No Limite

16 Punição


Notas iniciais
Quero agradecer imensamente que tirou um pouquinho do seu tempo para comentar o capítulo anterior, adorei todos os reviews! Queria muito receber tantos assim nesse, mas não vou ter a cara de pau de pedir... Sintam-se a vontade! Bom, obrigada tb a quem favoritou No Limite! Gente, essa fic deve sair imensa, já que estou fazendo capítulos bem curtos... Lá para 30 ou 40 capítulos... Nós estamos só começando! Espero que tenham paciência! Esse capítulo é dedicado a Kilze Joynelly Uchiha que recomendou a história! Muito obrigada sua linda!

“Submeter-se a uma injustiça é pior do que uma punição.” – Publílio Siro.

Hinata aprendeu cinco coisas que provavelmente todas as garotas aprendem depois de socar o rosto de alguém na frente da diretora da escola:

Sua mão dói tanto, mas tanto, que você pensa que talvez tenha fissurado algum osso.

A amiga da garota que você socou voa em cima de você, o que faz com que, conseqüentemente, sua melhor amiga saia do lugar em que antes estava e vá ao seu socorro.

Uma confusão enorme se instala no corredor da escola e a diretora fica louca, gritando constantemente com todo mundo.

Seu melhor amigo – aquele por quem você está apaixonada – carrega você para longe da confusão, enquanto os amigos dele tentam separar as meninas que ainda continuavam brigando.

Mas a lição número um que Hinata aprendeu depois de socar uma garota no meio do corredor da escola na frente da diretora foi que:

Você se ferra. Tanto que, talvez, você seja até expulsa da escola.

– Senhorita Hyuuga! – a diretora Tsunade gritou, assustando Hinata. A morena pôde ver claramente a veia que pulava na testa da mulher e soube imediatamente que Tsunade estava bastante irritada. – Para minha sala! Agora! – a mulher sibilou e, de repente, todos ficaram em silêncio, olhando de Hinata para a loira.

Ino olhou abismada de Hinata para Tsunade e desta para Naruto. Seu irmão também a olhou. Eles nunca haviam visto a avó assim tão irritada e temeram pelo futuro de Hinata. Naruto, que há poucos minutos havia arrastado Hinata para fora da confusão e estava o tempo inteiro ao seu lado, sentiu a mão de Hinata, de repente, segurar a sua.

Olhou para a melhor amiga, surpreso. Hinata não o olhava. Na verdade, olhava diretamente para a diretora, sem vacilar nem por um instante, como se não estivesse nem um pouco arrependida do que acabara de fazer. Olhou para a mão dela, que ainda segurava a sua, e sentiu o coração acelerar. Teve certeza de que Hinata estava fazendo aquilo inconscientemente, mas não pôde deixar de apreciar a situação. Ela ainda se apoiava nele, ela ainda contava com ele, assim como ele nunca deixou de contar com ela.

– Eu acho que eu devo ir também, vovó. – Naruto disse de repente e todos o olharam, admirados, inclusive Hinata. – Eu também participei disso.

– Naruto? – Tsunade perguntou e, de onde estava, percebeu que Naruto e Hinata estavam de mãos dadas, e não foi a única. Ino, Sakura, Sasuke e Gaara (que chegara um pouco depois) também o notaram, assim como metade da escola, incluindo Shion, que todos sabiam ser apaixonada por Naruto há séculos. A loira, que estava sendo amparada por Karin, olhou para Hinata com mais ódio do que antes e prometeu internamente que a Hyuuga iria pagar por tudo que estava acontecendo.

– Sim. – o loiro respondeu seguramente. Tsunade sabia que o loiro estava mentindo (pois o conhecia muito bem) e que, talvez, não tivesse nada a ver com o que estava acontecendo. Mas, se Naruto confessava na frente de todos, não podia simplesmente deixá-lo ir. Afinal, todos sabiam que Naruto era seu neto e protegido. Punir Hinata e não puni-lo, quando ele mesmo confessava-se, era jogar para o alto todo o senso de justiça que possuía.

Hinata olhou para Naruto abismada. Mas que droga ele estava fazendo?

– Mas... – Hinata começou a falar, mas Naruto deu-lhe uma cotovelada de leve nas costelas. A morena o olhou ao mesmo tempo em que ele a olhou de volta, com um olhar que lhe dizia para ficar de boca fechada.

– Tudo bem. – Tsunade disse entre dentes e apertou a base do nariz como se tentasse se acalmar. – Venham os dois. – falou a loira e começou a caminhar em direção a diretoria, sendo seguida por Naruto e por Hinata.

[...]

– Vocês dois perderam o juízo?! – Tsunade gritou. Os três já estavam dentro da sala da diretoria, de portas trancadas. Nem Shizune, secretária da diretora, fora autorizada a entrar. – O que diabos pensavam que estavam fazendo?! — ela gritou novamente e Hinata se encolheu, enquanto Naruto nem se abalou. Já estava acostumado aos gritos da avó.

– Foi só uma brincadeirinha vovó. – Naruto disse na maior cara de paisagem que conseguiu, o que só fez Tsunade ficar ainda mais irritada. A veia começou a pulsar novamente em sua testa.

– Brincadeirinha, Naruto?! Você ficou louco?! – a loira perguntou aos berros e Hinata, subitamente, teve vontade de rir. – E você?! Por que está com esse sorrisinho na cara?! Explique-se, Hinata! – Tsunade falou e Hinata sentiu o coração acelerar de medo.

– Bo-bom... – Hinata começou. – Nós viemos aqui ontem à noite e... – Hinata começou a contar, mas fora imediatamente interrompida por Tsunade.

– Ontem à noite? – Tsunade perguntou. – Senhorita Hyuuga... O Instituto é trancado todas as noites pelo nosso vigia. – Tsunade disse e olhou desconfiada para a morena. – Como você conseguiu entrar aqui?! – Tsunade perguntou alterada.

– Pela... Pela biblioteca... – a Hyuuga gaguejou, encolhendo-se na cadeira em que estava sentada. Naruto passou a mão na testa, desejando internamente que Hinata não houvesse falado aquilo.

A diretora olhou para os dois e suspirou irritada.

– Vocês invadiram a minha escola? – a mulher indagou e, dessa vez, Naruto também se encolheu. – Invadiram propriedade privada?! Isso é um crime grave! – Tsunade afirmou e os dois abaixaram a cabeça, embora Hinata estivesse se sentindo mais culpada que Naruto. – E, depois disso, você ainda teve coragem de bater em uma aluna, Hinata? E na minha frente? Você perdeu o juízo?! – a loira gritou novamente, mas os outros dois ficaram em silencio, só esperando que ela terminasse. Tsunade passou uma das mãos na testa tentando se acalmar e suspirou algumas vezes, sentindo-se cansada.

– Desculpe senhora Tsunade. – Hinata disse de cabeça baixa. Estava começando a se arrepender de ter invadido a escola e feito tudo aquilo, embora o soco que deu em Shion tenha sido realmente revigorante. – Isso não vai mais acontecer, eu juro. – Hinata disse e levantou a cabeça, olhando nos olhos da diretora, para que ela visse que estava sendo sincera.

– Não vai mesmo, Hinata... Por que vocês dois estão suspensos. – Tsunade disse. Sabia que aquilo era um caso para expulsão, mas se expulsasse Hinata, teria que expulsar Naruto também. E Minato a mataria se ela ousasse fazer isso. – Por uma semana. – Tsunade completou e Hinata sentiu o coração acelerar. Sabia que aquilo iria acontecer, mas... – Mas acho que isso é pouco pelo que fizeram. – Tsunade completou. – Vocês invadiram propriedade privada, picharam propriedade privada e, além de tudo, você, Hinata, bateu em uma estudante, na minha frente. – Tsunade dizia. Parecia mais uma juíza, analisando os fatos. – Uma semana de suspensão, três meses de detenção, depois da aula. Todos os dias.

– Mas, vovó! – Naruto disse indignado. – Isso aí já é demais! Três meses? – o loiro perguntou tristemente.

– E agradeça que não sejam cinco, Naruto. – a loira disse e o neto se calou, suspirando pesadamente. – Vocês vão ter que fazer várias tarefas durante esses três meses, incluindo limpeza dos corredores e trabalho comunitário.

– O quê?! — o loiro perguntou. Tsunade apenas o olhou por um instante e depois desviou seu olhar para Hinata.

– Eu não sei o porquê de ter feito tais coisas, senhorita Hyuuga e nem vou perguntar o porquê. – a mulher disse. – Mas realmente espero que tenha valido a pena. – a Senju comentou e Hinata suspirou resignada. – Vocês já podem sair. Sua suspensão começa amanhã. — os dois entenderam a deixa e se levantaram ao mesmo tempo. Já iam saindo da sala, quando Tsunade pigarreou. – E mais uma coisa... Eu vou ter que ligar para os pais de vocês. Vocês só poderão sair daqui hoje quando eles vierem buscá-los. – a loira disse e Naruto quase caiu para trás.

Kushina ia arrancar sua pele quando soubesse daquilo.

[...]

– Tudo bem, Hinata. – Naruto disse de repente, enquanto ele e a Hyuuga andavam pelo corredor em direção à sala de aula. – Você já pode me contar o que aconteceu. – ele completou, observando a Hyuuga parar de andar de repente e fez o mesmo, parando de frente para ela.

– Naruto-kun, eu... – Hinata não queria falar com ele. No momento inteiro que estavam dentro da sala de Tsunade, a Hyuuga tentou com todas as forças possíveis não fazer nenhum contato visual com Naruto e estava conseguindo. Era uma pena que eles tivessem que voltar juntos para a sala de aula. – Desculpe... Eu não queria que você também se encrencasse... – a garota disse e sentiu seus olhos acumularem lágrimas. Hinata sentiu-se muito idiota de repente, baixando o olhar para os próprios pés.

– Eu fiz isso porque quis Hinata. Não precisa se desculpar por nada. – Naruto disse e sorriu, pondo o dedo indicador no queixo da morena e fazendo com que ela olhasse em seus olhos.

– Mesmo assim... – a menina insistiu, mas só fez Naruto achar graça.

– Você realmente invadiu a escola ontem? – o loiro perguntou de repente e Hinata riu, afirmando com a cabeça. – Mas por que fazer isso? O que a Shion aprontou com você? – Naruto perguntou e o sorriso de Hinata desapareceu instantaneamente, fazendo com que a garota se afastasse do loiro e baixasse a cabeça novamente para os pés. Naruto estranhou seu comportamento e se aproximou de novo de Hinata. – Hinata... O que ela te fez? – ele perguntou novamente, mas Hinata não respondeu e muito menos voltou a olhar em seus olhos. – Olhe para mim. – ele disse seriamente, mas ela não o fez. Naruto se aproximou ainda mais, quase colando seu corpo no dela. Viu Hinata corar quando ele o fez e sentiu um grande prazer com isso, embora não soubesse identificar o porquê. – Eu disse para olhar para mim, Hinata. – ele falou novamente, mais sério do que antes.

E Hinata olhou. Levantou a cabeça devagar, como se estivesse lutando contra si mesma para fazer aquilo.

Naruto olhou para ela por um instante. E, no momento seguinte, pôs uma das mãos na bochecha de Hinata, acariciando-a com a palma da mão inteira. Mas depois de muito olhá-la, viu uma coisa que não deveria estar ali. Era impressão sua ou o olho esquerdo de Hinata estava um pouco inchado e arroxeado?

Naruto arregalou os olhos e tocou levemente a parte debaixo do olho da amiga, fazendo-a gemer de dor.

– Ai... – Hinata exclamou e tentou afastar-se dele, mas Naruto não deixou.

– Hinata... O que é isso no seu olho? – ele perguntou entre dentes, furioso.

– Não é nada... – a morena mentiu e tentou baixar os olhos de novo, mas Naruto segurou seu rosto de forma que ela continuasse o olhando.

– Não minta. – ele disse seriamente e embora Hinata soubesse que ele provavelmente não estava com raiva dela, sentiu-se encolher quando o Uzumaki falou daquela maneira. – Foi ela quem fez isso não é? Por isso você fez essas coisas! Aquela vagabunda! – Naruto disse e se afastou de Hinata, virando-se e ficando de costas para a amiga. Apertou as mãos em punhos, como se estivesse lutando para se controlar.

– Na... Naruto-kun, por favor, não diga nada... – Hinata pediu com a voz fraca. O choro já estava de volta e ela não entendia por quê. – Eu já me vinguei... Isso é o suficiente. – ela disse e observou Naruto virando-se novamente para ela.

– Isso é o suficiente?! Você foi suspensa Hinata! Você pegou três meses de detenção! E se eu não tivesse me entregado com você, provavelmente teria sido expulsa! E tudo isso quando na verdade a Shion fez por merecer! Ela bateu em você! – o loiro disse quase gritando. Hinata se assustou um pouco. Nunca havia visto Naruto tão perturbado.

– Isso não é nada, eu juro... Eu já estou bem. – a morena disse tentando acalmá-lo. Aproximou-se de Naruto novamente. Não soube por que fez isso, mas como que automaticamente, colocou uma das mãos em seu rosto. – Já está tudo bem, sério. – ela afirmou de novo e o carinho pareceu surtir efeito, pois Naruto subitamente parecia mais calmo.

O loiro aproximou-se mais um pouco e deslizou as mãos das costelas de Hinata até a sua cintura, puxando-a para um abraço. Aquilo fez os hematomas das costelas latejarem um pouco, mas a Hyuuga achou melhor não contar sobre aquilo para Naruto.

Naruto o nariz no pescoço de Hinata, forçando-a a colocar as mãos ao redor de seu pescoço.

Era um abraço esquisito. Um que eles nunca haviam dado antes. Mas era bom. Principalmente a parte de ela poder sentir sua respiração no pescoço.

– Ainda bem que você já bateu nelas... Por que se não eu teria que fazer isso... E seria realmente lamentável eu ter que bater numa garota por você, Hyuuga. – ele disse. Sua voz saiu um pouco abafada, mas Hinata conseguiu entender bem. A morena sorriu um pouco e abraçou o amigo mais apertado do que antes.

– Idiota. – ela disse simplesmente e fez Naruto rir um pouco. Ele não parecia nem um pouco disposto a sair daquela posição e Hinata muito menos.

– Eu poderia ficar o dia inteiro aqui... Senti muito a sua falta, Hinata. – ele disse e Hinata sentiu o coração acelerar. Torceu para que Naruto, pela proximidade, não sentisse os seus batimentos. – Eu te amo... – ele disse. Não pretendia dizê-lo, mas saiu quase automaticamente, como se seu cérebro, ou melhor, seu coração, precisasse que aquilo fosse dito.

– Tudo bem. – Hinata disse e sorriu feliz, mesmo sabendo que não era o tipo de amor que ela queria dele. Afastou-se de Naruto logo em seguida, frustrando o rapaz. Embora gostasse de ouvir Naruto, de estar perto dele, de ser amiga dele, Hinata não podia se deixar envolver com ele de novo. Não agüentaria se machucar mais do que já estava. – Acho melhor nós irmos para a sala... – ela aconselhou e Naruto apenas balançou a cabeça de forma afirmativa.

– Você vai contar isso para a Ino? Por que eu não acho que isso seja uma boa idéia. – disse o loiro e Hinata riu, pois estava pensando a mesma coisa que ele.

– Você ‘tá louco? Eu não quero que ela seja presa. – disse Hinata e riu, juntamente com Naruto, firmando implicitamente um acordo de não contar para a loira. Naruto pegou novamente na mão de Hinata enquanto andavam, fazendo a amiga ficar corada.

– Eu realmente sinto sua falta. – ele disse novamente e ela lhe sorriu.

– Eu sei. – ela afirmou e ele levantou a sobrancelha decepcionado. Hinata riu um pouco e achou que o loiro fosse soltar a sua mão, mas ele não o fez.

É... Talvez se reaproximar da Hyuuga não fosse tão fácil quanto ele imaginava.

Notas finais
Reviews? *_________________________*