No Meu Pégaso Branco
10 Assim, num passe de mágica
Notas iniciais
ps. Aqui na fic é tudo ligado, então nenhuma de vocês percebeu, mas o vestido que a garota usa na capa, é o tal vestido florido que ela botou nesse dia.
Destruiu as janelas laterais do chalé de Ares, pedaços do chalé voaram para todos os lados, quando a poeira baixou, foi possível ver que a essa altura Dionísio – Que eu descobri ser o diretor do acampamento, que não estava aqui quando eu cheguei -, Quíron e o resto dos semideuses estavam lá, a maioria ajudando os feridos a se levantarem e irem para a enfermaria.
- Di Immortales! – Nico exclamou ao meu lado. – Você está bem pequena?
- Eu estou, mas e o Zack, onde ele está? – Perguntei me desesperando.
Lembro de ter saído correndo, em meio a escombros e semideuses machucados, em busca de Zack, alguns metros atrás do chalé achei uma garota toda machucada, não estava queimada – Filhos de Apolo tem resistência a fogo – supus que aquela era Diana.
- Você é Diana não é? – Ela não tinha forças pra responder, apenas balançou a cabeça concordando. – Você sabe pra onde o Zack foi? – Perguntei chorosa, mas ela não soube responder. – Não feche os olhos, continue aqui comigo, já vão chegar aqui e te levar pra enfermaria.
- N.. Não vai dar tempo... – Ela falou com a voz falhando. – Como estão os outros?
- A maioria machucada, mas todos vão ficar bem. – Falei tentando reconforta-la, mas parecia realmente difícil, ela estava sangrando muito. – Eu tenho que te tirar daqui!
- Não... Me deixe aqui, é um lugar bonito pra morrer... – Ela falou mexendo os olhos e revistando a área em volta.
- Não fale isso, você não vai morrer! – Falei já chorando copiosamente, se ela estava assim, não queria nem imaginar Zack. – ALGUÉM ME AJUDE! POR FAVOR! – Gritei com todo o ar dos meus pulmões.
- Não, só fique aqui comigo, eu já estou indo... – Ela falou fechando os olhos.
- NÃO! EU DISSE PRA VOCÊ NÃO FECHAR OS OLHOS! – Gritei desesperada, tentei reanima-la. – Abra os olhos! Por favor... – Fiz um último pedido desesperado chorando, mas era tarde demais, ela já tinha ido, deitei minha cabeça em seu peito ensanguentado e comecei a chorar.
Depois de um tempo, ninguém chegou, levantei a cabeça e ajeitei o cabelo, as tranças já estavam desfeitas e os fios desgrenhados estavam cheios de sangue, meu vestido estava acabado, rasgado, queimado, meus sapatos já estavam irreconhecíveis.
Que tipo de alma horrorosa pode ter causado essa explosão?
- Pequena! – Ouvi Nico gritar ao longe.
- Diana! – Uma outra voz gritou.
Nico chegou mais perto e me abraçou, dois filhos de Apolo se agacharam ao meu lado, eu chorava muito.
- Ela...? – Um deles perguntou já chorando.
- Ela morreu... – Falei, o que só piorou meu choro, as lágrimas caiam aos montes, já estava soluçando.
Os dois levaram o corpo inerte da filha de Apolo embora enquanto Nico tentava me amparar, sem sucesso.
Depois de um tempo ele me ajudou a me levantar, fomos caminhando em direção à fogueira, os campistas machucados já tinham sido levados, os que não estavam machucados estavam recolhendo s destroços do chalé de Apolo.
- E Zack? Vocês o acharam? Ele está bem? – Perguntei quando o choro diminuiu, permitindo que eu falasse sem soluçar.
- Sim, nós achamos o Zack... – Nico falou com um tom de voz que eu conhecia. – Mas ele não vai resistir... Se quiser posso te levar pra visita-lo.
Bom, não respondi por que estava chorando, muito, Nico praticamente teve que me carregar até a enfermaria que estava super lotada, a grande maioria filhos e filhas de Apolo, lá no fundo estava o corpo de Diana e ao seu lado uma maca com Zack...
- Zack! – Gritei indo em sua direção, o abracei forte. – Não me deixe... – Falei chorosa, seu rosto estava pálido e os batimentos lentos, tinham vários fios ligados ao seu corpo levando ambrosia, mas ele não apresentava nenhum tipo de melhora.
Uma filha de Hécate chegou e me afastou dele, me deram um copo de água com açúcar e algum tipo de remédio grego pra me acalmar, quando eu estava melhor mandaram que eu fosse jantar. No caminho da saída eu vi sentada em uma das camas, a pequena menina que salvou a vida de Nico, seus longos cabelos loiros estavam curtos e uma pilha de cabelo queimado estava ao seu lado, ela chorava muito. Também tinha uma grande cicatriz atravessando seu rosto, ela segurava um espelho quebrado na mão.
- Ei pequena, o que houve? – Perguntei me sentando na beira da maca onde ela estava.
- Cortaram meu cabelo e meu rosto está todo estragado! – Ela faleu apontando para um dos cacos do espelho.
- Bom, se isso te deixar mais feliz, posso resolver seu problema sabe, sou um filha de Afrodite! – Falei juntando os fios de cabelo curtos e desiguais dela, me concentrei e em alguns segundos os fios cresceram de novo, retornando a ter a aparência bonita e saudável de antes. Depois encostei em sua cicatriz e ela foi desaparecendo aos poucos.
- Obrigada Filha de Afrodite! – Ela falou passando a mão, onde antes estava a cicatriz. – Meu nome é Hollie!
- Prazer em te conhecer pequena Hollie, meu nome é Victoria. – Falei apertando a pequena e delicada mão dela. – Você está com fome Hollie? – Ela respondeu balançando a cabeça positivamente e passando a mão na barriga. – Então venha comigo, eu estou indo agora para o jantar.
- E os meus irmãos? E a Didi? – Ela perguntou enquanto descia da maca e segurando minha mão.
- A Didi foi levada pra um lugar muito especial, os seus outros irmãos vão voltar logo. – Falei enquanto saíamos da enfermaria e íamos caminhando até o pavilhão.
- A Didi vai demorar pra voltar? – Ela perguntou com os olhinhos cheios d’água. Eu me virei e me agachei de frente pra ela.
- Olhe pequena, a Didi não vai voltar... Mas pra onde ela foi, ela foi feliz e tenho certeza de que lá onde ela está, ela está de olho em você. – Falei a abraçando, ela retribuiu o abraço. – Quero que você saiba, que sempre que precisar de ajuda pode contar comigo, é só me chamar que eu apareço, num passe de mágica!
A abracei mais um pouco, depois me levantei e continuei andando para o pavilhão, aquela confusão toda serviu para me deixar com muita fome!
Uma vez no pavilhão, levei Hollie para a minha mesa, estava tudo vazio, então não havia problema que ela sentasse na mesa errada, a comida chegou e fomos oferece-la aos deuses, eu ofereci aos Deuses de sempre e adicionei Apolo a minha lista, para que ele superasse a morte de sua filha. Apesar de dizerem que os Deuses nãos e importam muito com seus filhos, eu discordo, acho que eles sofrem e muito com a morte de cada um deles.
- E então Hollie, o que você gosta de fazer aqui no acampamento? – Perguntei enquanto ia comendo meu empadão de frango.
- Eu gosto de arco e flecha e de canoa! – Ela exclamou antes de botar na boca o resto de macarrão que tinha no prato.
- Estava com fome pequena! – Falei quando também estava terminando de comer. – Quantos anos você tem?
- Seis! – Ela era bem nova para estar no acampamento, a grande maioria chega aqui com treze. – É que um dos meus vizinhos também era um semideus, eu vim junto com ele no verão passado.
Como o chalé de Apolo estava destruído e todos os seus irmãos estavam na enfermaria, eu levei Hollie para o meu chalé.
- E você quer dormir no meu chalé esta noite Hollie? – Perguntei para a pequena, que respondeu animada que queria, acho que era demais para ela entender em uma noite...
- OWNTI que menina fofa! – Tara gritou quando me viu entrar no chalé com a Hollie.
- Oi, eu sou a Hollie! – Ela falou meio exprimida pelo abraço de Tara, depois todas as minhas irmãs também foram abraça-la. – Eu to com sono, será que posso ir dormir mais cedo?
- Claro que pode Hollie, venha comigo que eu consigo uma cama para você. – Piper falou levando a Hollie para o fundo do chalé, onde a ajudou a deitar e em alguns minutos ela estava dormindo. – Você está melhor? – Ela me perguntou se aproximando de mim.
- Um pouco, me entregaram um copo d’água com açúcar, mas acho que na verdade me doparam... – Falei botando a mão na cabeça e me sentando na cama.
- Você passou por uma experiência bem traumática, é melhor estar dopada mesmo. – Ela falou com uma voz calma, sem usar charme e se sentou do meu lado.
- Ele se foi, se não foi ele vai... Ele vai morrer Piper, Zack vai morrer... – Falei apoiando minha cabeça em seu ombro, fiquei ali abraçada a minha irmã por um longo tempo, as garotas a minha volta foram dormir uma a uma e quando eu vi todas já estavam dormindo.
- Vá dormir agora, amanhã de manhã veremos isso com calma. – Piper falou, sem saber que amanhã de manhã nós teríamos tudo, menos calma.
Eu fui dormir, no meu sonho eu estava num breu, flutuando, só conseguia ouvir a voz da minha mãe repetindo: “Confie em mim, não fui eu”.
Acordei e vi todas as minhas irmãs enfileiradas saindo do chalé, boa parte ainda de pijama, uma vez lá fora Senhor D estava parado esperando que todas saíssemos,apenas Hollie continuou dentro do chalé.
Só nós estávamos acordadas, o resto dos chalés estavam fechados, ninguém sai, ninguém entra.
- Vocês vão recolher suas coisas e Argos as levará embora. Sofrerão as consequências dos atos de sua mãe traidora, o que aconteceu com o chalé de Apolo foi só uma amostra do que ela vai fazer, está do lado de Tífon e agora é nossa inimiga. Não está mais no Olimpo, então vocês criaturas também estão fora do acampamento. Sejam rápidas! – Ele gritou antes de ir, todas as minhas irmãs se viraram e voltaram para o chalé, menos eu, Piper olhou para mim uma última vez antes de entrar.
- Senhor D! – Falei indo atrás dele. Ele se virou enfurecido.
- Já mandei ir arrumar suas coisas desgraçada! – Ele gritou comigo.
- Não, eu não vou embora. – Ele estava pronto para me responder quando comecei a falar. – Eu não sou filha de Afrodite de verdade, sou filha de Hermes, mas Afrodite me reclamou como favor a ele. – Era mentira, mas eu precisava fazer qualquer coisa para continuar no acampamento. – Ele ainda não me reclamou, mas até lá, como sou abençoada por ele, tenho o direito de permanecer aqui no acampamento, em seu chalé.
- Prove que não tem nenhuma ligação com sua suposta mãe estúpida e você pode ficar. Vai ter que se livrar de todas suas habilidades malévolas e me mostrar que não há nenhuma ligação com aquela traidora. – Ele falou sério. – E não se acostume com essa flexibilidade da minha parte garota.
- Nãovou Senhor D. – Falei antes de me virar e entrar no chalé.
Comecei me livrando de todas as minhas roupas e maquiagens, cortei a parte pintada do meu cabelo – Afrodite que me concedera aquilo – e fiz meus olhos voltarem a cor normal. Quando acabei estava com o cabelo dois dedos acima dos ombros, olhos castanhos e as roupas rasgadas que estava usando quando cheguei.
- Vou sentir sua falta Piper. – Falei abraçando minha irmã uma última vez antes que ela fosse embora.
Todas elas deixaram o chalé com suas malas de grife, quando me dei por mim o chalé estava completamente vazio, colchões sem lençóis, armários esvaziados, acordei Hollie e fui para a varanda com ela, observar a fila de semideusas indo em direção à colina e lotando uma van que logo sumiu no horizonte, Senhor D chegou e nos afastou do chalé de Afrodite, depois prendeu pedaços de madeira com pregos na porta e nas janelas, o chalé estava fechado, até que eu provasse a inocência da minha mãe.
- Você, “Filha de Hermes”, pode ir pro seu novo chalé, você, filha de Apolo vai para a Casa Grande junto dos seus irmãos. Vejo vocês no café da manhã. – Senhor D. falou sério, depois se virou de costas e foi embora.
- Tenho que ir pequena Hollie, mas lembre-se, sempre que precisar de mim é só chamar.
- É, e você aparece num passe de mágica, — Ela falou com um sorriso no rosto. – Assim ó: puuuf – Ela falou batendo as mãos.
Notas finais
Bjinhos,
Vicky
Fale com o autor