No Meu Pégaso Branco

21 Minha primeira batalha interrompe a aula de música




Podemos ouvir muitos
comentários, os que tinham ido à festa ontem nos acharam familiares, mas
depoisdo efeito do charme e Nico manipular a Névoa, nenhum deles se lembrou
exatamente do queaconteceu, no fundo da sala estava o tal Henry, ele se
encolheu quando nos viu entrar, pelo menos ele se lembra de que não deve se
meter conosco.



- Sejam amigáveis. — A
diretora falou antes de sair da sala.



- Deixe-me ver... Nico
diAngelo. — O professor falou e Nico deu um passo à frente. — Pode se sentar
ali. — Ele completou apontando para uma cadeira vazia na última fileira. -
Eduarda Lopes, ali. — Falou para uma cadeira na terceira fileira, ao lado de
uma garota que usava um uniforme um tamanho menor e o cabelo chapado. -
Victoria... Victoria Bastos? — Assenti com a cabeça. — Ali. – Ele falou para um
lugar ao lado de Tim.



Quando todos já
estávamos sentados, ele continuou a aula, eu não dei muita atenção, a única
coisa que me lembro é que era História.



- Tim, precisamos sair
daqui o quanto antes. — Falei para o loiro que tanto me lembrava Zack...



- Mas... A Valerie... -
Alguma coisa me dizia que era a tal garota que estava do lado da Duda,por algum
motivo que eu desconhecia fiquei chateada com aquilo...



- Tim, é a sua vida. -
Falei séria. — Esquece essa garota, tenho certeza que vão aparecer várias
outras.



- Mas... Não podemos ir
amanhã? — Eu não respondi, apenas o olhei com um olhar bem sério e ele
entendeu. — Você disse que é um ataque, podemos ficar e lutar?



- Olha, já estamos de
missão há cerca de uma semana, já estamos cansados e eles provavelmente vão vir
com um exército. Mas se essa prost... garota importa tanto para você. — Depois
dessa fiquei quieta, não prestei atenção na aula, apenas fiquei desenhando Zack
no meu caderno, era como se eu o tivesse recuperado, mas o perdi. Me sentia uma
verdadeira inútil...



Logo tocou o sinal, me
levantei e fui ao encontro de Duda e Nico, Zack foi encontrar a tal garota,
Nico parecia ter um olhar preocupado.



- Eu sinto morte por
aqui, acho melhor amarrarmos esse garoto e levá-lo daqui contra a sua vontade
mesmo.- Ele bufou enquanto saíamos da sala.



- Sério aquela garota me
estressou muito! — Duda falou enquanto colocava o cabelo para trás da orelha.



- É, me estressou também...-
Falei olhando para o chão.



- Como se você estava
longe dela?- Nico perguntou, ele não entendeu, mas Duda olhou para frente e a
viu abraçar Tim, ninguém falou nada, Nico continuou sem entender e Duda apenas
me abraçou.



- Qual é a próxima aula?
- Duda perguntou, Nico começou a revirar o horário que a diretora tinha o
entregado.



- Música...



Fomos seguindo pelos
corredores, a tal sala de música era do outro lado da escola praticamente, era
em outro prédio, provavelmente estaríamos lá na hora do ataque, talvez eles não
soubessem que não estávamos no prédio principal, nesse caso teríamos tempo
suficiente para fugir... Entramos nesse prédio menor, a sala era em um corredor
do primeiro andar, abrimos a porta e nos deparamos com um ambiente com todos os
instrumentos que você pode imaginar, Vita se sentiria bem a vontade aqui...
Vita... Ela estava do lado de fora da escola pronta para correr e ajudar a
qualquer sinal de um ataque.



- Prazer alunos, o Sr.
Hein teve alguns problemas e eu sou o substituto, Sr. A. — Ele falou e começou
a rir como se aquela fosse uma piada muito boa.

Pareí para pensar, o cara era alto, moreno, loiro, olhos azuis, professor de
música, Sr. A, de algum jeito eu sabia que piada era essa, Sr. D! Dionísio,
então esse seria Sr. A, Apolo.



- Então Apolo, o que
vamos fazer hoje? — Perguntei me aproximando do tal professor substituto, ele
me observou da cabeça aos pés e pareceu entender.



- Victoria... Achava que
não ia aparecer... — Ele falou, é, ele sabia meu nome, nisso que dá lidar com o
deus das profecias, ele sabia de tudo.



- Esse garoto, Tim, é
seu filho? — Perguntei e ele assentiu com a cabeça, estava na minha cara, por
isso o garoto me lembrava Zack...



- Vamos começar a aula!
- Apolo gritou e cada um pegou um intrumento, Nico sentou quieto em um canto,
Duda pegou um violão e eu sentei num baquinho em frente a um teclado mais no
fundo da sala.



- Olha novata eu
te desculpo se você levantar agora do meu lugar. — Era Valerie, afff...



- Desculpa... — Eu
falei, ela me olhou com uma cara de otária. — Mas eu não vi seu nome em lugar nenhum aqui,
então é melhor você arranjar outro lugar antes que a aula comece. — Aquela cara
que ela fez, eu pagaria para ver de novo e de novo, primeiro ficou atônita,
todos riram da cara dela, Apolo mandou que ela sentasse em um banquinho no
outro canto da sala e tocasse uma flauta, quem é a otária agora?????



A aula continuou normal,
mas uma coisa me preocupava, eram oito e quarenta e cinco... Passei o olho pela
sala atrás de Tim, estava sentado ao lado de Nico tocando um violão... Ah, um
violão... Igualzinho ao que Zack estava tocando aquela tarde...

Apolo mandou que cada um tocasse de uma vez, isso me deixou nervosa, para falar
a verdade fazia muito tempo que eu não tocava teclado, olhei como uma súplica
para Apolo e ele respondeu com um olhar acolhedor, mecheu um pouco os dedos e
subitamente era como se um espírito tivesse tocado conta das minhas mãos e elas
estavam tocando completamente sozinhas... Incrível... Eu não fui a única que
achou isso incrível, o resto da sala ficou com uma cara indescritível ao me
ouvir tocar.Logo minha vez acabou e eles seguiram tocando.



O tempo foi passando, a
cada minuto meu coração batia mais rápido, o ar ficava mais pesado, o clima
ficava mais tenso, parecia que tudo estava para cair, e estava, eu olhavapara a
janela esperando que o exército aparecesse, pois eu sabia que ele ia, meu
instinto de sobrevivência me dizia para correr para o mais longe dali, mas
minha consciência me mandou ficar. Então eu apenas continuei ali parada, então
ele mandou que formassem duplas, acontece que eu estava tão distraída que não
percebi e quando vi todos já tinham dupla, menos... Tim.



Merda, será que eu não
podia ter voltado a terra por um minuto, só o suficiente para fazer dupla com
qualquer um daqueles garotos que não me lembravam Zack, ou até mesmo as que
usavam roupa alguns tamanhos menores, mas não, eu fiquei que nem uma
retardada...



- Então, quer fazer
dupla comigo? — Tim perguntou colocando o banquinho do lado do meu.



- Quero sim. — QUERO
NÃO, SOME DAQUI CAPETA!!!



Começamos a tocar uma
música a quatro mãos no teclado, Apolo nos olhava de vez em quando, eu nunca
sabia exatamente o por quê...



Acabou sendo um tempo
bom, tocamos algumas músicas interessantes, até que eu me diverti, mas quando
acabei de tocar a última nota, meu coração parou, o tempo, bom, o tempo não
parou, eu agradeceria a Apolo se tivesse parado... Eram nove horas.



Ouvi um baque ao longe,
gritos desesperados, uma explosão, o prédio principal tinha caído, peguei meu
prendedor e o transformei em uma espada, joguei as armas de Nico e Duda para os
mesmos, pela janela vi Travis lutando com vários monstros, Vita não demorou
para aparecer. Apolo também já tinha sumido e estava lá ajudando, deixou para
trás um arco e flecha. O tempo começou a passar rápido.



- Todos vocês, corram
para o mais longe daqui! – Gritei para os estudantes aterrorizados, mas quando
Tim passou por mim segurei seu braço. O entreguei o arco e flecha. – Você fica.
– Primeiro ele pareceu assustado, depois mexeu um pouco no arco e flecha e
pareceu bem mais confiante.



- Vamos, eles precisam
de nós. – Duda falou pulando a janela e correndo, lutando com os monstros que
apareciam em seu caminho. Logo depois Nico pulou pela mesma janela, assim que
tocou o chão fez com que esqueletos surgissem e o ajudassem, quando Tim ia
pular pela janela eu segurei seu braço, ele pareceu confuso.



Eu sabia que ele podia
morrer, então apenas o observei, imaginei Zack ali, o nosso beijo, quero dizer,
o que nunca acontece, uma lágrima solitária atravessou meu rosto, soltei Tim,
pelo contrário do que eu imaginava ele não pulou a janela, voltou para dentro e
me abraçou.



- P... Por... Por que
você fez isso? – Perguntei entre soluços.



- Não sei, alguma coisa
me disse que era o certo a fazer... – Depois disso ele se afastou de mim e saiu
dali, lançando flechas para os monstros.



Agora era a hora, quando
botei o pé para fora da janela, passos no corredor, me virei bruscamente.



-
Nossa gatinha... Me enganou direitinho... – Luke.



-
Não foi difícil, Castellan. – Falei
levantando minha espada.



-
Pena que agora você vai morrer, se tivesse feito a escolha certa... – Ele falou
levantando a sua.



-
Acredite, eu fiz! – Falei me aproximando dele, que atacou a minha lateral, eu
defendi. Tentei na sua perna mas ele defendeu facilmente, achei melhor me
afastar, me concentrei.



Até
que ele avançou e na velocidade da luz começou uma disputa acirrada com as duas
espadas se debatendo, mas ele era mais forte, comecei a recuar, essa luta não
cessava, até que dei meu primeiro descuido, ele acertou meu ombro.



Foi
como se alguém tivesse arrancado meu braço esquerdo, eu não o sentia e tentava
ignorar a quantidade de sangue que saía do ferimento. Luke não parou, continuou
atacando e eu continuei recuando, mas por incrível que pareça não era por
fraqueza, eu estava tentando me aproximar da mochila, assim eu poderia tentar
pegar ambrosia.



-
Lá no acampamento não te ensinaram nada, gatinha? – Ele perguntou.



-
Ensinaram sim, a fazer estratégias! – Falei, rompi o ritmo das espadas, ataquei
por baixo, depois de ter dado todos os sinais de que eu não o faria, ele caiu
no chão, foram segundos, abri a mochila, engoli a ambrosia, peguei sua espada e
pulei pela janela, a luta lá fora estava feia.



Vi
Tim ao longe lutando corpo a corpo com uma dracanae, mas a coisa estava feia
para o lado dele, achei melhor ajudar. Quando me aproximei pude ver que ele
estava com um corte bem sério na perna, já tinha caído no chão.



Antes
de ir, como que por um segundo o mundo parou, olhei à minha volta, Apolo lutava
bravamente, já tinha dizimado vários, alguns estudantes estavam feridos,
cheguei a ver alguns que deviam estar à beira da morte, gostaria de saber o que
os mortais viram disso... Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, mais vidas
inocentes sendo tiradas.



Mais
perto do pátio, Nico lutava ao lado de vários esqueletos, ele parecia cansado
mas estava aguentando bem, Travis estava bem cansado também, parece que o tempo
que eu fiquei lá dentro com Luke passou bem rápido aqui fora, o problema é que
nós éramos seis e eles eram muitos.



Duda
ao meu ponto de vista era a que melhor se saía, estava acabando com os que
passavam pela sua frente, tinha dado uma volta completa, meus olhos se voltaram
para Tim, corri em sua direção.



-
Victoria! – Ele gritou quando me viu, merda... A dracanae se virou para mim, eu
queria ataca-la de surpresa... Bom, começamos a lutar, enquanto isso Tim
conseguiu descansar um pouco.



Não
demorou muito para eu cravar minha espada em seu pescoço, Tim já havia a
desarmado. Apontei para a espada dela e olhei para ele, que pareceu entender,
pegou a espada e me acompanhou.



Gritos,
sangue, o tempo corria incrivelmente rápido, dei outra volta agora atrás de
Vita, mas ela não estava em lugar nenhum... Continuei correndo, até que senti
algo me derrubar, pelo preto, baba... Um cão infernal.