No Inverno de Brusque
2 Manhã seguinte, transtorno no campus universitário
Na manhã seguinte, Johann corria pelas ruas de Brusque. Usava um conjunto de moletom preto para se proteger do frio, enquanto corria pelo parque para se exercitar, como fazia todas as manhãs. Após correr pela rua, finalmente chegava ao campus da universidade.
Johann entrou e subiu os degraus da escada do dormitório, andando até o seu quarto. Cumprimentou alguns rapazes e entrou em seu quarto. Tirou os fones de ouvido, e jogou os cabelos loiros para trás, revelando a testa suada da corrida. Olhou para seu colega de quarto dormindo, e foi até o mesmo. Puxou o edredom para sacaneá-lo e deixá-lo descoberto no frio, e falou rindo:
- Ray! Cara acorda, vai se arrumar.
Ray acordava sonolento. Os cabelos castanhos desalinhados e o rosto levemente inchado depois de uma noite intensa de sono.
- Qual é Johann, que horas são ainda?
- Já é 08h13min, você pediu que eu te acordasse, então...
- Mano... Tu é chato pra caralho, podia ter me deixado dormir mais.
- Vai se ferrar Ray.
Disse Johann com uma risada, e jogando um travesseiro em cima de Ray, em seguida foi para o banheiro. Entrou no mesmo e se trancou lá, enquanto Ray puxava o edredom para cima do seu corpo, e olhava o tempo lá fora pela janela. Estava tudo branco por causa da neve, e o clima estava azulado. Pegou o controle e ligou a televisão, deixando no jornal. Após a notícia do clima, o jornalista então falou:
- Na última tarde na estrada entre Blumenau e Brusque, dois estudantes foram encontrados mortos, penhasco abaixo. O corpo dos jovens estava caído entre as rochas abaixo do penhasco, na estrada que os levava para Brusque. Não foi acidente e nem suicídio, o casal foi assassinado, e depois seus corpos foram jogados precipício abaixo. Jeremy Carty, e Bruna Lashoski estudavam no Centro Universitário de Brusque.
Uma foto de Jeremy e Bruna surge na tela, e Ray levanta da cama com os olhos arregalados. De repente Johann sai do banheiro enrolado numa toalha e todo molhado:
- Droga Ray, onde você colocou o sabonete?
- Johann, Johann olha só isso, o Jeremy e a Bruna morreram.
- O que? O Jeremy da sala da frente de cinema?
- Sim, ele mesmo, os dois foram assassinados.
Johann e Ray foram até a frente da TV e acompanharam detalhes da notícia. Johann coçou a cabeça e falou:
- Nossa... Isso tudo é muito louco.
Na Universidade.
Anne andava pelo campus do Centro Universitário, um tanto perdida. Estava um alvoroço por todos os cantos da universidade, estudantes comentando uns com os outros o assassinato. Anne anda pelo gramado um pouco branco, devido ao fato da neve do dia anterior ter caído ali. Repórteres e carros de emissoras faziam reportagem em frente o local. Já na sala de aula, os alunos discutem sobre o acontecido. Cici comentava com seus colegas de turma:
- Credo... Ele se sentava lá no fundo. Só de pensar que semana passada ele estava aqui junto com a gente... A namorada dele me odiava.
Ashley entrou na conversa:
- Todas as namoradas te odeiam Cici. Coitado... Ele era tão jovem.
Mischa deu uma risada debochada, e sem papas na língua disse:
- Isso é verdade. Na realidade, todas as garotas da Beta Gama são odiadas por serem um bando de....
Antonius cortou Mischa e respondeu:
- Hey, gosto das Beta Gama’s.
Mischa disse com um ar de deboche:
- Lógico, elas sempre chupam o teu...
A professora de cinema então cortou Mischa:
- Classe, já chega, sim? Vamos voltar ao assunto, esse tipo de coisa vocês deixam lá fora. ▬ O sinal toca ▬ Droga... Nosso tempo acabou. Pois bem, nossa aula hoje não foi nada produtiva, desde o começo, espero que amanhã vocês estejam menos alvoroçados. Anne preciso falar com você, venha até aqui.
Enquanto todos estavam saindo da sala, Anne foi até a professora. Levou uma das mãos até uma mecha de cabelo, e o colocou atrás da orelha. Olhou sem jeito para a professora, e com a voz inferior falou:
- O que houve?
- Olha... Desde os últimos dias, eu não tenho notado uma melhora tua. Anne... Eu sei que a morte do teu pai te afetou, mas você sabe que isso pode afetar teus estudos, e seu pai jamais iria querer isso para você, sim?
- Eu sei... Eu sei, mas é tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. Ontem minha mãe foi internada pela terceira vez na clínica, ela não para de beber.
- Então você precisa ser forte. Supere tudo isso, mostre que você é diferente, e que a má fama dos teus pais, não te afeta. Eu sei que é uma boa garota, mas não pode se entregar desse jeito precisa reagir.
Nesse instante, Johann passa discretamente pela porta da sala, e sem que as duas percebam, ele fica parado ali, ouvindo a conversa das duas. Depois do desabafo com a professora, Anne sai da sala mais aliviada, sem notar Johann. Ele vai atrás dela e a chama:
- Anne! Anne me espera.
Ela vira para trás, e faz cara de pouco caso, e pensa consigo mesma: "Esse mala não desiste..."
- O que foi Johann?
- Então... Sua mãe foi para a reabilitação ontem?
Anne andava apressada pelos corredores, e descendo os degraus para o pátio da Universidade, enquanto Johann a seguia, segurando alguns livros todo atrapalhado:
- Ah... Deu para ouvir conversa alheia agora, malinha loira?
- Poxa Anne... Não me trata assim. Eu ouvi por acidente, e fiquei preocupado com você.
- Preocupado comigo? Queria que ficasse preocupado, quando meu pai morreu.
- Anne, eu gosto de você e me preocupo contigo.
Anne para de andar e se vira para Johann:
- Gosta tanto, que me largou quando mais precisei.
- Nosso namoro não estava andando.
- Johann, meu pai foi assassinado, Deus... É difícil entender? Eu acabei de perder o meu pai, e o que você fez?
Johann engole a saliva sem jeito, e abaixa a cabeça. Anne olha brava para ele e diz balançando a cabeça para os lados em um tom negativo:
- Esse seu silêncio covarde, já diz tudo... Tudo.
Ela se vira e sai andando pelo pátio, indo para o lado de fora da Universidade. Antonius chega ao lado de Johann e fala em um tom de deboche:
- Vacilão!
Johann olhou para Antonius com os olhos cerrados, como se estivesse fuzilando o rapaz com os olhos. Porém respirou fundo e o ignorou, indo para fora da Universidade também.
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