No Escuro
1 Capítulo 1
Notas iniciais
A lua cheia virou minguante
O suor secou
O seu cheiro saiu da minha pele
O beijo evaporou
As suas marcas se apagaram de mim
E eu não quero assim
A luz do sol invade pela fresta das cortinas que estão sendo delicadamente movidas pelo vento que corre pela janela, Neji se vira na cama procurando um calor que já não está mais lá. Toca o travesseiro ao seu lado e quase chega a se convencer que tudo o que passou na noite anterior na verdade era sua fantasia emergindo do seu subconsciente.
Flashes do ocorrido na noite passada o invade e ele custa acreditar que realmente foi verdade. Tenten esteve ali, com ele, na sua cama. Todas as vezes que isso acontecia sempre parecia ser parte de um delírio, o que de certa forma era. Tenten só se entregava nesses momentos, momentos onde a luz estava apagada e somente eles conseguiam ouvir suas vozes roucas embriagadas pelo prazer. Quando o sol nascia, Tenten já não estava mais lá e o dia decorria como se de fato beijos e carícias nunca houvessem sido trocados.
Neji se levanta pronto para tomar banho e encarar mais um dia na universidade. Colocou seu terno, ajeitou a camisa bem passada, separou seus papeis e os colocou na pasta e saiu de casa. Olhando-se no espelho do elevador do seu prédio podia ver as cenas dos corpos se agarrando ali mesmo naquele cubículo. O corpo de Tenten imprensado contra o vidro enquanto os lábios de Neji percorriam a pele morena do seu pescoço.
Resolveu que não se lembraria mais do ocorrido tendo em vista que não lhe faria bem, entrou no carro decidido a esquecer e deu a partida. Chegando na Universidade estacionou e logo quando estava saindo do carro lá estava ela. Encostada no seu carro a duas vagas de distância segurando dois copos térmicos de café, sorriu quando viu Neji e este se amaldiçoou pois imediatamente reparou nos lábios carnudos de Tenten e se visualizou os beijando.
As noites de sexo já não eram mais suficiente para ele, mas nada disse sobre isso além de pegar o café e acenar desejando bom dia enquanto Tenten discorria sobre algum fato interessante que queria acrescentar na sua aula de biologia molecular.
De você, só quero tudo
No claro e no escuro
A gente se acerta no escuro
Te vejo no escuro
Tenten não era de ferro nem nada, desejava Neji em todos os seus momentos, mas reprimia o desejo pensando que assim era melhor e somente assim poderia evitar se emaranhar no turbilhão de sentimentos que a dominavam. No início era somente sexo bem feito, mas agora sentia que não poderia se afastar dele, que se se permitisse ficar um pouco mais na cama ao seu lado que nunca mais sairia de lá. Tenten tinha uma coleção de relações fracassadas que refletiam sobre suas ações com Neji, seu colega de trabalho e um dos seus amigos mais antigos.
Sendo primo da sua melhor amiga, sempre o evitou mas numa bela festa que a Universidade estava dando aos formandos daquele ano eles se embebedaram e quando deram por si estavam dentro de um banheiro trancado se beijando e arrancando suas roupas, coisa que se tornou um hábito sempre que Tenten procurava sua companhia de forma mais intima.
Mas agora, quando as noites de sexo não eram mais somente isso, mas que viam acompanhadas de conversas e sussurros pela noite, estava se tornando difícil não se deixar levar por aquela áurea de segurança e leveza. Mas como sempre, Tenten preferia encontrá-lo no escuro da noite do que enfrentar seus sentimentos a luz do dia, por isso só o entregava seu café expresso bem forte e sorria como se os momentos da noite anterior não lhe invadissem.
Me devolve o aperto do abraço
Que me libertou
Te devolve pra mim e eu me encaixo
No seu tom
Quero morar naquele tempo sem fim
E eu só quero assim
Foram convidados para jantar com Hinata e um grupo de amigos onde haveria massas e vinhos, onde poderiam ser descontraídos e aproveitar a presença um do outro em meio a um turbilhão de pessoas que estavam a sua volta, mas não eram realmente notadas. Era uma troca de olhares entre os castanhos e os perolados, olhares que observavam atentamente ações, gestos e sorrisos mal contidos.
Quando a noite foi encerrada e os dois caminhavam pela rua deserta até o apartamento da morena nada era dito, apenas carregavam um vinho fechado que havia sobrado. Chegando na portaria Tenten o convidou para entrar e Neji prontamente aceitou pensando que não teria que trabalhar tão cedo amanhã pois sua aula de direito penal havia sido adiada para às dez da manhã.
Subiram as escadas no silêncio que era somente quebrado pelos sons dos passos, a chave foi colocada na porta e eles entraram no apartamento aconchegante de Tenten. Tiraram os sapatos e sentaram-se no sofá com a garrafa de vinho entre eles e as taças de vinho nas mãos, as palavras simplesmente vinham e a conversa fluía noite a dentro naquela sala onde havia somente uma meia luz para iluminá-los e dá-los o vislumbre do rosto um do outro.
De você, só quero tudo
No claro e no escuro
A gente se acerta no escuro
Te vejo no escuro
Ao acordar, Neji reparou que ainda se encontrava no sofá de Tenten e também reparou que havia um peso sobre o seu corpo que antes não se lembrava que alguma vez estivesse tão perto àquela hora da manhã. Observou a morena deitada em seu peito, reparando em como sua respiração lenta se misturava com a dele e em como ela parecia se sentir confortável deitada daquela forma.
Recordou-se da madrugada quando deixou a taça de vinho no chão e se aproximou aos poucos de Tenten, colocando a mão em seu rosto e o acariciando como sempre quisera fazer. Passou a mão pelos cabelos que estavam presos por um coque e os soltou para que caíssem em cascatas castanhas que passaram emoldurar o belo rosto da morena.
Tenten o observava atentamente absorvendo suas ações, se sentindo amada a cada toque que Neji lhe dava. Seja lhe acariciando lentamente a bochecha com o polegar ou passando os dedos por entre os fios castanhos dela, tudo isso parecia prosa ao seu olhar. Neji se aproximou um pouco mais, a beijando no canto dos lábios, depois a bochecha, o nariz e se afastou apenas um pouco para observá-la e ver que ela o olhava com a mesma intensidade.
Tenten levou sua pequena mão até o rosto másculo de Neji e contornou seus traços com as pontas dos dedos, absorvendo cada detalhe, verificando cada marca, ruga e sinal que encontrava na sua pele. Acariciou o cabelo de Neji até suas pontas e depois deixou que a mão repousasse sobre o peito dele onde seu coração batia mais forte. Batia por ela.
Enfim, Neji a beijou. Não como havia a beijado antes nos seus momentos íntimos no sexo, agora a beijava como se nunca houvesse feito isso alguma vez. A beijava com ternura, carinho e esperava que estivesse transmitindo tudo isso à Tenten que o retribuía da mesma forma.
Ao final, as roupas não se encontravam no chão, mas sim em seus corpos e apenas se deitaram no sofá enquanto ainda trocavam carícias e conversavam até que o sono os domou e acabaram adormecidos nos braços um do outro.
Todo dia eu me transporto
Pro amassado do lençol
Que me desconfigurou
E me consertou
Tenten ao acordar reparou que havia feito algo que nunca antes se permitira fazer: acordar depois de Neji. Sentiu o calor dele debaixo do seu corpo e olhou para cima apenas para ver os perolados a olhando de volta. Sorriu para ele e se sentou, esperando que ele a imitasse, o que foi que ocorreu. Tenten lhe chamou para tomar um café da manhã que foi prontamente aceito por Neji que já se levantou caminhando até a cozinha.
Tomaram café em um silêncio acolhedor um de frente para o outro com apenas a mesa e as torradas em cima dela os separando. Toda vez que trocavam olhares sentiam a pele arrepiar, a nova intimidade da noite anterior lhe parecia delicada. Quando Neji informou que talvez fosse melhor ir embora, Tenten apenas concordou dizendo que o encontraria depois na Universidade.
Neji se aproximou lhe dando um beijo no topo da cabeça antes de se encaminhar para a porta, ato que foi interrompido quando Tenten segurou sua camisa. Ele olhou por cima do ombro esperando uma explicação que não veio. Ela apenas se levantou, enlaçou a cintura de Neji em seus braços e escondeu o rosto nas costas largas do homem. Ficaram desse jeito até Neji se virar e a abraçar apropriadamente, apertando o corpo pequeno contra o seu.
Tenten levantou a cabeça o olhando com ternura e tentando entender todas as sensações que estavam a percorrendo conforme as ações de Neji. Ele a beijou novamente, passou as mãos pelos cabelos bagunçados dela e respirou fundo sentindo o perfume de Tenten o invadir por completo, o preenchendo.
Aos poucos o beijo foi sendo intensificado conforme mãos passavam pelo corpo um do outro, desejando retirar as roupas que impediam o contato pele a pele. A camisa de botão de Neji foi jogada para um lado enquanto a saia de Tenten foi jogada para o outro, e assim, aos poucos foram se despindo e caminhando para o quarto onde pela primeira vez não fizeram somente sexo, mas fizeram amor.
No claro e no escuro
A gente se acerta no escuro
Te vejo no escuro
Te vejo no escuro
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