No Fim
20 A primeira briga a gente nunca esquece
Jenny entrara pela manhã no hotel onde Mike estava. Entrou no quarto em que ele dormia e, sem fazer um ruído sequer, sentou-se atrás dele e foi até seu ouvido.
– Mike. Mike, acorde!
Mike gemeu e virou-se. Abriu um pouco os olhos e resmungou:
– Oi – disse ele meio grogue – Você passou a noite aqui?
Será que ele estava pensando que era um sonho?
– Não. Você sabe que não. – Jenny respondeu deitando-se e apoiando a cabeça na mão – Você vai perder o café.
–Não quero. – gemeu apoiando o braço na cintura de Jenny.
Com os olhos ainda fechados, percorreu a cintura dela, passando pelos braços e pelo rosto. De repente ele arregalou os olhos e, com um grito, rolou o corpo e caiu da cama.
– Adoro quando isso acontece. – riu Jenny.
Ela se levantou e deu a volta na cama até Mike.
– Você se machucou?
– Não.
Jenny olhava para onde Mike estava no chão, tentando descobrir como quem era Mike e quem era o cobertor, até que seus olhos se abriram levemente e ela assobiou.
– Engraçadinha. – ele se levantou e puxou um travesseiro para cobrir o corpo.
Estava só de boxer, mas, Jenny era jovem demais para qualquer tipo de insinuação da parte dele. O rubor começava a aparecer em sua face. Como foi que ele deixou isso acontecer? Para começar, como foi que ela entrou em seu quarto se ele estava trancado?
– Vergonha? Por quê? – Jenny disse com um sorriso no canto dos lábios.
– Há-há. Será que você poderia sair para eu me vestir?
– Qual é? Você está de cueca e não nu!
– Por favor?
Jenny se aproximou dele e colocou as mãos nas laterais do travesseiro. Será que jovem desse jeito ela era tão pervertida assim como parecia? Ela puxou o travesseiro com certa delicadeza, trazendo Mike junto para si, já que ele, por mais que quisesse jogar aquele travesseiro longe, não o soltou.
– Percebeu uma coisa? – ela sussurrou, seu rosto a centímetros do dele.
– O quê? – ele sussurrou de volta.
– Esta, finalmente, é uma das poucas horas que passamos juntos, sem ninguém por perto.
É ela poderia sim estar pensando naquilo que ele queria evitar. Mas, se ela começasse... Não, não poderia permitir isso.
– No que você está pensando?
– Será que eu posso...
Jenny ficou na ponta dos pés, Mike curvou-se e beijou-a. Uma das mãos de Mike subiu para a nuca de Jenny e, ela desceu uma de suas mãos para o travesseiro entre eles. Eles balançaram repentinamente e Mike afastou-se com delicadeza de Jenny, que encarava a parede atrás dele, mordendo o lábio inferior.
– Você pensou mesmo que, poderia se livrar tão fácil assim do meu protetor? – ele brincou.
Ela tinha tentado se livrar do travesseiro para ele enquanto o beijava. Tinha usado certa força, mas, ele não tinha sido tão tolo a ponto de cair nessa. Jenny corou, e virou-se para encará-lo. Ela ainda mantinha a mão em uma das pontas do objeto.
– Eu posso! – ela afirmou.
– Não, não pode.
Ela recuou iniciando um cabo de guerra com o travesseiro entre eles. Para Mike, era surpreendente a força que Jenny tinha, para uma garota. Ela deu um puxão que o levou a cair na lateral da cama. Ele recusava-se a soltar o objeto, fazendo o mesmo que ela havia feito para ele ceder. Puxou com mais força do que queria fazendo Jenny perdeu o equilíbrio e caiu ao seu lado.
– Qual é a sua relação com esse travesseiro que é tão importante assim? – disse Jenny, fingindo estar magoada.
– Ele é importante para continuar mantendo sua inocência. – riu Mike.
– Você tem certeza de que eu sou tão inocente quanto você acha?
Ele olhou-a pelo canto dos olhos, fazendo-a soltar um grande sorriso. Jenny rolou para cima dele mantendo o travesseiro entre ambos.
– Quer mudar de opinião? – ela murmurou – Você ainda tem tempo para isso, sabe?
Mike a tomou pela cintura e rolou para cima de Jenny, dizendo:
– Eu não vou mudar nada, por que eu quero você assim, inocente.
– O que eu vou ter que fazer para você entender que eu não sou a santinha bem comportada?
Ele riu.
– Bem, eu acho que nada. Olha só aonde viemos parar por sua causa!
– Em outra cidade? — a expressão que ela mantinha era de estar confusa.
– E depois você diz que não é inocente.
Mike beijou-a, e ela tentou em um ultimo gesto de desespero tirar o travesseiro. Para surpresa de Jenny, dessa vez Mike não tentou impedi-la, e o travesseiro atravessou o quarto, caindo aos pés de Joe, junto à porta semi-aberta.
Mike levantou Jenny junto a si e a pousou no meio da cama. Joe pigarreou alto, fazendo-os se sobressaltarem. Mike ficou instantaneamente em pé e Jenny virou o rosto para o lado oposto do quarto.
– Você vai perder o café. – avisou Joe um tanto sério.
– Eu disse. – lembrou Jenny para Mike, que tentava falar.
– Será que você pode...
– Você já acorda assim, é?
– Se você não se importa eu quero me vestir.
– Tem certeza que o que você quer não é tirar a roupa dela?
– Joe, se não se importa...
– Tô indo.
Ao se virar para fechar a porta, Joe fulminou Jenny com os olhos. Ela sentou-se e olhava da porta para Mike.
– Er... Eu acho que eu vou também.
– Eu acho que não.
– Eu vou te dar o espaço que quer para se vestir. – ela ficou em pé.
– Vai por mim, você não vai querer sair com eles lá fora, prontos para não perder a chance de te zuar.
– Mas e você?
– Eu vou me virar ali no banheiro, ok?
Ele pegou a mala e rumou para o banheiro. Jenny ficou sentada na cama. Pegou o controle da televisão que encontrou no criado mudo ao lado e ficou trocando os canais lentamente. Mike perguntou, com a voz abafada, de dentro do banheiro:
– Posso perguntar se você veio aqui para me dizer alguma coisa?
– Pode. Eu vim dizer que eu consegui acertar tudo com o DP e que eu já posso voltar para minha casa.
– O que aconteceu?
– Consegui a proteção de um familiar, que vai me levar de volta.
– Proteção?
– Eu sou meia que puxa-saco, entende?
– Oh.
Ele saiu do banheiro secando o cabelo com a toalha.
– Você quer usar o banheiro?
Depois do que aconteceu, Jenny ficou um tanto desarrumada, e foi para o banheiro se apossar do espelho.
Ao saírem do quarto, não havia ninguém do corredor do hotel. Mike passara a mão pelos ombros de Jenny e foram ate a recepção, que tinha a porta que dava acesso para a sala onde acontecia o café da manha. Jenny percebeu os olhares duros que os amigos de Mike lançavam para eles quando os viram.
– Me desculpe por eles. — falou Mike.
– Não foi nada. Eu volto aqui depois. — ela se despediu com um selinho no moreno.
Saiu apressada do local. Ele foi para a mesa onde os olhares haviam sido substituídos pelo bom — humor.
– Você ainda está com fome? –perguntou Joe – Não comeu o suficiente logo quando acordou?
– Você é realmente engraçado. – cortou Mike, seco.
– Posso te fazer uma pergunta? – perguntou Chester.
– Não.
Chester o ignorou e continuou falando.
– Porque você não tranca a porta do quarto quando está tão ocupado, como hoje de manhã.
– Eu não fiz e nem ia fazer nada com ela, ok? Era apenas uma brincadeira inocente.
– As brincadeiras inocentes mudaram muito, pelo visto.
– Uh, já sei. – Riu Dave – Era aquela velha e inocente brincadeira de paciente e medico, não é?
– Qual é o seu problema? – Mike levantou-se furioso com os amigos – Eu não ia fazer nada que a idade dela não permitisse.
Ele se retirou, sem comer nada, para a recepção. O recepcionista seguiu-o e o cutucou. Mike virou-se, o homem empurrou um envelope em suas mãos, virou-se e foi embora. Mike o abriu ali mesmo, dentro havia um bilhete escrito:
“De alguém que não quer que você seja enganado”
Junto do bilhete havia fotos, que fizeram seu queixo cair. Enquanto passava as fotos, sentiu uma dor muito forte em seu coração. A falta de ar e de palavras não o incomodaram, por que o que realmente o incomodava era o que ele estava vendo ali, naquelas fotos. Nunca em sua vida sentiu algo tão forte como sentia agora.
Uma lagrima caiu dos olhos de Mike sem que este percebesse e, se retirou tremendo para seu quarto.
# 17 de Outubro, 9:31 AM #
Jenny caminhava pelos corredores do hotel cantarolando baixo. Parou em frente à porta do quarto de Mike e deu três leves batidos.
– Saia daqui! – gritou Mike de dentro do quarto.
Jenny sentiu seu coração gelar. Reuniu coragem, girou a maçaneta e entrou no quarto. Mike estava sentado na ponta da cama, de costas para ela.
– Oi. Está tudo bem, Mike? – arriscou, preocupada.
Sua voz falhou prevendo uma confusão. Estava até tremendo.
– Está.
– Eu vim me despedir...
– Adeus!
Jenny deu alguns passos em direção a cama.
– Mike, o que acont...
Estava explicado. A explicação estava sobre a mesa perto da porta. Fotos daquele dia em que Chester lhe levou para “conversar” na garagem do hotel. Tudo estava armado para parecer o que tinha que parecer. Traição.
O modo em que Jenny havia ficado na parede, prensada pelo corpo daquele se denominava amigo de Mike. Só havia um problema naquilo tudo. O rosto de Chester não aparecia em nenhuma das fotos. Ela pegou as fotos e passou-as desesperadamente tentando encontrar alguma que mostrasse o que realmente aconteceu: ela era a vitima e não a vilã.
– Ah, você encontrou! – disse Mike.
Ela se virou para vê-lo, seu rosto estava tão vermelho e molhado.
– Eu posso explicar...
– Explicar o quê? Que você não queria me fazer de idiota? É isso?
– Não! – o sangue pulsava rápido em suas veias.
– Então o quê? – gritou Mike – O que ele tinha de tão interessante assim? Se você não gostava de mim, custava falar na minha cara?
– EU NÃO QUERIA! – o desespero tinha caído sobre ela, não sabia direito como agir.
– Porque você ficou comigo? Achou legal ficar com um famoso, não é? Para você ter seus 15 minutos de fama também?
– NÃO. Eu odeio câmeras e eu não queria ficar com aquele cara!
– QUEM é aquele cara?
– EU-NÃO-SEI! – Jenny sentia-se posta contra a parede, ele estava fazendo perguntas demais. Conseguiu apenas manter a cabeça no lugar para não trair o amigo dele.
– Então?
– Ele me chamou para conversar e, me agarrou! Eu não conseguia me soltar!
– Você não estava presa.
– Caso você não tenha notado... Ele me colocou contra a parede. Eu não conseguia empurrar!
– Tanto que não conseguia para de gostar quando ele lhe beijava o pescoço, não é?
– Eu não gostei!
– A foto diz outra coisa!
Ela olhou para as fotos ainda em suas mãos. A pessoa as batera no momento em que piscara, fazendo seus olhos saírem fechados. Estava claro, ali, que ela tinha gostado.
– Não vai falar nada? Não deu para abaixar a perna?
– Se você não quer parar e me escutar... PORQUE EU VOU TENTAR FALAR?
– Você achou mesmo que eu iria acreditar nessa sua historia?
– Você não confia em mim?
– Depois de ver essas fotos, Jenny, porque confiaria?
Jenny sentiu uma pontada em seu peito e o ar lhe faltar. Viu que estava prestes a chorar e, saiu do quarto às pressas. No corredor, a banda e Paul vinham em sua direção. Sem pensar, Jenny parou na frente de Chester, impedindo-o de continuar a andar.
– Que foi?
Ela o empurrou e dois caras a agarraram pelos braços, ela não estava prestando atenção para saber quem.
– Você está louca? – disse Chester endireitando-se – Ou o Mike terminou com você?
Os enfeites das paredes e os vasos de plantas ao redor deles, começaram a tremer. Todos olharam assustados ao redor.
– A soltem.
Chester finalmente se lembrara do que ela era capaz e quem quer que estivesse a segurando a soltou de imediato.Por alguns segundos eles se encararam e Jenny marcou mentalmente a sua vingança, que não iria ser tão leve assim. Deu-lhe as costas e foi embora a passos firmes.
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