No Amor e na Guerra

3 Capítulo 3 - No Amor


Notas iniciais
Sei que o desafio acabou, mas eu não poderia deixar essa fic sem concluir, não é mesmo? Eu tenho um carinho enorme por essa fic e ela passou a ser uma das minhas favoritas pelo tema abordado, espero que você goste. Esse capítulo é dedicado ao amor. Viviane obrigado por betar essa fic (e todas as outras que eu escrevo) =P Chega de conversa vamos a fic.

– Por que seus olhos são puxados? — Perguntou Hyoga encarando Ikki e passando a mão levemente nos olhos do rapaz.

– Sou oriental, no Japão todos são assim como eu, nunca viu um oriental? — Questionou Ikki.

Hyoga negou com a cabeça, nunca vi muitas coisas... — Começou incerto, — Sabe, o Senhor Milo e o Senhor Camus... Eles... eles são diferentes.

– E o que acha disso? — Perguntou Ikki olhando para Hyoga se aproximando.

– Não sei... sempre me disseram que era errado, mas eles não me parecem errados, eu não consigo achar errado quando os vejo. — Falou o russo.

– E você, o que sente? — Ikki perguntou como uma fera que sonda a presa.

– Como assim? Eu... nada, claro que nada.

– É mesmo? — Ikki se aproximou de Hyoga que deu alguns passos para trás até encostar numa árvore, encarou o olhar do japonês sobre si.

– Ikki... o quê...? — Hyoga não teve como terminar a pergunta, pois o piloto japonês o calou com um beijo.

Começou calmo, como se pedisse permissão para acontecer, mas depois foi ficando cada vez mais intenso, eles rapidamente se beijavam fervorosamente, os lábios incertos de Hyoga buscavam e encontravam a boca persistente de Ikki, as línguas se tocavam enquanto frágeis flocos de neve caíam do céu, testemunhando aquele momento.

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Capítulo — 3

Após conseguir juntar um tanto razoável de lenha e colocar no pequeno depósito acoplado à cabana, Camus foi analisar o local com calma. Os quartos não tinham portas, apenas cortinas e davam privacidade a quem estivesse dormindo ali.

Eram cômodos pequenos, o que Milo ficou quando chegou desacordado tinha uma cama de casal, enquanto no outro havia um beliche e uma cama de solteiro onde o jovem Isaak ficara. Camus verificou a lareira e constatou que, apesar de simples, a cabana tinha um sistema de aquecimento bem elaborado, a serpentina que aquecia na lareira mantinha a pequena cabana aquecida, assim como a água do banheiro, claro que não seriam capazes de tomar um banho demorado, mas seria o suficiente para se lavarem.

Camus fez alguns ajustes, enquanto Milo se ocupava da cozinha.

O grego fazia uma busca nos armários à procura de algo que pudesse utilizar na preparação do coelho que fora trazido mais cedo.

– A mãe do Hyoga devia cozinhar muito bem! Olhe, ainda tem temperos desidratados* aqui. — Falava Milo enquanto cozinhava.

– Sim, o garoto me parece que era o centro das atenções o fato dos quartos não terem portas mostra que eles queriam ficar atentos ao filho. Veja, Milo! Tem algumas roupas aqui, acho que pertenciam ao pai do Hyoga, tem roupas da mãe também. — Dizia Camus mexendo nas coisas.

– Não mexa nas coisas, o garoto pode não gostar. — Alertou Milo que também vasculhava a cozinha e acabou pisando num degrau em falso. – Opa! Temos algo escondido aqui. — Disse averiguando o fundo falso.

– O que achou, Milo? — Perguntou Camus se aproximando.

– Veja isso Camus! — Falava Milo enquanto retirava algumas garrafas de conhaque e de vodka.

– Wow nous avons un parti! (Uau poderemos dar uma festa!) –Falou Camus.

– Oui! (Sim) — Respondeu Milo sorrindo ficando em pé e puxando seu ruivo para um beijo, no que foi prontamente correspondido até ouvirem barulhos do lado de fora da casa, e Camus o empurrar finalizando o beijo abruptamente.

– Camus, você precisa de modos! Um dia te ensinarei. — Ameaçou Milo enquanto Camus via os rapazes entrarem, e por alguma razão, Hyoga estava vermelho e sem graça.

– Conseguiram alguma coisa? Eu já estava começando a me preocupar com vocês, a neve já começou a cair. — Perguntou Camus analisando os rapazes a sua frente.

– Sim, conseguimos dois coelhos e um cervo! O Hyoga conhece bem este lugar. — Respondeu Ikki.

– Vinha aqui caçar com meu pai desde criança. — Respondeu Hyoga ainda tímido.

Ikki olhou em volta e achou a cabana diferente, arrumada com aspecto de casa. — Vocês conseguiram transformar essa cabana em um lar. — Comentou Ikki.

Hyoga olhou em volta e viu que eles haviam limpado o local.

A cabana estava novamente com aspecto de um lar, o cheiro do cozido que Milo estava fazendo atiçava seu estômago faminto.

– Hyoga, consegui consertar a serpentina que estava com problemas, você pode ir se lavar. Também vi que há algumas roupas, suponho que tenham sido do seu pai. Gostaria de saber se nos emprestaria. — Pediu Camus formal.

Hyoga olhou para ele e concordou, não fazia sentido negar isso a eles, o jovem russo sabia que se não fosse seus hóspedes ele talvez não conseguisse sobreviver a nevasca que se aproximava.

Camus foi tratar as carnes que os rapazes trouxeram, não havia geladeira para guardar, mas havia sal e Camus salgou as carnes, e as colocou para secar na dispensa onde estavam as madeiras. Exausto e com frio, entrou na cabana. Todos já estavam limpos e Milo foi o primeiro a falar.

– Camus estamos te esperando para o Jantar, ou o almoço não sei não comemos nada de concreto o dia todo, por favor, vá se lavar. — Pediu o loiro.

Hyoga trouxe uma roupa de seu pai e emprestou ao ruivo. — Acho que estas lhe servirão.

Camus agradeceu e foi se lavar.

Quando ele voltou, todos o aguardavam para a refeição.

Milo serviu seu cozido para todos e observou enquanto eles comiam.

– Milo... seu cozido está dos deuses! — Elogiou Camus.

– Sim, muito bom! Parabéns! — Saudou Ikki.

Hyoga concordou com a cabeça.

– Um dia vocês comerão meu cozido numa outra situação, hoje os elogios não me engrandecem, já que todos estão famintos.

Camus girou os olhos, Milo e sua mania de achar que tudo se resolveria com o tempo. Estavam num país distante, perdidos numa montanha, em uma nevasca com um jovem e delicado rapaz, que muito provavelmente irá lutar na guerra assim que for descoberto pelo exército de seu país, e com um jovem inimigo de guerra. Como Milo acha que eles provariam seu cozido em outra ocasião?

Apesar da fome Camus os fez comerem pouco, para que sobrassem suprimentos para os outros dias.

– Cavaleiros, o jantar estava ótimo, mas agora vamos nos esquentar de uma forma mais efetiva! — Falou Milo pegando a garrafa de conhaque e servindo a todos.

– Vou relatar aos meus superiores que vocês são excelentes com os prisioneiros de guerra. -Comentou Ikki sorrindo.

Camus observava tudo sempre com atenção, sempre tenso.

– Relaxa, Camus, o podíamos fazer já foi feito. — Comentou Milo, acariciando o rosto do ruivo.

Camus olhou para os lindos olhos azuis de Milo e tomou um gole de seu conhaque, suspirou fundo. Milo tinha razão.

– Vou tentar.

Milo sorriu e Camus olhou para os jovens a sua frente que os observavam atentamente.

– Me falem de vocês, como era a vida de vocês antes da guerra? — Perguntou o ruivo.

Ikki e Hyoga se olharam curiosos para saber mais um do outro e Hyoga foi o primeiro a falar.

– Minha vida não tinha tanta graça, morava com meus pais na vila, papai adorava caçar, por isso ele tinha essa cabana, sempre vínhamos aqui, mas ele morreu, se acidentou nas montanhas e minha mãe, que já vinha doente, não aguentou e morreu logo depois. — Comentou triste o loiro. — Eu fiquei sozinho e vim para cá, pois essa cabana era o lugar preferido dos meus pais, no entanto além de caçar não sei se sou bom em mais alguma coisa, nunca sai daqui, nunca vi muito de nada.

Todos ficaram pesarosos pela história de Hyoga, até que Ikki quebrou o silêncio para distrair "seu" loiro. — Bom eu moro no Japão uma cidade linda do interior, minha família é rica e eu já viajei muito com ele, já fui para o seu país, — Ikki falou apontando para Camus, — Mas ele decidiu me enviar para a guerra. — Comentou Ikki triste.

– O que você fazia Ikki, — Perguntou Milo, voltando a encher os copos.

– Trabalhava com ele, sou formando em administração e seria seu sucessor, mas não sei mais o que ele quer.

– E o que você quer Ikki? — Perguntou novamente Milo.

O soldado japonês apenas pensou, olhou para Hyoga e falou: — Quero viver minha vida do jeito que escolher, do jeito que decidir viver.

– Não é fácil, Ikki precisa estar preparado. — Aconselhou Camus sábio.

– Sabe, Sr. Camus, em uma coisa meu pai tinha razão: Ele disse que guerra me faria forte, e hoje sei que posso enfrentar tudo, até mesmo meu pai. – Tornou Ikki confiante.

Milo sorriu e faz um brinde.

– A liberdade!

– A liberdade! — Todos responderam juntos, virando seus copos.

– Falem de vocês! Como é a vida na França? — Perguntou Hyoga, todos estavam sentados num tapete em frente à lareira.

Camus se recostou nas almofadas e Milo começou a relatar sobre a vida na boêmia França.

– Vivemos no berço da boemia! Moramos em Paris, sou ator já me apresentei até no grande Mullan Rouge*, claro que já ouviram falar, não é? — Perguntou Milo, contudo os rapazes a sua frente negaram com a cabeça.

– Como assim, “não”?! — Questionou Milo incrédulo.

– Milo, olhe para eles, ainda não conhecem nada da vida. — Falou Camus já com as bochechas vermelhas por causa da bebida, não era das pessoas mais fortes para isso.

– Mullan Rouge é a maior casa de espetáculos do mundo! Onde se encontraram as mulheres e os homens mais bonitos de Paris em seu palco. — Comentou Camus garboso.

– O Camus é o meu fã número um, ou melhor, acho que é o único fã que tenho, de fato. — Comentou Milo sorrindo, e Camus riu também.

Vous avez du talent, ma vie. (você tem talento, minha vida). — Camus comentou apaixonado levado pelo efeito da bebida, e por achar que tinham privacidade de falar na sua língua natal, quando se lembrou que o jovem Ikki também falava francês, Camus procurou o olhar do japonês afim de encontrar nojo ou reprovação, mas este sorria tranquilo apreciando o conhaque.

– Deve ser fascinante! — Soltou Ikki.

– Oui! (Sim). É fascinante e apaixonante. — Completou Camus ainda estudando as expressões do rapaz, mas só conseguiu enxergar o brilho no olhar de Ikki.

– O que fazia, senhor Camus? — Perguntou Hyoga.

– Camus, me chame apenas de Camus, Hyoga. — Pediu o ruivo antes de responder a pergunta.

– Eu sou engenheiro. – Limitou-se a dizer.

Milo o olhou com reprovação e Camus virou seu copo de conhaque. Decidiu que já estava na hora de se recolher.

– Boa noite, rapazes! Estou exausto. — Despediu-se Camus já bem vermelho pelo efeito do álcool.

Eles responderam ao boa noite e Camus seguiu para o quarto onde Milo havia ficado quando chegaram, o quarto que tinha a casa de casal.

Milo observou Camus se afastar em silêncio e se virou para os rapazes a sua frente, revelando: — Camus é um artista também.

Camus escutava o que Milo falava, mas não o interrompeu.

– O que ele faz? — Quis saber Hyoga.

Milo se recostou encontrando uma boa posição para se acomodar, pensou um pouco e revelou. — É um bailarino, um anjo quando dança... tão sensível e delicado. — Milo falava como se visse Camus no palco a sua frente.

– Sensível e delicado? O Camus? Impossível! — Comentou Ikki arrancando um sorriso de Hyoga, e até mesmo Camus que estava no quarto deitado sorriu ao comentário do rapaz.

– Não se deixe enganar pelas aparências. — Milo reprovou, não zangado de verdade. — Numa guerra as pessoas são o que tem que ser: Duras e fortes, não há outro jeito.

– Sim entendo, mas me conte como é o Camus bailarino. — Pediu Ikki com real interesse.

– Elegante, bonito, com precisão nos movimentos, simplesmente lindo. — Declarou Milo apaixonado.

Hyoga sorriu para Ikki e falou, — Não vale, você gosta dele!

Milo sorriu antes de responder. — Eu o amo.

Os rapazes sorriram ao perceber que aquele tipo de amor era possível, que podia ser possível.

De todas as coisas que Ikki aprendeu com a guerra, essa era a mais preciosa lição, nunca mais deixaria que seu pai reprovasse seus sentimentos. Ele foi para guerra por conta de sua condição sexual, não se sentiria culpado em abandonar sua família para viver um grande amor, olhou para Hyoga, o rapaz por quem estava encantado, seria Hyoga seu futuro? Acasos não aconteciam, ele fora parar ali por um motivo, havia aprendido as lições da vida por um motivo e o motivo era esse, viver um amor, como Camus e Milo viviam o deles.

Ikki segurou a mão de Hyoga e apertou o loiro não escondeu a surpresa do gesto e sorriu.

Milo percebendo o clima romântico entre os rapazes a sua frente, se serviu de mais conhaque levantou.

– Boa noite rapazes, mas vou descansar agora. — Milo seguiu para o quarto em que Camus estava, e piscou para os garotos antes de fechar a cortina atrás de si, dando a ele e a Camus um pouco de privacidade.

Uma vez no quarto, Milo tirou as botas e deitou abraçando o ruivo por trás sussurrando em seu ouvido. — Achei que não teríamos a oportunidade de ficarmos assim novamente.

Milo beijava o pescoço do ruivo enquanto falava, Camus abraçou os braços de Milo sentindo o carinho do seu amor.

Virando-se, Camus olhou para Milo mesmo sem enxergar os olhos azuis no escuro do quarto declarou, — Quando o avião caiu e eu... eu tive tanto medo de te perder, meu amor.

Os dois trocaram beijos apaixonados tentando ao máximo serem discretos para que os rapazes não os escutassem nos outros cômodos.

Milo era o mais afoito e já estava com as mãos dentro das calças de Camus apertando o membro rijo em suas mãos.

– Milo, não podemos... os rapazes... Se eles entrarem aqui? — Perguntou Camus tentando se afastar de Milo sem muita convicção.

– Eu mato qualquer um dos dois que ousar entrar aqui! — Respondeu Milo beijando seu ruivo com urgência, eles não se tocavam desde que foram lutar na guerra, jamais ousariam qualquer intimidade, o preconceito era muito grande e um jamais arriscaria a vida do outro. Então apenas se olhavam, nada mais que isso. Nessa noite, contudo eles estavam ali, “presos e livres,” não sabiam se iriam sair vivos dessa nevasca, ou mesmo da guerra.

Antes que Camus pudesse pensar em reclamar ele já estava com as calças abaixadas e Milo roçava seu membro na entrada do ruivo.

– Milo! Não, eles vão nos ouvir! — Pediu Camus num sussurro fraco.

– Não, não vão. Preciso de você, Camyu, preciso te sentir meu novamente. — Milo sussurrava de volta, já penetrando o ruivo com seus dedos.

Camus não teve mais forças para negar o quanto também queria aquilo, Milo que estava deitado de lado atrás de Camus virou a cabeça do ruivo tomando lhe a boca num beijo quente enquanto o penetrava forte.

Camus tentou segurar, mas os gemidos saíam de sua boca sem que pudesse evitar.

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Em frente a lareira Ikki e Hyoga ainda tomavam seu conhaque um clima romântico que havia se instalado ali, as trocas de olharem, um carinho no rosto e Ikki tomou os lábios de Hyoga novamente que correspondeu ao beijo.

– Sempre lutei contra isso Ikki, não queria ser diferente, tinha medo... eu tenho medo. — Revelou Hyoga tenso.

– Eu também Hyoga, sempre tive medo, medo do meu pai, dos meus amigos da sociedade, sempre fui um cara fechado para não dar liberdade a ninguém de pensar coisas a meu respeito. — Revelou Ikki que continuou, — Mas não me importo mais, ver aqueles dois juntos me fez perceber que não é errado e não serei uma mulherzinha por estar com outro homem.

– Tem razão Ikki, mas temos outro problema tão sério quanto este. — Falou Hyoga e Ikki o olhou com a sobrancelha erguida.

– Qual o outro problema?

– Somos inimigos de guerra. — Falou Hyoga sorrindo.

Ikki o beijou novamente antes de dizer, — Serei seu prisioneiro com todo prazer.

Eles ouviram os gemidos que vinham do quarto e ambos ficaram envergonhados.

– Já namorou com alguém Ikki, digo assim como nós? — Quis saber Hyoga.

Ikki encarou aqueles olhos azuis como o céu em dia ensolarado antes de responder. — Havia um rapaz... um amigo... ele era chinês, nós nos beijamos algumas vezes e chegamos a ir até o final.

Hyoga não podia negar que sentiu ciúme ao ouvir que o rapaz a sua frente já teve outros enquanto ele nem mesmo uma garota havia beijando antes.

– Qual o nome dele? — Nem mesmo Hyoga saberia dizer o porquê de ter perguntado aquilo.

Ikki estranhou a pergunta, mas respondeu. — Shiryu!

– O que houve com ele? — Perguntou Hyoga novamente.

Ikki encostou a cabeça no ombro de Hyoga, ambos estavam deitados no carpete em frente a lareira. — Acho que meu pai descobriu e deve ter contado ao pai dele que o levou embora. Depois disso meu pai me enviou para guerra, e me disse que, para trazer a honra novamente a minha família, eu deveria voltar vivo, caso contrário nem mesmo minhas cinzas ele receberia.

Revelou Ikki com os olhos ardendo.

– Sinto muito Ikki, lamento que tenha passado por isso. — Falou sincero o loiro.

Hyoga pegou o cobertor e eles ficaram ali, deitados em frente a lareira, namorando, os gemidos que vinham do quarto não ajudavam muito Ikki a se conter para não amar aquele loiro naquela hora.

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Milo e Camus se amaram a noite quase toda, e quando finalmente adormeceram já era quase manhã, fora da casa se ouvia os ventos e o barulho da forte nevasca, Camus acordou primeiro, mas não conseguiu se livrar dos braços de Milo facilmente.

Ikki e Hyoga adormeceram na sala em frente a lareira, quando Camus finalmente se levantou foi até a sala, vendo os jovens abraçados, se ele pudesse aconselhar diria para se afastarem tanto pela guerra quanto pela condição sexual de ambos, mas como falar para eles não viverem o que ele próprio lutava para poder viver?

Foi até a lareira para checar o fogo e ouviu a voz de Ikki o sobressaltando. — Estou cuidando da lareira, não se preocupe.

Camus olhou para o jovem e confessou. — Fui irresponsável, esqueci de vir checar se ainda havia fogo, podíamos estar congelados agora.

– Você cuidou de tudo, Camus... a serpentina, salgou a carne, arrumou tudo... o mínimo que eu poderia fazer era vigiar a lareira. — Respondeu Ikki sério.

– Vou ver como está a tempestade. — Avisou Camus indo em direção a porta.

– Ah! Merda, merda!!! — Gritou em seguida.

Ao ouvir o grito de Camus, Ikki levantou num pulo acordando Hyoga, Milo veio do quarto em auxílio a Camus.

– O que houve? — Perguntou Milo preocupado, mas olhando para onde Camus apontava entendeu o porquê da preocupação.

A saída havia sido tomada pela neve, eles estavam presos.

– Mas que merda! Estamos presos aqui, olha isso! A porta está bloqueada! — Camus falou nervoso andando de um lado para o outro e batendo no gelo com toda força tentando quebrá-lo e machucando as mãos.

– A menos que tenha superpoderes socar o gelo não vai adiantar. — Falou Ikki enquanto via Camus bater desesperado no gelo tentando abrir um buraco.

– Camus, Calma! Calma, apenas respire. — Falou Milo tentando abraçar Camus e tirá-lo do desespero.

– Não, Milo, estamos presos aqui, não vê? O ar está acabando, não percebe? — Falava Camus puxando o ar com dificuldade.

– Camus, Camus olha pra mim, calma! — Milo falou segurando o rosto do amado o fazendo olhar em seus olhos. — Respire com calma, devagar assim como eu estou fazendo, inspire, respire, com calma... assim...

Camus, olhando para Milo, fazia o que o amado pedia. Ikki e Hyoga não entenderam nada.

– O que está havendo com ele? — Perguntou o loirinho tenso.

– Claustrofobia. — Respondeu Milo ainda fazendo o exercício de respiração em Camus.

– Vamos morrer, Milo! O telhado não vai aquentar, vamos ficar presos aqui até congelarmos — Camus falava rápido e desconexo.

– Não, não vamos! Tudo vai ficar bem venha... vamos para o quarto, venha. — Milo pediu e Camus foi com ele.

Hyoga pegou algumas ervas de sua mãe e fez um chá para Camus. Um tempo depois Milo voltou sozinho.

– Ele dormiu novamente, obrigado Hyoga.

– Não foi nada, aprendi com minha mãe, aquela erva é um excelente calmante, mas nunca pensei que pudesse ver o Camus assim, tão descontrolado. — Comentou Hyoga.

– Claustrofobia, ele não consegue ficar em lugares fechados e o fato da saída estar bloqueada foi demais pra ele. — Justificou Milo.

– Olha, sei que isso é uma doença, mas também estou preocupado será que essa cabana aquenta a pressão da neve? Digo não corremos o risco de morrermos esmagados, ou congelados, ou os dois, sei lá? — Perguntou Ikki sério.

– Não é a primeira vez que isso acontece, já ficamos presos aqui antes, mas veja meu pai fez a lareira e com essa válvula onde o calor passa por aqueles canos e vai para a porta de entrada assim a neve se desfaz não é rápido, mas sempre conseguimos.

– Vamos rezar para o Camus não surtar até esse gelo derreter. — Comentou Milo que foi preparar algo para comerem.

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Os soldados do exército alemão avistaram a chaminé da cabana e cavaram até chegar na porta temendo ter inimigos escondidos no local os soldados decidiram entrar devagar em silêncio, avistaram Ikki e Hyoga na sala dormindo abraçados.

– Mas que porra é essa? — O soldado falou olhou para os parceiros que confirmaram com a cabeça e atiraram.

Milo ouvindo os tiros levantou da cama que dividia com Camus, após uma intensa noite de amor.

– Não!!! Seus desgraçados, o que fizeram? — Gritava o escorpiano.

Camus levantou também, tudo estava pesado, andar era difícil, quando ele chegou à sala viu que os soldados colocavam fogo em algo e Milo estava de joelhos em posição de execução, quando Camus conseguiu enxergar o que pegava fogo, viu os corpos de Ikki e Hyoga em chamas, seu coração gelou.

– Milo! — Foi o que conseguiu dizer antes de soldado atirar na cabeça do escorpiano.

– NÃO, MILO!!!! NÃO!! — Gritou Camus tremendo, Milo foi em seu auxílio.

– O que houve, Camus? — Perguntou o loiro preocupado.

– Os soldados... os alemães eles... Eles mataram todos... — Camus falou ainda trêmulo demorando a entender que tinha tido um pesadelo.

– Camus... foi um pesadelo está tudo bem, não tem ninguém aqui, estamos seguros. — Falava Milo abraçando Camus para acalmá-lo.

Na sala em frente à lareira, Ikki e Hyoga conversavam.

– Ele tá surtando. — Falou Ikki.

– Coitado, ele deve vestir essa mascara de homem forte e durão, mas percebemos que no fundo ele é sensível. — Comentou Hyoga.

Ficaram em silêncio durante um tempo até ouvirem a agitação de Camus novamente, ele estava com falta de ar devido a crise de claustrofobia.

– Não percebe, Milo, não temos ar aqui, não percebe? — Dizia Camus suado respirando com dificuldade.

– Camus, calma... respire com calma, respire e inspire, vamos, meu amor... você consegue. — Tentava Milo.

– Eu preciso de ar, Milo... preciso respirar. — Pedia Camus.

Claro que havia oxigênio no ambiente, mas para Camus era como se ele estivesse enterrado vivo.

– Camus, veja aqui, tem ar... olhe, — Hyoga falou apontando para uma fresta onde o vento passava.

Camus foi até o local e começou a respirar com mais facilidade tranquilizando Milo.

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– Hyoga, quando essa guerra acabar, gostaria muito de ficar com você. Gostaria de te levar pra minha terra, quero ficar com você, meu anjo do gelo. — Declarava Ikki.

– Anjo do Gelo? — Repetiu Hyoga achando graça.

– Bom, você domina todo esse lugar gelado, — Falou Ikki sorrindo e beijando o loiro.

No outro canto Milo estava sentado no chão com Camus e algumas cobertas, Camus só se sentia a vontade recebendo o vento frio que saia da fresta, mas o ar era muito gelado e já estava começando a ferir Camus quando Milo o abraçou e cuidou para que ele não tomasse o vento todo na face.

E assim os dias foram passando e passando...

Eles faziam controle da comida, e tomavam o conhaque e a vodka que haviam achado, era a hora que Camus relaxava, mas Milo só conseguia levar o ruivo para o quarto quando este caía de bêbado.

Hyoga olhava o carinho e cuidado que Milo estava tendo com Camus, e comentou com Ikki: — Como podem duvidar desse amor? Quando o Camus trouxe o Milo ferido, ele foi só preocupação e carinho. E agora o Milo está fazendo o mesmo por ele, se isso não é amor o que mais pode ser? Como podem achar que isso é errado?

– As pessoas não entendem, não sabem o que sentimos Hyoga, quero construir algo assim com você, se você quiser. — Pediu Ikki.

– Quero! Claro que eu quero Ikki! Quero você, quero sim! — Declarou Hyoga antes de beijar Ikki.

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Camus acordou cedo e, como sempre fazia, foi até a porta e a abriu na esperança de que o gelo tivesse derretido, eles estavam quase sem comida e quase sem lenha. Se aquela situação se prolongasse, morreriam com certeza. Quando Camus abriu a porta pôde ver um raio solar vindo de uma pequena fresta por cima.

– Ela está derretendo, venham ver! — Pediu o ruivo acordando a todos.

Os rapazes cavaram e conseguiram finalmente sair da cabana, o tempo parecia mais ameno.

– Acho que poderemos ir até a vila, não podemos continuar aqui. — Comentou Camus a Milo.

– Tem Razão, Ikki... sabe pra que lado fica o acampamento de vocês? Se o levarmos conosco será preso. — Perguntou Milo.

– Sim, eu acho que sei. — Respondeu Ikki sem muita vontade, ele não queria deixar Hyoga.

– Vou preparar as coisas para nossa saída! Ikki, quando essa insana guerra acabar você será bem vindo em nossa casa na França, nos procure nos teatros. — Pediu Milo antes de entrar atrás de Camus que já tinha se adiantado a arrumar as coisas deles para a caminhada até a vila, quase dois dias de caminhada segundo Hyoga.

– Hyoga, eu vou, mas prometo que te encontro quando isso acabar. — Falou Ikki.

– Não quero Ikki, não quero que vá. — Pediu Hyoga abraçando Ikki.

– Eu o amo Hyoga, sei disso e sinto isso. — Continuou o japonês.

– Também o amo Ikki, também sei disso. – Respondeu o loiro.

Eles se perderam por alguns momentos em um beijo apaixonado.

Quando findaram o beijo Hyoga sugeriu. — Venha vamos caçar alguma coisa... não chegaremos a lugar algum sem alimentos.

Quando Hyoga foi para a lateral da casa um barulho de tiro se fez ouvir e uma dor fulminante latejou em seu ombro antes de tudo ficar escuro.

Ikki gritou desesperado.

Camus e Milo saíram correndo de dentro da cabana.

– Não atirem, não atirem. — Pedia Milo.

Camus foi socorrer Hyoga, enquanto Ikki era rendido pelos soldados.

– Ora, ora, ora vocês estão vivos afinal. — A voz de Radamanthys se fez ouvir.

– Por que atirou? — Perguntou Camus enquanto tentava ajudar o rapaz desmaiado.

– Achei que fossem inimigos. — Limitou-se a dizer o comandante inglês. — Estavam com os inimigos? O que estavam fazendo aqui? — Questionou.

– Senhor, somos do exército francês, daremos as explicações necessárias para os nossos oficiais. — Falou Camus no seu tom frio e seco.

– Ele está vivo, me diz, ele está vivo? — Perguntou Ikki desesperado.

– Sim, ele está vivo. O tiro foi no ombro. — Respondeu Camus que fez sinal para Milo ir acalmar Ikki e não colocar tudo a perder.

– Certo, Tenente Camus, vou levar este rapaz como prisioneiro. — Falou o inglês.

– Perdão Senhor, mas ele é nosso prisioneiro. — Disse Milo firme.

Radamanthys apenas o encarou antes de dizer aos seus homens: — Nossa missão de resgate acabou, façam uma maca para o garoto e algemem o prisioneiro, e vocês dois terão muito que explicar.

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– ...E só conseguimos sair da cabana hoje, logo depois o idiota do Radamanthys chegou atirando com seus soldados. — Camus conversava com seu comandante Saga Gemani, o Primeiro Tenente Camus du Versau contou tudo que fora importante que Saga soubesse: a batalha no ar; a queda do avião; a hospitalidade de Hyoga; a morte de Isaak; a trégua com Ikki; e a lealdade do soldado inimigo em o socorrer da morte certa.

– Sabe que não posso deixá-lo ir, não sabe? — Perguntou Saga.

– Sei disso,Saga, mas peço apenas que o envie para um lugar decente. — Pediu Camus.

– Não se preocupe, ele será tratado com respeito. — Garantiu Saga.

– Saga, quero te pedir um favor pessoal. — Falou Camus se aproximando.

Saga o olhou como quem sabe que lá vem bomba.

– Envie o garoto para França, por favor!

– O quê?!? Perguntou Saga incrédulo.

– Não podemos deixá-lo aqui Saga, ele não ia aguentar. — Tornou Camus.

– Ele deveria estar lutando, Camus.

– Por isso mesmo! Vão prendê-lo, Saga ele salvou nossa vida, a minha e do Milo. — Tentava Camus.

– E como diabos eu conseguiria mandar o garoto para França?

– Use o nome de um soldado morto, ajude a salvar uma vida, o envie para o Afrodite. — Sugeriu Camus.

– Já chega Camus, você passou dos limites! Amanhã você segue para outro regimento, Milo vai para um local diferente. Terei que separá-los.

O coração de Camus falhou ao ouviu aquilo.

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Saga, apesar de durão, acabou fazendo o que Camus pediu e enviou Hyoga ferido para França aos cuidados de Afrodite a quem conhecia, pois também é um frequentador dos teatros franceses, aliás, foi Saga quem conseguiu que Camus fosse para guerra como piloto após a morte da família do ruivo, e também conseguiu que Milo o seguisse assim que soube da besteira que Camus fizera.

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Os combates na Europa Ocidental foram decididos em 6 de junho de 1944: vindos da Inglaterra, Radamanthys e sua tropa se juntaram a mais de cento e cinquenta e cinco mil soldados que desembarcaram na Normandia, no Norte da França. Esse dia ficou conhecido como o “Dia D”.

O dia da invasão da Normandia. Foi então a maior operação aeronaval da história militar. Os números apontam: 1.200 navios e 1.000 aviões de guerra.

Foi neste dia, quase quatro anos depois, que Camus e Milo se reencontraram na França.

Hyoga, junto com Afrodite, fizeram barricadas para ajudar as tropas aliadas.

No lado do Oriente, os alemães foram completamente cercados por tropas soviéticas e exatamente no dia 22 de Abril de 1945 a cidade de Berlim foi tomada pelos russos.

Enquanto as tropas francesas, juntamente com as tropas americanas, flanqueavam os nazistas pelo lado da — já salva — Itália, Aldebaran, um soldado pracinha enviado pelo Brasil em auxílio aos italianos, e Matteu, conhecido como Máscara da Morte, foram essenciais no cerco a Mussolini.

E no dia 30, Hitler cometeu suicídio. No dia 7 de Maio de 1945, o que restou do governo alemão simplesmente se rendeu.

A guerra na Europa estava terminada.

No Pacífico, as batalhas entre o Japão e os Estados Unidos, que estava sendo auxiliado pela Inglaterra e Austrália, continuaram e marcaram um dos períodos mais tristes da história da humanidade.

Os americanos bombardearam as cidades japonesas de Hiroshima, cidade em que a família de Ikki morava, em 6 de agosto de 1945, e de Nagasaki, em 9 de agosto de 1945 com armas nucleares.

O Japão rendeu-se na data de 2 de setembro de 1945.

Era o final da Guerra.

Notas finais
1* Os europeus utilizam a arte de desidratar alimentos há seculos, afinal não fosse isso seria impossível para eles viverem lá. Era uma coisa feita em casa, eu já vi documentários sobre isso. 2* Serpentina é uma forma de aquecimento rustica, mas ainda usada no campo,. (Uma ótima saída para economizar energia, só não sei onde achar lenha na cidade). Espero que tenho gostado, deixe seu comentário isso é importante pra mim, fantasminha não se acanhe, pode comentar! Ainda teremos o epílogo, claro que as coisas não poderiam acabar assim! hehehe