Notas iniciais
Espero que gostem, que perdoem os erros de ortografia se por acaso encontrar também D: Desculpem o sumiço.

Se eu olhasse para trás não seria mais possível ver nem rastros da bicicleta, e mesmo se eu pudesse, eu não poderia pedir para voltar, por mais que tudo em mim implorasse para isso. Adiante, um imenso portão se mantinha fechado e nenhum sinal de ao menos uma campainha, um sino, ou seja lá o que fosse que tinha aqui. Segurei as barras e estiquei o pescoço. O que não fez nenhuma diferença com essa minha altura. O jardim que se estendia deserto ate o casarão era tão grande que duvidava muito que se eu gritasse alguém lá dentro pudesse ouvir.

Dei alguns passos para trás e olhei da grade para o muro. Na grade continha barras de ferro em formas horizontais enquanto o muro, feito de pedras redondas eram muito fáceis de manter equilíbrio numa subida.

— Bem... Não seria tão difícil escalar isso. – Murmurei baixinho para mim mesma. MAS. Eu não podia me redimir de um delito cometendo outro delito, não é mesmo?

Isso é ridículo. – Pensei deixando meus ombros desabarem em derrota e voltei a me aproximar do portão.

— Olá! – Gritei.

Ninguém. Nenhum sinal de vida. Varri o local de novo com a visão. Tinha que haver algo, isso não era possível! Comecei a olhar para cima a procura de algum tipo de câmera. Claro que tinha que ter uma numa casa cheia de pessoas doidas, e acertei. Em cima do muro, um pouco distante, escondida por folhas de uma árvore próxima. Me aproximei e comecei acenar.

— Hey! – Falei e joguei os braços para cima e pulei como se fosse uma idiota. Olhei ao redor para ver se alguém poderia estar olhando, mas a rua continuava tão vazia quanto quando cheguei. Se bem que, isso deve ser uma cena muito comum se for parar pra pensar onde eu me encontrava.

Dez minutos se passaram e já conseguia sentir meu temperamento ir pelos ares. Quer saber? Foda-se isso. Segurei firme na primeira pedra que consegui alcançar e comecei a suspender o corpo ao mesmo tempo em que pensava como ninguém escapava daqui se eles facilitavam tanto? Olhei mais uma vez para trás lembrando a mim mesma que inconvenientemente havia escolhido um vestido de flores azuis até os joelhos. Na verdade, Matha tinha escolhido falando que isso me daria “ar de boa moça”. Belo conceito de que boa moça seria definido pelo o que veste quando hoje em dia até bandido usa Giorgio Armani.

Bom. Que boa moça eu demonstrava ser, não é mesmo?

O topo se localizava relativamente próximo, comecei a sorrir de satisfação, embora ele tenha se desfeito no segundo que uma voz atrás de mim soou muito estressada:

— Hey! O que diabos pensa que está fazendo?! – Gritou.

Tentei olhar para trás.

— Ah... Entrar? – Consegui responder com as bochechas queimando.

E isso só pareceu irritar ainda mais o dono da voz que respondeu com pequenos xingamentos, porém, apenas uma das coisas chamou relativamente minha atenção:

— Eu vou chamar a policia!

No mesmo instante meu estomago embrulhou e quase me desequilibrei.

— Hey, Calma! Tome cuidado! – Alertou, de repente apreensivo de preocupação.

— Por favor! – Consegui dizer. – Não chame a policia, eu não estou tentando invadir, eu... – Branco. Claro que era invasão, só não era uma invasão com um péssimo proposito como costuma ser... Normalmente. – Meu nome é June, eu tenho que cumprir trabalho voluntário aqui, mas não achei ninguém!

Pude sentir o olhar desconfiado em minhas costas e só o que pude fazer foi uma pequena oração para quem pudesse ouvir. Eu não merecia me ferrar mais do que isso.

*****

— Não avisaram nada para mim. – Me Informou completamente descrente, seu rosto desceu e subiu me avaliando.

— Olha. Eu não entendo como isso funcionaria... – Meu tom aborrecido me pegou desprevenida e torci para que não tenha notado.

Só faltava ficar na defensiva com minha típica ousadia e acabar não me ajudando. – Apenas disseram para eu estar aqui hoje às sete da manhã, e aqui eu estou, só que ninguém tá facilitando para mim.

Definitivamente não queria que isso tivesse soado com um choramingo, embora fosse de fato um.

Aparentemente o guarda, que se dizia chamar Rob, não dava indícios de que acreditava em mim. Mal conseguia ver seus olhos por baixo de suas sobrancelhas grossas demais e grandes demais e por pouco não se encontravam na linha do meio de sua testa. Encontrávamos dentro de sua cabine minúscula de paredes brancas, pouco decorada, mas até aconchegante – menos para os claustrofóbicos – a uma boa distância do portão de entrada, embora bem atrás de sua cabeça eu conseguisse ver claramente que a câmera da frente funcionava muito bem. Tive uma visão mais do que privilegiada onde fiquei pulando que nem uma palhaça. Me esforcei para não fechar o rosto.

— E você não viu a campainha? – Questionou friamente, ainda desconfiado.

Manter a calma. Manter a calma. – Repeti em minha cabeça meu atual mantra.

— Não. Eu não vi a campainha. – Sorri amigavelmente. – Eu sinto muito pelo o que aconteceu. Fazia quase uma hora que fiquei... Chamando atenção, do lado de fora.

Se minha voz falsa de gente meiga funcionou, não tive como saber, já que se virou de costas para mim. Pude notar que atrás de si não havia apenas um televisor mostrando a visão da câmera, mas como um telefone, computador, teclado e mais uma caixa cheia de botões do qual eu não entendia o que podia ser e... Um porta-retrato de uma mulher loira sorrindo gentilmente para a câmera. Algumas mechas se meteram na frente bem na hora, entretanto não parecia que a incomodou.

— É. Certamente chamou. – Disse sem se virar enquanto pegava o telefone e o mantinha na orelha.

Senti minha língua coçar contendo o impulso de perguntar por que ele não fazia o trabalho dele direito. Pouparia ele e a mim de todo esse maldito trabalho. Se tivesse onde deveria eu não me veria obrigada a parecer uma criminosa, mais do que já parecia na verdade.

Interrompi meus pensamentos no minuto que falou com a voz do outro lado da linha.

— Senhor? Ah sim. É. É ela. – Engraçado ver a voz fria ficar tão mansa tão abruptamente. – Sim. Tudo bem, eu peço para Mark leva-la ai. Sim... Tudo bem. – Desligou e virou para mim com olhar derrotado.

— Vou pedir pra um dos enfermeiros vir busca-la para leva-la a sala do Doutor. – Então aguarde apenas mais alguns minutos. – Sua voz suavizou, embora eu percebesse um toque da antiga frieza.

Maneei a cabeça em concordância, balançando automaticamente enquanto eu o esperava mais uma vez falar no telefone com o tal de Mark. Após colocar o telefone no gancho se pôs de pé no mesmo instante dizendo que tínhamos que esperar do lado de fora que o outro carinha estava vindo.

Parado ao meu lado, reparei se tratar de um homem grande e um pouco gordinho, talvez até mais alto que Cash que já chegava quase aos dois metros. O que não era algo notável visto de cima. O uniforme que vestia era verde cor de merda. Odiava essa cor. Como se reparasse que era eu agora que o analisava ele desviou o olhar que se mantinha a frente para a minha direção.

— Perdeu alguma coisa? – Perguntou secamente.

Dei de ombros. Queria ter respondido que havia perdido o cu na cara dele, mas achei melhor apenas ficar quieta e responder com mimicas. Balancei a cabeça negativamente e ao longe nós dois avistamos o tal de Mark parecendo com muita pressa a passos largos. Por instinto alisei meu vestido com receio que pudesse ter feito um buraco enquanto fazia a pequena aventura mais cedo.

Primeira observação: Mark era mais baixo que eu. Segunda observação: sua roupa que presumi que deveria ser branca impecável continha uma grande mancha quase da mesma cor que o uniforme de Rob, mas algo me dizia que isso não se tratava de uma estampa proposital. E outra coisa me dizia que eu deveria controlar a respiração enquanto eu andasse do seu lado. Minha nossa... Tenho que fazer um lembrete mental para vir com roupas descartáveis para cá.

Mark se curvou um pouco apoiando as mãos em seus joelhos e deu uma respirada pela boca bem barulhenta.

— Sinto muito se demorei. – Começou.

— Não demorou. – Respondeu Rob um pouco grosso antes que pudesse continuar com a desculpa. – Se apresse, ela já está bem atrasada.

Dei uma olhada para ele pelo canto do olho. Por culpa de quem?

— Você está horrível. – Continuou talvez se referindo a mancha horrível que eu também notara.. – Não pode mudar de blusa? Peça uma para Rosa.

— Bem... – Mark olhou para si mesmo parecendo notar aquele negocio só agora. – Pelo menos posso trocar de blusa. E você que tem que ficar com esse uniforme o dia todo? Não está melhor que eu, amigo. – Ele riu do próprio comentário e por pouco não faço o mesmo. Mark olhou para mim e sorriu. – Vem.

Tentei virar para me despedir de Rob, mas ele já tinha sido engolido pelo seu cubículo. Mark já tinha recomeçado a andar e corri para acompanhar seu passo.

*****

Foi uma caminhada mais tranquila do que imaginei, não sei se foi porque vim com meus sapatos confortáveis. — Tinha que me lembrar de ter cuidado com “acidentes”, eram meus sapatos favoritos também. Viemos em silencio. Diferente de Rob, Mark tinha uma aura inegavelmente diferente. Com um sorriso tatuado em seus lábios ele só faltava saltitar e cantar “The Sound of Music” com a voz da Julie Andrews. Imaginar aquela cena foi tão emocionante que quase virei e pedi para ele cantar. Ele até parecia com ela na Noviça Rebelde, com aqueles cabelos loiros curtos que doíam os olhos.

— Porque você está aqui? – Questionou assim que passamos pela porta principal. – Não que seja da minha conta, mas você não parece precisar de tratamento algum, moça.

O lugar obviamente não podia ser grande só por fora, por dentro se tornou muito maior. Por mais que eu não pudesse parar para ficar notando cada detalhe do lugar, o pouco que captei foi totalmente diferente do que imaginei. O chão era bem limpo feito de madeira reluzente. Os sapatos de Mark faziam barulho a cada passo. As paredes do hall eram brancas e bem mais a frente havia algo que parecia uma recepção, um balcão com duas mulheres sentadas atrás dele. As duas não pareciam ter idades tão distintas, na faixa dos 35 a 40. Mark as cumprimentou apenas com um “Voltei garotas”. Ambas nem levantaram a cabeça por isso acho que passei bem despercebida.

— Não “desse” tratamento. Obviamente de outro, sim. E é June. – Falei distraída.

— E você não é uma moça?

O mirei incrédula. Sério que ele tava de sacanagem comigo? Agora?

— Moço é o que não posso ser. – Respondi ironicamente.

Ele riu.

— Por que? Queria ser? – Me olhou convencido.

Bom, ao menos ele tinha senso de humor tanto quanto eu. Antes de chegarmos a uma enorme escada, passamos por muitas salas, a maioria se encontrava fechada. Uma ou outra pessoa que passava por nós falava com Mark ou o cumprimentando, pedindo alguma informação ou dando um aviso. Todas usavam o uniforme branco de enfermeiro, então ate ali nenhum paciente.

Chegando ao segundo andar entramos num corredor muito bem iluminado pelas janelas grandes – e gradeadas. Diferente do andar de baixo, as paredes desse andar tinham um tom claro de amarelo.

— Nunca pensaram em por um papel de parede nessas paredes? – Perguntei me submetendo a minha primeira curiosidade.

— Não. Alguns pacientes têm fobias, além de que muitos têm manias, Supondo que eu colocasse um papel de parede cheio de bolinhas, ou de flores. Não duvide que um ou outro vá passar o dia contando e recontando todas ou que fique o tempo todo gritando. – Informou Mark comumente como se fosse normal receber esse tipo de pergunta o tempo todo.

Naquele andar também havia portas, contudo, essas estavam abertas e dentro delas havia camas, como em um quarto de hotel, só que mais simples e básico. Sem pacientes.

— Chegamos. – Disse Mark tão inesperadamente que tomei um leve susto.

Olhando para frente, mais uma porta aberta, a diferença dela para as outras era que não havia cama, havia poltronas, um divã, livros. Milhões de livros como se fosse uma biblioteca em estantes de madeira escura. Um tapete bonito no chão, uma escrivaninha. E um homem de porte mediano, consideravelmente bonito atrás dessa mesma escrivaninha me olhando.

— Bem vinda, June.

Notas finais
Se gostou, eu ficaria muito feliz se pudesse deixar um comentário *-*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.