No Hope
2 Capítulo 02
Notas iniciais
Estava sentada na varanda da parte de trás da casa observando a paisagem, lindas árvores que davam para uma floresta, lembro-me de meu pai me levando para cavalgar até um riacho que fica não muito longe de nossa casa, meu pai não me leva mais, porem ainda tenho o habito de cavalgar até lá e lavar meu rosto com a água gélida e cristalina do riacho. Sorri para mim mesma, estava satisfeita e feliz com a minha vida, tenho pais que me amam e um namorado maravilhoso, não poderia ser mais feliz. Do nada, tudo fica escuro e sinto mãos sobre meus olhos, comecei a rir, já sabia quem era.
– Trevor. – Falei rindo. Ele tirou as mãos de meus olhos e se colocou de joelhos a minha frente.
– Como vai minha amada ? – Perguntou enquanto beijava minha mão.
– Vou muito bem e você meu adorado ? – Perguntei.
– Agora, estou muito melhor. – Disse sorrindo e se levantando.
– O que faz aqui ? – Perguntei me levantando, ele estendeu a mão para mim, segurei no mesmo instante.
– Meu pai veio falar com o seu. Infelizmente não vou poder ficar muito. – Disse, não consegui esconder a decepção.
– Que pena. – Disse soltando a mão dele e andando em direção as árvores.
Trevor veio em minha direção com aquele olhar, sabia o que isso significava, no mesmo instante segurei meu vestido e comecei a correr, ele veio atrás de mim e deixei um grito escapar pela minha garganta. Não corri muito, mas correr e segurar um vestido pesado não era nada fácil, logo comecei a ofegar, nem pensei em olhar pra trás e ver se o Trevor ainda estava me seguindo, apenas parei e encostei-me a uma árvore tentando normalizar a respiração. Senti as mãos fortes dele, me puxarem pela cintura, gritei na mesma hora, Trevor tapou minha boca e me encostou na árvore novamente, ele estava rindo pra mim, o sorriso mais lindo que já virá em toda a minha vida, assim que tirou a mão da minha boca, ele selou seus lábios nos meus em um beijo quente e urgente, senti meu corpo estremecer na hora, sempre era assim, como Trevor e eu quase nunca nos víamos, quando isso acontecia era como algo explodindo dentro de mim. Trevor desceu as mãos urgentes pelo meu corpo, apertando meus seios por cima do espartilho, senti algo ferver entre minhas pernas, não conseguia reagir, apenas coloquei minhas mãos ao redor de seu pescoço, ia o deixar comandar, como sempre.
Trevor já estava com os lábios no meu pescoço quando ouvimos a voz do meu pai gritando meu nome, levamos um susto, Trevor parou na hora e começou a ajeitar a camisa e eu o meu vestido, ele olhou pra mim e começou a rir, olhei com uma expressão interrogativa enquanto tentava normalizar minha respiração.
– Você está incrivelmente linda com as bochechas rosadas e os lábios inchados. – Disse ele com o tom de voz provocativa.
– Fica quieto. – Disse dando um tapa de leve em seu braço.
Ouvimos mais uma vez a voz do meu pai chamando meu nome, decidimos então voltar de uma vez, Trevor estendeu o braço e coloquei minha mão no mesmo, sorrimos um para o outro e decidimos andar, não tínhamos ido tão longe quanto eu imaginava, logo já dava para se ver minha casa, dava para ver meu pai e o pai de Trevor na varanda conversando descontraidamente. Assim que nos viram acenaram alegremente, quando nos aproximamos fiz uma pequena reverencia para o meu pai e o de Trevor, ele beijou minha mão.
– Já falei que não quero você andando pela floresta! Pode ser perigoso. – Advertiu meu pai.
– Desculpe-me papai. – Falei abaixando a cabeça.
– Tudo bem, pelo menos o Trevor estava com você. – Disse ele acenando a cabeça para o meu namorado, nos olhamos e quase não conseguimos esconder a risada.
Minha mãe se juntou a nós na varanda e fomos passear pelo quintal, aviam escravos trabalhando no estabulo, eles estavam cuidando dos cavalos, mas percebi que tinha alguma coisa errada, estava faltando um cavalo, eu saberia dizer, cavalgo posso dizer que quase todos os dias. Fiquei olhando, queria ver se ele estava escondido em algum lugar, não podia pensar na hipótese de algum deles ter fugido, os cavalos são espertos, mas nenhum dos cavalos que fugiram soube voltar.
– Filha ? Está tudo bem ? – Ouvi a doce voz de minha mãe.
– Não! Acho que um dos cavalos fugiu mamãe. – Disse segurando sua mão.
– Calma minha querida. Vamos resolver isso. – Falou apertando minha mão em sinal de que ela estava comigo. Vi ela chamando o mesmo escravo que nos acompanhou as compras, o tal de Roland. – Querido, você poderia me dizer o que aconteceu com um dos cavalos ? – Perguntou, não entendia como ela conseguia ser tão carinhosa com esse tipo de gente.
– Ele... Bom... Eu ... – Gaguejou, tinha algo de errado ai.
– Fala logo o que aconteceu com o cavalo, escravo. – Foi à voz do meu pai, pude ver minha mãe olhando com desaprovação.
– Um dos escravos o levou para passear, senhor. – Disse o escravo com a cabeça baixa. Como assim levou para passear ?
– Nome! – Meu pai disse, não pareceu uma pergunta.
– Daniel, senhor. Daniel Grigori. – Roland disse. Grigori ? Já tinha ouvido esse sobrenome em algum lugar, mas com certeza não poderia ser o mesmo.
– Hum! Quando esse tal de Daniel chegar, mande-o me procurar no mesmo instante. – Ordenou meu pai, que Deus tenha misericórdia desse infeliz escravo. – Vamos meninas. – Chamou ele. Minha mãe deu um aceno de cabeça para Rolando, ele retribuiu e voltou ao trabalho. Revirei meus olhos.
Voltamos a caminhar, logo Trevor e seu pai já tinham que ir embora, ele me de um breve beijo na mão e um olhar significativo. Sei que devo ser a garota mais burra por ter me entregado ao Trevor, mas amo ele e sei que vamos viver juntos para sempre, assim como meus pais, mas diferente dos meus pais, Trevor e eu combinávamos, por isso seria o casamento perfeito. Nunca pensei em mais ninguém desde que o conheci, me sentia realizada ao seu lado, sempre fui uma garota que obedecia a regras e jurava que ia me casar pura, mas depois que conheci Trevor, tudo pareceu bobagem, ele me mostrou que viver uma vida sempre obedecendo regras era chato de mais, logo já tinha me tornado como ele, logo já tínhamos nos tornado apenas um.
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