No Amor e Na Guerra

13 Capítulo 13- Lembranças


Notas iniciais
Oiii, amores! Então, eu tinha tirado uns dias de folga para esfriar a cabeça e pensar bastante. Desculpem a demora para postar, mas espero esse tempo que fiquei ausente tenha valido a pena! Espero que gostem!

A primeira coisa que se pensa, falando de campos de concentração, é em morte instantânea. Mas isso não é completamente verídico. Muitas pessoas não sabem do seu destino ao chegar a um lugar como este, mas elas acabam descobrindo a partir dos atos das pessoas. Sim, eles foram criados para o fim de exterminação, mas está pode ser lenta ou rápida. As câmaras de gás, por exemplo, são meios rápidos, mas horríveis. Até passar pela porta que leva ao seu interior, várias pessoas não têm ideia do que pode acontecer.

A vida se passa por um flashback de mais ou menos 30 minutos, as pessoas tentam escapar, mas isso não é possível, é um destino predestinado, muitas vezes injusto e cruel, mas que ocorre mesmo assim. Na vida fora dos campos, no cotidiano, por assim dizer, as pessoas optariam por uma forma como essa de morrer, rápida, mas sem esquecer da dor.

Há também as mortes que ocorrem depois de um longo período de muita luta, muitos dias de trabalho pesado. Aquela morte que se reflete nos olhos daqueles que partiram, que estavam convictos de que conseguiriam superar todas as dificuldades e voltar a ter uma vida comum um dia. É o momento em que o corpo não mais aguenta a pressão pela qual estamos passando, como se a nossa mente quisesse viver, enquanto não temos forças para isso.

A doutrina de Regina era simples: a vida, como um todo, tem seus altos e baixos. Temos forças dentro de nós que nos fazem querer viver intensamente, lutar pelo que é nosso e tentar fazer o bem comum acima de tudo. Mas o mundo, muitas vezes, rouba todas as nossas energias. Fazemos coisas horríveis para tentar sentir aquela boa sensação novamente, entramos em desespero, agimos sem pensar e acabamos por nos deixar levar.

De que adianta lutar se o mundo é horrível? Ou de que adianta o resto do mundo, se podemos ser felizes apenas com uma pessoa, com um sentimento, com um simples gesto? Deixar Emma foi a pior coisa que ela já poderia ter cogitado. O mundo sugou tudo de bom que ela tinha, mas ela estava fazendo o bem também. A sua consciência estava confusa, sem saber ao certo o que fazer. O que a acalmava era lembrar dos toques de Emma, do suor que fez com que elas conquistassem o que queriam e do amor que tinha quebrado tantas barreiras. Mas até onde vai o amor? Se não fosse por ele, talvez ela ainda estaria no seu quarto, como se nada tivesse acontecido. Talvez até esquecer todo o sofrimento que causou, afinal.

A vontade mesmo que Regina tinha era de se matar, sem dúvida alguma. Mas isso seria ridículo visto que foram várias pessoas que a tornaram quem ela é. Sua mãe a tornou uma dama, a ajudou a construir seu caráter, lhe mostrou a paixão por cuidar das pessoas e como prolongar a vida. Mas ela também tirou muitas vidas, criou o passageiro sombrio de Regina e a estimulou a alimentá-lo.

Seu pai? Nem se fala! Aquele tipo de pessoa que dá pra jurar que é boa, mas no fundo é pior do que um dia pudesse imaginar. Ou Gold, que deu a ela as peças e o cominho para o seu lado sombrio. Regina tentava apagar o que ele a ensinou com muita força de vontade, mas era impossível esquecer. Ela se lembrava, todos os dias, daquele dia em que a neve caía fina e gélida, em que ela chegou a Storybrooke pela primeira vez com o intuito de melhorar sua profissão, tentar mudar um pouco o seu destino.

–Ora, ora, mas que belo projeto de futuro temos aqui.- Dizia ele, apesar de Regina pouco ligar. Ela evitava de conversar com os nazistas, sua índole era melhor, com certeza, o que a levava a boa postura.

–Obrigada, senhor..?- Replicou ela.

–Gold, comandante Regina. Veja bem, o seu futuro pode ser grandioso, se me deixar ajudar. Você pode ser muito mais do que uma doutora, sabia?- Percebendo o desinteresse da morena, apesar dela não saber como ele a conhecia, Gold continuou com seus truques.

–Eu posso ajudá-la a esquecer do passado, torná-la grande, assim como seu pai era. Mas sabemos que ele não cumpriu a função dele com muito sucesso, já que você, queridinha, sem ao menos saber, destruiu-o.- Falou Gold, fazendo um gesto com as mãos.

–Você nada sabe sobre o meu pai, senhor Gold. E eu nunca farei o que ele fez.- Disse Regina.

–Estou dizendo que você será melhor, é só me deixar ajudar. O passado a atormenta, não é, Regina? Mas ele também a proporciona boas lembranças acredito. Você não quer saber o que aconteceu com o seu lindo casal apaixonado?- Continuou ele.

–Do que você está falando?- Falou Regina, já aborrecida com a tensa situação.

–Mary Maegareth e Davin Nolan, é claro! Você devia se sentir orgulhosa, querida, porque eles não foram pra câmara de gás graças a você. Eles são muitos valiosos, não são? Mas você também tem algo de muito valioso em suas memórias, algo que o seu pai e sua mãe planejavam esconder, e realmente, eles conseguiram. A única que sabe o que eles planejavam era você, querida, e a sua mãe. Com ela eu não tive comunicação, você entende...

–Se você feri-los, a minhas memórias serão apagadas como em um piscar de olhos, e você jamais vai saber de qualquer coisa.- Replicou a morena, com uma voz forte.

–Então, imagino que temos um acordo. Os dois judeus pelo o que você sabe. Fechado?

A morena balançou a cabeça positivamente. A porta se abriu e Mary Margareth e David entraram na sala. Estavam irreconhecíveis. Não pela aparência, mas pelo olhar, agora de medo e tristeza. Ela segurou David e o levou ao seu consultório o mais rápido possível, antes que ele acabasse por não conseguir mais ficar em pé sozinho, sem dar satisfação alguma para Gold, que permaneceu na sala. Ao cair da noite, após várias tentativas de estabilizar David, Regina finalmente conseguiu. Ela ainda se lembra de como Mary Margareth a agradeceu, e como os olhos dela de um momento para o outro transformaram-se.


Ela sumiu pela manhã, sem sinal algum. David estava contorcendo-se, o seu tubo de oxigênio, que já estava precário, tinha sido cortado. Regina fez tudo que pode, mas nada adiantaria. Lágrimas caiam de seus olhos ao ver o toda a garra que David tinha por conseguir superar sua doença ir embora.

"Cumpra seus acordos" dizia um bilhete ao lado da cama do falecido. Gold estava por trás daquilo tudo. Não havia um dia que Regina não lembrasse daquele momento, e em como as pessoas podiam ser más.

Ela acordou na mesma sala do seu primeiro encontro com Gold. Sua perna estava em carne viva, parecendo um resultado das torturas de Gold.Não sabia como havia chegado lá, apenas que se dirigia à Aushwitz no final da madrugada, depois de sua última noite com Emma. Só lembrava-se de gritos.

Suas mãos estavam amarradas e seus pés também em uma cadeira. Tudo estava escuro, até que ela pode ouvir o som da bengala. Gold acendeu as luzes, e se aproximou com a bengala na mão.

–Sabe, queridinha, eu até que admirei a sua coragem de vir aqui hoje. De trocar a sua vida por outra, apesar de você saber que não adiantaria. O seu passado já não lhe ensinou o bastante? É tão fácil tirar uma vida, não é mesmo?- Ele parou por um instante. Assobiou.

–Killian, traga-na.- O parrudo guarda da tropa de Regina, que agora pertencia a Gold, entrou com Mary Margareth na sala, com uma faca em seu pescoço. A mesma tinha aquele olhar novamente, pelo visto já estava naquela situação a tanto tempo que nem tentava mais lutar. Ela pareceu feliz ao ver Regina, mas nada falou.

–Veja bem, comandante, você me tirou algo que eu me importava muito. A única coisa que era realmente boa para mim, além do poder. E acontece, que eu a quero de volta.- Disse Gold. Regina o fitava com olhos negros, sem ao menos excitar.

–Você está falando daquela pestinha, a empregada? E aquele pirralho que ela criou, ou deveria dizer filho da sua ex-mulher que simplesmente não te aguentou, e agora é um vagabundo também? Hahahaha! Você realmente me surpreende, Gold, depois de todos esses anos, eu ainda não sei tudo sobre você!- Falou ela.

–Sr Jones, por favor...- Gesticulou Gold, ao passo que o guarda deslizava a lâmina sobre o braço de Mary Margareth, fazendo-na gritar.

–Meu filho e a minha mulher! Regina! Onde ele está?!- Gritava ele. Regina não parecia querer ceder, mas ela não suportaria ver Killian cortando a garganta de Mary Margareth. Mais uma vida seria tirada a suas custas. Mas a raiva fervia dentro dela, e ela não queria ver Gold tendo alguma chance de felicidade.

–Está bem!- Killian parou por um instante e todos os olhares se concentraram nela. -A empregadinha, Bela, está no alojamento das mulheres, viva, mas o bandido, Neal, não sei bem. A artilharia deve ter cuidado dele.- Por fim ela falou.

–Você matou o Neal, não matou, Regina? Você sabia que ele era a coisa mais importante que eu tinha, mas não sabia que ele também era importante na sua vida!

–Do que é que você está falando? Fale, Gold!" Gritava ela.

–De mim, Regina.- Sussurrou Emma, entrando na sala. A morena teve uma alegria enorme ao vê-la. Ela pode respirar fundo e tentar se acalmar. Não sabia como Emma havia chegado ali, mas ela possuía uma arma nas mãos, pronta para puxar o gatilho. Só que este estava apontado para Regina.

–Gold, sai, agora, se não quiser levar um tiro no meio da cara.- Disse a loira.

–Como se você fosse capaz, Emma. E não esquecendo que, se eu morrer, a sua mãe vai junto.- Disse Gold. Em um rápido movimento, Emma atirou no braço de Killian, fazendo ele cair no chão e urrar de dor.

Não se sabe como que a lâmina não perfurou o pescoço de Mary Margareth. Regina quase gritou, mas Emma se mantinha gélida, encarando Gold.

–Nós não acabamos, senhorita Swan. Se eu fosse você, tiraria satisfações da sua amada comandante.- Ele logo saiu da sala.

–Emma, por favor... Eu não consigo me mexer e eu não sei se a gravidade do ferimento nessa perna...- Falava Regina, em um tom de voz baixo.

–Primeiro, Regina, você vai me contar porque você matou o pai do filho que eu estou carregando.

Notas finais
E então? Gostaram? Será que Emma está mesmo grávida? Qual a relação dela com o Neal? Não se preocupem que as duas logo logo vai se entender :) até a próxima