No Hope

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Oi gente, só queria dizer que a história do Daniel não será contada ainda, ele não sabe de tudo. KKKKKK Serio, tem muita coisa ainda que vai ser desvendada, principalmente quem foram os Grigoris, é bem mais complicado do que pareceu ser. Só contei um pouco para dar um gostinho. KKKKKKKK Espero que gostem.

O jantar passou rápido de mais, para minha felicidade, mas não sai da mesa assim que começaram a recolher nossos pratos, fiquei sentada enquanto todos conversavam, não podia deixar alguém ficar curioso, principalmente o Trevor, o que estava me incomodando era o olhar de Penn, ela não para de me olhar com reprovação, sei que ela estava preocupada comigo e com o Daniel, mas ela já estava começando a me deixar nervosa. Assim que todos começaram a se retirar, Trevor se levantou e me chamou para um canto, suspirei e fui até ele, tinha que ir logo para o meu quarto, quanto mais pensassem que eu estava dormindo, menos iriam me incomodar. Assim que Trevor e eu chegamos em outra sala, ele me puxou pela cintura e beijou meus lábios, fiquei surpresa com isso, mas retribuiu, eu estou tão indecisa, sei que amo o Trevor e que estou apaixonada pelo Daniel, o que fazer ? Assim que nos separamos por falta de ar, ele acariciou meus cabelos.

– Eu sinto sua falta. – Disse ele. – Vai fazer dois dias que estou aqui e quase não passamos juntos. – Falou, isso era verdade, me senti muito culpada.

– Eu sei, me desculpe. – Falei abaixando a cabeça.

– Tudo bem, que tal darmos uma volta quando todo mundo for dormir ? Que nem antigamente. – Falou dando um sorriso de lado.

– Hoje não, estou me sentindo exausta. – Falei ainda olhando para baixo, odeio mentir.

– Deverias chamar um médico, você anda tão doente ultimamente. – Disse.

– É só cansaço, fazer compras cansa sabia ? – Perguntei dando um tapinha em seu braço para descontrair a conversar.

– Claro. – Respondeu rindo.

– Bom, acho melhor ir dormir. – Falei, me debrucei e deu um beijo em sua bochecha.

Estou me sentindo muito culpada, menti para o meu pai e meu namorado, quem seria a próxima vitima ? O pior de tudo é que não sei o que fazer, não sei quem escolher. Entrei no quarto, fechei e tranquei a porta, fui em direção à janela e a abri, dei uma olhada para o lado de fora esperando ver algum sinal de que Daniel estava esperando as luzes se apagarem, mas não encontrei nada, talvez ele nem fosse vir, encostei meus cotovelos na janela e suspirei, foi mesmo ridículo essa ideia de pedir para ele entrar pela janela, claro que é ariscado e claro que ele não viria. Suspirei pesado e senti uma mão tampar minha boca e outra enrolar minha cintura me afastando da janela, me debati o máximo que pude e quando a pessoa finalmente me soltou, virei pronta para dar um tapa, mas congelei quando vi lindos olhos claros me fitando com um sorriso no rosto. Ele veio.

– Você ficou louco ? – Perguntei em um sussurro.

– Por que ? – Perguntou.

– Se eu tivesse gritado o nosso plano iria por água abaixo. – Respondi indo até a janela e fechando a mesma.

– Eu sei, por isso tampei sua boca. – Disse ele vindo em minha direção, não consegui pensar em nada, só nos lábios dele tocando os meus.

– Nós precisamos conversar. – Falei entre o beijo.

– Aham. – Disse ele. Mas nenhum de nós dois acabamos com o beijo, ele só foi cessar quando ficamos sem ar.

Afastei-me dele e sentei na cama, ele se sentou ao meu lado, abaixei minha cabeça e tampei meu rosto com as mãos, o ouvi perguntar o que tinha acontecido, mas apenas balancei a cabeça em negação, só precisava me recompor, pensar um pouco no que ia perguntar e se queria mesmo saber a resposta.

– Luce, você disse que queria conversar, vamos conversar, só olhe pra mim, por favor. – Disse ele, suspirei e levantei a cabeça e o olhei, ele estava preocupado.

– Quem é você ? – Perguntei logo de cara, ele pareceu não entender muito bem.

– Me chamo Daniel Grigori, sou um escravo. – Disse.

– Quem é você de verdade ? Antes de virar um escravo ? – Perguntei, agora ele tinha entendido.

– Eu sou um camponês normal, o sobrenome é do meu pai, ele sim foi um grande homem. – Começou dizendo. – Minha mãe vivia dizendo que nossa família já foi muito rica, mas infelizmente meu pai confiou na pessoa errada e acabaram perdendo tudo, mas mesmo depois disso ele continuou dando duro, conseguiram uma casa no campo e ele começou a plantar, ele morreu dois anos depois de eu nascer. – Contou, pude ver o brilho em seus olhos ao falar do pai, mas ele não disse como virou escravo.

– E como você virou escravo ? – Perguntei, pude ver o brilho desaparecer.

– Bem, quando eu tinha uns oito anos de idade, um homem bateu em nossa porta, ouvi minha mãe conversar com ele, foi uma conversar feia, ela chegou a chorar, não entendi muito bem do que se tratava, mas quando terminou a conversa e o homem foi embora, ela veio me abraçar e começou a chorar muito, ela disse que depois eu entenderia. – Ele deu uma pausa e pude ver as lagrimas se formarem em seus olhos. – Quando eu completei dezoito anos, outro homem bateu em nossa porta, foi quando minha mãe me explicou o que aconteceu, como eu era o único homem da família, nós tínhamos duas opções, ou eu ia com ele e trabalhava como um escravo ou ele mandaria matar nós dois, foi duro, eu preferia morrer a ser um escravo, mas minha mãe precisava de mim. Aceitei a oferta, foi assim que vim parar aqui, eles dão sustento para ela enquanto eu trabalhar como um escravo, enquanto eu ainda for útil. – Daniel disse, extava pasma, as palavras de Ariane ecoaram em minha cabeça, meu pai tinha feito isso ?

– Você ainda a vê ? – Perguntei.

– Eles não me deixam sair daqui e minha mãe mora no outro lado da cidade, foi por isso peguei seu cavalo, sei que não conseguiria ir de cavalo até lá, mas precisava dar um volta, nunca pensei que seria pego. – Disse olhando para mim.

– Me desculpe por aquilo. – Falei.

– Tudo bem, foi assim que nos conhecemos. – Ele disse sorrindo. – O que mais você quer saber ? – Perguntou.

– Por que você acha que te levaram como escravo ? – Perguntei, ele deu de ombros.

– Talvez alguma divida não paga, minha mãe não teve tempo de responder minhas perguntas. – Respondeu.

– Eu sinto muito Daniel. – Falei com a voz embargada em choro.

– Hey, calma, não precisa chorar. – Disse ele me abraçando.

– Preciso sim, passei esse tempo todo julgando as pessoas, tratei Ariane como um lixo, como se ela não merecesse, sem pensar em sua história, sem pensar em sua vida, eu sou um monstro. – Falei já sentindo as lagrimas caírem, Daniel colocou as mãos em meu rosto e me fez olha-lo.

– Você não é um monstro, você foi criada assim, a culpa não é sua. – Disse.

– Eu não fui criada assim, podia ter escolhido ficar do lado da minha mãe, ela sempre tentou, mas em vez disso eu preferi ficar do lado do meu pai, ele sim é um monstro e eu me tornei igualzinha a... – Não consegui terminar a frase, Daniel me beijou, fazendo meu coração acelerar mais rápido, não sentia isso com o Trevor, beijar ele não me fazia sentir nada de mais, mas beijar o Daniel me fazia sentir coisas que nunca imaginei sentir, acho que sei qual será minha escolha.

Notas finais
Espero que tenham gostado. ((: