No Limite
13 Talento
Notas iniciais
Hinata aprendeu cinco coisas que provavelmente todas as garotas aprendem quando supostamente se tornam populares:
5) Pessoas que você nunca viu antes vêm falar com você.
4) As pessoas te olham bastante enquanto você passa no corredor e você reza para não cair de cara no chão ou algo o tipo.
3) Sua amiga Ino não para de tagarelar sobre coisas que você não se importa e que provavelmente nunca vai se importar.
2) Muitos caras que você antes achava pegáveis agora olham diferente para você, provavelmente pensando no quanto você estava bêbada e no quanto você deve ser fácil, o que você com certeza não é.
E a lição número um que Hinata aprendeu depois de ter ficado (supostamente) popular foi:
1) Você se sente exatamente a mesma ameba que antes, quando você era só uma menina comum.
– Você pode me explicar de novo como foi que isso aconteceu? Eu fiquei popular por causa de uns desenhos? – Hinata perguntou sem entender muita coisa.
– Claro que não, né. Quer dizer, a galera adorou os tais desenhos, porque todo mundo odeia a Karin e a Shion. – Ino explicou. As duas andavam pelos corredores da escola, em direção à sala de aula. Ela falava alto, como se não estivesse dando a mínima para quem ouvisse aquilo. – Mas veja bem: você beijou o capitão do time adversário. E querendo ou não, aquele traste é bem popular por aqui. – a loira explicou, mas Hinata ainda não entendia muita coisa. – E depois disso, você vomitou nos tênis dele. – Ino disse e riu um pouco. – Quero dizer, você conseguiu fazer tudo que algumas garotas sempre quiseram... Que era beijá-lo... E uma coisa que muitos que o odeiam também queriam ver, que foi vomitar nos tênis do coitado... Você agradou todo mundo. – disse a Uzumaki-Namikaze tão sensatamente que Hinata estranhou.
– E as pessoas realmente se importam com tudo isso? – Hinata perguntou. – Porque eu não me sinto como uma pessoa popular.
– Bom, isso não importa. Quero dizer, são os outros que fazem de você popular, você não tem que fazer quase nada, ser bonita já basta. – Ino disse e olhou novamente para a Hyuuga dos pés à cabeça. As duas dobraram em um corredor e seguiram em frente. – A gente trabalha na parte do “bonita” depois, tá? – a loira disse e sorriu amarelo.
– Cala essa boca. – Hinata disse e deu uma cotovelada nas costelas da amiga que riu abertamente; finalmente haviam chegado à sala de aula do segundo ano.
Hinata havia agradecido mentalmente o caminho inteiro desde a entrada, porque não havia encontrado com Naruto nenhuma vez. Mas ela havia esquecido de um pequeno detalhe: o Uzumaki estudava na mesma sala de aula que ela e Ino.
Hinata teve vontade de se socar quando o viu sentado em sua cadeira de sempre. Ele olhou diretamente para ela assim que ela entrou, como se sentisse a sua presença. Ino olhou de um para o outro.
– Quanta tensão. – ela disse baixinho no ouvido da Hyuuga que a olhou rapidamente e depois desviou o olhar para baixo. Naruto, ao ver a cena, deu-se conta de que Ino já sabia de tudo.
Hinata andou até a sua carteira escolar em silêncio sendo seguida de perto por Ino. Nunca odiou tanto o sistema de mapas daquela escola (mapa escolar: sistema em que você só poderá sentar em uma única carteira durante o ano inteiro, para que facilite ao professor que você seja encontrado). Desejou, pela primeira vez, que Naruto tivesse matado aula.
Sentou-se em silêncio e observou Ino se sentar na carteira à frente a dela.
[...]
– Oi. – Naruto disse. Não estava planejando ficar correndo atrás de Hinata. Ela deixou bem claro que eles deveriam se afastar e era aquilo mesmo que ele planejava fazer. Mas dizer um oi não era nada demais. Pelo menos, era o que ele achava. – Não ouvi falar de você o fim de semana inteiro. – ele disse e viu Hinata virar a cabeça para olhá-lo lentamente. Seu coração acelerou, esperançoso de que ela tivesse esquecido tudo o que se passara na sexta-feira e que eles voltassem a ser amigos.
– Estive ocupada. – Hinata disse simplesmente e voltou seus olhos para as próprias mãos que estavam pousadas no colo. Naruto percebeu que ela não havia corado. Afinal, seu rosto demonstrava tristeza e não vergonha.
– Com o quê? – o loiro perguntou. A quem ele queria enganar? Ele estava correndo atrás dela. – Eu tentei te ligar... – ele disse e havia tentado mesmo, durante todo o fim de semana, mas Hinata não atendeu. Ino pigarreou olhando-o sugestivamente, como se dissesse: “Cara, você ‘tá forçando a barra”. Mas ele não quis nem saber. Naruto olhou para irmã como que pedisse para que ela o deixasse em paz.
– Eu sei. – Hinata disse com a voz baixa, sem olhar para o ex melhor amigo.
Naruto olhou rapidamente para Ino que o olhava com raiva. Viu a irmã cruzar os braços, mas desviou os olhos dela rapidamente e voltou a olhar para Hinata. Virou seu corpo de lado e aproximou o rosto do da Hyuuga.
– Qual é, Hinata... Você vai continuar com isso mesmo? – ele perguntou. Seus rostos estavam próximos, por isso não precisou falar muito alto. Mesmo assim, era alto o suficiente para alguém próximo como Ino ouvir. – Nós somos melhores amigos, isso não acaba de uma hora para outra. – o Uzumaki tentou argumentar, olhando para o perfil do rosto de Hinata, que ainda se recusava a olhá-lo. – Você não quer nem tentar resolver isso? – ele perguntou começando a ficar desesperado.
Foi quando Hinata finalmente o olhou. Seus olhos continham mágoa.
– Resolver o quê? O fato de que eu disse que estou apaixonada por você, a parte em que eu beijei você e você me rejeitou? Você quer consertar isso, Naruto-kun? Porque eu não acho que tenha conserto. – Hinata disse. Sua voz era baixa, mas o tom deixou Naruto um pouco atordoado. Era frio e Naruto nunca ouviu Hinata usar aquele tom de voz com ninguém. Naruto viu pelo canto de olho a irmã passar uma das mãos na testa, como se estivesse nervosa, mas ignorou. – Então eu acho que sim, isso vai ter que acabar de uma hora para outra. – ela afirmou e voltou a olhar para o próprio colo.
– Você disse estar apaixonada por mim, mas no mesmo dia já foi se pegar com aquele porco do Kiba. – Naruto argumentou. Seu queixo estava travado de raiva. O fato de Hinata estar apaixonada por ele já era confuso o suficiente, mas o fato de não querer mais ser sua amiga quase o matava por dentro. Era impossível de aceitar e, sinceramente, o deixava com muita raiva.
Hinata o olhou nos olhos surpresa e, dessa vez, corada. Foi quando Ino resolveu se intrometer.
– Tudo bem, galera, aqui não é lugar para vocês terem um DR (discussão de relacionamento). – Ino disse, olhando especificamente para Naruto. – Vocês resolvem isso depois.
– Já está resolvido. – Hinata disse.
– Não está nada resolvido. – Naruto rebateu.
– Vocês resolvem se está resolvido ou não depois, também! Pelo amor de Deus! – Ino exclamou já irritada. – E agora calem a boca que o professor já chegou.
[...]
– Tá, você quer me explicar o que foi aquilo na sala? – Ino perguntou para Hinata. Já era hora do intervalo e as duas estavam sentadas debaixo de uma árvore do campus, coisa que só acontecia quando Hinata estava muito triste, já que em tempos normais Ino se recusava a sujar a roupa de terra.
– Não foi nada, só seu irmão sendo babaca. – Hinata respondeu. Ela estava com um lápis e com o caderno de desenho no colo desenhando furiosamente. Ino olhou para a amiga sem saber exatamente o que dizer, com medo de que pudesse piorar as coisas.
– Hinata... Ele só estava tentando melhorar as coisas entre vocês... – a loira tentou dizer.
– É, mas olha só o que aconteceu! Por que ele não pode ficar simplesmente de boca fechada? Por que tem que falar comigo e me ligando! Isso já encheu o saco! – Hinata disse e pressionou o lápis com força no papel, quebrando a ponta. – Merda! – ela disse alto e jogou o lápis no chão. – Idiota, idiota! – exclamou a Hyuuga e colocou as mãos no rosto.
– Hinata... – Ino chamou e retirou as mãos da amiga do próprio rosto, fazendo-a olhá-la.
– Por que ele faz isso? Por que não me deixa em paz? – Hinata perguntou para Ino com angústia nos olhos.
– Porque ele ama você. – Ino respondeu. – Pode não amá-la como você o ama, sabe... Mas você foi a melhor amiga dele durante toda nossa vida e eu sei que ele não está pronto para te perder ainda... – Ino explicou. – Eu também não estaria se estivesse no lugar dele. – completou a loira e sorriu para a amiga. – Eu sei que dói... Vê-lo todos os dias e vê-lo vir atrás de você enquanto você está sofrendo, porque você quer esquecê-lo... Mas também não está sendo fácil para ele, sabe. Você tinha que ver a cara dele hoje no café da manhã... – Ino comentou fazendo Hinata rir um pouco.
– Eu não sei o que faria sem você... – a morena afirmou e deu um abraço na melhor amiga que deu de ombros.
– Eu sei... Ao contrário do Naruto, você não teria coragem de me dispensar. – a Uzumaki-Namikaze falou convencida. Hinata soltou-a do abraço e se recostou novamente na árvore, revirando os olhos.
– Eu poderia pensar no assunto, sabe. – a morena afirmou e viu a outra revirar os olhos como se aquilo nunca fosse acontecer.
– Cala a boca. – a loira mandou e fez Hinata rir por um segundo. – Deixa eu ver isso aqui. – disse e tomou o caderno de desenho que estava no colo da Hyuuga, como se desejasse mudar de assunto rapidamente, pois já estava se tornando constrangedor. – Nossa, mas que pedaço do inferno foi esse que você inventou de desenhar?! – Ino perguntou abismada, olhando do desenho para Hinata. Ela havia desenhado uma coisa horrorosa, algo como um monstro ou um demônio. – Hinata! Você poderia ser mais esquisita?! – Ino perguntou e jogou o caderno de volta ao colo da amiga que corou um pouco. A loira passou a mão nos cabelos loiros.
– Bom, eu estou na fossa. Você quer que eu desenhe o quê? – Hinata defendeu-se. – Pôneis? – zombou.
– Não... Mas você bem que poderia aproveitar esse seu talento para o bem. Desenhar umas coisas brilhantes e bonitas.
– Tipo você? – Hinata perguntou de olhos cerrados com ironia.
– Tipo isso. – Ino afirmou sem perceber o sarcasmo da amiga, o que a fez revirar os olhos. A loira mordeu a unha do dedo mindinho e olhou para cima, como se estivesse pensando. – Podia ser eu com umas roupas super fabulosas... Umas roupas sexy, sabe... Sem ser vulgar, claro. – Ino comentava e, sem que ela percebesse, Hinata ia desenhando suas descrições. – Coisas para o dia-a-dia, elegantes e estilosas... Poderia ter algumas echarpes também, isso seria maravilhoso! Casaquinhos também estão super na moda e...
– Tipo assim? – Hinata perguntou interrompendo a fala da amiga e mostrando o desenho que acabara de fazer, a centímetros do rosto da loira. Viu os olhos de Ino brilharem e – o que achou muito exagerado de sua parte – a viu pegar o desenho da Hyuuga com as mãos tremendo.
– Hinata... Isso ficou maravilhoso! – Ino exclamou quase gritando! – Sua vadia, como você só me mostra um desenho desses agora?!
– Mas eu acabei de fazer... – Hinata disse tentando defender-se.
– Eu sei, lesada! Eu quis dizer que... Como você só me faz um desenho desses agora? Depois de anos tendo que agüentar aqueles desenhos chatos que você fazia de mim, agora você me surpreendeu! – a loira disse ainda de olho no desenho, como se fosse uma obra-prima.
– Sinceramente não sei se você está me elogiando ou me esculachando. – Hinata falou de olhos cerrados.
– Ah, tudo bem! – Ino disse como se não estivesse dando a mínima para o que a Hyuuga dizia. – Eu tenho que ir! – a loira disse e se levantou correndo. – Preciso mostrar isso para a minha mãe! – comentou e saiu rapidamente de perto de Hinata.
Hinata olhou para Ino correndo na direção oposta a sua, de volta para o prédio da escola, levando consigo não só o desenho que Hinata acabara de fazer, mas também o resto do caderno inteiro. Hinata se esquecera de destacar a página.
– Mas... Hã? – Hinata resmungou para si mesma. – INO! DEVOLVE MEU CADERNO!
Mas a loira já não podia escutar, pois estava longe demais.
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