No Hope
3 Capítulo 03
Notas iniciais
O dia de ontem tinha sido muito produtivo, mas senti falta de cavalgar e aquele acontecimento com o cavalo me deixou na vontade, então seria a primeira coisa que eu faria depois do café da manhã. Eu já estava de pé colocando meu vestido com a ajuda da minha serva, a Ariane, o vestido era azul forte, a parte da frente era branca com tecido trançado e a parte de dentro das magas compridas também eram brancas, decidi deixar meu cabelo solto, a melhor parte de cavalgar é poder sentir os cabelos ao vento, quase parecia que eu estava voando, era a melhor sensação do mundo. Sai do quarto e fui tomar meu café, como sempre meus pais já estavam sentados a mesa me esperando , fiz a reverencia e sorri para eles.
– Bom dia mamãe, papai. – Falei me sentando e me servindo.
– Bom dia querida. – Disse minha mãe, ela estava deslumbrante como sempre.
– Bom dia filha. – Foi meu pai que disse, sorri para ele.
– Filha, nós não iremos para o centro agora. – Minha mãe disse. – Eu tenho que resolver umas coisas. – Terminou de falar olhando para o meu pai, o que será que ele tinha feito ?
– Tudo bem minha mãe, eu não estava com vontade de ir mesmo. – Falei. Os dois me olharam como se isso fosse à novidade do ano. – Eu estou com vontade de cavalgar. – Falei sorrindo.
– Que ótimo minha filha. – Começou meu pai. – Falando em cavalgar, eu já mandei darem um jeito naquele escravo insolente que levou um de seus cavalos para passear. Acredito que isso não irá acontecer novamente. – Terminou.
– Obrigada papai. – Disse, ouvi minha mãe dando um suspiro.
O café da manhã foi tranquilo, não voltamos a tocar no assunto do escravo, sabia que isso aborrecia minha mãe, em toda a minha vida a vi sendo carinhosa e educada com pessoas que nem se quer mereciam, mas meu pai me ensinou diferente, ele mostrou que tipo de gente os escravos realmente são, nojentos, sujos e sem educação, fico feliz por ele ter me mostrado a verdade. Fui caminhando de vagar até o estabulo, ele estava vazio, não havia ninguém trabalhando nele, ainda bem, fui direto para o meu cabalo favorito, mas ele não estava lá, o procurei nos outros estábulos, fui para fora e nada. Não era possível que aquele escravo tinha o levado para passear de novo, não dei importância, quando eu voltasse falaria para o meu pai, aquele escravo ia ver só, eu sei que ele não ia fugir, escravos já tinham fugido antes e meu pai os mandou caçar e matar, ninguém arriscaria.
Peguei meu outro cavalo e subi nele, sai do estabulo e quando entrei na floresta cavalguei o mais rápido que eu podia, já conhecia essa floresta como a palma da minha mão, eu queria chegar logo até o riacho, era meu lugar favorito, eu ficava horas lá pensando, viajando, podia dizer que era meu paraíso perfeito. Quando estava chegando ao riacho, fiz o cavalo parar de correr, as árvores perto dele eram lindas com flores maravilhosas, fui de vagar e quando eu estava quase saindo das árvores vi a silhueta de uma pessoa, parei o cavalo na hora e desci do mesmo, amarrei o cavalo em uma árvore e fui chegando perto, queria ver se era alguém que eu conhecia se não iria dar meia volta e voltar para casa, meu pai sempre disse que era perigoso, eu que não ia arriscar.
Quando cheguei mais perto pude ver um homem, ele estava todo molhado e sem a camisa, no peito nu e nas costas definidas dava para se ver as feridas causadas por chicotes, era uma pena por que seu peito era maravilhoso, ele era maravilhoso, lindo, cabelos loiros, corpo bem cuidado, não consegui desviar meus olhos daquela visão. Até que a ficha caiu, ele era o escravo que tinha levado meu cavalo para passear, ele era o tal do Daniel, meu pai disse que tinha dado um jeito nele, sem duvida ele tinha levado uma surra de chicotes, o que era uma pena já que tinha estrago o corpo dele, não estragado, mas danificado. Cheguei mais perto para ver o que ele estava fazendo, pude ver meu cavalo comendo capim do outro lado, Daniel se abaixou, molhou a mão e passou a mesma por uma ferida, pude ver a dor em seus olhos, pela primeira vez na vida tive pena de um escravo, o que era ridículo por que ele tinha pedido por isso e pediu de novo, pode ter certeza que contarei ao meu pai quando voltar para casa.
Daniel colocou as camisa manchada de sangue, voltou para o cavalo e partiu entre as árvores, não conseguia deixar de ver seu lindo corpo todo machucado em minha mente, fechei meus olhos e balancei a cabeça, não importa o quão bonito ele seja, ainda assim é um escravo, um escravo sujo e sem educação que fica pegando o cavalo que pertence à outra pessoa. Dei meia volta e peguei meu cavalo, entrei na floresta e voltei de vagar para casa, ainda não estava acreditando que depois de ter levado uma surra, aquele escravo fez de novo, sem duvida não tinha educação nenhuma. Quando cheguei ao terreno da minha casa, fui direto para o estabulo, dei de cara com aquele escravo, ele estava escovando os pelos do meu cavalo, assim que me viu ficou me encarando por alguns segundos e depois voltou sua atenção para o cavalo, àquela atitude despertou uma raiva imensa dentro de mim.
– Qual o seu problema escravo ? – Perguntei chegando perto, mas mantendo uma certa distancia.
– O que ? – Perguntou sem entender.
– É a segunda vez que você leva meu cavalo para passear. Você não aprendeu que não deve pegar as coisas dos outros ? Você já chegou a aprender alguma coisa ? – Perguntei com raiva na voz. Vi seus olhos escurecerem, ele jogou a escova no chão e veio em minha direção, dei um passo para trás.
– Se você cuidasse bem do seu cavalo, eu não teria levado ele para dar uma volta. – Disse, pude ouvir a raiva no seu tom de voz.
– Cuidado escravo, pelo jeito as chicotadas que você levou não serviram de aviso. – Falei em tom debochado. Ele sorriu, por que estava sorrindo ?
– Eu nasci livre minha cara, para o seu pai conseguir me manter sobre seu domínio terá que me matar. – Falou voltando a pegar a escova do chão.
– Nenhum escravo nasce livre. – Falei mais para mim mesma, porem ele ouviu.
– Todo homem nasce livre, não existiram escravos se alguém não tirasse a liberdade deles. – Ele não falou, ele cuspiu aquelas palavras para mim, logo em seguida se virou e saiu pela porta do estabulo me deixando sozinha com meus pensamentos.
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