No Hope
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Ouvir meu pai me chamando daquele jeito me deixou muito preocupada, ele nunca tinha falado naquele tom comigo antes, engoli em seco e comecei a caminhar em sua direção, Penn e Ariane ficaram onde estavam, as duas estavam tão tensas quanto eu. Assim que cheguei perto, tentei pensar em cada palavra antes de abrir minha boca.
– Deseja alguma coisa papai ? – Perguntei com a voz mais doce que consegui fazer.
– Entre. – Ele disse com o tom de voz firme.
– Claro. – Falei entrando pela porta e dando uma ultima olhada para as minhas duas amigas.
Dentro da casa não vi sinal de Trevor ou do pai dele, passamos pela sala e fomos direto para o escritório do meu pai, quando entramos lá, vi minha mãe em pé do outro lado da mesa grande, ela não estava brava como o meu pai, só estava confusa, assim que entramos meu pai me direcionou até a cadeira e eu sentei, respirei fundo e fiquei esperando ele começar a falar, eu estava confusa também, se Trevor não estava aqui então por que ele me chamou ?
– Filha você quer nos contar o que aconteceu ? – Minha mãe perguntou com calma.
– Do que a senhora esta falando mamãe ? – Perguntei, estava realmente confusa.
– Quero saber o porquê de você e Trevor terem terminado assim, tão de repente. – Disse ela, então foi isso que ele contou, senti o alivio tomar conta de mim.
– Eu só não consigo mais ficar com ele. – Falei.
– Por que não ? Até semana passada vocês estavam loucos para se casarem. – Meu pai perguntou um pouco exaltado, pude perceber a raiva em seu tom de voz.
– Fique calmo querido. – Minha mãe disse.
– Sentimentos mudam papai. – Respondi em minha defesa.
– Ela esta certa, se ela não o ama mais, não a porque dos dois estarem juntos. – Minha mãe disse tentando me defender.
– NÃO! – Gritou meu pai batendo com os punhos fechados em cima da mesa, dei um pulo na cadeira em que estava sentada. – Você não entende o que o termino do relacionamento de vocês vai me custar. – Disse ele, estava com os olhos arregalados e assustados, apertei os braços da cadeira com as mão e abaixei a cabeça, era disso que se tratava então ?
– Então é isso ? – Perguntei com a voz baixa. – Nosso relacionamento era só um comercio ? – Perguntei novamente, não conseguia acreditar que tudo o que havia vivido com o Trevor foi uma ilusão.
– Claro que não querida, ele a ama de verdade. – Mamãe tentou dizer, me levantei da cadeira em um pulo sentindo a raiva se apoderar de mim.
– Tudo bem, isso pode até ser verdade. Mas e o senhor papai ? O que é mais importante para o senhor ? Minha felicidade ou uma aliança ? – Perguntei com raiva.
– Cuidado com seu tom de voz mocinha. – Disse ele estreitando os olhos. – Acha que eu não ligo para a sua felicidade ? Você não é feliz aqui ? Você não é feliz sendo rica e tendo tudo o que deseja ? – Perguntou ele, olhei para minha mãe e a vi abaixando a cabeça.
– Pra ser sincera estava, mas a algo em que me importo mais agora. – Falei dando um passo para frente.
– E o que seria ? – Perguntou ele.
– Amor papai. – Respondi, na realidade cuspi essas palavras, nunca me imaginei brigando com meu pai.
– Amor ? Você e Trevor se amam. – Ele disse.
– Eu amava papai, mas percebi que era tudo uma ilusão. – Disse sentindo as lagrimas encherem meus olhos.
– Você vai se casar com Trevor você querendo ou não. – Ele disse fechando os punhos na mesa mais uma vez.
– Você não deseja que eu tenha um casamento que nem o seu e o da mamãe ? – Perguntei tentando afastar a ideia de eu e Trevor nos casarmos.
– Você vai se casar com Trevor e vai aprender a ama-lo. – Falou, não por favor.
– Não vou me casar com Trevor papai! – Falei dando mais um passo a frente.
– Vai sim! – Disse ele.
– QUERIDO! – Minha mãe o chamou, ele afrouxou os punhos na hora e a olhou. – Filha, pode sair, quero conversar com seu pai a sós. – Disse ela se dirigindo a mim.
Não pensei duas vezes, segurei meu vestido com as mãos tremulas e corri para a saída do escritório, já fora senti as lagrima descerem, meu pai era muito pior do que eu pensava, ele não ligava para nada, apenas para ele a para a felicidade dele, não conseguia acreditar que ele preferia me ver infeliz a perder uma aliança com o pai do Trevor, parei de correr e me encostei-me à parede e comecei a respirar fundo, olhei ao meu redor e vi a porta que dava para frente da casa, comecei a andar em direção a ela, precisava de um pouco de ar, Ariane e Penn estavam lá também. Abri a porta com toda a força que me restava, comecei a andar para fora sentindo a brisa bater sobre meu rosto molhado pelas lagrimas, olhei ao redor e vi Trevor encostado em uma árvore, ele estava olhando para a floresta, seu semblante estava triste, cheguei até a sentir pena, mas tudo desmoronou, a raiva veio à tona e sem dar por mim comecei a andar em direção a ele com os punhos fechados, quando estava perto comecei a chamar sua atenção.
– TREVOR! – Gritei seu nome, ele olhou imediatamente para mim. – Por que não me diz a verdade agora ? Vai olhar dentro dos meus olhos e mentir dizendo que me ama ? – Perguntei chegando mais perto.
– Do que você esta falando ? Ficou maluca ? – Perguntou ele se aproximando.
– Meu pai me disse, ele contou que nosso relacionamento foi só para nossos pais formarem uma aliança. – Falei, não foi exatamente isso que meu pai disse, mas parece que foi exatamente isso que eu entendi, Trevor ficou serio e com espanto em seus olhos.
– Isso não é verdade, quer dizer... – Começou ele, não falei nada, apenas fiquei esperando ele terminar. – Quando nos conhecemos nossos pais começaram a falar sobre uma aliança entre famílias, eu já sabia do que se tratava, mas não queria me relacionar com você, você não era nada do que eu gostava em uma garota. – Disse ele, as lagrimas já estavam voltando, não estava conseguindo acreditar. – Mas meu pai disse que eu precisava me aproximar de você, que precisava fazer você se apaixonar por mim, que se eu quisesse herdar o negocio da família eu tinha que fazer, eu não tive escolha. – Terminou respirando fundo, estava me sentindo tonta e sem ar.
– Quer dizer que nada do que tivemos foi real ? – Perguntei incrédula com tudo que tinha ouvido.
– Claro que foi, eu amei você. – Respondeu ele, assenti com a cabeça, mas estava começando a ficar tonta.
– Você é um... – Tentei falar, mas minha cabeça estava rodando.
– Luce, por favor. – Disse ele tentando segurar meu braço.
– Não me toque! – Falei cambaleando pra trás, senti mãos envolverem meus braços.
– Luce, você esta bem ? – Ouvi a voz do Daniel perguntando atrás de mim.
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