
levantou e foi embora. – Foi embora e deixou o meu pai lá, morto...
-
Já matei minha fome, acho melhor eu voltar para o quarto. – Me lembrar daquilo
me deu uma onda de choque, eu precisava falar com o Nico, salvar Duda e me
vingar daquela deusa desgraçada que deixou meu pai pra trás.
-
Eu te levo até o quarto. – Luke falou, mas eu continuei andando.
-
Não precisa, vou achar o caminho. – Ele me segurou pelo braço e me olhou, achei
melhor não discutir, fomos caminhando em silêncio até lá, quando cheguei só
abri a porta e dei um passo para dentro, depois me virei. – Boa noite Luke.
-
Nem um beijinho de boa noite? – Eu ia me virar e ignorar, não aguentava mais
beijar ele, me dava nojo... Mas ele me girou e me beijou, prometi a mim mesma
que aquela seria a última vez. Tentei afastar meus lábios dos dele mas ele não
deixou, segurou minha cabeça.
Então
continuei o beijando, estava me cansando daquela merda toda, tentei mais uma
vez, ele me segurou mais forte. O empurrei para longe mas seu outro braço
estava em volta do meu corpo e não deixava eu sair, idiota. Tive que ficar ali
e esperar, ele me abraçou mais forte e me puxou para mais perto dele, quando
ele se distraiu eu o joguei para frente e peguei impulso para trás, depois
fechei a porta na cara dele e a tranquei.
-
Eu disse: BOA NOITE LUKE! – Falei antes de me virar e correr para o banheiro.
Virei
metade do pote de enxaguante bucal na boca, depois a outra metade, aí escovei
os dentes e a língua até me certificar de que não tinha nenhum rastro do
Castellan ali. Me sentia bem melhor agora, meu próximo passo era achar um jeito
de falar com o Nico, uma Mensagem de Íris podia ser facilmente rastreada... Eu
podia pedir um favor a Hermes.
Deitei
na cama e fui dormir pensando em Hermes, deu certo. No meu sonho eu estava em
uma sala branca, do outro lado da sala um homem alto, me lembrava muito o
Travis, mesmo cabelo, mesmos olhos, mesmo ar brincalhão.
-
Oi menina, como vai a missão? – Ele falou distraído, mas aí deve ter se tocado
de tudo. – Ah, desculpe-me pelo Luke, não sei o que fiz de errado com aquele
garoto... – Ele falou antes de me abraçar. – Precisa de alguma ajuda? – Assenti
com a cabeça.
— Preciso falar com Nico, ou com Travis. –
Respondi.
-
Deixe-me ver... Consigo te conectar com o filho de Hades... – Ele falou mexendo
no celular, em uns instantes ele desapareceu em uma nuvem de fumaça e quando a
fumaça se dissipou, revelou a presença de Nico.
Não
falei nada, só corri para o abraçar, primeiro ele ficou confuso, olhou em
volta, depois abaixou a cabeça e me viu, me abraçou mais forte.
-
Me desculpa, me desculpa, me desculpa... – Falei enquanto o abraçava, ainda sem
olhar nos olhos dele.
-
Ei pequena, lá no fundo eu sabia que você não ia passar pro lado do Luke. – Ele
falou se separando um pouco e levantando meu queixo, fazendo eu olhar direto
para seus olhos. – Agora me diga onde você está que eu vou te salvar.
-
Espere, não é tão fácil, a segurança aqui é pesada. Luke confia em mim, talvez
eu consiga alguma coisa, Duda está bem. – Falei e ele ficou bem mais aliviado.
– Estamos na Angeles National Forest rota 2N24. Vou tentar um passeio aqui nos
arredores amanhã, como faço para você me encontrar?
-
Leve o prendedor, ele tem um sistema de localização.
-
O QUE?
-
Calma, era para o caso de você ser sequestrada ou algo assim, enquanto você
estiver com o prendedor, eu posso te achar... – Ele falou antes da imagem se
dissolver, no lugar dele apareceu Hermes mais uma vez.
-
Desculpa cortar a conversa mais uma vez, mas se o garoto ficasse mais 30 segs
aqui Luke ia perceber, a minha presença é imperceptível... Sou demais... – Ele
falou assim que apareceu. – Agora é melhor você acordar, o tempo aqui passa
descontrolado, já está de dia. Bom passeio.
Depois
que Hermes acabou de falar tudo se dissolveu e virou um breu profundo, de
repente o preto acabou, eu abri os olhos, estava no meu quarto e não estava
sozinha.
-
Vic! Você acordou! – Duda falou correndo do banheiro, agora com roupas
trocadas, já sem o biquíni e a saída de praia que estava usando ontem.
-
Duda! – Falei pulando da cama e a abraçando. – Você fugiu? – Perguntei a
olhando séria. – Então estamos com problemas...
-
Não, eu não fugi. Luke me liberou, ele disse que hoje podemos dar uma volta
aqui perto, também me entregou essa cesta de piquenique e falou para enchermos
com o que quiser da cozinha. – Ela falou pegando a cesta, a observei, de um
lado e de outro.
-
Ótimo, vou dar uma volta e já podemos sair! – Falei depois me aproximei do seu
ouvido. – Ainda temos 4 dias. – Sussurrei bem baixinho, numa altura que nem o
microfone que eu vi escondido na costura da cesta de piquenique captaria. –
Deixa eu só ajeitar isso. – Falei me aproximando da cesta. – Luke, não
precisamos de companhia. – Falei perto do microfone, antes de esmaga-lo,
troquei de roupa na velocidade da luz, prendi meu prendedor na barra da
camiseta e me levantei, ia quebrar minha promessa, mas ia valer a pena. – Vou
lá Duda, me espera aqui! – Ela apenas assentiu com a cabeça, segui para o
corredor e fui andando pelo labirinto.
Até
que eu encontrei a porta, dei umas batidas de leve e ele abriu. O observei bem,
pois esperava eu que aquela fosse a última vez que eu visse Luke Castellan.
-
Bom dia gatinha, achei que já estivesse no passeio. – Ele falou sorrindo, o
cabelo estava bagunçado, o moletom amaçado.
-
Não vai me chamar para entrar? – Perguntei como se estivesse ofendida e fingi
que ia embora, ele agarrou minha mão e me puxou para dentro, olhei nos olhos
dele e ele olhou nos meus.
Ele
começou a aproximar seus lábios nos meus, lábios cheios de veneno... Como eu
queria correr de lá, mas não tinha muitas opções se eu quisesse salvar minha
mãe. Ele me beijou, foi como os outros, não foi bom, mas não foi horrível, fui
o empurrando até uma caixa de som, liguei a música bem alto e pedi que ele
pegasse alguma coisa para bebermos.
Eu
tive cerca de 30 segundos enquanto ele mexia no frigobar para pegar o máximo de
planos que eu consegui e enfiar no casaco, consegui sete. Fechei o casaco e
envolvi a latinha de coca que ele estava me estendendo com meus dedos, ele se
aproximou para me beijar mais uma vez, mas eu botei um dedo impedindo sua boca.
-
Fica pra depois do passeio. – Falei o abraçando e me virando para o corredor,
ele ficou para trás com uma cara de paspalho.
Andei
o mais depressa que consegui até o quarto, encontrei Duda, peguei algumas
sacolas de plástico grosso, e coloquei no casaco, depois peguei a cesta e fui
para a cozinha, enchi a cesta de comida.
-
Agora vamos. – Duda falou abrindo uma porta que dava na tal floresta,
caminhamos em silêncio por mais de meia hora.
-
Isso, agora pegamos a comida e passamos para cá. – Falei tirando cinco sacolas
de dentro do casaquinho que eu usava. Comecei a tirar a quantidade enorme de
comida – não sei como os capangas lá da cozinha não perceberam que eu tinha
pego comida demais para um piquenique. – e passei para as sacolas. – Vamos
deixar a cesta aqui e corremos para o mais loge possível, ok?
-
Ok. – Ela assentiu e começamos a correr, os treinamentos do acampamento
funcionavam, um mês atrás eu não conseguiria correr naquela velocidade.
Estávamos
bem longe, e muito, repito muito cansadas. Chegamos a outra rota, era a seguinte,
2N25, decidimos parar de correr e seguir pela rota, fomos andando pela direita.
-
Então, acha que já sentiram nossa falta? – Perguntei olhando para de onde
tínhamos vindo.
-
Talvez... – Duda respondeu olhando para a mesma direção.
-
Vamos nos afastar mais e achar um lugar seguro para parar, se ficarmos andando
Nico nunca vai os encontrar. – Falei pensando em onde eles deveriam estar nesse
exato momento.
-
Hmm... Se estamos na rota 2N25, podemos continuar andando nessa direção que
vamos achar o rio de são Gabriel. Ouvi falar dele na escola, dizem que é
realmente lindo. – Ela falou, eu adorei a ideia. – Só que vamos ter que andar
mais ou menos mais duas horas e 45 minutos... – Claro que me desaminei, mas
tive uma ideia.
-
Então acho que podemos parar para comer alguma coisa... – Falei como quem não
quer nada, me sentando no chão.
-
É, já que você insiste... – Ela falou se sentando no meu lado.
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