No Fim
8 Assuntos inacabados
Notas iniciais
Sua cabeça girava e não conseguia se concentrar no desenho que estava quase acabado em sua frente. Jennifer deixou sua escrivaninha, desistindo daquilo e saiu de seu quarto. Fugir novamente parecia uma boa idéia, mas não tinha idéia de onde ir. DP ficou com vontade de arrancar sua cabeça fora por tê-lo feito sair de casa. Não entendia por que ele não gostava de sair no sol. Onde ficava a saúde que os raios solares permitiam? Convivia com ele desde que nasceu e nunca o vira agir desse jeito, desde há três anos quando sua paciência ficou quase inabalável e ele evitava quase tudo, principalmente deixar a fraternidade para ir a qualquer lugar.
Jenny tentou não pensar mais em DP e começou uma caminhada pelos corredores da casa. Uma idéia passou pela sua cabeça quando passou em frente ao quarto de DP, e resolveu colocá-la em prática. Se sentiria melhor depois de alguma ação feita para tirar aquela angustia de seus ombros.
# 14 de Outubro, 10:40 AM#
No dia seguinte, logo que saiu da escola, Jennifer pegou o celular e discou um número. Não estava com paciência para os jogos de DP.
Não era por que ela tinha quebrado “acidentalmente” um dos vidros estranhos de líquido colorido que ele mantinha guardado em uma sala trancada com uma chave que só ele tinha que teria que descontar nela. – Minutos depois descobriu que era uma pesquisa sobre genes que ele fazia há alguns meses e que aquele era o frasco era o único que tinha dado certo. Embora ela não soubesse o que era o certo naquele experimento complicado.
–... — O outro lado da linha permanecia em silêncio.
– DP! Porque não mandou o carro? – perguntou ela nervosa.
– Não até você fazer a sua parte. — respondeu ele calmo.
Com certeza ele tinha ficado ressentido.
– Mas que parte?
– Vá falar com o escolhido, agora!
Jenny começou a andar rápido e a sussurrar irritada com DP.
– Você não pode fazer isso!
– E você não cumpre com as obrigações.
Ela suspirou longamente.
– Olhe, eu vou considerar isso como um favor.
– Qual é? Por que não quer ir?
– E se ele descobrir?
– Ele não vai descobrir. Boa sorte e, tchau.
– Diga isso por você! – ela murmurou sem emoção ao apertar o botão da campainha.
Paul saiu da casa e a deixou entrar. Seu humor estava esplêndido.
– Então... Você estava fazendo o quê? – começou ela.
– Vendo o Mike tocar.
Pelo que Jenny conhecia sobre humanos do sexo masculino, quando eles dizem que estarão ou estavam com outros homens é por que estavam fofocando. Sempre se surpreendia quando pegava um rabo de conversa masculina. Ainda se surpreendia quando se lembrava que dizem que as mulheres são fofoqueiras e os homens não gostam de fofoca.
Mike estava no fundo da sala, sentado atrás do teclado.
– E eu ia preparar algo para comer. Com licença.
“Essa foi rápida!” Pensou Jenny. Paul se retirou da sala deixando-os sozinhos.
– Então... O que estava fazendo? – arriscou Jenny.
– Utilizando isso daqui. – ele passou os dedos pelas teclas à sua frente.
Ela puxou um pouco de ar e estendeu um sorriso aproximando-se um pouco.
– Que música você estava tocando? – Perguntou ela, se é que era preciso.
– Uma meio antiga. – Ele lhe retribuiu o sorriso.
– Qual?
– Eu acho que é uma que você gosta.
– Uau, estou impressionada! – Ela começou a rir — É uma música do Linkin Park e eu gosto! Ok, vamos começar pelas que eu não gosto. Hmm... Você quer que eu minta?
– Está bem, eu me expressei mal. É a sua preferida, melhorou?
– É, agora está melhor! Você estava tocando In The End, acertei?
– Iria me surpreender se você não tivesse acertado.
Jenny se aproximou de Mike, até ficar do outro lado do teclado, de frente para ele.
– Foi o Paul que te contou, não foi? Que é dessa música que eu gosto?
– É, pode-se dizer que sim. – Mike a olhou por um instante, um brilho perpassando seus olhos e, então a idéia lhe ocorreu — Quer que eu a ensine a tocar?
Ela pensou por um momento, meio receosa do que ele queria, mas resolveu aceitar a proposta. “É pelo bem da humanidade”. Jennifer se sentou atrás do teclado, então Mike se curvou sobre ela para ajeitar suas mãos. Ela deu um pequeno sorriso pelo canto da boca, pois sabia que aquilo era só desculpa. Ele acabou, afinal, tocando sozinho, mas sem deixá-la esquecida que ainda seus braços estavam ao seu redor.
– Demais. – Sorriu ela depois dele cantar o refrão.
Jenny se virou para Mike e, notou que ele estava um pouco perto demais. Ele a olhava nos olhos e se aproximava cada vez mais dela. Ela podia sentir a sua respiração vacilar e seus lábios pertos dos dela, desejando-os intensamente quando...
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