No Escape
2 Capítulo 2
Notas iniciais
*Tiririri Tiririri Tiririri*
- Merda… Que se foda essa porcaria, que venha alguém mais a apagá-lo, eu ainda não vou me levantar.
(Minutos depois)
- France?... France!... Acorde; já esta demorada.
- Sim, tô indo...
- Voe
- Outro maldito dia... – Diz em sussurros – Quando putas vão acabar?
Fui tomar banho porque a tardança era séria e odeio impontualidade. Tento sempre de chegar cedo.
Fui-me desvestindo e maldizendo cada parte de mim. Meu cabelo, uma merda, por que não só é lindo e fica no seu lugar? Minha face dá dó, sardenta, com espinhas, olhos inchados e com olheiras de tanto chorar, a boca nem falar, não serve pra nada, as orelhas feias. Ao invés de muitas meninas, eu odeio meus seios por ser grandes, se tivesse dinheiro ia e me desfazia deles, além me lembram de que sou mulher e isso me faz odiá-los ainda mais. Minha barriga não ajuda em nada, pareço um elefante que comeu um hipopótamo que comeu uma vaca. Minhas mãos tampouco são de ajuda, a única coisa que fazem é escrever tudo o que não consigo dizer e ainda assim não servem de nada e nem conseguem fazer algo bem. Minhas pernas são gordas, muito gordas. Se de estatura estamos falando pareço um duende. Minha cabeça não me serve mais que para me torturar, me dar pensamentos que não posso realizar porque sou uma cobarde, uma inútil. Em conjunto é ainda pior... Tão só sou uma escória da vida.
- Merda já é tarde demais. Sim, segue chorando... Maldita... Segue a ver se assim desapareces do mundo. Estúpida infeliz.
Desci as escadas e foi o mesmo de sempre; vesti meu uniforme de colégio e não me deu tempo pra tomar café da manhã, por isso que estou tão gorda.
- Fran toma o café da manhã, seu pai a leva à estação de ônibus.
- Obrigada mas não mãe, logo é ele que fica atrasado e sem tomar seu café da manhã delicioso que você faz, melhor não. Vou indo.
- Ai minha filha, mas leve isso que está na mesa com você. – Minha mãe é uma pessoa super fofa; já havia feito um lanche incluindo um sanduíche, biscoitos e suco. Ela, com certeza, não merece ter alguém como eu, uma baixura que não serve para nada mais que para vegetar e estorvar.
- Até mamãe, obrigada... Até papai
- Até meu céu, vai com Deus.
- Ah é... – Na verdade eu não acredito nem em deus nem em nada disso.
- Até Fran – Escutei meus irmãos em coro.
- Até Pam, até Leo
- Que horas sai hoje? – Perguntou meu pai
- Às 16h, por quê?
- Não, por nada. Vai lá, se cuida.
E ali ia eu, caminho a uma tortura mais, a quebrar mais minha vida se é que tenho uma. Pronto cheguei na estação de ônibus e subi, ao pouco tempo chegou minha amiga.
- Olá.
- Olá
- Não há nada pra hoje certo?
- Não
- Ok
Logo disso cada uma ficou em seu mundo e em um momento já estávamos no colégio.
- Sempre me dá sonho quando chegamos, é como que me dá enquanto a gente vai chegando – diz com uma mistura de riso e frustração.
- Eu achava que só acontecia comigo – me respondeu rindo também – Fran, por fim Fernanda o que?
- Nem sei nem me interesso
- Mas a puta anda se fazendo de vítima e tudo, não a tem visto?
- É...
Sete AM Matemática, 08h25min Biologia, 09h55min Física, 11h50min História, 13h15min Química, 14h40min Literatura, 15h20min Espanhol e assim foi se passando o dia... Normal comum e corrente como todos os demais. Ri sem parar quando estava com meus amigos e acho que o teatro é minha coisa, até parece que sou boa atriz porque à data ninguém suspeita de nada e ao invés disso, acham que tenho uma vida perfeitamente bem feita.
O dia ao fim acabou. Já podia voltar pra casa, mas tinha a ideia de que a rotina ia mudar um pouco hoje...
Ia caminho a casa quando se me ocorreu sair a caminhar. Sinceramente me encanta sair a caminhar sem rumo por ali, mas não o fazia porque as ruas estavam sempre lotadas de gente só que hoje a ideia foi séria então decidi ir e deixar minha mochila e livros em casa e também pra mudar de roupas. Sai e não havia tanta gente ainda. Senti uma estranha felicidade, não sabia por que, mas me agradava ao mesmo tempo em que me molestava. Havia passado muito tempo desde a última vez que fui feliz que já estava acostumada com meu estado seco, frio e inexpressivo. Com o tempo logrei usá-lo a meu favor, mas assim como me afastava de gente que não me dou bem com, me distanciava das pessoas que sim me importavam. Igualmente não me di muita importância com isso pois o que queria era me isolar de tudo, ficar sozinha, me esconder e que se esqueçam de minha existência.
Notas finais
O que acharam gente? devo mudar algo? tá ficando pior? melhorou? Me contem e deixem reviews pra melhorar por favor :)
Obrigada mesmo :3
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