No Amor e Na Guerra

35 Capítulo 35- A Guerra


Notas iniciais
Oi, meus amores! Em primeiro lugar, eu queria me desculpar pela demora desse capítulo, mas acho que em breve vocês vão entender o porquê. Quando iniciei essa fic, sempre pensei em como seria esse momento, e eu tinha que fazê-lo dando o meu máximo pra vocês, e foi o que eu fiz, espero que gostem do resultado, eu chorei muito, passei semanas tentando finalizá-lo e deixá-lo impactante sem deixar de ser bonito ao mesmo tempo. Depois dessa justificação toda, apresento pra vocês o capítulo da libertação do campo de Auschwitz Storybrooke

Emma permaneceu com os olhos abertos durante toda a noite, completamente abraçada à Regina. O frio ainda era colossal e chegava a seus ossos, mas o que mais lhe causava calafrios era aquele medo que, apesar de ser quase costumeiro agora, ainda a atormentava mais que a morte: ter que dizer adeus ou perder a mulher que amava.

O sol começou a raiar, não se deu o trabalho de ir até o banheiro para observar suas olheiras enormes, seu olhar só conseguia fixar-se com o de sua noiva. A comandante começou na acordar aos poucos, sorriu ao perceber que ainda estava abraçada com Emma.

— Bom dia, minha princesa- disse a morena, beijando-lhe os lábios e acariciando o seu rosto. Esse pequeno gesto transformava todo o dia de Emma, fazendo com que ela tivesse forças para continuar, mas ainda não estava pronta para levantar da cama, precisava aproveitar aquele momento normal com Regina por mais alguns segundos.

— Não levanta, por favor. Fica só mais um pouco... Ainda não estou pronta. — rebateu, trazendo a noiva de costas para si e deixando que seus corpos trocassem calor e Regina sentisse sua respiração em seus ombros. A morena suspirou, virou-se frontalmente e beijou-lhe profundamente. Deixou que suas mãos explorassem o corpo da loira, sentindo cada centímetro dele.

— Você sabe que, se eu pudesse, eu faria amor com você a minha vida inteira, não sabe?- disse a comandante, com a voz rouca. Sua mão direita foi parar no sexo de Emma, que gemeu ao sentir o contato. Acaricio com cuidado, descendo e subindo, mas não deixou de beijar a noiva em momento algum. Permaneceram nesse momento de transe por alguns minutos, em meio a algumas pausas em que se entreolhavam e deixavam um sorriso escapar pelo canto da boca.

Emma chegou ao clímax e Regina deu-lhe um último beijo antes de levantar e se dirigir ao chuveiro. Emma quis segui-la, mas ainda não estava pronta, não queria preparar-se para aquele dia.

— Emma, meu amor, você tem que levantar.- disse Regina, acariciando-a as costas por cima das cobertas.- Vai ficar tudo bem, eu prometo. Nós sempre ficamos bem, não ficamos? Não vou deixar nada de ruim te acontecer.

— Esse é o problema, Regina. Você me ama demais e faria qualquer coisa por mim.

— Como isso pode ser algo ruim, Emma? Eu sou completamente apaixonada por você, não é o suficiente.

— Claro que é, você é um anjo na minha vida. Mas isso também quer dizer que se sacrificaria por mim, como fez tantas outras vezes. Acontece que eu prefiro ficar com você, até o último momento, do que te perder e continuar. Na verdade, eu não conseguiria continuar...- a loira deixava algumas lágrimas secas caírem. Não gostava de pensar na morte, tentou encará-la muitas vezes, e podia até mesmo dizer que estava pronta para a sua própria, mas nunca para a de Regina, só os seus pensamentos já doíam e muito.

Regina pegou suas duas mãos, ajudando-a a levantar. Seus olhares se fixaram por alguns segundos, falando aquela linguagem que só as duas conheciam.

— Juntas?- exclamou a comandante por fim.

— Juntas.

Emma vestiu-se e em seguida desceram com as malas nas mãos. Hoje seria o dia em que deixariam o campo para trás. Zelena e Mary Margareth também pareciam ter passado a noite em claro. Emma e Regina ainda recordavam da cena da ruiva abrindo a porta somente com um lençol, mas não era mais aquele semblante que ela apresentava. As duas mulheres estavam abraçadas na frente da lareira, já vestidas com casacos para a neve. Estavam prontas.

— Bom dia irmãzinha, bom dia filinha.- disse a ruiva, dando-lhes um beijo na testa.- Eu fiz café, ainda temos algum tempo. Vejo que já arrumaram tudo, nós também

— Não estou com fome.- exclamou Emma.

— Emma, você tem que comer algo...- disse Mary Margeth, mas a garota seguiu porta afora e foi para a sacada em frente a casa. Regina estampou um sorriso preocupado e foi atrás dela, seguida por ambas as mães.

— Vamos ir preparando os mantimentos antes de partimos. Não sabemos o quão violento pode ficar o conflito, temos que esperar qualquer coisa...- dizia Regina calmamente, enquanto tentava acalmar Emma, que estava pálida.- Zel, você vai pro arsenal e no armazém com a Mary, certo? Peguem o máximo de armas, cobertores e comida que conseguirem e levem para o galpão. Eu e a Emma vamos para o hospital, vou deixar os medicamentos com vocês e em seguida reuniremos todo mundo e nos encontramos no galpão. Tudo bem?- as duas assentiram.

Não havia neve naquela manhã, mas uma neblina parecia mudar o ar de primavera que antes pairava sobre o campo. Estava tudo muito... quieto.

— Regina, eu estou com um mal pressentimento. Sei que você também está, se não estivesse, não estaria preparando tudo isso e não teria me mostrado aquele bunker.- Emma continuava pálida, seus passos não eram regulares e ela suava frio. Regina começou a ficar preocupada com ela e com o bebê, sua lista de sintomas estava aumentando e aquilo não parecia ser só um simples nervosismo.

— Emma, nós estamos em guerra. Sei que encontramos um refúgio enorme uma na outra em meio a isso, mas nós estamos em guerra e todo cuidado é pouco. Por isso que estamos sendo muito precavidas, okay? Agora calma, porque se não quem vai ficar nervosa e ter um treco sou eu.

Chegaram ao hospital e não havia ninguém. Regina foi caminhando pelo corredor até chegar a sala em que mantinham os doentes. Algumas camas tinham cordas e equipamentos para deixa-los imobilizados. Um calafrio percorreu o corpo de Emma ao lembrar do horror que algumas pessoas devem ter passado por causa de experiências médicas ali.

— Cadê os pacientes? E o Whale?- indagou a loira.

— O Whale foi designado para Auschwitz. Emma, você sabe como as coisas funcionam. Comigo se afastando do hospital, quem não estivesse aqui para estudo...- a morena baixou o olhar e mordeu o lábio. Ela ainda se sentia culpada pela sua participação naquilo no passado e também por não ter conseguido salvar mais pessoas nos últimos dias.

— Não precisa continuar. Eu entendi. Está tudo bem, você fez o melhor que pode.

A morena sorriu e continuou a organização de mantimentos. Ela e Emma esvaziaram o pouco de remédios que tinham nos armários. Havia um pouco de morfina, antibióticos e nada de anestesias, mas Regina recordou-se de ter uma ampola sobrando em caso de emergência. Por fim, recolheu alguns instrumentos cirúrgicos e seringas.

— Tudo pronto. Aqui, me deixa carregar mais essa.- disse a comandante, tirando uma parcela dos objetos da loira que, nessa fase da gestação, não podia carregar muito peso.- Vamos?

Depois de deixarem os medicamentos com Zelena e Mary, iniciaram a caminhada até o outro lado do campo onde ficavam os alojamentos e que era mais próximo de Auschwitz. Foi quando ouviram o barulho dos tanques se aproximando ao longe.

— Emma, volta pro galpão. Preciso correr para tirar todo mundo daqui e você não pode no seu estado.

— O diabo que eu vou Regina. Já disse, não vou deixar você.- disse a loira, aumentando o passo em direção ao alojamento. O barulho já era ensurdecedor.

Tudo aconteceu muito rápido. O primeiro tiro foi dado de longe, sem aviso algum, atingindo o prédio de comando da guarda. Regina se pôs na frente de Emma, empurrando-a para o lado contrário. Mas, ao contrário do esperado. Ninguém saiu do prédio, não ouviam-se gritos... Ele estava vazio.

Foi então que o segundo tiro do tanque veio, e dessa vez ele errou o alvo. Regina não conseguia acreditar, mas a frota de Gold estava tentando atirar no alojamento.

— Ahh não, não, não...- disse gritando, se aproximando o mais rápido que pode dos galpões de madeira.

— Regina, cuidado!- exclamou Emma, que já começava a cansar-se e não conseguir acompanhar a morena. Mas a comandante ouviu o seu aviso, e pulou para trás de um muro quando o terceiro tiro atingiu o chão metros a sua frente.

— Saiam! Saiam daí!- Regina gritava freneticamente, buscando todo o ar que conseguia em seus pulmões e sem parar de correr. Foi quando aconteceu, faltavam menos de 5 metros para que entrasse dentro do alojamento e o tiro foi certeiro e o impacto jogou Regina para longe. A primeira coisa que se ouviu foram os gritos.

Um zumbido permaneceu nos seus ouvidos por alguns segundos, impedindo-a de ouvir o caos que se espalhava. As mulheres corriam desesperadas em meio aos escombros e chamas, e já podia-se ver vítimas estiradas no chão.

— Emma, sai daqui!- Exclamou, sem conseguir ouvir a sua própria voz. Mas a loira pestanejou novamente, vindo até ela e a ajudando-a a levantar. Nesse momento, a audição de Regina voltou.

Não podiam arriscar entrar dentro do alojamento e ajudar quem estava preso. Os tanques se aproximavam cada vez mais. Era uma sensação de imponência enorme e o estrago causado pelas armas de fogo eram colossais.

— Belle!- exclamou Emma quando observou a garota morena correndo em sua direção. Ela estava com o olhar triste, sabia que a frota que as estava destruindo era do homem que ela amava e isso a destruía por dentro.- Fala pra todas virem por essa direção, tem muros de ferro que podemos ir nos esgueirando e já estamos com todos os mantimentos no galpão.

Regina ainda não conseguia acreditar. Não conseguia entender como a maldade humana podia ser tamanha a ponto de aniquilar pessoas inocentes. Não conseguia aceitar que fora enganada pela própria mãe e que agora a sua única chance de fazer o bem estava escorrendo bem pelas suas mãos. Mas ainda tinha esperança de que tudo não acabaria ali.

Poucas mulheres haviam sobrevivido, nem um décimo do total. Algumas corriam mesmo com ferimentos terríveis, agarrando a chance que a vida tinha lhes dado. Fecharam rapidamente o grande portão de ferro que separava a unidade do hospital e dos oficiais e, assim que chegaram ao galpão, o sentimento de alívio foi enorme.

— Regina, o que aconteceu?- exclamou Zelena, boquiaberta.

— Era uma armadilha. Não tinha operação alguma, só para aniquilar todo mundo antes dos russos chegarem, não deixar nenhum rastro...- Regina tremia, sem conseguir processar o que tinha acontecido.

— Você está sangrando...- disse a irmã preocupada, tocando-lhe o corte que tinha na cabeça.

— Eu estou bem. Ajude quem tiver com algum tipo de destroço, temos pelo menos cinco. Vamos para o bunker, cabemos todas lá e os soldados nos viram fugindo, não devem demorar para derrubar o portão.- disse a comandante, colocando o que podia de mantimentos nas costas e deixando que uma menina, que não devia ter os seus 15 anos, apoiar-se no seu ombro. Emma ajudava Belle, que não conseguia respirar de tanto que chorava.

Antes de entrar no bunker, Regina não pode deixar de encarar o alçapão. A vida delas dependia do quão escondido aquilo era. Se as encontrassem ali, estava tudo perdido. Mas era praticamente impossível distinguir a entrada do resto da vegetação, então ela entrou com a menina, que chorava baixinho, com toda a cautela do mundo, seguida da sua irmã, Mary Margareth e as mulheres que haviam sobrevivido.

Ligou as luzes e colocou a menina numa das três camas que serviriam como macas improvisadas. A médica agia com rapidez, tirando todos os medicamentos das malas e tentando ter uma ideia geral do quadro das sobreviventes. Por sorte, a maioria não estava em estado grave, pois aquelas que tinham se machucado mais não conseguiram sair dos destroços.

— Zel, aqui.- disse, chamando a irmã e apontando para os mantimentos.- temos somente 5 frascos de morfina e 1 de anestesia. O pedaço de madeira na perna daquela menina está perto da veia femural. Qualquer movimento brusco e ela sangra sem parar, então vamos usar nela. Depois que estabilizar sua paciente venha me ajudar, diga para Mary ir cuidando das suturas, ela tem jeito com isso.

“Regina riu, apesar de Emma não achar graça alguma. Mary Margareth se ofereceu, ela havia dado alguns pontos como enfermeira quando não havia médicos disponíveis no vilarejo onde ela, Emma e David moravam, mas também não se lembrava de nada. Ela ia aplicar a anestesia também, mas Regina a impediu.

—Pare, Mary, por favor. Eu prefiro que a Emma segure a minha mão e me conforte. Pelo visto essa anestesia vai ser muito mais útil em outras ocasiões que a sua filha quase me matar do coração...- Mary a olhava assustada, sem acreditar. -Pode deixar, eu aguento. A dor é psicológica, e precisa ser sentida para que eu lembre o que é dor de verdade quando o momento certo chegar.”(14)

Regina desprendeu-se do seu devaneio e uma sensação repentina de desespero a percorreu.

— Mary, você foi uma das últimas a entrar. Viu a Emma?- disse, depois de muito esforço.

— Não, Regina, eu achei que ela estava vindo com você na frente...- a morena gelou. Era isso. O verdadeiro momento tinha chegado, e a dor que ela sentia era enorme.

Correu o mais rápido que pode em direção a saída, sem se preocupar com o que podia haver lá fora. O importante era chegar até Emma. Seus pés já estavam se mexendo praticamente sozinhos em direção ao galpão, quando Regina parou repentinamente. O lugar estava em chamas.

— Emma! Não!- sua voz saiu abafada pela fumaça, mas ecoou por todo o ambiente. Ela não desistiria, cumpriria a promessa que fez à Emma que elas iriam até o final juntas.

Seus olhos começaram a encher-se d’água pela fumaça tóxica e doía respirar. As chamas começavam a penetrar-lhe a carne rapidamente, obrigando-a a se movimentar o mais rápido que pode. Seus olhos tentavam encontrar o de sua noiva, mas tudo que ela via era uma imensidão vermelha.

— Emma!- gritou novamente. Continuou a correr pelo galpão, chegando quase até o seu final, onde a estrutura de madeira dava lugar para uma passagem de tijolos para o prédio dos oficiais. Foi quando viu os cachos de Emma ao longe e reuniu todas as suas forças que ainda restavam para ir até ela.

— Regina! Não faz isso!- Emma estava na frente de Belle, protegendo-a das chamas. Foi quando ouviu um tiro vindo da porta de metal do prédio e viu a figura de Gold.

— Para trás, queridinha!- ele exclamou.- ou eu termino com você antes de fazer o que planejei pra sua noiva. E acredite, esse vai ser meu grand finale.

— Gold, você está maluco? Você vai se matar e matar a sua mulher se continuar com esse plano ridículo!- o semblante do homem mudou de repente, o grande comandante de Auschwitz não tinha percebido a presença de Belle atrás de Emma.

— Belle?- ele guardou a arma e dirigiu-se até a esposa, e Emma se afastou com dificuldade. Estava bastante queimada e tossia muito.

— Eu estou aqui, meu amor!- Regina chorava abraçando a noiva no chão, estava com tanto medo de perdê-la! Agora, mesmo que não conseguissem sair dali, estavam juntas, e era tudo o que importava.

Foi quando uma parte do telhado desmoronou, atingindo a perna de Emma, que gritou de dor.

— Emma, se apoia em mim!- Emma não conseguia se mexer, o incêndio já começava a tomar conta de todo o ambiente de tijolos também e Regina precisava agir rápido. Então, arrancou um pedaço da sua blusa e amarrou na perna de Emma, fazendo um torniquete e deixando-a dormente. A loira levantou aos gritos. -Isso, meu amor, você consegue!

Atravessaram a porta de ferro do prédio e Regina escorou Emma na parede para fechá-la e conter as chamas, e a comandante assistiu, em meio ao colapso total do prédio, Gold e Belle abraçados, nada mais. Eles não gritaram quando as chamas o engoliram por inteiro, era um resquício de humanidade, uma esperança de que qualquer pessoa podia mudar pelo amor. A morena estampou um sorriso singelo em meio à lágrimas enquanto fechava a porta e percebeu toda a cena desaparecendo.

Por que, quando olho nos seus olhos, eu esqueço de qualquer coisa que possa me fazer mal no mundo, pensando que a realidade na verdade é só uma coisa da minha cabeça? Por que tudo isso parece um sonho? — indagou ela.

— Porque acho que essa é a beleza de qualquer coisa que é invisível aos olhos, não é? Elas só podem ser vistas por quem realmente ama.”(25)

As duas saíram do prédio juntando as suas forças, e o que aconteceu quando o deixaram foi simplesmente inexplicável. Eram as tropas da cruz vermelha em conjunto com os russos.

— Emma, estamos livres, meu amor, livres!- a morena dizia, beijando o rosto da loira sem ligar para qualquer resquício de sujeira ou fumaça, só queria amá-la, até o fim de suas vidas.

Notas finais
Bom, espero que eu tenha conseguido repassar um pouco do que senti escrevendo isso pra vocês, e também que tenha sido de acordo com as expectativas de vocês, afinal, desde o começo da fic temos essa preocupação constante com a liberdade delas, e Regina e Emma finalmente estão livres. Enfim, muito obrigada pra quem leu até aqui ♥ Teremos no máximo uns 10 capítulos daqui pra frente da vida delas fora do campo, do nascimento do bebê etc, então é a reta final! Beijinhos e até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.