Notas iniciais
Boa noite, meus caros leitores! Como vão vocês? Espero que esteja tudo indo bem com vocês. Mais um capítulo postado de "No Brilho Dos Seus Olhos". Espero que gostem da história assim como eu gostei de escrevê-la. Boa leitura à todos!

INT. APARTAMENTO DE PENNY – QUARTO/BANHEIRO – DIA

Sheldon entra no quarto de Penny com uma cesta para carregar roupas. O quarto de Penny está completamente desorganizado: roupas sujas e limpas misturadas sobre a cama, gaveta das cômodas e guarda-roupa abertos com as roupas limpas mal dobradas e desorganizadas, a cama ainda por fazer, além de mais roupas sujas espalhadas pelo chão. Ao contemplar essa visão, Sheldon balança a cabeça negativamente.

Dentro do banheiro, Penny já se banhava no chuveiro sobre a banheira, oculta atrás das cortinas de plástico.

Sheldon pega uma das calcinhas dela de cor vermelha que estava no chão com a ponta dos dedos e a ergue até a altura da cabeça. Ele olha para a peça de roupa íntima dela com uma expressão enojada.

SHELDON: — Penny?! — diz ele em voz alta para chamar sua atenção.

Penny puxa as cortinas do chuveiro o suficiente apenas para colocar a cabeça para fora.

PENNY: — Que foi, Sheldon?

SHELDON: — Tem roupas sujas suas misturadas com as limpas.

PENNY: — Eu sei. Me desculpa por isso.

SHELDON: — Quais roupas estão sujas e quais estão limpas?

PENNY: — Ah, Sheldon, descobre aí.

SHELDON: — E como eu vou saber diferenciar?

PENNY: — Dá uma fungada e sente o cheiro para saber.

Sheldon larga imediatamente a calcinha de Penny no chão de forma enojada. Ele sacode as mãos no ar de forma trêmula e agitada, como se quisesse se livrar de sujeiras impregnadas.

SHELDON: — Eu não vou cheirar essas suas calcinhas!

PENNY: — Qual é, Sheldon? — Ela estava a gargalhar. — Todo homem gosta ou tem um fetiche por cheirar uma calcinha de mulher.

SHELDON: — Homens sem noção, isso sim. Você sabia que devido ao calor e umidade, o canal vaginal de uma mulher pode ser o lar perfeito para milhões de microrganismos que além de causar mal cheiro, também podem acarretar em doenças e infecções?

PENNY: — Sério? Porque os homens adoram preencher nossas vaginas com... Você sabe.

Mesmo sem poder vê-la, Sheldon encarava-a por trás da porta com uma expressão reprovadora, sabendo que ela estava debochando dele.

SHELDON: — Eu estou falando sério, Penny.

PENNY: — Eu sei, mas não se preocupe. É por isso que nós, mulheres, vamos ao ginecologista várias vezes ao decorrer do ano.

SHELDON: — E quando foi a última vez que você foi ao seu ginecologista?

PENNY: — Há uns dois meses atrás.

SHELDON: — Dois meses?! — Ele se exalta assustado.

PENNY: — Ah, nem é tanto tempo assim, Sheldon. Quer saber, deixa eu acabar meu banho e eu mesma separo as minhas roupas sujas.

SHELDON: — Está bem. Eu vou lavar as louças, então.

PENNY: — Tá legal. Não vou demorar também.

Sheldon coloca o cesto em cima da cama e se retira do quarto. Penny gargalha enquanto fecha as cortinas para terminar seu banho.

INT. APARTAMENTO DE PENNY – SALA DE ESTAR/COZINHA – DIA

Sheldon está na pia terminando de lavar as louças. No pouco tempo em que ele largara o cesto de roupas no quarto de Penny, ele já havia recolhido boa parte do lixo espalhado pelo apartamento e juntado todas louças e utensílios na pia para lavá-los. Enquanto Sheldon terminava de enxaguar as últimas louças, Penny retornava de seu quarto, vestindo agora uma bermuda jeans e uma blusa regata rosa estampada de alças finas.

Penny carregava consigo o cesto que Sheldon havia deixado em seu quarto, mas a quantidade de roupas que ela havia colocado nele era tão grande que chegava a passar o cesto, tendo quase o dobro de altura dele.

Sheldon notou a presença de Penny e se virou para ela assim que terminou sua tarefa, mas quando olhou para a montanha de roupas dentro do cesto, ele cambaleou para trás assustado, apoiando-se na pia enquanto parecia estar tendo um piripaque.

SHELDON: — Santo Deus, isso tudo é sua roupa suja?

PENNY: — É sim. Por que o espanto?

SHELDON: — Meu Deus, Penny!

PENNY: — Relaxa, Sheldon, nem é tanta roupa assim.

SHELDON: — Não é tanta roupa assim? Olha para isso, Penny, parece que você está com um terço das suas roupas aí dentro.

PENNY: — Tá legal, já chega de falar da minha bagunça! O que você quer fazer? Eu tô com fome, quero comer alguma coisa. E você?

SHELDON: — Você só pode estar brincando.

PENNY: — Não, estou falando sério. Por que acha que eu estou brincando?

SHELDON: — Penny, seu apartamento está uma completa zona. É impossível termos uma refeição decente aqui sem antes limparmos tudo.

PENNY: — Tá de zoeira comigo? Seu plano para cuidar de mim é arrumar a minha casa?

SHELDON: — Meu plano era deixar você aqui remoendo seu sofrimento sozinha enquanto se afundava em álcool e futuros problemas em seu fígado.

PENNY: — Então por que você quis ficar aqui?

SHELDON: — Simplesmente porque meu código de honra como um cavalheiro do Texas e os ensinamentos da minha mãe sobre ajudar o próximo de boa vontade falaram mais alto, só por isso.

PENNY: — Pelo menos algo de bom sua mãe e o código do Texas deixaram em você. Então tá, qual é o seu plano?

SHELDON: — Vamos fazer o seguinte. Eu vou te ajudar a arrumar o seu apartamento. Eu já verifiquei a geladeira e percebi que você não tem muitos mantimentos, então pensei em depois irmos ao mercado comprarmos alguma coisa para o almoço. Gostaria que eu cozinhasse algo específico ou qualquer coisa serve?

PENNY: — Já que é você que vai cozinhar, faça o que você quiser!

SHELDON: — Muito bem, então. — responde ele enquanto cruza os braços contra o peito e acenava a cabeça em concordância, encarando-a com um estranho sorriso que fez Penny se arrepiar, com medo que poderia vir a seguir.

INT. APARTAMENTO DE PENNY – SALA DE ESTAR E COZINHA – ALGUM TEMPO DEPOIS

Sheldon e Penny entram no apartamento dela, mas agora vestidos de maneira singular. Ambos estão usando sobre suas roupas do dia longas botas de plástico de cano alto, luvas de borracha, aventais plásticos, tocas e máscaras de proteção facial. Além disso, Sheldon segura na mão esquerda um rodo e um esfregão pelos cabos, enquanto a mão direita dele segura um balde cheio de flanelas e produtos de limpeza. Em suas mãos, Penny também segura um outro balde com as mesmas coisas dentro, mas na outra mão, um aspirador de pó pelo cabo.

PENNY: — Por que estamos vestidos que nem palhaços? — pergunta ela debochadamente.

SHELDON: — Eu não vou arriscar pegar nenhum patógeno nesse apartamento descuidado. Vamos começar!

Em resposta, Penny apenas balança a cabeça de forma frustrada para os lados.

MONTAGEM: SHELDON E PENNNY ARRUMANDO O APARTAMENTO (SOB MÚSICA)

[Trilha Sonora: “Happy Together”, de The Turtles]

— NA SALA, Penny começa a espanar os móveis com auxílio de um espanador de penas enquanto coleta o restante do lixo, jogando-o dentro de um saco plástico. Enquanto isso, Sheldon vai passando o aspirador de pó por todo o chão à medida que a poeira que Penny espalha cai sobre ele. Quando Sheldon se distrai momentaneamente, Penny resolve lhe atormentar espanando seu ombro. Sheldon treme diante da sensação do toque do espanador, mas em resposta, usa o aspirador para sugar a perna dela momentaneamente, irritando-a, algo que o diverte ao vê-la se chacoalhar com a perna semi-sugada pelo aparelho;

— AINDA NA SALA, Sheldon limpa o chão com o esfregão, enquanto Penny usa uma flanelinha e um borrifador com produto de limpeza e água misturados para limpar a mesinha de centro, abajur e outros utensílios pelo lugar. Quando Sheldon se distrai novamente, ela borrifa o produto nas nádegas dele e esfrega o pano em sua bunda, fazendo-o se assustar. Em resposta, ele ergue o esfregão e o usa para esfregar o abdômen dela, molhando sua blusa;

— NA COZINHA, Sheldon começa a secar e guardar as louças já lavadas nos armários que ele vai limpando aos poucos, enquanto Penny usa outra flanela e produtos de limpeza em um borrifador para limpar o fogão, a bancada e sua adega. Penny tenta surpreender Sheldon mais uma vez com o borrifador em sua cara, mas ela quem é pega de surpresa quando ele se vira para ela rapidamente e borrifa uma mistura de água e álcool em sua cara, fazendo-a cambalear para trás, se apoiando na bancada para não cair e arrancando risadas de Sheldon;

— NA LAVANDERIA DO PRÉDIO, Sheldon e Penny usam as máquinas para lavarem as roupas dela. Enquanto Penny vai utilizando as máquinas para limpar e secar as roupas, Sheldon as dobra cuidadosamente e começa a guardá-las no cesto para levá-las de volta para o apartamento dela. Penny pega uma nuvem de espuma de sabão com as mãos dentro da máquina e usa para criar uma peruca na cabeça de Sheldon, que se vira para ela com uma expressão séria, enquanto ela apenas ri. Simplesmente, Sheldon caminha até a pequena pia ali presente, pega um balde com água de sabão e o vira na cabeça de Penny, ensopando-a enquanto ele cai na gargalhada e ela se frustra e corre atrás dele com o balde;

— NO QUARTO DE PENNY, Sheldon começa a organizar as cômodas e o closet de Penny, dobrando suas roupas adequadamente e as organizando em ordem, enquanto Penny terminava de arrumar a cama, lustrar os móveis do quarto e guardar os sapatos em ordem conforme as instruções dele. Em um dado momento, Penny pega uma de suas calcinhas limpas e a esfrega no rosto de Sheldon, que pega um borrifador com água e álcool misturados e o usa para limpar sua cara, arrancando gargalhadas de Penny, que Sheldon responde com uma borrifada em sua boca, fazendo-a se engasgar enquanto ele ria exageradamente;

— NO BANHEIRO, Sheldon limpava a privada, a pia e o chão do banheiro enquanto Penny ficava responsável por limpar as paredes, a cortina e a banheira. Sheldon se levantou quando havia terminado de limpar sua parte, no entanto, quando Penny terminava de passar um rodo com pano nas paredes para enxugá-las de dentro da banheira, ela escorregou na superfície escorregadia da banheira e tombou para trás, batendo as pernas contra a banheira. Ela iria se chocar contra o chão e se machucar se não fosse por Sheldon, que se aproximou dela antes do tombo e acabou a apanhando em seus braços, evitando sua queda.

PENNY: — Valeu, Sheldon! Essa foi por pouco!

SHELDON: — Quantas vezes eu já te disse para colocar os adesivos de pato na sua banheira?

PENNY: — Me lembra de comprar alguns quando a gente sair. — responde ela constrangida.

FIM DA MONTAGEM.

VOLTA À CENA. ALGUM TEMPO DEPOIS.

Agora de volta à área da sala de estar e cozinha do apartamento de Penny, Sheldon e Penny se encontravam sentados no sofá, exaustos, mas com o apartamento agora completamente renovado graças à faxina geral dada por eles. Sheldon se encontrava escorando as costas no sofá, com Penny ao seu lado apoiando a cabeça em seus ombros.

PENNY: — Nossa, meu apartamento está um brinco!

SHELDON: — Claro que está. Eu que limpei.

PENNY: — Hei, eu ajudei, tá?

SHELDON: — Sim, mas se não fosse por mim, isso aqui ainda estaria uma zona. Agora vê se cuida melhor da sua casa para eu não ter que arrumar um segundo emprego como sua diarista semanal.

O comentário seco dele apenas arrancou uma genuína risada dela. Penny ergue o celular do bolso da calça e se levanta assustada ao ver a tela.

PENNY: — Caramba, são quase duas da tarde e nós ainda nem almoçamos.

SHELDON: — Precisamos ir ao mercado. Sua geladeira está vazia a não ser por algumas garrafas de vinho e latas de cerveja, e também por uma pizza velha estragada que eu já joguei fora.

PENNY: — O que você quer fazer?

SHELDON: — Que tal espaguetes com pedaços de salsichas cortados em rodelinhas? É o meu prato preferido.

PENNY: — Eu sei, sua mãe me falou uma vez. Tá bem, por mim, pode ser. Então, vamos?

SHELDON: — Muito bem, vamos! — responde ele enquanto os dois se levantam do sofá.

INT. APARTAMENTO DE PENNY – SALA DE ESTAR E COZINHA – ALGUM TEMPO DEPOIS

Sheldon e Penny já se encontravam de volta à área da sala de estar e cozinha do apartamento de Penny. Sheldon terminava de preparar o espaguete, despejando o macarrão pronto em uma travessa de vidro, acrescentando por cima o molho de tomate com as rodelas de salsichas cortadas em tiras finas. Enquanto ele terminava de preparar a travessa com o espaguete, mexendo o macarrão com o molho com auxílio de dois pegadores de macarrão, Penny preparava a mesa, colocando os pratos e os talheres, além de preparar uma jarra com um refresco de morango e copos com cubos de gelo para beberem durante a refeição.

Ao terminar de preparar a refeição, Sheldon trouxe a travessa até a mesa e a colocou no centro dela. Penny havia enfeitado a mesa com um copo de água e um pequeno ramalhete de flores dentro, mas esse detalhe chamou a atenção de Sheldon.

SHELDON: — Por que você colocou esse copo com essas flores na mesa?

PENNY: — Ah, para deixar a mesa mais bonitinha para a gente comer. Não foram muitas as vezes que tivemos oportunidades de comermos só nos dois. Achei que seria legal ter algum enfeite na mesa.

SHELDON: — Isso me parece estranho, isso sim. Esse copo com essas flores dá um teor meio romântico para a nossa refeição, sendo que nós somos só amigos.

PENNY: — Só porque eu coloquei esse copo com flores sobre a mesa, não quer dizer que eu tenha intenções românticas ou coisas do tipo, Sheldon. É como eu disse, é apenas para enfeitar a mesa.

SHELDON: — Está bem.

PENNY: — Até porque, se fosse para ser uma refeição romântica, teríamos que estar jantando, não almoçando. E teríamos, também, algumas velas aromáticas, vinho e uma música tocando de fundo.

SHELDON: — Eu não me oponho a colocar uma música enquanto comemos.

PENNY: — Sério?

SHELDON: — É claro. Uma boa música de fundo pode atiçar diferentes funções e sensações no cérebro, dependendo do tipo de música. Ela pode tornar esse almoço algo estimulante e quem sabe até divertido.

PENNY: — Legal! Espera um minutinho só.

Penny corre até o seu quarto e volta rapidamente com uma caixinha de som com um MP3 conectado. Ela coloca caixinha de som sobre a bancada na cozinha e ajusta o volume dela com uma música instrumental de teste.

PENNY: — Prontinho. Agora, escolhe uma música do seu gosto para a gente ouvir, Sheldon.

SHELDON: — Está bem.

Sheldon caminha até a bancada, mexe no MP3 de Penny em busca de uma música de sua preferência e seleciona uma faixa para tocar.

[Trilha Sonora: “Tema de Super Mario Bros”]

Sheldon começa a balançar a cabeça e mexer o corpo no ritmo da música enquanto realiza uma dança meio robótica, mas charmosa.

PENNY: — A trilha do jogo do Mario? — pergunta ela intrigada.

SHELDON: — Sim. É uma das minhas trilhas musicais preferidas. Ela simboliza algumas das seiscentas melhores horas da minha infância.

PENNY: — É, até que a musiquinha dele é legal. — Ela começa a acenar a cabeça em concordância.

Penny começa a balançar a cabeça e mexer o corpo acompanhando o ritmo da música e dançando da mesma forma de Sheldon, seguindo seus passos enquanto começam a circular mesa de jantar.

SHELDON/PENNY: — Pan-ran-ran-ran pan pan-ran-ran pan-ran-ran. Pan-ran-ran-ran pan-pan pan-ran. Pan-ran-ran-ran pan pan-ran-ran pan-ran-ran. Pan-pan-pan. Pan-pan-pan. Pan Pan Pan pan-ran-ran pan-ran-ran. Pan-Pan-Pan pan-ran-ran. Pan Pan Pan pan-ran-ran pan-ran-ran. Pan-Pan-Pan Pan-Ran-Ran.

Sheldon e Penny continuam a dançar de uma forma muito estranha e desajeitada ao som das batidas da música do jogo do Mario, mas eles começam a se mexer em sintonia, completamente sincronizados, enquanto se encaram sorrindo alegres à medida que a música os contagia.

SHELDON: — Sabia que você ia gostar.

PENNY: — É... Até que essas musiquinhas desses seus joguinhos de nerd tem umas batidas legais. Mas chega de brincar, vamos comer!

Penny vai até o MP3 e troca a música do Mario, sintonizando o aparelho para transmitir o programa de uma emissora de rádio e logo depois ela se junta a Sheldon, que já se sentava à mesa e começava a se servir. Ele colocou uma boa quantidade de macarrão em seu prato e no prato dela, enquanto Penny pegou a jarra de refresco e despejou o líquido vermelho dentro dos copos com cubos de gelo. As músicas aleatórias da estação de rádio começavam a tocar, mas Penny e Sheldon estavam concentrados apenas na comida, mas à medida que seus paladares saboreavam o gosto da comida, suas expressões tornaram-se extremamente alegres enquanto eles se encaravam com os olhos brilhando de felicidade.

PENNY: — Sheldon, esse seu espaguete com salsicha está uma delícia.

SHELDON: — Obrigado, mas os créditos são da minha mãe, afinal, a receita é dela.

PENNY: — Mesmo assim, está uma delícia.

SHELDON: — Obrigado, mas, por favor, não fale de boca cheia! Estou vendo a papa no interior da sua boca.

Penny engoliu a porção em sua boca constrangida, tapando a boca com uma das mãos, segurando uma imensa vontade de rir. Assim que se recompôs, ela encarou Sheldon com uma expressão mista entre seriedade e leveza.

PENNY: — Sheldon, posso te fazer uma pergunta um pouco pessoal?

SHELDON: — Claro.

PENNY: — Nos quatro anos que eu convivo com você e os rapazes, você foi o único que eu não vi correndo atrás de mulher alguma. Eu sei que isso não é do seu perfil, mas... Você não pensa em se relacionar com alguém algum dia?

SHELDON: — Nossa, isso é uma pergunta muito pessoal.

PENNY: — Se não quiser responder, você não precisa.

SHELDON: — Não, tudo bem. Eu acho que é até interessante essa sua observação. A questão não é que eu não queira me relacionar. Eu apenas não enxergo qual a relevância de se construir uma relação com alguém.

PENNY: — E por que não?

SHELDON: — Eu vejo o exemplo da minha mãe.

PENNY: — O que tem a sua mãe?

SHELDON: — Depois que... — Pela primeira vez, Sheldon mostrou relutância ao dizer algo, ponderando sobre quais palavras deveria dizer.

PENNY: — Que foi?

SHELDON: — É que eu estou prestes a falar de um assunto um pouco delicado. Eu não sei bem como continuar.

PENNY: — Bem, se expresse como você quiser, se isso te deixar mais confortável.

SHELDON: — Está bem. Durante muito tempo, depois que meu pai faleceu, eu vi minha mãe sofrer muito por causa da ausência dele, mesmo ela tendo descoberto uma traição dele depois. Eu percebi que amar e viver com alguém, por mais bonito que possa parecer, é na verdade uma experiência aterrorizante. Você não sabe o que esperar da outra pessoa, não sabe se pode confiar totalmente nela e mesmo assim, você se doa completamente a ela a ponto de se permitir sofrer por causa dela, como minha mãe sofreu por causa do meu pai. Eu não sei se quero uma experiência assim na minha vida. Eu sou um homem da ciência e eu só sei lidar com a lógica e os fatos. Essas emoções e experiências humanas são demais para mim. Elas são imprevisíveis, complicadas e aterrorizantes. Eu não sei se seria capaz de experimentar algo assim.

PENNY: — Mas, Sheldon, amar alguém significa exatamente isso. Se doar por completo a ponto de se permitir se tornar vulnerável. Mesmo que sua mãe tenha sofrido por seu pai quando vocês o perderam, eu tenho certeza de que ela nunca o esqueceu e nem das lembranças felizes que ela tem com ele, apesar das desavenças. Você não sente o mesmo?

SHELDON: — Eu sempre tive uma relação um tanto estranha com o meu pai, principalmente nos últimos anos de vida dele, mas olhando agora de longe, ele nunca deixou de se importar comigo ou com meus irmãos, nem com a minha mãe, e fez tudo o que pôde por nós. Sempre que eu tento pensar nele agora, eu só consigo me lembrar das coisas boas.

PENNY: — Mas isso é o que o amor realmente é, Sheldon. A capacidade de superar e ir além do pior lado de uma pessoa para trazer o melhor lado dela para fora. Eu sei que os últimos anos com seu pai não foram os melhores, mas eu sei que, no fundo, ele tentou dar o melhor por sua família. Bom, eu espero que tenha sido isso. — Penny estende a mão sobre a mesa para apalpar a mão de Sheldon, segurando-a em um pequeno gesto de conforto.

SHELDON: — Obrigado! Sabe, eu nunca falei muito sobre o meu pai com ninguém, nem mesmo com a minha mãe ou os meus irmãos. Você é a primeira pessoa com quem eu converso a respeito disso. — Ele sorri timidamente para ela.

PENNY: — Eu me sinto honrada com isso, mas posso perguntar por quê?

SHELDON: — Eu não sei, mas... Alguma coisa em você me faz me sentir... Confortável.

PENNY: — Sério?

SHELDON: — Uhum! — murmura ele com um aceno de cabeça.

De repente, a estação de rádio na qual o MP3 estava sintonizado começou a transmitir uma nova música, que chamou a atenção de Penny.

[Trilha Sonora: “Amour Plastique”, de Videoclub]

PENNY: — Nossa, eu adoro essa música. Ela é tão suave e agradável.

SHELDON: — É “Amour Plastique” da banda francesa Videoclub, não é?

PENNY: — Sim.

SHELDON: — Eu também gosto dessa música.

Sheldon se vira para Penny e a encara diretamente nos olhos. Então, outro sorriso, mais espontâneo e genuíno que o anterior, surge em seus lábios. A expressão dele também força um sorriso em Penny, que o encara curiosa.

PENNY: — O que foi?

SHELDON: — Essa música meio que veio bem a calhar. Acho que sei por que me sinto tão à vontade com você.

PENNY: — Por quê?

SHELDON: — São os seus olhos. Eu gosto de olhar os seus olhos.

PENNY: — Sério? Achei que você não gostava de nenhum tipo de intimidade, como abraços ou contanto visual.

SHELDON: — De fato, eu não gosto muito, mas seus olhos têm uma coisa que me atrai muito.

PENNY: — Mesmo? E o que é?

SHELDON: — Primeiro, o seu olho direito tem uma mancha marrom no canto superior que se parece com um carro de fórmula um. Eu acho isso fascinante.

PENNY: — Só isso?

SHELDON: — E a segunda, é o brilho dos seus olhos verdes. Ele se parece com o brilho nos olhos da minha vozinha e da minha mãe. São olhos que brilham de amor, doçura e ternura. Você tem olhos que transbordam um brilho de amor, amor de mãe, amor fraternal, amor de amizade e amor de uma mulher à um homem. Você é uma mulher cujos olhos brilham à amor.

Penny começa a lacrimejar enquanto sorria, lutando para não deixar as lágrimas emocionas saírem de seus olhos.

PENNY: — Nossa, Sheldon, isso que você disse foi muito bonito. Ninguém nunca disse isso para mim.

SHELDON: — É como a letra da música. “Em minha mente tudo vagueia. Eu me perco em seus olhos e me afogo nas ondas de seu olhar amoroso”.

PENNY: — Ah, não, Sheldon! Para com isso! Você vai me fazer chorar.

SHELDON: — Me desculpe. Não foi minha intenção.

PENNY: — Não, tudo bem. São lágrimas de emoção. Tudo isso que você me disse... É tudo tão bonito. Você se expressa tão bem, pelo menos quando consegue sair dessa sua persona meio robótica e lógica. Por que você não é assim o tempo todo?

SHELDON: — Eu não sei, mas é como eu disse, há algo em você que me faz me sentir mais... emotivo, confortável, à vontade.

PENNY: — Eu não sei como você não conseguiu uma namorada ainda. Você também tem um lado tão doce e cheio de carinho. Veja só o que você fez por mim hoje!

SHELDON: — Eu não sei se preciso de uma ou se quero uma namorada.

PENNY: — Sheldon, todo mundo tem o direito de amar e ser amado. Você não deseja conhecer uma garota legal e formar uma família com ela?

SHELDON: — Às vezes, isso passa pela minha mente.

PENNY: — E por que você nunca tentou ter um relacionamento?

SHELDON: — Não é tão fácil quanto parece, especialmente para alguém como eu. Se eu tivesse que encontrar uma mulher com quem me relacionar, teria que ser alguém muito paciente e capaz de me suportar, alguém que conseguisse entender que eu tenho necessidades muitas especificas e mesmo assim, não se chatear por isso. Talvez alguém como você.

PENNY: — Sério? — disse ela esperançosa.

SHELDON: — Sim, mas de preferência com um pouco de mais instrução acadêmica e menos propensão à bagunça e alcoolismo.

PENNY: — É sério isso? — Ela o encara com desdém.

SHELDON: — Bazinga! Haha! Não, eu estou brincando. Podia ser alguém exatamente como você.

PENNY: — Obrigada!

SHELDON: — Disponha!

PENNY: — Sheldon, posso fazer outra pergunta pessoal?

SHELDON: — Está bem, faça!

PENNY: — Você nunca teve uma experiência com uma mulher antes? Eu digo, ter relações sexuais?

SHELDON: — Eu ainda sou virgem, se é isso que deseja saber.

PENNY: — Mas nem beijar? Você não beijou nenhuma garota antes?

SHELDON: — Fora minha irmã, minha mãe e minha vozinha, não. Bem, para ser sincero, teve uma vez que eu estava em um ônibus e tinha uma freira idosa sentada do meu lado. Ela passou mal por causa do calor e eu tive que fazer respiração boca-a-boca nela para salvar a vida dela. Desde então, todo Natal, eu recebo um cartão assinado com beijos demais para o meu gosto.

PENNY: — Ah, isso não conta. Qual’é, você não beijou nem uma vez-zinha? Você é um cientista. Cadê sua curiosidade em experimentar e descobrir as coisas?

SHELDON: — Ah, mas eu já sei tudo que é preciso saber sobre o beijo. Ele envolve trinta e quatro músculos faciais e cento e doze músculos posturais.

PENNY: — Sabe o que eu ouvi? Blá-blá-blá, desculpas! Quer saber, fecha os olhos e faz biquinho!

SHELDON: — Mas por quê?

PENNY: — Só faz o que eu estou mandando!

Sheldon obedece. Ele fecha os olhos e contrai os lábios para frente, fazendo um biquinho estranho e charmoso. Penny rapidamente se levanta da sua cadeira, se inclina sobre a mesa e deposita um rápido selinho nos lábios dele.

PENNY: — E aí, o que achou?

SHELDON: — Bem, foi muito rápido. Não deu para saber direito.

PENNY: — Levanta! Vai, vai, vai, levanta! — Ela gesticulou com as mãos.

Sheldon se levantou de sua cadeira e Penny o puxa pelo braço para perto de si. Ela se aproxima dele e passa os braços em volta de seu pescoço, encarando-o nos olhos.

SHELDON: — O que você está fazendo?

PENNY: — Uma experiência cientifica. E você é o meu ajudante. Agora, deixa de frescuras e me dá um beijo, mas um beijo de verdade, me ouviu?

Sheldon acena a cabeça. Ele envolve seus braços em torno da cintura dela e inclina a cabeça se aproximando do rosto de Penny, que se ergue sobre as pontas dos pés. O encontro dos lábios dos dois finalmente acontece e por um longo tempo, suas bocas se mexeram em movimentos ritmados até que finalmente cessaram o toque entre eles.

SHELDON: — Nossa, isso foi muito arriscado. Sabe quantas bactérias um beijo pode...

PENNY: — Tá, tá, tá, já sei. Um beijo para você é só uma troca de saliva e bactéria, blá-blá-blá. Mas o que você achou? Quero saber!

SHELDON: — Bem, eu...

PENNY: — Seja sincero!

SHELDON: — Será que podemos repetir? Eu gostaria de confirmar uma coisa.

PENNY: — Tá legal! — Ela mexe ombros num sinal de sobe-e-desce rápido, o famoso “dar de ombros”.

Penny e Sheldon se envolvem novamente enquanto suas bocas se movem juntas em outro beijo ardente.

PENNY: — Tá bem, e agora?

SHELDON: — Nossa, isso é incrível, quero dizer, interessante. Meu coração está acelerado, meus pulmões estão se contraindo velozmente e meu corpo parece estar tensionado como se eu estivesse recebendo uma onda de adrenalina, mas é estranho, porque eu estou me sentindo muito bem com isso.

PENNY: — Bem, eu estou sentindo o mesmo, mas devo dizer que para um ex-BV, até que você beijou muito bem.

SHELDON: — É... Obrigado, eu acho! Será que agora já podemos voltar a comer?

PENNY: — Tá bem. Vamos!

Os dois se sentam e voltam a comer, mas agora, eles não paravam de se olhar de forma estranha e engraçada, mas ao mesmo tempo, seus olhos emanavam uma grande onda de afeto entre eles refletida no brilho dos seus olhos.

Notas finais
E aí, o que acharam do capítulo? Por favor, deixem seus comentários para eu saber o que acharam da história. Muito obrigado pelo tempo e atenção dedicados a esta história. Fico grato a todos pela oportunidade. Espero vê-los novamente no próximo capítulo. Até a próxima!