No Compasso Do Coração
1 One Shot
A parte fria e de metal do estetoscópio encostou-se a seu peito, verificando em busca de alguma anomalia, mais em baixo, em seu pulso precisamente, outro aparelho apertava seu braço medindo sua pressão. Ela já havia se acostumado a tudo aquilo então, para ela não era lá um problema muito grave. Já tinha se conformado de que não poderia viver sem aquelas visitas periódicas ao médico.
Lucy Heartfilia era uma garota de 16 anos, desde os 12 sofre de problemas do coração, nada muito sério contanto que tome os remédios cuidadosamente. O despertador tocou revelando que já era hora de se levantar, percebeu que tinha sonhado com o médico novamente. Levantou-se animada, diferente da maioria das pessoas não via problema nenhum em acordar cedo e ir para a escola, na verdade se sentia empolgada e ansiosa.
A loira foi até seu banheiro e tomou um banho rápido, no andar de baixo da casa, sua mãe sorriu lhe entregando os comprimidos, eram tantos e de tantas cores diferentes podiam até ser confundidos com Rocklets. Na mesa seu pai as observava, Jude era uma pessoa bastante rígida e esforçada, mas sempre tentava demonstrar o amor seja por sua filha, seja pela mãe dela.
Layla: Tem certeza que não quer faltar hoje? – Perguntou um tanto preocupada.
Lucy: Não se preocupe vai dar tudo certo.
Jude: Não vá se esforçar demais. – Falou bebendo chá.
Lucy sorriu e saiu, ela sabia que o seu coração era fraco, e que às vezes se tivesse emoções muito fortes poderia simplesmente parar. Essa era a parte de sua doença que mais odiava. Ela a privara de fazer o que sempre gostou: praticar esportes. O único que ainda podia praticar era natação, porem Lucy mesmo gostando de nadar nunca foi fã de natação, o esporte que mais amava era o basquete.
A escola sempre foi um lugar que gostava de frequentar, a loira era inteligente, nada muito espetacular, mas acima da média. Porem o motivo de ir a escola era outro. Esperou pacientemente que as aulas acabassem e foi para a quadra. Sempre ia até lá para ver o treino do clube de basquete, o treino era fechado, entretanto sua amiga Erza era a gerente do clube e deixava que ela fosse observar. Mas naquele dia ela não estava lá, havia gripado e faltado à escola. É claro que os garotos treinaram mesmo assim, não queriam ter de enfrentá-la no outro dia.
Lucy sentou se na primeira fileira. Os garotos já se dividiam em times para jogarem entre eles. Ela riu, Erza sempre fazia com que trenassem passes antes de jogarem, apesar de serem bons eles tinham uma mania feia de disputarem entre si. A sensação de observá-los mesmo que de longe era incrivelmente satisfatória para ela. Ver os corpos morenos do sol e suados pelo jogo correndo e disputando entre si, gostava de tudo até mesmo dos palavrões e ameaças que eles trocavam durante os treinos.
Porém nesse aconteceu algo inesperado, durante um drible errado a bola “pulou” da mão de um dos jogadores e voou de encontro com o rosto de Lucy que caiu no chão assustada.
Gray: Idiota olha o que fez. – Falou o moreno do time sem camisa.
Natsu: Isso é mau... Você ta bem?! – Ele gritou.
Lucy conhecia o os nomes de todos eles, desde os reservas sentados nos bancos até os titulares, sabia as táticas, quase tudo sobre o time, mas ninguém alem da Erza a conhecia, pelo menos era o que ela pensava. Colou a mão no coração temerosa que pudesse ocorrer algo. Ele estava agitado, mas logo se acalmou.
Gray: Cara... Você acertou o rosto da amiga da Erza. Ela vai te matar! – Falou assustando o garoto rosado pouco centímetros menor que ele.
Natsu: Ei Lucy. – Falou chegando perto da garota. – Você tá legal? – Lucy o olhou surpresa, como ele sabia seu nome?
Lucy: Estou bem. – Falou levantando.
Natsu: Tem certeza? – A garota já ia responder. – Vou levar ela na enfermaria, podem continuar sem mim.
Lucy: Não preci...
Ela nem se quer pode terminar de falar. O garoto pegou sua mão em foi a puxando relativamente rápido. Lucy se perguntava o porquê de tanta preocupação, mas no fundo se sentia feliz, mas a razão da felicidade? Nem ela sabia. Inconscientemente sorriu.
Olhou para as costas do garoto. Natsu Dragneel era uma completa incógnita para a loira e também de todos os jogadores o que mais ela admirava, ele estava sempre correndo, gritando e sorrindo. Não tinha vergonha de ser quem queria ser, a principal prova disso era seus cabelos castanhos que enquanto ainda estava no primeiro ano pintou de rosa e continua com essa cor até hoje no segundo.
Ao chegar à enfermaria, a enfermeira a fez passar pelo mesmo processo que sempre passava no médico. Porlyusica sabia de sua condição cardíaca, sentiu de novo o estetoscópio gelado em seu peito.
Natsu: Ela vai ficar bem? – Perguntou sentado no banco inquieto, mexia as pernas frequentemente.
Porlyusica: Você quer ficar quieto? Eu estou vendo. – Ela falou ouvindo o garoto bufar. Lucy riu de seu comportamento infantil.
Natsu: Não ria! – Falou vermelho.
Não tinha sido nada alem de uma pressão que subiu momentaneamente, não era a primeira vez que passara por isso, e com certeza não seria a ultima. É claro antes que pudesse levantar Natsu também fez sua própria deixando a garota um tanto sem graça.
Natsu: Ahh é eu esqueci de me desculpar. – Se curvou. – Me desculpe Lucy!
Lucy: Não tem problema. Não é pra tanto. – Falou sorrindo.
Natsu: Não, eu tenho que te compensar... – Fez uma pausa para pensar. – Já sei te pagarei um jantar em um restaurante chique!
Lucy: Olha... você realmente não pre...
Natsu: Te pego no sábado as oito. – Disse e simplesmente saiu. – É um encontro! – Disse por fim.
“É um encontro!” aquela frase remoia em sua cabeça, a deixando extremamente nervosa, e envergonhada. Nunca saiu com um menino em toda sua vida, na verdade essa foi a sua maior conversa com uma pessoa do sexo oposto. Sempre que saia era junto de Erza, Levy, Cana ou até mesmo sua vizinha de treze anos Wendy.
Ainda era terça-feira. Nos outros dias que iam se passando, Natsu sempre a cumprimentava quando a via. Quando ia aos treinos ele, Erza e seus amigos iam até ela e sustentavam longas conversas, no começo ela ficou um tanto sem graça, mas com o tempo se acostumou àquelas pessoas.
Sábado estava chegando e deixando ela cada vez mais nervosa. O que deveria dizer? O que deveria comer? Ohh Deus o que deveria vestir? Ela estava afogada em suas próprias dúvidas, tinha vergonha de perguntar a própria mãe. Perguntou a Erza por telefone, mas não foi de grande ajuda, já que a ruiva ficou mais perdida que a própria Lucy. Levy também não tinha ideia do que vestir já que nunca tinha ido a um encontro. Cana sugeriu algo muito vulgar. No final quem a ajudara a escolher sua roupa foi Wendy, não que a pequenina tivesse experiência ela apenas entendia de moda.
Ela já estava totalmente arrumada e agora esperava, eram oito em ponto. Oito e cinco, oito e dez. Será que havia desistido? Era o que ela pensava, segundos após esse pensamento a campanhinha tocou revelando o garoto.
Layla: Ohh é um garoto! – Ela falou sorrindo. – Lucy está crescendo! Qual o seu nome filho?
Jude: Crescendo? Quem deu permissão para ela crescer?
Natsu: Me chamo Natsu. – Disse sorrindo.
Começaram a bombardear o garoto com perguntas, que ele tentava responder, porém eram dois contra um. Lucy desceu as escadas e salvou o menino dos seus pais e saiu dizendo que voltava até às dez da noite.
Natsu: Lucy você esta linda. – Ele falou desviando o olhar.
Lucy: Obrigada! – Falou sentindo seu coração acelerar.
Natsu: Vamos. – Falou indo, Lucy o seguiu.
Eles iam em direção a um restaurante famoso e caro. A família da loira não era milionária, mas tinha boa condição financeira ia aquele lugar com frequência. Nervosa levou a mão até a manga do rosado a puxando levemente na tentativa de chamar sua atenção que foi bem sucedida.
Lucy: É um pedido de desculpas não é? – Perguntou, ele demorou um pouco e assentiu. – Por que não tomamos sorvete, eu já vim muitas vezes aqui?
Natsu: Serio que prefere? Tudo bem. – Falou tomando sua mão e a puxando. – Eu conheço um lugar.
Ele a levava através da multidão, desviando de todas as pessoas. Eram tantas pessoas e luzes. Lucy era mesmo uma pessoa caseira, toda aquela multidão de informações a assustava, mas ela não tinha medo, as mãos atadas a confortavam e faziam seu coração bater fortemente.
Logo chegaram a uma sorveteria que se chamava Fairy Tail, era um lugar tão lindo como o nome. Lucy se encantou com o lugar, era como uma casa de uma fada de verdade, e o sorvete era delicioso.
Na volta eles não foram de mãos dadas, mas foram um ao lado do outro com os braços frequentemente grudados. Param em um banco da praça. A loira ainda terminava o sorvete. Natsu foi até o canteiro e de lá retirou uma linda rosa, talvez a mais linda que a garota tenha visto. Ele colocou a flor no cabelo dela que ficou vermelha.
Natsu: Lucy, como pode ser tão fofa? – Falou passando a mão em seu rosto.
Lucy: E-eu n-não sei responder isso. – Estava vermelha, seu coração batia violentamente.
Natsu se aproximou devagar e roçou os seus lábios nos da garota. Foi o auge, o coração dela baita muito rápido, mais rápido do que ele podia aguentar. Viu sua visão embaçar e o rosto preocupado do rosado foi tudo que viu antes do pretume. Quando voltou a si estava em uma cama de hospital, com Natsu ao seu lado.
Natsu: Você me assustou! – Ele falou. – Seus pais estão conversando com o médico.
Lucy: Realmente não dá! – Disse com os olhos marejados.
Natsu: Lucy?
Lucy: Ficar perto de você é perigoso. – Ela falou em um tom mais elevado. – Meu coração bate tão forte que parece que vai explodir e...
Natsu: Não seja boba! Não é só com você! – Falou vermelho.
O rosado a abraçou, entre os braços dele Lucy pode sentir o batimento de Natsu, um coração perfeitamente saudável, que batia na mesma proporção que o seu.
Natsu: Eu gosto de você. – Falou juntando os lábios em um beijo. – Acho que é impossível não gostar.
Lucy: E-eu acho que.... eu também gosto de você! – Disse chorando, porem estava muito feliz.
Natsu sorriu tentando acalmá-la afinal tinha acabado de acordar. Lucy era realmente uma menina fofa e sincera, sua menina fofa e sincera.
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