No Limite do Divórcio
3 Pápai Noer
Notas iniciais
Mais um capítulo escrito. Agradeço pelos reviews mais uma vez. Eles são sempre renovadores.
Bjs e boa leitura!
Levantei devagar tentando sentir se havia algum osso fora do lugar. Isso não poderia estar acontecendo. Era o pior dia da minha vida. Eu cheguei atrasado na rodoviária, correndo que nem um louco com a minha...
CARALHO, MINHA MALA!
- EI!!! MINHA MALA! – Sai correndo atrás do ônibus, numa tentativa fracassada de alcançá-lo. – MINHA MALA!!!!!!!!!!
Aquele miserável, filho da mãe! Cara, eu não acredito. Eu to aqui no meio do nada, onde Judas perdeu as meias – porque as botas ele já havia perdido quilômetros atrás -, sem nenhuma esperança de vida. Mas isso tudo é culpa da Bella. Eu quis bancar o preocupado e acabei me fudendo. Aliás, cadê ela?
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E. Cullen
Voltei o trajeto do ônibus até avistar uma coisinha pequenininha estendendo a mão para cada carro que passava, pedindo carona. Mas ela não tem juízo mesmo, né? Como ela vai pedir carona para gente que nunca viu antes? Ela quer morrer?
Corri até ela antes que a dita cuja entrasse em um carro e acontecesse o pior. Ora, apesar de não gostar dela não desejo mal. Eu sou um cara do bem.
-Bella! – Gritei e ela virou, esbugalhando os olhos.
- O que você está fazendo aqui? Era pra você está no ônibus!
Eu jamais admitiria para ela o real motivo de ter sido chutado do ônibus, então contei meia verdade.
- Eu chamei o cara de Leôncio e ele ficou com raivinha. – Vi Bella segurar o riso.
- Eu não acredito nisso. Estamos perdidos em algum lugar dos EUA, sem ter pra onde ir. Por favor, me diga que seu celular está aí. – Disse Bella.
Meu Deus, como não pensei nisso antes. Uma onda de alívio me atingiu quando achei meu celular. Mas essa onda durou pouco quando vi que estava descarregado.
- Descarregou. Bella, será que dá pra você me contar o que foi que aconteceu com você para sair do ônibus? Resolveu mijar no mato foi?
- Você é ridículo. E eu já falei para você me chamar de Isabella. Eu fui ameaçada de morte, um cara entrou no banheiro e disse para que eu descesse do ônibus e deixasse minhas coisas lá.
- E agora? O que agente vai fazer?
- Você eu não sei, mas eu vou arranjar uma carona. – Ela voltou a esticar a mãozinha para um carro que passava, mas foi ignorada de novo.
- E você vai pra onde, posso saber?
- Pra delegacia dar queixa.
- Você ficou maluca? Vão achar que você é imigrante ilegal. Você está sem documentos, sem dinheiro, pegou o sotaque brasileiro e está perto da fronteira do México. O único lugar em que você vai é pra cadeia depois de apanhar bastante.
Bella bufou. Nós realmente estávamos perdidos. Dos dois lados da estrada só tinha mato, nem um sinal de civilização. A única saída mesmo era pedir carona. Eu estava entrando em desespero e se eu visse o Leôncio novamente ele ia morrer em minhas mãos. Ah! Se ia!
- Bella, nós vamos ter que pedir... O que você ta fazendo?
Ela simplesmente estava sentada, as pernas cruzadas, com as mãos em cima de sua coxa, com a ponta do dedo indicador tocando a ponta do polegar e de olhos fechados. Assim, sem mais nem menos. Da sua boca saia um som esquisito, parecia um gemido, coisa de doido mesmo. Quando a chamei, ela abriu um olho só e me respondeu:
- Meditação. “Auuuummm” – Fechou o olho novamente. Eu falei que ela era esquisita.
- Isso não é hora pra fazer meditação! Dá pra você me ajudar a pensar em alguma coisa pra podermos sair dessa estrada?
- Essa é a hora certa. – Abriu um olho. — Minha professora de Ioga disse que é ótimo para nos acalmar e esquecer dos problemas. E eu tenho logo dois: essa situação e você. – E voltou a gemer.
Ela fechou o olho e eu revirei os meus. Bela é inocente demais, essa professora ta querendo é o dinheiro dela inventando esse negócio de meditação. Será que ela não percebe isso?
- Ai meu Deus! – Ela se levantou e colocou as mãos na boca.
- O que foi agora Bella?
- Será que agente está em algum episódio de Lost. Tipo assim, estamos perdidos né? Pode ser que alguém esteja nos observando agora. Querendo fazer algum mal para a gente.
Eu não ouvi isso. É cada viagem que sai da cabeça dessa mulher que Deus me livre.
- Bella, faz um favor pra mim?
- Que é?
- Volta a fazer “Auuummm” – Ela não gostou do que eu disse.
- Grosso. Ah! Ta vindo uma caminhonete! – Ela voltou a esticar a mãozinha.
E parece que agora funcionou.
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B. Swan
A caminhonete foi desacelerando até parar na nossa frente. Um senhor gordo, de cabelos brancos e com barba longa igualmente branca, abriu a porta para nós. Me arrependi de ter pedido carona no momento em que vi o estado do banco: tinha casca de banana no painel, farelo de biscoito no banco, resto de maçã no carpete e por aí vai.
Mas parece que o ogro do Edward não notou isso, porque sorriu para o homem.
- Querem carona? – Disse o homem sorrindo.
O velho não parecia ser do mal, quer dizer, ele não tinha aquela cara de psicopata que nem a gente vê em filme de terror. Seu único defeito era que ele era um pouquinho descuidado. Tá ele era um pouco porco, mas só porco. Um porco. Tá, ele era NOJENTO!
- Queremos sim. – Disse Edward.
-NÃO! Quer dizer, não senhor. Eu só tropecei e acabei...
- Com licença. – O ignorante me puxou para longe da caminhonete.
- Eu não vou entrar ai, você viu o estado daquele carro?
- Não tem nada demais ali. Ele só é... homem.
- Você não é porco! – Ele me olhou com um sorriso sarcástico. – Não me olhe assim. Eu não teria me casado com um homem porco.
- Obrigado pelo elogio. Mas você vai entrar sim aí, porque nós temos que ir para Nova York o mais rápido possível, não podemos ficar aqui perdendo tempo. A nossa afilhada precisa de nós.
Edward é um manipulador de primeira. O filho da puta – com todo respeito Esme — usou a Julinha para me convencer. Golpe baixo. Andei lentamente, como se fosse para o sacrifício – porque eu realmente ia pro sacrifício – e me aproximei da porta. Engoli em seco e quando ia começar a subir, o ogro do Edward me levantou e me colocou em seu ombro, para depois me jogar naquele banco imundo. Subiu na caminhonete e fechou a porta.
- Nunca mais faça isso comigo. – Disse eu entre dentes. – E por favor, me deixa ficar na porta. – Fiz um biquinho.
Edward deu um sorrisinho e cochichou em meu ouvido.
- Eu te conheço muito bem para saber que na primeira parada você iria sair do carro. – E se afastou de mim. Não é que ele me conhece mesmo? – Oi, meu nome é Edward e o dela é Isabella.
- Olá companheiro, meu nome é Trecy, mar ocê pode me chamá de Pápai Noer, todo mundo me chama arsim.
Sabe quando é que eu vou chamar esse porco de Papai Noel? Nunca! Isso é uma ofensa as memórias infantis!
- Eu prefiro chamar de Trecy. – Disse sorrindo amarelo.
- Então Trecy, você está indo para que cidade? – Perguntou Edward.
- Eu vô assistir um rodeio lá em Hindson. É um rodeio amadô, quem quisé participá se inscreve na hora. O vencedô leva US$1000,00 pá casa. Eu até pensei em participá, mas...
- US$ 1000,00? – Perguntei.
- É.
- Nós vamos participar! – Disse empolgada.
- O QUÊ? – Gritou Edward.
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E. Cullen
Viu? É isso que acontecem com mulheres que deixam suas cabeças infestadas de produtos químicos importados exposta ao sol. Ficam malucas. Ela simplesmente queria morrer pisoteada por um touro cheio de ódio no coração. E pior, me levar junto com ela. Não, eu não ia deixar.
- Qual é o problema Edward?
- Qual é o problema Edward? Qual é o problema Edward? Nenhum, só você querer fazer nosso enterro 60 anos antes.
- Ai Edward! Se nós dois fomos temos mais chances de ganhar o dinheiro. E não há nada demais nisso. Se fosse assim tão perigoso quanto você está falando, os rodeios seriam proibidos.
Ela estava certa. Mas eu é que não iria arriscar.
- E você acha que nós conseguiríamos ganhar contra um monte de gente campeã que treina pra isso a vida toda? – Há! Ela não tem como responder essa!
- Na verdade, é um rodeio amardô. Quarquer profissionar está proibido de se inscrever. – Velho bocudo do caralho!
- Viu? E você lembra da festinha da Rafaela, que teve touro mecânico. A gente fez um torneio, lembra? E quem ganhou? Euzinha aqui! Passei 23 segundos.
- Uau! Uma marca muito boa, moça! – Disse o velho sorrindo com aqueles dentes podres dele. Urgh! Maldita hora em que eu insisti para entrar nessa caminhonete.
- Touros mecânicos não pisoteiam ninguém! – Disse.
- Está com medo? – Eu juro que vi um brilho de maldade nos olhos dessa mulher. Tipo aquele brilho de maldade que a gente via nos olhos da Cuca quando ela fazia um plano para a Emília virar um sapo. Muito mau.
- Claro que não!
- Ah!!! Está sim! Como pode em Edward? Eu, uma mulher, não estou com medo mas sim você que é homem, está?
Viu, viu como ela é? Ela me provoca, meche com meu ego, me chama de covarde. Ela é terrível! Mas eu e meu orgulho não vamos deixar ela fazer isso com a gente. Né amigão?
- Eu vou! E não tenho medo de nada! Tá feliz? – Ela sorriu exibindo os 32 dentes brancos dela.
- Demais!
Maldita.
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B. Swan
- Que bom que ocês vão participá. Vou torcer por...
De repente eu não escutei mais nada. Por que algo, grande, gordo e rosa pulou no meu colo. Essa coisa saiu da janela que tinha atrás da gente, uma abertura da caçamba para onde estávamos.
-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! – Meu Deus, tem um porco no meu colo!
Eu empurrei o porco com força e o Edward riu. Não, ele não riu. Ele gargalhou!
- Ah! Esse é o Pitomba. – Disse o velho parando a caminhonete e pegando o porco em seu colo, acariciando. Isso é inacreditável! – Meu animar de estimação. Num precisa ficar assim, não moça, ele é bem limpinho. Essa manchinha marrom no pescoço dele é um sinal de narcença.
Essa projeto mal sucedido de verme tá me dizendo que um porco é limpo? Já chega, superei meus limites. Passei por Edward rindo feito um jumento e abri a porta.
- Ei ei ei. Onde você vai? – Disse segurando o riso.
- Eu vou voltar para o Brasil!
- Você está sem documentos, Bella.
- É Isabella! Não importa. O que não dá é pra ficar com essa coisa. Com essas DUAS coisas.
- Bella, acorda. Não temos outra opção. Só falta mais 15 minutos para chegarmos em Hindson.
Suspirei. O Zé Bostinha tinha razão.
- Tudo bem. – Ainda fora do carro, perguntei ao porco-mor. – Trecy, você pode por favor botar o er... Pitomba, na caçamba. Sabe como é, não gosto muito de porcos.
- Ocês da cidade grande são um bando de esquisito. Mas não dá querida. – Não me chame de querida! – Quando o Pitomba vem pra frente, num sai mais.
- Pois então ele vai no seu colo! – Apontei para Edward.
- Eu mesmo não! Também não gosto de porcos!
Sujeitinho fresco.
- Então vou eu. – Disse determinada. Ah qual é! É só o Edward.
- Não é uma boa idéia sabe, você é um pouco gorda. – Disse com uma cara estranha. Apesar de eu não ter gostado nenhum pouco de ser chamada gorda, eu sabia porque ele tinha falado isso. Pois é, não é toda mulher que tem 28 anos com corpinho de 18. Sou sexy benhê!
Simplesmente subi a caminhonete e sentei no colo de Edward, que gemeu com os olhos apertados.
- Se eu sentir qualquer coisa dura na minha bunda, eu juro que você é um homem morto. – Cochichei no seu ouvido.
- Isso é judiação. – A caminhonete voltou a andar.
- Você não quis o porco no seu colo, agora agüente.
- Pensa na sua mãe, pensa na sua mãe. – Disse baixinho, mas consegui ouvi.
A cara dele era impagável. E o meu ego foi nas alturas.
Notas finais
bjs e até semana que vem.
Bom São João!
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