No Matter What
1 Capítulo I
Notas iniciais
Capitulo 1 — Página em Branco...
Um solavanco me fez abrir os olhos assustada, imediatamente a sensação de estar me afogando atingiu meu corpo, perdi o ar. Me levantei e tossi jogando um monte de água pra fora, fechei meus olhos e quando consegui respirar novamente deixei meu corpo cair e ofegante retomei a respiração. Abri os olhos vendo um lugar cercado de grades e uma luz em volta. Levantei assustada.
Era um elevador e ele subia em alta velocidade o barulho do metal contra metal, me fez sentir uma pontada na cabeça. Olhei em volta, confusa, havia algumas caixas dentro do elevador, devagar me aproximei, tentei abrir, mas não tive sucesso, frustrada, analisei o caixote de madeira e encontrei algo que me chamou a atenção eram letras em vermelho.
CRUEL.
O que diabos era CRUEL?
Escutei um barulho e me aproximei de uma das caixas que estava com um pano em cima, levantei a mesma dando de cara com algo negro e peludo. Empurrei meu corpo pra trás e bati na grade. Era um porco.
Respirei fundo e forcei minha mente a se lembrar de alguma coisa, mas não tinha nada ali, era como se meu cérebro fosse uma lousa em branco, um livro cheio de paginas, mas nada escrito. Nem mesmo meu nome.
Minha respiração ficou ofegante e eu comecei a entrar em desespero. O que estava acontecendo? Por que eu estava ali?
E mais importante pra onde eu estou indo?
Forcei meu corpo a se levantar, mas outro solavanco e eu cai de cara no chão, imediatamente o gosto metálico invadiu minha boca.
Sangue.
Levantei a cabeça e passei a mão sobre a boca, sentindo-a arder.
Os minutos se passaram e o elevador não parava de subir meu desespero aumentava e eu não sabia do que tinha mais medo, se era do que eu poderia encontrar quando saísse daqui ou se era o fato de eu não saber nem meu próprio nome.
A quanto tempo eu estava aqui?
Comecei a gritar por ajuda, mas a única coisa que eu ouvia além dos ecos do meus gritos era o barulho angustiante do elevador. Comecei a engatinhar em volta tentando encontrar uma saída, mas não tinha nada. Minha respiração começava a falhar e eu me sentei segurando firmemente na grade embaixo de mim, meus dedos ficaram brancos.
Inspira. Expira. Isso você consegue. Inspira. Expira.
Olhei pra baixo vendo a imensidão que eu já tinha subido e balancei a cabeça. Era alto demais. Sem saber o que fazer, observei as roupas que eu vestia, uma calça escura, que tinha um tecido parecido com o jeans, uma camisa branca e um tênis velho, meu cabelo estava solto e eu tinha que tira-lo do rosto algumas vezes.
Eu estava pronta pra voltar a procurar uma saída, quando o elevador, parou num solavanco forte, e eu tive a certeza de que se não estivesse segurando na grade teria levado um tombo feio.
Alguns minutos se passaram ou será segundos? EU não sabia, mas o elevador não voltou a subir.
Foi então que um barulho alto me deixou em alerta, duas portas de metal se abriram em seguida mãos agarraram as grades do teto do elevador e abriram, fazendo o sol vir direto pro meu rosto, pisquei algumas vezes até me acostumar com a luz, quando consegui olhei pra cima vendo várias garotas me olham com expressões diferentes, algumas estavam confusas, outras indiferentes e algumas pareciam esperançosas, todas eram diferentes umas das outras, havia loiras, morenas, negras, ruivas e até uma asiática.
- Parece que recebemos uma anã esse mês — uma garota alta, de pele morena e traços latinos abriu um sorriso irônico, ela tinha os cabelos e os olhos tão negros quanto a escuridão e aquilo me assustou um pouco. Ela abriu um sorriso debochado e mostrou seus dentes brancos e alinhados. Ela era bonita eu tinha que admitir. Ao seu lado tinha uma garota loira, mais alta que a latina e mais bonita também, ela era loira e tinha os olhos incrivelmente azuis, tinha um sorriso tão doce que quase me fez sorrir junto. Eu teria feito se não tivesse tão assustada.
A menina loira se inclinou pra frente e seu cabelo perfeito caiu sobre a sua cabeça.
- Você por acaso veio de um conto de fadas?
Franzi o cenho diante da pergunta, o que raios contos de fadas tinha a ver com isso?
- Hum... O que? — A encarei confusa, minha garganta estava ardendo por isso acho que minha voz saiu mais rouca que o normal, mas ela não pareceu ligar.
Que merda estava acontecendo aqui?
- É você é uma anã não é? Veio do conto da Branca de neve? Eu adoro essa história é a minha favorita, Quinn sempre conta ela pra mim, ela é uma ótima contadora de histórias. — abriu um sorriso infantil.
Ok o que diabos branca de neve tinha a ver com isso? E que diabos era Quinn?
Uma garota alta, de pele clara e cabelos loiros e curtos começou a descer até dentro do elevador. Ela usava uma calça marrom, um coturno preto, e uma jaqueta cinza. Assim que seus pés alcançaram o chão ela se virou pra mim e eu reparei em seu corpo, era magro, mas forte, além da blusa usava uma camisa branca e tinha um bracelete de couro no braço. Subi minha visão até me deparar com seu rosto e quase perdi o ar.
Ela era linda.
Sua pele branca, parecia tão macia e delicada que minha mão formigou de vontade de toca-la, seus traços firmes, mas suaves fazia seu rosto parecer como fosse quebrar a qualquer momento, seus lábios finos, e completamente vermelhos pareciam muito convidativos, mas não foi isso que me fez ficar completamente hipnotizada.
Quando ela se agachou em minha frente eu pude ver seus olhos e tive de prender o ar, eram os olhos mais lindos que eu já tinha visto, eram verdes, intensos, misteriosos, doce, e possuíam por dentro algumas gotas douradas, mordi o lábio e me perdi naquela visão, aquele dourado que exalava. Por mais louco que parecesse eu sabia que aqueles eram os olhos mais lindos que eu já tinha visto na vida.
Ela inclinou a cabeça pro lado e deu um sorriso de canto, mostrando seus dentes perfeitamente brancos, meus olhos escorregaram até seus lábios e por um segundo eu imaginei em quão bom seria beija-los. Mas então uma sensação esquisita tomou conta de mim e eu senti como se já tivesse visto aquela garota antes, como se aquela não fosse a primeira vez que eu me hipnotizava diante de seu rosto perfeito e como se aquele sorriso não fosse o primeiro que eu tinha visto e sim o único.
- Não se preocupe elas são assim no começo, mas depois você se acostuma — sua voz rouca e suave, mandou um arrepio pro meu corpo e eu segurei a grade com mais força.
O que ela estava fazendo comigo?
- Tudo bem? Nossa você teve uma queda feia — sua expressão mudou de suave para preocupada, ela levantou sua mão devagar e colocou seus dedos sobre meu lábio machucado, meu corpo formigou e eu senti os pelos do meu braço se arrepiarem, sua mão traçou meu lábio inferior delicadamente e eu senti minha respiração ofegante, meu coração batia tão rápido que eu tinha medo dele atravessar meu corpo, ou pudesse ser escutado.
Mas foi então que o pânico voltou a tomar conta do meu corpo e eu bati em sua mão com força, me arrastando pra longe em seguida, minhas costas bateram na grade. A garota observava sua mão que agora estava vermelha graças ao meu tapa. Ouvi uma risada irônica.
- Opa ela é arisca
A loira a minha frente rolou os olhos.
- Olha eu sei que é tudo confuso agora mas...
- Quem é você? — gritei a interrompendo — Onde eu estou? Você é uma assassina? Psicopata? Canibal?
A garota mordeu o lábio segurando o riso, o que não funcionou já que ela começou a gargalhar feito uma louca. Bufei. Ela observou minha expressão indignada e ergueu os braços rendida, controlando a respiração e finalmente parando de gargalhar.
- Olha eu não vou te matar eu só quero te ajudar, vem vamos sair daqui — estendeu a mão, mas eu empurrei.
De jeito nenhum eu iria pra algum lugar com aquela garota — gata — mas desconhecida.
Seu sorriso vacilou e ela respirou fundo, colocou a mão na cintura e aquela sensação de reconhecimento voltou. Eu havia a irritado.
Seus olhos perderam aquele brilho dourado e se tornaram mais escuros, frios.
Puxei meus joelhos até o peito e apertei com força, tentando me livrar da sensação de desespero que tomou conta do meu corpo. Eu iria morrer essa era a única explicação.
A garota loira passou a mão pela nuca e puxou alguns fios, seu cabelo ficou bagunçado, e ela ficou ainda mais bonita.
- Quem é você? — Tentei parecer forte, mas sabia que tinha falhado totalmente.
Ela balançou a cabeça, antes de suspirar e soltar os fios que seguravam, sua outra mão estava fechada em punho e tinha os nós dos dedos brancos, ela relaxou o corpo e abriu a mão lentamente, estava vermelha.
- Sou Quinn
Enruguei o nariz.
- Quinn? Quinn de que?
Ela me estudou por alguns segundos antes de começar a rir de novo.
Eu disse algo errado? Ou essa garota tinha problemas?
Quinn colocou a mão sobre a barriga e curvou o corpo enquanto ria, não pude deixar de reparar o quão bonita ela ficava assim. Balancei a cabeça pra retirar esses pensamentos. Eu não deveria pensar nisso, mas sua gargalhada era tão gostosa, senti uma sensação gostosa no estômago. Caramba aquela garota era tão familiar pra mim.
Mas eu não podia conhece-la, eu me lembraria dela, Quinn é do tipo de pessoa que não se da pra esquecer, mesmo se quisesse.
Quinn parou de rir e respirou fundo tentando controlar a respiração, quando conseguiu me olhou e eu vi as pontinhas douradas, em seus olhos de novo.
- Desculpa eu... — Respirou fundo — não tenho sobrenome, quer dizer talvez eu tenha apenas não me lembro — deu de ombros — Na verdade eu não lembro de nada a não ser meu nome, e logo você vai se lembrar também — inclinou a cabeça pro lado — você se lembra do seu nome? — arqueou a sobrancelha, meu peito se apertou.
Por que ela era tão familiar pra mim?
Busquei a informação de novo, mas novamente aquela sensação de livro em branco apareceu, me deixando frustrada e com raiva.
- Não eu não sei meu nome tá legal- gritei irritada, levantei pela primeira vez desde que tinha chegado ali e me aproximei de Quinn, pude perceber nossa diferença de altura, eu batia em seu queixo, mas não deixei isso me intimidar e apontei o dedo em seu rosto — Eu não me lembro da merda do meu nome tá legal!
Eu não sabia o que sentir, apenas deixei que as minhas emoções falassem mais alto, que minha raiva, frustração, confusão e medo tomassem conta de mim. Onde eu estava?
- Eu não sei do meu nome, não sei quem é você, não sei o que vão fazer comigo, não sei como vim parar aqui ou por que e não sei o que fazer.
- Opa se acalma — ela tocou meu braço, mas eu puxei o mesmo com força
- Não manda eu me acalmar — empurrei Quinn e ela bateu com força na grade do elevador. Bufou.
- Quinn? Tá tudo bem ai? Quer que eu arrebente essa anã?
Olhei pra cima vendo a garota latina, meu sangue ferveu.
- Anã é a pu...
- Chega garota — Quinn gritou, sua voz estava fria, assim como sua expressão, recuei assustada.
Quinn puxou meu braço com um aperto firme, tentei me livrar mais ela era mais forte.
- Me solta — gritei, meus olhos se encheram de lágrimas e o medo que eu sentia antes não se comparou ao que eu sentia agora.
- Não — ela rosnou, aproximou seu rosto do meu ficando a centímetros do meu rosto, pude sentir seu hálito quente e com cheiro de hortelã, meu corpo se arrepiou — Cansei de tentar ser legal com você, vamos sair daqui e amanhã quando você estiver mais calma conversamos.
- Eu não vou a lugar nenhum — puxei meu corpo, mas Quinn me segurou.
Ela puxou meu corpo e me jogou sobre a caixa de madeira que tinha atrás, subindo em seguida, antes que eu tentasse algo, suas mãos foram pra minha cintura e ela me puxou colando nossos corpos, uma corrente elétrica se passou por mim, me repreendi mentalmente por sentir isso.
Aquilo era loucura demais.
Quinn me empurrou pra cima, braços agarraram meu corpo e me colocaram em segurança no chão. Olhei em volta. O lugar em que eu estava era enorme, enorme mesmo, completamente gramado e bem cuidado, ao norte tinha varias construções, com algumas casinhas de madeira e uma de dois andares feita com tijolos, ao oeste tinha algumas plantações e animais, vacas, galinhas, porcos, ao sul tinha um floresta e bem no meio do lugar todo tinha uma espécie de torre. Mas não foi isso que prendeu minha atenção e sim o fato do lugar todo ser cercado por muros enormes de pedras, era tão alto que eu mal via seu pico, quando me virei a leste vi que aquele muro enorme tinha uma abertura e um correndo pra dentro. Meu peito acelerou.
Uma saída.
Antes que alguma das garotas fizesse algo, comecei a correr, escutei alguns gritos, mas não me importei, aumentei a velocidade e continuei minha corrida, eu precisava chegar até aquela saída, era minha liberdade. Quando estava quase chegando, senti algo segurar meu tornozelo e eu cai no chão.
- Que droga garota quer morrer? Por que se quiser é só falar a Santana pode fazer isso muito bem, ou até mesmo a Kitty.
Ouvi a voz rouca e irritada de Quinn, ela virou meu corpo com violência e prendeu meu corpo com o seu, suas mãos seguraram as minhas em cima da cabeça e ela passou sua pernas me imobilizando.
Comecei a me debater, mas não era o suficiente.
- Chega! Para — gritou
Parei de me debater e respirei fundo, meus olhos voltaram a arder e as lágrimas desceram sem permissão, o olhar raivoso de Quinn sumiu e a preocupação tomou o lugar.
- Olha nós não vamos machucar você — sussurrou mansa.
Fechei meus olhos
- O que tá acontecendo?
Ouvi um suspiro de Quinn.
- Olha ninguém sabe o que está acontecendo, você precisa se acalmar e confiar em mim.
- Eu não quero me acalmar eu só quero saber o que tá acontecendo, por que eu não me lembro de nada? Nem do meu nome?
Comecei a soluçar, Quinn soltou meus braços e eu enterrei meu rosto em minhas mãos chorando feito um bebê.
- Você vai se lembrar, na verdade é a única coisa que você vai lembrar
Tirei as mãos do rosto, assustada.
- Por que?
- Olha — ela segurou meu rosto com as duas mãos, o calor da sua pele fez a minha formigar, aquilo era tão bom, tão certo, tão seguro, não pude deixar de colocar minhas mãos sobre a dela — Você tem que confiar em mim, eu sei que é difícil e eu vou tentar te explicar tudo que eu sei, mas você precisa confiar em mim, precisa se acalmar, cuidar do corte e descansar.
Soltei um suspiro
- Confie em mim por favor. Pode fazer isso? Pode confiar em mim?
Observei as gotas douradas em seus olhos e meu peito se apertou. Eu podia confiar nela, sentia isso.
Assenti.
- Sim eu posso confiar em você
Ela abriu um sorriso enorme e eu retribui.
- Então vamos ter que amarra-la? — A latina apareceu ainda exibindo aquele sorriso sarcástico, idiota.
- Não Santana, não vamos precisar amarra-la — Quinn murmurou cansada, ela retirou as mãos do meu rosto e eu senti a falta do seu calor, ela se levantou e me estendeu a mão, peguei rapidamente.
- Brittany leva ela pra enfermaria e cuida desse corte, antes que infeccione.
A loira que tinha falado sobre os contos de fadas, sorriu animadamente, ela assentiu e me puxou.
- Vem eu vou cuidar de você, enquanto você me conta como é ser uma anã da branca de neve.
Olhei pra trás a procura de ajuda, mas Quinn apenas sorriu e murmurou um boa sorte, mudo.
Caminhamos até as casinhas construidas, observei o local, era tudo bem construido, feito de madeira e praticamente do mesmo tamanho, ela me levou até os fundos e nós entramos numa casinha de madeira, dentro havia algumas camas feita de palha, e tinha um armário repleto de coisas, como vidros e ervas. Era tudo muito limpo e organizado.
Ela me apontou pra uma das camas e eu me sentei, um pouco incerta. Brittany puxou algumas coisas e se sentou em minha frente numa cadeira.
- Você teve um belo corte, mas nada muito sério, me lembro que quando cheguei aqui eu tinha um corte horrível na testa e no joelho — deu de ombros.
- Ah quanto tempo você está aqui?
Brittany limpou meu ferimento devagar.
- Bom como vem uma garota por mês e se nossos cálculos estiverem certos quanto a isso, um ano — respondeu como se não fosse grande coisa.
Meus olhos se arregalaram
- Mas por que tanto tempo? Por que não foi embora? E como assim uma garota por mês?
Brittany suspirou
- Por que não conseguimos achar a saída e sim, todos os meses uma garota sobe por aquele elevador e adivinhe a fedelha do mês é você.
- Espera como assim? Achar a saída? Que lugar é esse? — Brittany se afastou e analisou meu rosto ela deu um suspiro, resignado.
- Não posso te falar, desculpa. Quinn vai te contar tudo depois
Bufei
- Quinn manda nesse lugar? — resmunguei mal humorada
- Não fale desse jeito, não a trate como se ela fosse um monstro, ela só está tentando ajudar — Abri um sorriso irônico, Brittany me lançou um olhar serio — Eu sei que é difícil pra você, foi difícil pra todas nós e olha que tivemos umas as outras pra ajudar, mas Quinn foi a primeira garota, ela veio pra cá e passou um mês sozinha, teve que segurar a barra dela e a das outras, Quinn é a garota mais forte, doce, corajosa e persistente que eu já vi — murmurou com adoração os olhos dela brilharam e eu percebi o amor que ela tinha por Quinn, isso me incomodou um pouco, mas resolvi ignorar. Essa historia com Quinn estava estranha demais — se não fosse por ela, todas nós teríamos enlouquecido.
Brittany voltou sua atenção pro meu machucado. Tentei imaginar Quinn sozinha nesse lugar e o medo tomou conta de mim, o pavor e a sensação de perda foi tão grande que quase chorei de novo. Aquilo tudo era estranho demais.
- Então você é mesmo uma anã de contos de fadas? — Britt quebrou o silencio e eu ri.
- Não, pelo menos não que eu saiba — sorri e ela retribui, aquela garota parecia tão inocente pra um lugar como esse.
- Então terminou com a fedelha? — Quinn apareceu ela se encostou na porta e cruzou os braços sobre o peito.
- Fedelha?
- É assim que chamamos os novatos — deu de ombros.
- Novatos?
Quinn rolou os olhos e Brittany riu.
- A historia dos meses — Brittnay resmungou e eu assenti, Quinn arqueou a sobrancelha e sorriu de canto.
- Brittany já te contou? Bom ótimo agora você já sabe que é a sortuda do mês
Torci a boca
- Sortuda? Desde quando chegar a um lugar desconhecido, com pessoas desconhecidas e sem memoria é sinal de sorte?
Quinn inclinou a cabeça
- Gostei de você — senti minhas bochechas corarem, Brittany murmurou um pronto e se afastou — Você deve estar com fome — assim que disse, minha barriga roncou e eu senti como se não comesse a dias, Quinn riu do barulho — Parece que eu acertei, vem vamos comer algo.
Ela saiu e eu a segui dando um obrigada a Brittany, que apenas sorriu.
Quinn estava a minha frente, observei seus passos rápidos e vi que ela mancava levemente com a perna direita, corri até alcança-la, entramos em outra casa de madeira, um pouco maior, lá havia algumas mesas de madeira e bancos, possuía um balcão e dentro tinha um fogão, armário e uma pia. Era tudo tão limpo assim como a sala que estava com Brittany. Elas eram bem organizadas. Uma garota negra, gordinha e de cabelos escuros e amarrados em um rabo de cavalo estava mexendo nos armários assim que entramos ela se virou e sorriu.
- Hey ai está a fedelha fujona — piscou — caramba você corre em, daria uma bela corredora.
- Corredora?
Quinn balançou a cabeça e murmurou um depois. Ela me levou a uma das mesas, me sentei no banco e ela foi até o balcão pegando um prato e um copo que a garota negra colocou sobre o balcão. Ela voltou e colocou sobre a mesa, o prato tinha um sanduíche natural e no copo um pouco de suco de laranja.
- Obrigada.
Quinn deu de ombros e se sentou na minha frente.
- Aquela é a Mercedes — Apontou pra negra que mandou um aceno, sorri fracamente.
- Por que você manca? — observei Quinn, ela me encarou surpresa antes de se recompor em sua pose séria.
Ela apoiou o braço sobre a mesa e apoiou sua cabeça ali, com a outra começou a fazer desenhos aleatórios na mesa, quando eu achei que ela não ia me responder sua voz saiu fria e distante.
- Acidente, uma lembrança de que não se deve se meter naquele lugar que você correu feito louca — me encarou.
Mordi meu sanduíche sentindo o gosto delicioso. Gemi.
- É bom saber que alguém gosta da minha comida — Mercedes gritou e Quinn riu.
- Ow Mercedes você sabe que eu amo a sua comida.
Mercedes rolou os olhos.
- Você fala isso por que eu sou a única pessoa que sabe cozinhar nesse lugar, se não fosse por mim você já teriam morrido de fome.
Quinn rolou os olhos divertida.
- Ela é sensível quando se trata de comida.
Mercedes bufou.
- Eu ainda estou aqui Quinn.
A loira riu.
Nos ficamos em silencio por um tempo, eu estava curiosa pra saber sobre tudo.
- O que tem lá? — engoli com dificuldade, Quinn me empurrou o copo de suco e eu bebi rapidamente — Lá no lugar que eu corri?
- Um labirinto
Balancei a cabeça atordoada, Quinn me estudava e sua expressão era indecifrável.
- Um Labirinto? Por que? Não dá pra sair? Por que não posso...
Quinn ergueu a mão me interrompendo.
- Chega fedelha — sua voz ficou fira de novo — eu disse que conversaremos amanhã -Se levantou — Mercedes vai te mostrar onde você irá dormir, nos falamos depois.
Ela se levantou e se encaminhou até a porta.
- Espera — Gritei, Quinn parou e me olhou impaciente — Pode pelo menos por favor, me dizer onde eu estou? Como se chama esse lugar?
Quinn abriu os braços e me deu um sorriso gélido, e pela primeira vez eu não me arrepiei de um jeito bom.
- Chamamos isso de Clareira, mas se você quiser pode chamar isso de inferno, por que céu esse lugar tá longe de ser.
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