No Dia do Seu Casamento
1 Não casa, não...
Notas iniciais
Anos atrás, antes de se separarem, eles haviam feito uma promessa um ao outro.
Uma promessa que nenhum dos dois tivera a intenção de descumprir.
Afinal, quando se é jovem e tem todo o tempo do mundo, tudo parece ser muito fácil... Mais fácil do que realmente é.
Hermione não havia realmente esquecido, mas milhas de distância a separava de seu príncipe encantado, e seu conto de fadas que se iniciara com seus catorze anos, no mesmo ano terminara.
A realidade sempre aparece como um choque, um balde de água fria que nos traz de volta ao que queremos e tentamos a todo custo ignorar.
Se já a haviam alertado que havia essa possibilidade?
Sim, o fizeram.
Ginny mesmo cansara de advertir Hermione das consequências de um casamento tão precipitado, quando ela e Ron eram tão jovens.
Mesmo amando Harry como ela amava, ela não planejava se casar com ele tão cedo, e achava que Hermione deveria fazer o mesmo.
Mas os horrores da guerra somados a tudo o que lhes havia acontecido na busca pelas horcruxes a deixara cega de paixão por Ron, mesmo que eles simplesmente não combinassem.
Faltava sal, faltava açúcar, faltava tempero... E isso todos percebiam com facilidade.
Porque Ron era muito pouco, e Hermione, ela era... Ela era muito.
Muito para ele.
Não em questão de beleza ou de dinheiro – já que ela, sendo uma nascida-trouxa, também não possuía quase nenhum.
Mas eles tinham visões diferentes sobre a vida.
E apesar do amadurecimento precoce de Ron Weasley perante os horrores da guerra, a transformação pela qual ele passara não fora suficiente para fazer dele o par perfeito de Hermione.
Nada seria.
Então, quando ela passou pelas barracas com Ginny ao seu lado naquela tarde ensolarada n’A Toca, ela já pressentia que o futuro não ocorreria conforme ela imaginava... Conforme ela esperava.
Esperava?
A agitação se dera em questão de segundos.
O pouso de uma vassoura, a materialização daquele homem no meio dos convidados...
Os olhares horrorizados dos convidados e a cara hostil que George fizera.
O ruivo sentiu o coração bater mais rápido e pesar, sabendo que a perdera, e que seria inútil lutar.
Pois quando os olhos de Hermione encontraram os de Viktor, na outra ponta do tapete branco estendido, não houve dúvidas – nem para eles, e nem para ninguém, por mais que custasse admitir para muitos naquele jardim.
Aflita, mas ainda assim decidida, ela olhou para Harry, e depois para Ronald, com o olhar de quem se desculpa.
E como se estivesse de volta aos seus catorze anos, como se os contos de fada fossem críveis novamente num maravilhoso sonho naquele enredo de pós-guerra, ela deixou que seu coração mandasse, e as pernas o obedeceram, levando-a direto para os braços do único homem que ela realmente amara um dia.
No silêncio da solidão, longe de todos após a corrida para abandonar às pressas o jardim d’A Toca, ela deveria estar preocupada... Culpada pelo que fizera a Ron, pelo que a família Weasley pensaria dela, mas não estava.
Nos braços de Viktor Krum, ela sorria. E ele lhe sorria de volta.
— Depois de tanto tempo? — ela perguntou, suspirando enquanto o encarava.
— Não sou um homem que quebrra prromessas, Herrmionini. Sabe disso.
E ela sabia.
Abraçando-o, deixou que tudo a sua volta desfalecesse — não importava.
— Eu tinha certeza de que você viria — sussurrou no pé do ouvido do amado.
E como era antes e seria sempre, eles se beijaram apaixonadamente.
Foi como se o tempo que perderam nunca tivesse passado.
Entre eles, tudo permanecera igual.
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