No Limite... Da Paciência
1 Náufragos!!
Dois corpos jaziam jogados à beira do mar. Saindo da inércia, os dois se mexeram, voltando à vida. Eram dois homens. Um, moreno, cabelos negros e lisos, envergava um uniforme preto e estava de barriga pra cima. Levantou-se e esfregou os olhos, que, ao se abrirem, revelaram a cor azul. O outro, albino, estava jogado de bruços e estava com camisa, calças e botas pretas e, por cima de tudo, um quimono yukata branco. Este se levantou tão encharcado como o primeiro, sacudiu a cabeleira prateada e cuspiu a areia que tinha engolido.
Nisso, seus olhos vermelhos se voltaram ao outro homem, que finalmente também estava de pé. Olhos vermelhos encaravam olhos azuis. Ambos respiraram fundo, pois estavam aliviados de estarem vivos.
Vivos, mas... Onde estavam agora?
Com certeza não estavam no Porto de Edo. Estavam longe de qualquer civilização, a julgar pelo local primitivo. Praia, mata abundante, areia, mata, mar, mata...
Nenhum vestígio de civilização. Nenhum prédio. Nem mesmo uma construção nipônica antiga.
Conclusão tirada pelos dois:
- NO QUE É QUE A GENTE SE METEU?? – gritaram ao mesmo tempo e quando um agarrava o colarinho do outro.
- Eu juro que, quando sair daqui, eu vou te trancafiar na cadeia, Yorozuya, e vou estripar o Sougo!!
- Eu não tenho culpa se o seu subalterno queria te dar uma bazucada porque você não consegue botar ele na linha, Mayora imbecil!
- Mas começou porque você atrapalhou a nossa ação contra um membro do Joui, palhaço!
- Eu entrei de gaiato no navio, seu babaca!
- E a sua presença desastrosa fez a gente entrar pelo cano!
- MAS EU NÃO FIZ CAIR AQUELA TEMPESTADE, SEU VICE-COMANDANTE DE MEIA TIGELA!!
Hijikata não respondeu, porque aquele “reclamão-mor” estava coberto de razão. Se ele era idiota demais pra não se meter em encrencas, quanto mais para criar uma tempestade! Não importa. O fato é que agora estavam perdidos numa ilha deserta.
Analisando friamente, o verdadeiro culpado pelo naufrágio tinha sido mesmo Sougo. Foi basicamente do mesmo jeito que ocorrera aquele duplo algemamento. O Capitão da Primeira Divisão do Shinsengumi queria mesmo sacanear seu superior. E não tava nem aí se isso sobraria ao Yorozuya ou até mesmo a um civil inocente.
Flashback ON!
- KATSURA!! – Hijikata berrava enquanto perseguia o líder Joui pelo porto de Edo. – PARADO AÍ, EM NOME DA LEI!
- VENHA ME PEGAR PRIMEIRO! – o Jovem Nobre da Loucura desafiou.
Acompanhado por Yamazaki, Hijikata perseguiu Katsura e Elizabeth, até que eles subiram em um barco atracado junto a vários ali no píer. O Vice-Comandante estava com a katana já empunhada, pronto para uma batalha contra Katsura, se necessário. Porém, o líder Joui pulou para outro barco, deixando o Vice-Comandante às moscas.
O moreno avistou Okita com a bazuca em mãos e ordenou:
- SOUGO! ATIRA NELE, AGORA!
O Capitão da Primeira Divisão do Shinsengumi calibrou a mira da sua potente bazuca para acertar, a princípio, os fugitivos. Porém, na hora do disparo, desviou imediatamente a arma para seu alvo favorito.
Uma explosão se ouviu no barco, que se soltou do píer e rapidamente se afastou dali devido ao impacto. No mesmo momento, ouviu-se ao longe o berro enfurecido de Hijikata:
- EU VOU TE MATAR, SOUGO!!
Não adiantou, já estava longe e o barco estava à deriva. Yamazaki, com o impacto da explosão do tiro de bazuca, havia caído na água. Apavorado como era, com certeza o viciado em Badminton já estaria a salvo após nadar feito louco.
- Mas que saco... – uma voz sonolenta resmungava logo atrás de Hijikata. – Será que não se pode mais nem tirar uma soneca no intervalo do serviço...?
Olhou para trás, já sabendo a quem pertencia aquela voz detestável. Era incrível o fato de dar de cara com aquele sujeito de cabelo ruim prateado toda vez que se metia em encrenca.
- Ei! – o albino parecia acordar de verdade. – Cadê o Shinpachi e a Kagura? Eles deveriam ter voltado com o lanche!
Hijikata não acreditava. Aquele idiota não percebeu que estava à deriva? Se não fosse pelos danos que o tiro de bazuca causara ao painel de controle do barco, com certeza já estaria correndo atrás de Sougo pra cortar-lhe a cabeça.
Só lhe restou levar a mão ao rosto, fazendo o famoso “facepalm” e dizer:
- Ô imbecil, nós estamos à deriva!
Isso fez com que caísse a ficha de Gintoki, que olhou ao redor e viu que os dois estavam cercados de água por todos os lados.
Espera aí... Estava num barco à deriva, junto com o “garoto-nervosinho”? Mas que maldita zica era essa, que sempre botava os dois na mesma situação embaraçosa?
Arregalou os olhos avermelhados e pegou o colarinho do Vice-Comandante:
- O QUE É QUE VOCÊ FEZ DESTA VEZ, MAYORA IDIOTA?!
Hijikata, completamente enfezado e já com uma veia estufada no rosto, também pegou no colarinho do Yorozuya e berrou:
- EU NÃO FIZ NADA, FOI O SOUGO E ESSE SEU MALDITO AZAR!
- EU NÃO TENHO CULPA SE É VOCÊ QUE VIVE COM ESSA MALDITA URUCUBACA DE ME METER NOS SEUS ABACAXIS COM AQUELE MOLEQUE SÁDICO!
Nada poderia ser pior do que estar junto com o sujeito que mais lhe atraía azar, ambos pensavam. Aliás, a coisa ainda poderia piorar ainda mais?
As coisas não só poderiam piorar, como realmente iriam piorar.
Uma grande tempestade surgiu e tragou violentamente aquele barco à deriva, após ondas gigantescas atingirem a embarcação, enquanto os dois homens deixavam de tentar se esmurrarem um ao outro para tentarem se salvar. Porém, tudo fora em vão em meio à violenta tempestade em alto-mar. Ondas ainda maiores, impulsionadas por ventos da magnitude de um tufão, atingiram em cheio o barco, destruindo-o e fazendo com que o mar tragasse tanto Hijikata como Gintoki.
Flashback OFF!
- Ei, Hijikata-kun – Gintoki disse. – Quando a gente sair daqui, eu te ajudo a dar uns sopapos no Okita-kun.
- Eu não vou dar sopapos nele, idiota. – Hijikata retrucou. – Vou é estripá-lo.
- Mas precisamos sair daqui primeiro. Ou melhor, precisamos ser encontrados.
- Tem algum sinalizador por aí, por algum acaso?
Gintoki já estava a alguns passos de distância, começando a escrever “SOS” na areia. Mas não era do jeito convencional, não...
- MAS QUE DIABOS VOCÊ TÁ FAZENDO AÍ, IDIOTA?
- Unindo o útil ao agradável – Gintoki respondeu calmamente enquanto fechava o zíper da calça. – Enquanto eu me alivio, já escrevo “SOS” na areia pra virem nos resgatar. Temos que ser práticos e aproveitar tudo.
Nisso, uma onda avançou contra o pedido de socorro feito pelo albino, que, em vão tentou proteger o “SOS” de ser apagado pelas águas salgadas.
- Mas que droga...! – ele murmurou frustrado, ao mesmo tempo em que Hijikata levava a mão ao rosto fazendo mais um facepalm.
Pressentia que aquele seria o primeiro de muitos “facepalms” que daria enquanto estivesse ali com aquele Yorozuya estúpido.
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