No Distance Left to Run
2 Innocent
Notas iniciais
Suas mãos gélidas viajam por meu corpo, é bom, inexplicavelmente bom, mas não demonstro, sei que você não se importa. Viajando para o sul, cavando cada vez mais fundo sem chegar a lugar algum. O prazer físico é tudo o que posso ter de você, é tudo o que você quer de mim, é o que oferecemos um ao outro, porém, para mim, nunca parece ser o suficiente. Em segredo, por de atrás da minha atuação, eu quero me afogar em você, explodir, desaparecer...
Aonde você quer chegar?
Você continua como uma criança teimosa, me provocando e me testando, tentando tirar reações que eu mantenho estreitamente sob controle. O que está dentro de mim é tudo o que você não quer, é tudo o que você evita, então por que a insistência? Eu continuo com minha pose impessoal — quase profissional — em relação a nossa “relação”, mas ela está sendo cada vez mais difícil de manter.
Eu assisto seu corpo em movimento e você parece tão mais distante do que realmente está, seu calor parece algo tão remoto, longínquo. Sei que não há sentimentos em seus movimentos, não há sentimentos por trás de todos os “Eu te amo” que você me confessa nos momentos de prazer. Você é feito de mãos frias, lábios suaves e um coração criptografado... Um perfeito mistério.
Quem é você?
O que você sente?
Você sente?
Tudo parece tão cruel, porque não posso simplesmente superar esse medo? O medo que corroí que suga o tempo que eu poderia ter com você. E o que me sobra dessa covardia é esse sentimento carregado, como entulho atolado dentro do meu coração e aquela fraqueza vinda lá dos ossos que me desmotiva ainda mais.
Meu receio me limita
Mas ele é minha certeza
Não há nada em você, isso é certo. Você é praticamente um corpo vazio de sentimentos, por isso sou vazio com você; escondo meu amor atrás de uma armadura. Eu sou você, uma reflexão num espelho... Ou pelo menos tento ser.
Minha guerra e sua aparente paz, minha preocupação e sua indiferença, meus questionamentos e suas certezas.
“Nós nunca fizemos isso.” Eu digo.
Você não responde, não precisa, sua expressão já diz tudo, já é a resposta de tudo. Você não se importa, tudo o que fazemos não significa nada para você. Você é o duro, frio e ácido Sherlock Holmes e eu sou o sentimental, sensível e patético soldado, médico e blogueiro John Watson, o John Watson que se finge de forte para você, que tenta se equiparar à sua frieza.
“Nós vamos ficar bem, Sherlock.” Eu falo para mim mesmo, uma autoafirmação para acalmar meu desespero interno.
Sim
Nós vamos ficar bem
Mas nós nunca estamos.
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