No Lugar Mais Escuro

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Pra quem ficar um pouco na duvida, comente. Falem o que acharam, se gostou ou não. Tem notas finais sim!

Naquela manhã, o sol batia na janela e se espalhava pelo quarto, fazendo a menina se levantar. Ela nem mesmo se alimentou ou se preparou para sair. Com um vestido preto e comprido até os joelhos ela abriu a porta da sua casa e disparou pela vila indo em direção à floresta.

Ela sabia que era frio e escuro naquele local amaldiçoado – independente do horário ou da estação em que viviam – mas explorá-lo era algo que ela simplesmente não abandonava de sua rotina.

A menina, de pele escura e cabelos negros, se chamava Teresa, e era uma bruxa de 14 anos. Os aldeões diziam que elas nasciam de geração em geração e eram necessárias para manter a harmonia entre as criaturas e espíritos mágicos da floresta e os moradores da vila. Até onde sabia, era a única na aldeia daquela geração.

A menina sentiu seus pés tocando a lama molhada. Ela gostava daquela sensação, por isso não gostava de usar sapatos.

Antes de atingir o caminho da floresta, Teresa cumprimentou Clare, uma garota mais velha que ela, que tinha um cabelo loiro muito comprido para o seu tamanho, mas era cacheado o suficiente para não chegar até o quadril. A garota mais velha trabalhava para um casal de curandeiros. Por isso, ela era ótima em fabricar remédios.

Ainda andando pela vila, mais pessoas lhe davam bom dia. Pessoas como Pricilla, uma moça esguia de cabelos curtos e ruivos. Ela sabia domar animais selvagens muito bem. Interessante o fato, já que não era comum alguém ter esse tipo de experiência tão jovem, ainda que ela fosse mais velha que a garota loira, Clare.

Entre a vila e a floresta, havia um córrego extenso, e Teresa sempre pulava ali com facilidade. Mas antes de pular, um ruído atrás de si fez a menina se virar e ver o que acontecia. Felizmente não era nada demais, era apenas a jovem Jenice, uma menina de cabelos escuros, que corria com uma mala de couro velha, cheio de pedras preciosas, a moeda de troca nos comércios entre a vila e outros feudos.

A jovem apressada deixou algo cair da bolsa, e Teresa viu uma pedra brilhante no meio do barro. Queria em gritar para que a menina voltasse, mas pensou que poderia pegar e devolver para ela mais tarde.

Finalmente adentrando na floresta, Teresa notou que os espíritos pareciam inquietos naquele dia. Como eles geralmente eram seres calmos, ela decidiu que ia descobrir o motivo de tanto nervosismo.

Após horas andando pela floresta escura procurando algo incomum, Teresa não encontrou nada. Porém, quando estava para desistir e ir embora, um ser estranho chamou sua atenção. Ele caminhava sem rumo, parecendo que procurava algo que não sabia onde estava.

Como a pequena feiticeira podia conversar com as vegetações, um dom que ela possuía desde que nascera, perguntou às árvores, então, quem era aquele ser misterioso. Elas responderam que o tal ser estava à procura de alguém, mas não sabiam quem era o ser e nem esse alguém que ele procurava. Mesmo sem respostas conclusivas, a menina ergueu a cabeça e seguiu em frente, determinada a descobrir o que acontecia ali.

Ao se dirigir ao ser, uma cortina de névoa surgiu e ele desapareceu, deixando a jovem confusa, olhando para os lados e procurando o ser ou algum rastro que ele deixou para trás. Então notou, a alguns metros dali, o surgimento de uma sombra estranha, que pairava entre as árvores. A menina não sabia o que era, mas quis saber o que fazia ali, e se era aquilo que tanto preocupava os seres da floresta.

Chegando perto, descobriu um redemoinho mágico. Ela sentiu a escuridão, e, quando se deu por si, estava envolta naquele manto de trevas, sentindo o desconhecido sugar sua existência.

Viu rostos familiares pairando no vazio, mas não reconheceu nenhum deles naquele momento. Tudo que sabia e sentia estava entorpecido, nebuloso. Ela achou que seria o seu fim.

O dia amanheceu, o sol batendo na janela do quarto.

A menina se levantou, sem ao menos comer ou se arrumar, e correu para fora de casa com um vestido preto que cobria os joelhos. Não se importava com os pés sujos de lama, pois gostava da sensação de andar descalça enquanto caminhava até a floresta.

Para Teresa, aquele parecia mais um dia comum. Não só para ela, mas também para Clare, Pricilla e Jenice.

Todas seguiam com suas vidas, repetindo sempre o mesmo dia, como um looping.

Quatro bruxas amaldiçoadas, sem saber que compartilhavam a mesma natureza, destinadas a caírem num portal que sugava suas memórias todos os dias.

Pois o redemoinho era um ser poderoso, que podia ser cruel com o vilarejo. As bruxas eram os sacrifícios dos moradores, que, sem memória, eram sempre “levadas” inconscientemente à floresta, sem nunca perceber a presença uma da outra, e sempre caírem nas garras do tal ser, que necessitava do poder delas, pois era a fonte de seu próprio poder, e algo que nem mesmo os moradores sabiam, era a fonte de sua própria existência.

Notas finais
Eu gostaria de dizer que existem tipos diferentes de bruxas e cada uma tem um certo tipo de dom especifico: Teresa é uma bruxa que consegue se comunicar com plantas; Clare é uma bruxa que seu ponto forte é com poções; Pricilla é uma bruxa que "domina" animais; Jenice é uma bruxa que cuida de pedras místicas.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!