No Meu Pégaso Branco
1 Prólogo - Sou salva por um prendedor de cabelo
Notas iniciais
Como explicar tudo do começo? Realmente é difícil, vou começar pelo básico: Me chamo Victoria. Eu moro em um orfanato em Washington desde que... aquilo aconteceu. Eu tenho um amigo, só um. O nome dele é... Bom ele nunca me disse seu nome, ele fala pra eu chama-lo de Kay.
Eu e Kay vivíamos excluídos no orfanato, as garotas viviam reclamando da minha aparência desleixada, eu não gosto de chamar atenção, então deixo meu cabelo mal cuidado e uso roupas largas. O Kay tem a pele pálida, cabelo preto, só usa roupas pretas e tem um ar sombrio, então as pessoas evitam se aproximar dele. Viviam acontecendo coisas estranhas conosco, parecia que estávamos sendo seguidos, mas eu comecei a entender tudo no meu aniversário de 13 anos...
Acordei na minha cama no canto do quarto, Kelly e Jillie já estavam acordadas, divido quarto com elas desde sempre, são duas ariranhas piriguetes chatas, vivem super maquiadas e com roupas bonitas, implicando comigo, como sempre esperei as duas sair para levantar.
Me levantei, peguei um short jeans e uma camisete 2x o tamanho que eu deveria usar, meu par de all stars rosa, que Kay me deu no meu aniversário de 12 anos, ele sempre disse que rosa combina comigo. Prendi meu cabelo comprido, liso e castanho claro num rabo de cavalo e saí para o refeitório. Esse orfanato é tipo um internato, estudamos, comemos, alguns saem pra fazer pequenos serviços e ganhar
um pouco de dinheiro pra roupas e sapatos, outros como eu, usam roupas de doações.
Logo no começo do corredor dei de cara com Kay, ele segurava uma caixinha pequenina.
— Bom dia, pequena! – Ele falou com um sorriso, sou a única pessoa desse país para qual ele sorri e me sinto realmente orgulhosa disso.
- Incrível como você me chama de pequena, mesmo eu sendo apenas...
- 3 meses, 7 dias e 13 horas mais nova que eu... – Ele complementou a frase, já deve estar farto de ouvir, mas eu não pretendo parar de lembra-lo. – Vai, abre.
Peguei nas minhas mãos a delicada caixinha, dentro dela um prendedor de cabelo em forma de borboleta, era simplesmente lindo.
- Kay... Não sei o que dizer, é lindo! – Falei correndo para abraça-lo.
- É pra aproveitar seus 13 anos, seu número da sorte pequena! – Kay sempre me disse que meu número da sorte é 13, mesmo sendo o número do azar, levei a sério.
Já fui entrevistada por 13 famílias, já levei 13 diretoras do orfanato à loucura, já li 13 livros sobre filosofia, os quais me inspiram, já plantei 13 árvores e já tentei fugir daqui 13 vezes.
Fomos caminhando pelos corredores até o refeitório, para minha “surpresa”, ninguém tinha lembrado do meu aniversário. Aqui no orfanato no dia do aniversário de cada um, a cozinheira faz um bolo, todos cantam parabéns e comemoram, nunca lembraram do meu, eu já comentei isso com a cozinheira várias vezes. Então percebi uma novidade, a cozinheira que está lá desde que eu cheguei, não estava, era uma nova, tão asquerosa quanto a outra.
Os minutos seguintes foram incrivelmente rápidos, a cozinheira nova se transformou em um monstro. A cozinha explodiu, Kay tirou uma espada de não-sei-onde e os dois começaram a lutar. Crianças correndo de um lado pro outro, então o prédio começou a desabar, um pedaço do teto caiu na minha cabeça e eu desmaiei.
Quando acordei, estava soterrada, ouvia gritos desesperados de crianças, o urro daquele bicho havia parado, nem sinal de Kay. Tentei me mover, inutilmente.
Então minha mão encostou na caixinha que Kay havia me dado, em uma brecha dos escombros consegui abri-la e peguei o prendedor de cabelo, ele soltou feixes de luz e abriu um caminho pelos escombros, em alguns segundos estava de volta a luz do dia.
- Mais uma! – gritou um bombeiro enquanto me envolvia em um cobertor e me dirigia até uma ambulância. Me fizeram algumas perguntas inúteis, as quais eu não respondi pois não pretendia dizer que tinha um monstro, meu amigo pegou uma espada e lutou com ele... Meu amigo, lembrei de Kay. Ele estava do outro lado da rua conversando com uma garota loira de olhos cinzentos e um garoto de cabelos pretos de olhos verdes, ignorando a recomendação dos paramédicos fui caminhando
em direção aos três.
- Nico, está na hora! – A garota dizia tentando convencê-lo de algo.
- Não Annabeth, espere mais! – Ele retrucava.
- Nico, olha o que aconteceu! Não podemos esperar nem mais um minuto.
— Kay... Quem são eles? Por que estão te chamando de Nico? – Perguntei sem entender nada.
- Vic! Graças aos deuses você está bem pequena! – Ele falou correndo pra me abraçar. – Aqueles mortais inúteis não me deixaram te procurar, estava me desesperando...
- Foi... O prendedor que você me deu, ele fez uma luz e abriu caminho pelos escombros, isso foi estranho, mas não foi a única coisa estranha, tinha o monstro, e a sua espada e... – Nesse momento me senti meio tonta, cambaleei e o garoto de olhos verdes me ajudou a me manter em pé.
- Acho que é hora de contar tudo para ela Nico... – A garota de olhos cinzas disse, me ajudando agora a sentar.
- Contar o que? Nico? É esse seu nome? Me conta tudo! – Gritei com as forças que me restavam.
- Meu nome é Nico DiAngelo. Não sou um órfão, bem... Minha mãe morreu, mas eu moro com meu pai. Um tempo atrás recebi uma mensagem do acampamento falando sobre você, eu cheguei aqui e manipulei a Névoa, fazendo você pensar que me conhecia desde que
era pequena, mas eu estou aqui mesmo há cerca de dois meses. Não tenho treze anos, tenho quatorze, e meio... Essa é Annabeth e esse é Percy, são do acampamento meio-sangue. Um acampamento para semideuses, filhos dos deuses gregos, eles existem e tem filhos na terra. Eu sou filho de Hades, Deus dos Mortos, Percy é Filho de Poseidon e Annabeth filha de Atena. Aquilo que você viu foi uma fúria, apenas um dos monstros que eu tento conter desde que cheguei. Ainda não sabemos de quem você é filha, só sabemos que é uma meio-sangue e das que chama a atenção de muitos monstros. Eles estão aqui pra avisar que é hora de você ir para o acampamento, não pode mais ficar no mundo humano.
- Nico... Contar tudo assim de uma vez pode deixar ela um pouco confusa. – Disse Annabeth se agachando do meu lado.
- Não... Eu estou bem... Quero dizer, bem é relativo, acho que vou desmaiar... – É, eu desmaiei...
Quando acordei de novo estava em uma enfermaria, nem sinal do Nico e do Percy, ou da Annabeth. Apenas um garoto de pele queimada, cabelo louro escuro e olhos azuis petrificantes...
- Ah, você acordou! Bem vinda! – Ele falou se aproximando de mim.
- É... Você, quem é? – Perguntei ainda meio tonta.
- Zack, filho de Apolo. Tenho cuidado de você nos últimos dias.
- DIAS?!?!?!? – Perguntei me levantando bruscamente.
Notas finais
Bjinhos,
Vic
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