No Manto Pingado de Estrelas do Céu
1 Um único fato: a ideia de perdê-la não lhe cabia
Notas iniciais
Gritava a plenos pulmões.
Chamava-a de todas as formas. Procurava e procurava por todos os cantos, todos os buracos, os becos; todas as ruas, as vielas, as curvas.
Sumira.
Como uma zebra na savana: camuflada. Como o ar, na palma da mão: invisível. Como um pássaro voando rápido no céu: sumira. Céu azul, céu claro, brilhante. Celestial.
Sentia esse ar atmosférico lhe tocando a face, passando e se perdendo novamente; por alguns instantes parara de se mover: respirou fundo e o sentiu invadir-lhe o corpo, da mesma forma que sentira quando se dera conta da falta do amor atencioso de sua irmã perdida. E não a encontrava, de forma alguma, mesmo após procurar sob a última pedra do riacho.
Corria.
Parava.
Voltava.
Descansava e recomeçava, de novo e de novo, e não a achava, não conseguia. Porém, a ideia de perdê-la não lhe cabia, de forma alguma. Desistir?
Jamais! Continuava indestrutível, inparável; incansável; era indiscutível sua esperança de encontrá-la.
A todo custo.
Em qualquer lugar, qualquer tempo: encontrá-la-ia.
Incansável, todavia, apenas em pensamento, pois não resistira por muito: morrera esquecida, abandonada nessa selva densa e cruel, escura que é a do pensamento humano.
A pequena morrera como dizia o provérbio: antes de sua esperança. Essa mesma, imortal entretanto, continuará vivendo, alheia á paz.
Enfim terminou o livro.
Esperou. Já tarde da noite, dormir agora era prioridade. Veria apenas antes suas filhas, incríveis sonhadoras que neste mesmo instante produziam o que sabiam de melhor.
Observou-as por segundos; delicadamente fechou novamente a porta e deitou-se também.
Adormecera a contemplar o astro noturno. Lua perfeita, ondulante, deusa bela de todas as formas, aquela fixada no manto pingado de estrelas do céu.
Notas finais
Não se esqueça de comentar, por favor; é extremamente importante, mesmo que não pareça. E eu sei que não parece
Fale com o autor