No Bravery
4 What Lies Ahead - Part.4
Notas iniciais
KAYA, INTERESDADUAL
Devolvo a mochila onde estava e caminho para longe, sento em um dos carros e fico lá, pensando. As lágrimas queriam sair, mas eu não as deixo, eles ainda podem estar vivos, em algum lugar, eles tem que estar. Queria abraçar aquela mochila e nunca mais soltar, porém já tinha a dado para Carl.
Eu realmente não queria deixa-lo sozinho em Los Angeles, porém meu pai, que nunca tive contado, morreu e deixou a casa velha apodrecendo para mim, tive que ir até Macon para vende-la, não queria levar Jake até lá, então o deixei com Richard. Tudo aconteceu, o aeroporto fechou, tive que ficar presa aqui. Agora eu me pergunto, como eles chegaram até aqui?
A noite chega e Daryl vem até mim e senta no banco do motorista, ficamos quietos por um bom tempo, estava quase dormindo quando ele resolve dizer algo.
— Por que você não fala tudo para nós?
— Por que?! – Viro para Daryl e falo muito irritada— Porque eu não sou um livro aberto, não quero falar tudo da minha vida para depois eles usarem contra mim, porque é minha vida, porque eu também não te conheço, eu conheço ninguém aqui e vocês também não demonstram confiança!
Saio do carro e começo a andar para longe, ajoelho-me e começo a chorar. Tudo que eu acreditava quebrou. Eu acreditava que Cyrus e sua família estavam vivos, que Richard estava bem em LA, Jake com ele, vivo...
Jake...onde você está?
☮
KAYA, INTERESTADUAL
Vou para a fogueira e sento do lado de Dale, como um pouco e fico lá, sentada. Pego a faca de Cyrus e a observo, verde e bem afiada, deve ter trazido do exército. Observo o céu e penso como estou sendo dramática, pego um copo de agua e bebo. Rick distribui cobertores, não iriamos montar as barracas, ele quer que vamos embora o mais rápido possível.
Entro em um carro e deito no banco traseiro, com a faca ao meu peito. Daryl entra no banco do passageiro, ficamos lá quietos, acho que somos muito silenciosos. Durmo rapidamente, foi um dia cansativo, muitas coisas aconteceram. E como num dia qualquer, eu tenho pesadelo, mas esse foi diferente.
“Estou no meu flat em Los Angeles, do lado do apartamento de Richard. Coloco Jake, para dormir e vou para a sala ver televisão. Ainda estava com meu uniforme azul de trabalho. Estava vendo um filme, não reconheço o nome. Alguém bate na porta e eu vou atender, quando abro vejo Richard como um zumbi, fecho na porta e vou atrás de Jake. Abro o quarto dele e tiro a coberta do seu rosto, que estava pálido, meu filho era um andarilho. Saio correndo do quarto e vou para a cozinha. Os monstrinhos forçam a entrada e vejo todas as pessoas que eu conheço como monstros sem consciência.”
Acordo agitada, suada e tremendo. Tinha apertado tanto a faca contra o meu peito que havia me cortado, limpo o sangue e saio do carro. Rick acordava todos com um pouco de comida, pego uma maça e me preparo para sair. Preparo meu machado e arco, guardo a faca no meu bolso e me aproximo de Daryl, que contava suas flechas no meio fio:
— Quer alguma emprestada? – Falo vendo que ele tinha apenas cinco flechas.
— Se eu recuperar todas posso continuar com essas pelo resto da minha vida – Daryl responde sem olhar para minha cara.
— Eu sei fazer flechas de madeiras, não tem pontas de ferro, porém fazem um bom estrago – Digo sentando no chão. — Nós já vamos?
— Acho que sim, quero sair daqui o mais rápido possível – Ele responde olhando em volta-— Estamos muito expostos.
Olho em volta e vejo apenas carros, nada de andarilhos e nem pessoas.
Quem poderia nos atacar?
☮
KAYA, FLORESTA PERTO DA INTERESTADUAL
Voltamos ao lugar que paramos ontem de tarde e continuamos sem rumo, a trilha que tinha ontem já estava muito apagada. Andamos por uma meia hora até acharmos algo, uma barraca amarela no meio do nada. Eu e Daryl nos aproximamos e abrimos um pouco, tento visualizar dento, mas não consigo ver nada. Rick pede para Carol chamar Sophia, se ela estiver lá com certeza ouviria a voz da mãe mesmo se estivesse dormindo.
Sem resposta, abro mais ainda o vão na tenda e um cheiro de carne podre sai, eu e Daryl entramos e vemos um homem que se suicidou com uma arma, o corpo já estava se decompondo a um bom tempo. Daryl pega a arma discretamente e esconde na calça, Rick não deixa mais ninguém pegar uma arma. Antes que pudéssemos sair, sussurro:
— A próxima é minha.
Daryl ri e saímos da barraca, quando contamos o que era Carol fica triste, novamente. Porém algo nos surpreende, um sino, como de uma igreja. Todos saímos correndo em direção do barulho, que ficava cada vez mais perto. Várias hipóteses aparecem, se Sophia poderia ouvir, se é ela tocando os sinos, entre outros.
Após corremos um pouco mais, achamos uma igreja branca, porém não tinha torre. Sem torre, sem sino. Ao olhar o lado direito do local, vemos um alto falante, era apenas uma gravação, provavelmente programada.
— Bosta! – Daryl diz ao notar –— Vamos entrar, talvez ela esteja lá dentro.
Rick e Shane abrem a porta e entramos matando uns andarilhos que estavam dentro. Eu entro correndo pegando meu machado e enfiando na cabeça de um, enquanto outro vem atrás eu giro rapidamente e o mato também. Quando vejo estavam todos no chão.
Ouvimos um barulho vindo atrás do palco, junto com passos, assim que vemos o começo da cabeça Daryl atira uma flecha, ao vermos que ele desvia todos ficamos assustados.
— Hey, estou vivo! – O homem grita, com uma voz familiar.
Ele sai de trás do palco e finalmente vemos seu rosto, cabelo castanho um pouco longo, olhos marrons e corpo forte.
Eu o reconhecia.
☮
KAYA, IGREJA NA FLORESTA DE GEORGIA.
— Kaya? Kaya?!- Ele fala indo em minha direção.
— Cyrus! – Corro até ele e o abraço, o calor de um corpo conhecido faz-me lembrar que eu ainda sou um ser humano, ainda sou frágil. — Cyrus....
Cyrus se afasta e olha para mim, ele é uns vinte centímetros mais alto que eu e quatro anos mais novo. Lágrimas saem dos meus olhos e dos dele.
— Eu achei seu carro na estrada, com as mochilas, reconheci por causa da faca – Digo entregando a faca para ele. — Vi a mochila de Jake, ele está com você?
— Kay...me desculpe. – Cyrus diz se separando e as lágrimas dobram dos seus olhos. — Quando começou eu trouxe minha família, Richard e Jake para cá, mas a estrada estava cheia de carros, não tinha como passar. Eu e Richard viemos caçar, quando voltamos...
Cyrus se afasta e chora mais ainda, um desespero toma conta de mim.
— O que, Cyrus? O que aconteceu? – Pergunto desesperada.
— Eles não estavam lá! Anya, Julie e Jake sumiram! Simplesmente não estavam lá... – Cyrus confessa.
Eu desabo, caio no chão, o que aconteceu? Onde está meu filho?
No meio desse pensamento, uma pergunta entra dentro da minha mente.
— Richard está com você, certo? – Pergunto levantando-me e limpando as lágrimas.
— Richard foi mordido no meio da nossa procura. – Cyrus responde – Eu vim até aqui enterra-lo.
— Então, só nós sobramos.
— Não, Kaya! – Ele começa a gritar – Eu não achei os corpos deles, eu sinto que eles ainda estão vivos! Eu sinto...Eu sei disso.
Rick coloca sua mão atrás de mim e eu lembro que não estamos sozinhos, eu retiro sua mão e viro-me.
— Esse ai é Cyrus Thompson, conheci ele no Afeganistão. – Apresento-lhe e saio da igreja.
Vou para o cemitério, procurando um tumulo recente, sem lápide. Assim que acho ajoelho-me perto, não falo nada, apenas observo, tentando absorver o que aconteceu.
Tudo havia desmoronado em poucos segundos.
Minha família estava morta.
☮
KAYA, IGREJA NA FLORESTA
Cyrus coloca sua mão no meu ombro e se senta ao meu lado de mim, apoio minha cabeça em seu ombro e ficamos lá, quietos.
— Rick deixou eu procurar eles junto com a garota perdida — Ele diz. — Depois ele resolve se poderei ficar.
— Certo...
— Eles não sabiam que você tinha um filho, nem que foi casada — Cyrus comenta.
— Eles não sabem de muita coisa.
— Você voltou como era ser no exército, quieta e misteriosa. Você viu o que resultou, você não pode ficar assim.
— Eu posso ser do jeito que eu quiser. Estou fazendo isso para sobreviver, certo? Quero poder sair desse grupo quando achar que preciso, sem ficar com sentimentos me impedindo.
Ficamos quietos e depois fomos embora da igreja.

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