No Limite
19 Verdade e Consequência
Notas iniciais
— Como exatamente você quer que eu seja sua estilista? Você perdeu o juízo? Você mesma acabou de me dizer que eu não sei nada sobre moda Ino! – Hinata esbravejou, enquanto a loira apenas fazia cara de culpada.
— Eu posso ensinar a você tudo que eu sei! – a Uzumaki disse esperançosa. – Vai ser divertido, Hinata! Não é nada demais e... – Ino ia dizendo mas parou de falar quando viu os olhos de Hinata se arregalando a cada palavra que dizia.
— Nada demais?! – Hinata falou. Sua voz estava baixa, mas por algum motivo Ino preferia que ela estivesse gritando. – Ino! Você sabe muito bem a situação em que me colocou! Se por acaso eu disser não, vou ser a responsável por destruir o seu sonho e... – Hinata ia dizendo. Viu o sorriso amarelo da amiga aumentar e logo se deu conta de algo. – Sua vadia! – Hinata exclamou. – Você sabia a situação em que iria me colocar! E sabia que eu nunca poderia dizer não a você! – Hinata exclamou completamente abismada. – Como pôde fazer isso, Ino? – a decepção escorria por sua voz. Ino tinha realmente tentado lhe manipular.
— Não! Não é nada disso! Eu juro Hinata, nunca tentei fazer isso! – a loira disse e Hinata sentiu um pouco de alivio ao sentir a sinceridade na voz da amiga. – Eu juro que foi tudo sem pensar, nunca me passou pela cabeça! – a loira disse. Parecia desesperada para que a amiga acreditasse em si.
Hinata a olhou desconfiada. Não queria acreditar que Ino pudesse ser capaz de fazer uma coisa como aquela. Não, ela não seria. Ino não era assim. Tinha que acreditar na amiga. Hinata suspirou profundamente.
— Ino... Se você estiver mentindo...
— Não! Eu juro que não! – a loira afirmou, fez uma cruz com os dedos indicadores e os beijou, como forma de mostrar a promessa. – Olha, eu sei que você não é ligada nessas coisas... Mas você tem talento, Hinata, realmente tem. Eu nunca teria feito o que fiz se não achasse que tivesse. – Ino disse simplesmente. – Esse é o meu sonho, sim, mas não vou te culpar de nada se não quiser participar. Eu juro, ok? Eu só queria que você pensasse um pouco no assunto. Isso poderia mudar a sua vida, também. – completou. Hinata a olhou por um instante. Não entendia como aquilo poderia mudar a sua vida.
— Como exatamente isso mudaria a minha vida? – a morena perguntou, cheia de ceticismo na voz.
— Pensa bem. Você estaria usando seu talento para algo produtivo dessa vez. Algo que não fossem meros desenhos bobos na escola. – Ino disse. Por algum motivo, aquilo fazia pleno sentido para Hinata. Mas moda nunca fora um dos seus assuntos prediletos. Ela sempre quisera estudar artes e, talvez, arquitetura. Moda parecia muito... Banal. Parecia algo que nunca faria diferença nenhuma.
O telefone de Ino tocou naquele mesmo instante e a loira se afastou um pouco da Hyuuga para atender. Hinata suspirou.
Não estava tão confiante assim no seu talento. Não via como aqueles desenhos bobos puderam ser vendidas para uma loja como aquela. Ela sabia que sabia desenhar. Desenhava muito bem, aliás. Mas não tão bem quanto uma estilista.
Dali a instantes, Ino voltou com um sorriso no rosto. Hinata esperava que ela não estivesse aprontando mais nada.
— O que houve? – Hinata perguntou com receio na voz.
— Era a sua mãe. – Ino disse ainda sorrindo. – Queria perguntar como iam os estudos. Eu disse que iam muito bem, mas que o conteúdo da prova é muito grande e que vai demorar praticamente a noite inteira para acabar. – ela completou. – Parece que você vai ter que dormir na minha casa hoje. – Ino disse e Hinata lhe olhou abismada, passando uma das mãos na testa.
— Como minha mãe caiu nessa?! – Hinata perguntou abismada.
— Acho que ela gosta mais de mim do que de você. – a Uzumaki disse despretensiosamente, dando de ombros.
— Disso eu não duvido. – Hinata disse, também dando de ombros.
[...]
— Seus pais não vão reclamar? – Hinata perguntou. Já estavam na frente da casa/mansão de Ino e estava nervosa por algum motivo.
— Meus pais estão viajando. – Ino respondeu enquanto apertava o botão para que o portão automático abrisse. Moveu o carro para frente e, quando passou pelo portão, apertou o botão novamente, dessa vez para fechá-lo. Andou alguns metros e parou em frente à porta principal.
— O Naruto não teria ido com eles, não é? – Hinata perguntou descendo do carro com um sorriso amarelo, torcendo para que o loiro também não estivesse em casa.
— Não, o Naruto ficou. – Ino disse despretensiosamente enquanto batia a porta. Quase sorriu ao perceber o nervosismo da amiga. Talvez aquela fosse uma boa hora para o tal “empurrãozinho”. Hinata engoliu em seco. Queria vê-lo. Demais. E esse era provavelmente o motivo pelo qual não deveria. Não poderia se derreter toda na frente dele.
— Ino... Isso não é uma boa ideia. – Hinata tentou argumentar.
— Claro que é. Você está aqui como minha convidada. Não precisa nem ver o Naruto se não quiser. – disse a loira e Hinata assentiu. – O que acha de irmos para a piscina, hein? Está quente hoje. — perguntou ela.
— Já está escurecendo. E eu não tenho biquíni. – falou. – Por que a gente não se tranca no seu quarto e pede uma pizza? – perguntou esperançosa.
— Pizza engorda. – Ino falou como se aquilo fosse óbvio. – Deixa de ser chata, é só um mergulho. – disse a loira revirando os olhos. – Vamos nos trocar lá em cima.
Parecia assunto encerrado. Ino puxou Hinata pela mão para o andar de cima. Por algum motivo, ela não tinha um bom pressentimento sobre aquilo.
[...]
— Eu não vou vestir isso aqui mas nem se você ameaçar me bater! – Hinata disse olhando de Ino para o biquíni minúsculo que tinha em mãos. Não era feio, ela tinha que admitir. Só era... Pequeno demais.
— Vai por mim, esse aí é o único que cabe em você. – a loira disse já terminando de vestir o seu traje. Pegou uma toalha, calçou seus chinelos de borracha. – Vamos logo, Hinata, deixa de ser melodramática. O Naruto nem está em casa, ok? Não vai poder ver você. – mentiu. Naruto estava em casa. Ela avistou a chave do carro dele desde que haviam chegado em casa.
— Tu-tudo bem. – Hinata suspirou resignada. Pelo menos não teria que ser vista com aquele biquíni por Naruto. – Pode ir descendo, eu já te sigo. – ela afirmou e Ino assentiu com a cabeça.
[...]
A loira saiu do quarto rapidamente, mas, ao contrário do que Hinata pensava, não foi direto para a piscina, como havia dito. Ao contrário, foi em direção ao final do corredor, onde ficava o quarto do irmão. Não bateu na porta, apenas abriu.
Naruto praticamente pulou da cadeira quando Ino entrou de supetão. Olhava algo no notebook, mas assim que Ino entrou, fechou a tampa rapidamente e virou a cadeira de rodinhas para ela. Ino o olhou com a boca aberta, com cara de nojo.
— Você não estava assistindo pornô, não é? Por favor, diz que não! – a Uzumaki falou com nojo na voz, fazendo uma careta. Naruto enrubesceu.
— O quê?! Claro que não! – ele disse completamente envergonhado. – Não estava fazendo nada demais, ok? – ele disse rapidamente e suspirou impaciente. – O que você quer, afinal?
— Se não era pornô, era algo bem pior. – Ino afirmou, ignorando a pergunta do irmão. Botou a mão no queixo, como se estivesse pensando um pouco. Até que pareceu ter uma luz. – Ah... Não me diga que estava stalkeando alguém? Não me diga que era a Hinata! – Ino perguntou e viu Naruto ficar ainda mais corado. – Eu sabia! – ela disse e riu um pouco. – Não vai ficar obcecado, tá?
— Ino, vai te catar. Sai do meu quarto. – ele disse e virou a cadeira de volta para o computador, mas não abriu abriu a tampa de jeito nenhum. Estava mesmo stalkeando Hinata, mas negaria até a morte se precisasse.
— Nossa, que grosseria. Eu só vim te convidar para nadar comigo um pouco. – ela disse e sentou na cama calmamente.
— Não, obrigado. Fecha a porta quando sair. – ele respondeu rapidamente e Ino fingiu suspirar de chateação.
— Que pena... – ela disse levantando e indo em direção a porta. – A Hinata vai ficar muito decepcionada... Foi ela quem pediu para eu chamar você, sabe... Mas se você não quer ir... – ela disse enquanto saia do quarto. Ainda deu tempo de ver a cadeira de Naruto virando em direção a porta, mas Ino não ficou para saber o que ele ia fazer. Tinha que ir para a piscina rápido, antes que Hinata chegasse lá.
[...]
Naruto observou a porta do quarto se fechar atrás de Ino. Não entendia qual era o objetivo da irmã ao fazer aquilo com ele. Primeiro disse que faria Hinata e Kiba ficarem juntos, depois de surtar afirmando que ele estava apaixonado por ela e que ele não a merecia.
Qual era o problema dela? Hinata tinha sido sua amiga desde que eram crianças e eles sempre foram muito próximos. Não seria normal ele ficar triste por essa amizade estar acabando? Por que ela não entendia isso?
Hinata era como sua família. Como sua irmã, na verdade. Não entendia como ela poderia ter se apaixonado por alguém como ele, quando nunca passaram disso. E não entendia como ele poderia ter culpa no fim da amizade deles. Não era sua culpa que Hinata houvesse se apaixonado por ele. Ele nunca fez nada demais, nunca insinuara nada. Mas, por alguma razão, todos pareciam com raiva dele por ele não ser apaixonado por ela de volta.
Ele a amava, é claro. Mas não daquela forma. Mas, por alguma razão, a culpa era toda dele no final.
Desejou ir lá fora, vê-la. Ficar junto dela e de Ino, como sempre, brincar na piscina, como às vezes faziam quando estavam juntos. Desejou, como nunca antes, que nada daquilo estivesse acontecendo. Desejou parar de sentir a falta dela, mas sabia que aquilo nunca iria acontecer. Por um momento, Naruto realmente pensou em ficar dentro do quarto. Não ir vê-la. E dar-lhe o espaço ao qual ela tanto almejava.
Mas a quem ele queria enganar? Ele nunca conseguiria ficar longe dela.
O loiro saiu de seu quarto hesitante. Será se devia mesmo ir até a piscina para vê-la? Deu um passo para trás, fazendo menção de voltar ao seu próprio quarto.
“Não, não tem nada demais em ir até lá. A Ino disse que foi ela mesmo que me chamou. Ela quer me ver.” – pensou o Uzumaki dando um passo para frente dessa vez. “Ela não vai se chatear dessa vez. Talvez já tenha esquecido essa história de estar apaixonada por mim. É, talvez seja isso mesmo”. – Naruto devaneava enquanto seguia em frente. – “Mas talvez eu deva ter certeza com a Ino... É. – pensou, indo em direção ao quarto de Ino dessa vez. Bateu na porta fraquinho, apenas para não assustar a irmã e anunciar que estava entrando.
Girou a maçaneta da porta e entrou.
— Ino, sobre aquilo que você disse... – Naruto ia dizendo, enquanto fechava a porta do quarto da irmã atrás de si e se voltava para frente, para olhá-la. Mas Ino não estava lá. Apenas outra pessoa estava.
Naruto sentiu o rosto esquentar a medida que percebia o que estava acontecendo. Assim como a garota que estava a sua frente – que ele logo identificou como sendo Hinata – também.
Ela estava parada a sua frente, sem a parte de cima do biquíni. Não durou dois segundos e a morena se virou para o outro lado, tampando os seios com os braços, apesar de já estar virada.
— Na-Naruto! – Hinata exclamou. A voz estava mais fina que o normal por causa do nervosismo. – Vira para lá, idiota! – ela continuou com a mesma voz. O loiro pareceu acordar do seu transe e virou-se rapidamente para o outro lado, ficando de cara com a porta. – Ah, puta que pariu, isso não tá acontecendo! – ele ouviu a morena xingar baixinho e nervosamente. Por algum motivo, sentiu vontade de sorrir.
— Não precisa se envergonhar, Hinata... – ele disse tentando acalmá-la, mesmo sabendo que não causaria efeito nenhum.
— Do que você está rindo?! – ela disse, percebendo o sorriso em sua voz, mesmo sem olhá-lo. – E o que está fazendo aqui?! A Ino disse que você não estava em casa! – Hinata disse com a voz mais fina ainda. Parecia prestes a chorar. – Merda, merda, merda... Isso só pode ser um pesadelo... – ela falou baixinho.
— Eu discordo completamente. – o loiro disse e riu quando ela bufou. – Parece até que eu estou sonhando. – ele completou.
— Cala essa boca! – a morena disse completamente constrangida. Naruto ouviu a Hyuuga suspirar resignada. – Pronto, eu já estou vestida, pode se virar. – Hinata disse e Naruto a obedeceu. Dessa vez ela estava com a parte de cima do biquíni e de short jeans.
— Eu preferia antes. – ele disse completamente cafajeste e viu Hinata enrubescer, gargalhando logo em seguida.
— Você não vale nada. – a morena disse entredentes, jogando um dos travesseiros de Ino no loiro. Naruto apenas riu mais.
— Desculpa. Mas eu não lembrava de você ser assim tão... – ele diria gostosa. – Bonita. – completou.
— Talvez porque você nunca tenha enxergado ninguém além da sua preciosa Sakura-chan. – Hinata disse raivosamente e sem pensar. Colocou as mãos na boca logo em seguida, arrependida. Naruto a olhou surpreso. – Desculpe, eu não... – ela tentou se desculpar, mas o Uzumaki apenas deu um sorrisinho triste de lado e balançou a cabeça negativamente, como se dissesse que ela não precisava se preocupar.
— Não tem problema, Hinata... – ele disse. A vontade de rir desapareceu e o silêncio constrangedor se abateu sobre os dois. – Escuta... Não tenho tido notícias suas... Você está bem? – ele perguntou olhando para baixo.
“Ele parece triste...” – Hinata pensou, mas não soube identificar o porquê.
Ela não respondeu. Não queria ter mais uma daquelas conversas com Naruto que ela sabia que iam ter. Aquelas conversas em que ele soltava algumas coisas fofas, fazia o coração dela se aquecer, só para depois perceber que não passavam de palavras. Ele nunca se importaria com ela. Não da mesma forma que ela se importaria com ele.
— Sim. – ela disse finalmente. – Escuta, a Ino está me esperando lá embaixo, na piscina. Se você não se importa... – ela disse apontando para a porta. Mas Naruto não se mexeu. – Com licença. – ela disse mais firmemente, avançando em direção a porta, olhando para os pés, imaginando que, quando o fizesse, o loiro se afastaria para o lado. Mas ele não o fez.
— Desculpe... – ele disse mas não se moveu nenhum centímetro. – Isso não dá para esperar? – perguntou, referindo-se à piscina. – Eu acho que nós precisamos conversar. – disse, pondo uma das mãos no ombro de Hinata.
Hinata olhou para cima, para os olhos dele, com muita raiva de repente. Afastou-se de Naruto bruscamente, como se pedisse para que ele não a tocasse.
— Acho que não. – ela falou entredentes. – Sai da frente, Naruto.
— Não. – ele disse sem entender o porquê das atitudes de Hinata. – Por que não para de se afastar de mim? – ele perguntou, desesperado, passando as mãos no cabelo e no rosto. – Não aguento mais essa situação entre a gente.
Hinata o olhou incrédula. Ele não poderia ser tão egoísta assim... Não é?
— Você sabe muito bem por quê! – ela respondeu. Sentia vontade de gritar, mas tinha consciência de que estava na casa dele. – Por que você não me deixa em paz? – ela perguntou gesticulando. Queria bater nele, por ser tão egoísta. – O que quer de mim? Quer aquela Hinata estúpida, que te segue onde quer que você for, que faz tudo o que você quer, porque está tão desesperadamente apaixonada por você que só quer ficar ao seu lado a qualquer custo? – ela perguntou sarcasticamente, mas Naruto não respondeu, apenas a encarou sem saber o que dizer. – Bom, me desculpe Naruto-kun, mas isso não vai mais acontecer. Eu não vou mais me humilhar. Não vou mais pagar de imbecil. – ela disse.
— Não, não! Não é isso que eu acho de você! — Naruto balançou a cabeça negativamente.
— Claro que é. – ela disse convicta. – Ninguém é tão bom, tão inteligente, tão perfeito quando a Sakura-chan. – ela zombou. – Por que não para de correr atrás de mim e corre atrás do seu verdadeiro amor? – ela perguntou. Naruto pareceu surpreso por algum motivo. – Não vê que a sua presença só me faz mal? – ela disse por fim.
Naruto sentiu o corpo estremecer de repente, com a última frase dita pela Hyuuga. Seu coração acelerou por um instante e, logo após, se quebrou. Naruto a olhou sério agora.
— Não via. – ele disse. – Agora eu entendo. – disse ele friamente. Queria chorar, mas não o faria na frente dela. Hinata suspirou. Por algum motivo, sentia-se muito mal.
— Então, pode por favor... – ela dia dizendo, mas Naruto antecipou-se. Abriu a porta do quarto de Ino, indicando para Hinata sair. – Obrigada... – ela disse, subitamente insegura de si mesma.
— Tudo bem. – disse o loiro enquanto observava a Hyuuga sair do quarto da irmã e descer as escadas. – A gente se vê por aí, Hinata. – ele disse, já sozinho, saindo ele mesmo do quarto de Ino e indo em direção ao seu.
Uma lágrima escorreu pelo seu rosto ao se dar conta de que talvez Hinata nunca mais voltasse a ser sua amiga.
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