No Bravery
2 What Lies Ahead - Part.2
Notas iniciais
KAYA, POSTO DE GASOLINA
— Se você ficar quieta eu não faço nada – Shane diz com uma faca no meu pescoço e outra na minha boca. — Você vai ficar quieta?
Faço que sim com a cabeça, ele tira a mão rapidamente, e eu grito assim que posso.
— Droga, garota – Shane fala batendo em meu rosto. — Vamos direto ao ponto, não é?
Shane coloca sua mão em minha boca novamente e aperta a faca, sinto-a penetrando minha pele.
— Você não me viu apontando a arma para Rick, você imaginou aquilo, concorda? – Shane chega tão perto que poderia sentir o ar saindo de sua boca ao falar. Eu não respondo. — Vamos fazer de um jeito mais fácil, se você falar algo eu mato Dale.
Não...não...o que eu posso fazer? Tenho uma ideia, para eu me vingar, sem custar a vida de Dale, levanto meu joelho com força para atingir sua genital. Shane se afasta e eu saio de perto dele:
— Eu não vou contar — Falo andando para minha barraca.
☮
KAYA, POSTO DE GASOLINA
Coloco minha mão em minha garganta e ao tira-la de lá vejo sangue, pego minha mochila e deixo tudo no chão, mas não acho nenhum band-aid. Deixo tudo lá, apenas deito minha cabeça na cama, fico lá, apenas pensando. Daryl entra e fica espantado com a bagunça:
— O que você estava procurando?
— Band-aid. – Respondo com minha cara enterrada na cama.
Daryl pega sua mochila e coloca algo leve em cima da minha cabeça, provavelmente o band-aid. Faço um “joinha” apontando para onde eu acho que ele está, falando:
— Obrigada!
— A comida está pronta, vai querer comer? – Daryl pergunta sem falar por nada ou não há de que, qualquer coisa do tipo.
— Já vou...
Esse já vou virou nada, eu coloco o band-aid no pescoço e deito, acabo dormindo e acordando apenas no dia seguinte, agora vamos para Fort-Bennig. Saio da barraca, vejo todos arrumando as coisas, então volto e ajeito minha mochila e deixo tudo certo para apenas desfazer a barraca. Toco o band-aid e lembro do que aconteceu, mas não tenho medo, Shane não teria coragem de matar Dale, porém fico quieta para não o fazer provar o contrário.
Dale vem em minha direção com algo na mão, ao chegar perto vejo que ele trouxe comida, agradeço a Deus, pois estou com fome e não quero perguntar por alimento. Ele oferece com o olhar e eu aceito, puxo-o para dentro e falo:
— Shane falou algo com você? – Pergunto ao ter certeza que ninguém ouviria.
— Não, mas se você está perguntando é que ele fez algo com você. – Dale é inteligente.
— Não estou usando band-aid por que gosto – Respondo mordendo um pedaço de carne.
— Vamos ficar quietos, okay? – Ele propõe. Não gosto de ser medrosa, porém tenho que concordar.
— Okay...
Dale sai me deixando sozinha, termino de comer e levo o pote para o trailer, saio e vejo Daryl tirando as coisas da barraca. Vou até lá o ajudo a desmontar, coloco as coisas na caminhonete, porém Daryl tira os seus pertences:
— Estou pensando em começar a começar a ir com minha Thrompson...
— Então vou com minha Harley, carro me dá sono... – Falo tirando as minhas e subindo na caçamba para retirar as motocicletas.
Daryl me ajuda e em pouco tempo estamos retirando gasolina de carros, todo o grupo menos as mulheres, o que me irrita, as únicas que fazem algo sem ser cozinhar e lavar a roupa é eu e a Andrea, não que eu estou as julgando, mas elas tem que começar a se colocar para frente, estamos vivendo o apocalipse e elas continuam a ser empregadas?
Pegamos gasolina suficiente para todos os carros, tudo estava pronto, vamos partir.
— Você está bem? – Daryl pergunta antes de sairmos.
— Sim, por que pergunta?
— Bom, você levou um tiro.
— Eu tinha esquecido disso. – Ao lembrar sobre o ocorrido a dor volta, não algo forte, mas aquela dor constante amena.
— Vamos indo...
☮
KAYA, ESTRADA EM DIREÇÃO DE FORT BENNING
Senti saudades do vento contra o meu cabelo, a proximidade com a estrada, eu sempre amei isso, minha vida se resume a isso. O sol estava ao contrário de mim, então o céu estava lindo, apenas azul e nuvens. Passamos por andarilhos, vários deles, o que transforma minha felicidade em preocupação, tem muita mais do que achamos, se eles já estão nas estradas, quanto deve ter nas cidades?
Em uma parte do percurso, a rodovia fica lotada de carros, dificultando a passagem, Daryl faz um sinal para continuarmos, entro com a minha motocicleta entre os carros e paro.
— Se Dale for bom de dirigir, ele consegue passar por aqui – Comento olhando entre o espaço entre os carros.
— Vamos voltar.
Voltamos e Dale abre a janela para falar conosco, pedimos para que ele nos siga, porém não andamos nem dois minutos e algo acontece no trailer. Todos param e vamos para o trailer, fumaça sai do capo, Dale sai do mesmo e fica irritado. Mas o que não falta é peças aqui, deixo minha motocicleta em um canto junto com a de Daryl e começo a vasculhar os carros.
Várias roupas, cremes, perfumes, shampoos, várias coisas. Daryl olha para mim e joga algo na minha cabeça.
— Que bosta...! – Começo a falar e olho para o chão, vejo um prendedor de cabelo e lembro de quando dei uma de louca procurando o meu, que tinha perdido.
— Você não estava procurando um? – Daryl volta a olhar o carro ao meu lado.
— Sim, obrigada – Respondo logo prendendo o meu cabelo, deixando apenas a franja em cima do meu olho.
Vejo uma mochila rosa e outra azul. Havia crianças aqui, pego-as e abro, dentro têm vários brinquedos. Começo a correr em direção de Carol, paro quando ela começa a me encarar. Ajoelho-me em frente de Sophia e entrego a mochila rosa e a azul para o Carl, que também estava lá.
— Brinquedos, muitos brinquedos, mãe! – Sophia sorri para mim e Carol.
— Obrigado! – Carl diz e também sorri para mim
— Obrigada, Kaya, nós agradecemos – Lori fala para mim, Carol agradece com a cabeça, ela é calada.
— Por nada, eu irei voltar. – Volto para onde eu estava.
Pego umas roupas que gosto e produtos de higiene pessoal, guardo-os na minha mochila. Pego minha garrafa de agua e bebo um pouco, coloco de volta e volto a vasculhar. Uma faca estilo do exército, uma bem parecida com o de meu amigo, olho-a atentamente e vejo uma marca. C.T. Isso é familiar...eu sei de onde...
— Ai meu Deus – Sussuro ao notar de onde eu conhecia.
C.T.
Cyrus Thompson.
Meu amigo do exército.
Meu protetor.
Meu porto seguro.

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