No Inverno de Brusque
1 Jeremy e a namorada são as primeiras vítimas.
Notas iniciais
O relógio marcava 15h38min, e estava muito frio naquela tarde em Blumenau. Jeremy estava voltando para a cidade de Brusque, depois de ter tirado uma tarde de folga de seu estágio, para levar documentos importantes, que seu chefe havia pedido para ele levar até a empresa de Blumenau. Dirigia seu carro no asfalto deserto, e o frio estava cada vez maior. Seu celular toca, e Jeremy atende:
- Alô?
- Filho, sou eu. Que horas você vem? Onde você está? Já era para você ter chego!
- Mãe... Eu estou chegando, ainda estou em Blumenau, daqui à uma hora eu estou aí, já estou a caminho.
- Eu estou preocupada, você nunca foi para um lugar longe assim sozinho, pede para seu chefe mandar outro no teu lugar na próxima...
- Mãe, eu preciso desligar, não posso falar no celular e dirigir ao mesmo tempo. Te vejo em casa, beijos.
Jeremy continuou dirigindo seu carro, quando percebeu que o mesmo ficou mais lento e as rodas rodavam com dificuldade pelo asfalto. O rapaz desligou o carro e saiu do automóvel. Olhou para as rodas do carro, ambas estavam cheias de arames farpados em volta dos pneus do carro, rasgando os mesmos.
- Droga! Só pode ser um idiota, quem faz isso... Merda, como é que vou chegar em casa?
Jeremy estava um pouco desesperado, pois estava sozinho naquela tarde fria, naquela rua deserta e ainda por cima com um penhasco alto logo ao lado. Voltou para o carro, e pegou o celular. Quando foi discar o número de alguém, o celular tocou. Número desconhecido. Jeremy atendeu um pouco com receio:
- Alô?
Uma voz feminina do outro lado:
- Oi Mário, estou ligando pra te avisar que já estou chegando em casa.
- Mário? Que Mário?
- Ah, droga... Acho que liguei para o número errado. Não é o Mário?
- Não, você deve ter discado errado.
Jeremy desligou o telefone, um pouco nervoso até, pois não sabia o que fazer naquela situação. Estava muito frio lá fora, então entrou no carro, e novamente seu celular tocou. Um pouco nervoso e com a voz alterada, respondeu:
- O que foi?
- Perdão moço, eu queria me desculpar por ligar errado, eu...
- Olha garota, eu não posso falar agora, por que...
- Mas você tem uma bela voz.
Jeremy se desestressou por alguns instantes ao receber o elogio. Deu um riso discreto e baixo para que a moça do outro lado não ouvisse:
- Tenho, é?
- Tem sim... Qual é o teu nome?
- Ah... Me diz o teu, e te digo o meu.
- Hum... Você é um rapaz bem espertinho. Mas fica tranqüilo, não quero abusar sexualmente de você, só se você permitir, claro.
Jeremy soltou uma risada e completou:
- Ah, aí depende muito de quem você é... Porque não me diz onde mora?
- Você é bem safadinho, o que sua namorada diria se soubesse que puxa conversa com uma estranha?
- E porque acha que tenho uma namorada?
A voz da moça engrossa e, uma voz masculina e perturbadora fala com Jeremy:
- Eu sei que tem. Assim como seu que teu nome é Jeremy Carty!
O rapaz fica sério, e se assusta:
- Que trote idiota! Eu preciso desligar.
- Se desligar o telefone, estouro a cabeça da tua namoradinha.
Jeremy fica tenso, sentado sobre o banco do carro e responde com a voz rouca e trêmula:
- Quem está falando?
- Não é esta a pergunta. Olhe para trás. Reconhece o carro do outro lado da rua?
Jeremy vira o pescoço para trás, e vê o carro de sua namorada, parado do outro lado da rua, mas bem distante do carro dele. Desceu do carro completamente trêmulo, o medo estava em todos os seus gestos. Atravessou a rua, e começou a andar pelo acostamento, indo até o carro de sua namorada, segurando o celular no ouvido.
- Abra a porta do carro... E veja a situação que sua noivinha está.
O rapaz abriu a porta do carro, e Bruna, sua namorada estava amarrada e amordaçada, com alguns hematomas pelo corpo.
- Meu Deus, o que você fez com ela, seu desgraçado?
- Abaixa o tom de voz, garoto. Eu estou mais perto do que imagina.
Jeremy dá um passo à frente, e quando vai tocar em sua namorada para desamarrá-la, a pessoa do outro lado da linha responde rapidamente:
- Se eu fosse você, não faria isso.
De repente o vidro do carro de Bruna estoura do lado do banco do passageiro. Alguém havia atirado ali e Jeremy se assusta. O rapaz já começava a ficar tenso, e um nó na garganta surgiu, a vontade de chorar, gritar e pedir ajuda era imensa, mas ele não podia se movimentar, e nenhum carro passava por ali, para ele pedir ajuda. Com o susto do vidro quebrando e o barulho alto do tiro, Jeremy se abaixou e ficou sentado no chão encolhido, encostado sobre a roda traseira do carro, na lateral do mesmo.
- Você viu? Viu o que posso fazer, caso não me obedeça? Agora seja um bom garoto, e entre no meu jogo, Jeremy.
- Cara, pelo amor de Deus, o que você quer?
- Eu quero brincar com você, e sua namoradinha. É assim que se joga... Eu faço uma pergunta, caso acerte, sua namoradinha vive. Se errar... A pobrezinha morre. É muito simples.
Jeremy começa a chorar no celular desesperadamente, com a voz rouca e trêmula:
- Por favor, cara, por favor, deixa a gente em paz.
- Qual é Jeremy... É só uma brincadeira. Farei perguntas sobre filmes... E eu sei o quanto você gosta, está cursando cinema, não?
- Como você sabe?
- Não importa como eu sei. Agora vamos à primeira pergunta... Farei uma pergunta fácil de aquecimento.
- Não, por favor, cara, para com isso!
- Qual é o nome do filme, em que um cara usa uma serra elétrica para aniquilar suas vítimas?
- Me deixa em paz...
- Não é tão difícil assim... Você sabe a resposta.
Jeremy engole a saliva a seco, e fala indeciso com muito receio:
- O Massacre da Serra Elétrica...
- Você está indo muito bem, garoto... Pergunta 2.
Jeremy apenas se lamentava:
- Cara, isso não tem graça!
- Qual é o filme, em que um assassino usa uma máscara branca de fantasma, e no final do filme, o assassino é o namorado da garota principal?
- Todo... T... Todo mundo em Pânico!
- Eu sinto muito... Esta é a resposta errada.
Jeremy se levanta do chão desesperado, e começa a falar com o homem em tom de voz alto:
- Não está, caralho eu vi essa porra de filme, e eu sei que é ele.
- Não mesmo!
- Escuta aqui, é Todo Mundo em Pânico, eu vi essa merda no cinema.
- Repito que estava errado, a resposta correta era apenas “Pânico”. Este filme que você falou, é uma sátira do filme de terror “Pânico”, e eu sinto muito, mas a sua namoradinha já era.
Jeremy grita no telefone:
- NÃO!
Um tiro estoura o vidro da frente do carro, e a cabeça de Bruna explode, com o sangue e os pedaços do cérebro ficando espalhados dentro do carro. Jeremy chorava e se desesperava no telefone, gritava feito um louco, e falava revoltado com o assassino:
- DROGA, SEU DESGRAÇADO, VOCÊ É MALUCO? OLHA O QUE VOCÊ FEZ.
- Abaixa o tom da Voz, Jeremy. Não se fala assim com um homem armado!
- VAI SE FERRAR, CRETINO!
De repente um tiro atinge o pé de Jeremy, e ele se joga no chão com a dor. O rapaz chorava desesperadamente e se contorcia no chão com a dor do tiro, e logo pegava o celular novamente e o colocava no ouvido:
- Jeremy, Jeremy... Você não está colaborando, meu amiguinho.
- Por favor, me deixe em paz.
- Faça o que eu pedir, e te deixarei. Levante-se do chão, pegue sua namorada no colo e vá até o outro lado da rua.
Jeremy se levantava atrapalhado, mal conseguia andar direito depois daquele tiro, e então tirou Bruna de dentro do carro. Com dificuldade e completamente atordoado, chorando ele apenas a pegou por debaixo dos braços, e foi a arrastando pelo asfalto, com a cabeça tombada para o lado, prensando o celular entre seu ouvido e seu ombro. As lágrimas escorriam pelo rosto do rapaz que já estava ficando fora de si, e o assassino sarcástico falava:
- Você não é nada cavalheiro... Não é assim que se carrega uma namorada.
- VAI PARA O INFERNO...
Ao chegar do outro da rua, onde estava o carro de Jeremy, o assassino fala:
- Está vendo atrás de você?
O rapaz olhou para trás, e viu um penhasco super alto.
- Sim, estou!
- Jogue o corpo da tua namoradinha.
- Cara, por favor, não...
- JOGUE!
- Por favor, não me obrigue a fazer isso!
O assassino se estressava com Jeremy e já falava em tom alto:
- JOGUE, OU LEVARÁ O MESMO TIRO NA CABEÇA QUE ELA LEVOU!
Jeremy olhava chorando para o corpo de Bruna, e completamente contra seu gosto, jogou o corpo da garota, fazendo o mesmo cair penhasco abaixo e se espatifar nas rochas que havia lá embaixo, com o sangue do corpo de Bruna espirrando pelas pedras. Jeremy não se conformava com aquilo que havia feito, e revoltado xingava e gritava com o assassino pelo telefone. Depois de alguns minutos de silêncio, Jeremy estava completamente atordoado com o ponto em que as coisas haviam chego, tendo que jogar a própria namorada do penhasco, para sobreviver.
- Pergunta final...
- O que? ME DEIXA EM PAZ, PORRA.
- Em qual árvore, eu estou?
- Como assim?
- Têm duas árvores grandes um pouco à frente do teu carro, você só tem que adivinhar em qual eu estou.
- Por favor, cara, por favor, me deixa ir embora.
- Responda a pergunta, e eu te deixo.
- Eu... Eu não posso fazer isso.
- Vou te dar uma dica...
De trás de uma das árvores saiu um carro preto, e em contra mão veio acelerando em cima do carro de Jeremy. Assustado, ele começou a dar passos rápidos para trás, e logo o carro parou. O assassino desceu do carro, usando uma calça preta e um coturno de couro da mesma cor. Uma jaqueta grande preta com o gorro na cabeça e um tecido preto tapando toda sua face, com as duas mãos segurando um machado levantado, e correndo em direção a Jeremy. O rapaz se levantou desesperado e atravessou a rua tentando correr com a perna manca, mas o assassino foi mais rápido e meteu o machado nas costas de Jeremy, que se jogou no chão não agüentando a dor. Virou-se de frente e o assassino levantou o machado e desceu até Jeremy com toda força, mas o rapaz segurou no cabo do machado, impedindo um corte no meio do próprio corpo. Com a perna que não estava ferida, deu um chute na canela do assassino que caiu sobre o chão. Jeremy se levantou e correu até o carro de sua namorada, entrou nele e ligou o mesmo em seguida. O assassino se levantou e saiu correndo para o outro lado da rua, e entrou em seu próprio carro. Jeremy acelerou e começou a andar desesperado pela rua, enquanto o assassino o seguia.
O assassino batia com na traseira de Jeremy, fazendo o corpo do rapaz ir diversas vezes para frente. O assassino esperou Jeremy se afastar por alguns instantes, e então acelerou o carro e com todo impulso, bateu com força na traseira de Jeremy, que perdeu o controle e saiu para fora da estrada, indo em direção ao penhasco.
- DROGA, DROGA, PARA, POR FAVOR, PARA, NÃOOOO!
Jeremy freou o carro e quando ia cair, o carro parou ficando pendurado no penhasco. Com o impulso da freada, Jeremy passou por cima do capô do carro e ficou pendurado, se segurando no pára-choque para não cair. O rapaz gritava socorro, e seus gritos faziam eco pelas colinas e montanhas que rodeavam o lugar. O assassino desceu do carro, e foi andando em passos lentos até a beira do penhasco, ficando ao lado do carro prestes a cair lá embaixo, com Jeremy pendurado na ponta dele. O rapaz olhava com ódio para o assassino e falava com a voz baixa:
- Filho de uma puta... Vai à merda.
O assassino fazia um sinal negativo com a cabeça, desaprovando a atitude de Jeremy. Ele ergueu o machado e acertou os dedos do rapaz, cortando os oito dedos que se prendiam ao carro, fazendo Jeremy despencar de lá de cima. Enquanto caía, os gritos do rapaz ecoavam por todo o lugar, e cessavam com o barulho de seu corpo batendo lá embaixo, sobre as rochas que ficaram cobertas com o sangue de Jeremy.
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