No Amor e Na Guerra
34 Capítulo 34- Não olhe para trás
Notas iniciais
Cora esgueirava-se pelas ruínas de Auschwitz com o capuz sobre a cabeça. A neve, agora já derretida, trocava de lugar com um ambiente de podridão cinza e malcheirosa. Qualquer forasteiro diria que o campo estava abandonado, quando, na verdade, algo muito grande ainda acontecia dentro dele.
A torre de vigilância fora transformada em uma espécie de quartel general. Vários oficiais da Gestapo residiam no seu interior, mas, na porta da frente, nada se via. Era o esconderijo perfeito. Bastou três batidas na porta, da maneira correta, para sinalizar sua entrada.
No lado de dentro, o ambiente mudava completamente. Engenheiros montavam as armas, enquanto soldados reuniam-se com generais e comandantes para planejar o ataque. Chutando baixo, eram mais de 500 no total. Mas o alto escalão encontrava-se no andar mais superior, longe de todo o barulho das preparações. Um artilheiro encontrava-se como guardião da primeira porta.
— Eu vim conversar com o comandante. Ele deve estar esperando a minha chegada.- anunciou Cora, baixando o capuz. O guarda, que portava uma metralhadora, fez uma reverência com a cabeça, deu duas batidas na porta, que, em seguida, se abriu. Uma mulher, a primeira que ela vira desde que havia adentrado, a acompanhou até o final do corredor.
A sala era enorme, planejada exatamente para proporcionar conforto naquele momento de emergência. As cores vermelho e branco estavam presentes em cada canto e, acima da altura da cadeira do gabinete, havia uma fotografia de Adolf Hitler.
— Comandante.- apresentou-se.
— Olá, Cora.- exclamou Gold. – E então, tudo ocorreu como presumimos? Ou será que a sua protegida a enganou outra vez?
— Querido, ela a enganou muitas outras vezes. Mas sim, eu ainda conheço minha filha. Meus guardas pessoais a avistaram levando os corpos dos judeus de volta para Storybrooke. Eles também entraram em contato com as oficiais de lá, que afirmaram que Regina libertou todas as detentas e as proporcionou uma ceia, Rumple, uma ceia! Ela ainda é aquela menina que salvou todas aquelas pessoas no bonde há tantos anos atrás, afinal.
— Não esqueça que foi o nosso plano com o bonde que a trouxe até aqui, Cora. Aquela garota sabe o que o General Mills disse antes de morrer, antes de você ser nomeada general pelo Fuhrer. E eu não vou abrir mão de descobrir tão facilmente.
— Quanto à isso, não há o que se preocupar. Como disse, eu conheço a Regina. Sei que ela vai ceder ao ver o quanto a compaixão dela pode trazer destruição. Atacaremos ao amanhecer com o seu sinal, é claro. — suspirou Cora.
— Bem bem, se não é a patriota da família se fazendo presente depois de todos esses anos?- a risada ecoou sobre todo o ambiente, era inconfundível. — Então, vamos aos negócios. Nossa frota tem 3 tanques, eles devem destruir os alojamentos em questão de minutos. Logo em seguida, o hospital e as câmaras. A casa será poupada, meus guardas já têm ordens de adentrar sem atirar até que eu consiga as informações que preciso, e queridinha, dessa vez será muito pior do que uma simples tortura e uns dias de cativeiro. Depois que eu tiver as informações que me tornarão o próximo Fuhrer, as duas judias e sua filha renegada serão eliminadas, e você terá sua filinha tão amada de volta. Temos um acordo?
Ambos apertaram as mãos. Gold dirigiu-se à porta, descendo as escadas rapidamente até o coração do quartel general, onde todos os oficiais o reverenciavam com as mãos direitas estendidas.
— Marsch!— gesticulou, com Cora ao seu lado.- Marsch! Deutschland den Sieg in der Warteschleife, und die Vernichtung der gesamten jüdischen Volk!- Marchem! Marchem! A vitória da Alemanha nos espera, bem como a aniquilação de todo o povo judeu!
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— Eu tenho tanto orgulho de você.- disse Emma, enquanto as duas saíam do refeitório. A ceia durou por horas, e uma noite estrelada cobria o céu. Regina sentia uma sensação estranha, que a percorria como um nó na garganta.
— Deita pra ver as estrelas comigo?- questionou Regina. – Não sei explicar por que, mas elas sempre me fascinaram. E, além disso, quero te mostrar uma coisa.
As duas dirigiam-se à casa. Regina subia as escadas com rapidez para pegar um cobertor enquanto Emma acariciava a sua barriga na porta de entrada. Já estava com 7 meses, e logo estariam longe de tudo aquilo para ver o filho delas nascer.
— Peguei!- disse a morena, esgueirando-se por trás da noiva e beijando o seu pescoço. Emma suspirou.- Vamos?
Foram até uma clareira próxima na floresta. Com o derretimento da neve, a grama surgia de novo e o anúncio da primavera era claro. Uma nova estação, um novo começo. Após estender a toalha no chão, Regina juntou alguns galhos caídos para acender uma fogueira.
— Acho que tenho que adicionar “fazer uma fogueira” na sua lista de multitarefas. — anunciou Emma.
— Eu sei desde muito pequena. Zelena e eu amávamos acampar. — respondeu a morena, aconchegando-se ao lado da amada. Apesar do frio, podiam ficar dias ali fora na frente do fogo.
— Miss Swan.- exclamou rouca. Emma pode perceber suas pupilas dilatando-se.- sei que agi errado ao deixar você sozinha.
O recado era claro, Regina queria que ela a tivesse. Bem ali, naquele exato momento. Queria que colocasse todos os sentimentos de angústia, medo e raiva para fora. Queria que a amasse profundamente, sem pudor algum.
Emma acariciou-a das coxas até a nuca, sentindo gotas de suor escorrer-lhe pelo corpo em função do fogo. Mas, quando seus lábios tocaram-lhe os seios, um calafrio espalhou-se por cada centímetro da sua pele.
— Sim, você foi muito má, Srta. Mills.- sussurrou em seu ouvido, ao passo que suas mãos continuavam a acaricia-la.- esperar por você foi tão... Torturante.
O jogo da paixão é uma imensidão tão bem calculada. Cada passo, cada toque, cada beijo, cada som é significante. Uma repetição rápida pode provocar o ápice tão breve quanto, mas um revezamento lento, ah, esse pode levar à loucura.
Regina já estava completamente relaxada e soltava suspiros com a cabeça esticada para trás. Emma continuou em um dos seus seios com uma das mãos, enquanto a outra desceu-lhe pelas coxas cheias da morena até chegar nas nádegas. Tão robusta, tão bem esculpida.
— Me tortura, Emma!- pedia a comandante com a voz rouca. Seus olhos estavam cheios de luxúria e o bico de seus seios arqueados.
A noiva assim o fez, deixando uma trilha de beijos até chegar a sua boca, beijando-a até deixa-la sem ar. Não pode deixar de mordiscar seu lábio inferior, e fita-la nos olhos enquanto fazia isso. Era um aviso do que viria a seguir.
Desceu da mesma maneira que subiu. Regina soltou um forte suspiro quando Emma beijou-a o clitóris. Continuou com a língua em círculos pequenos e lentos, acompanhando cada espasmo que a morena tinha enquanto a fazia. Seguiu pelos grandes e pequenos lábios, até voltar ao centro do prazer e deixa-la no clímax.
— Você quer que eu a puna, Comandante Mills?- indagou, trazendo a morena sentada, ainda de olhos fechados, a centímetros da sua boca.
— Si... Sim! Me fode, Emma!- exclamou Regina, com todas as forças que ainda tinha para falar.
Emma deitou-a e a penetrou com três dedos de uma só vez, fazendo um vai e vem torturante, para que a morena a sentisse dentro dela. Até que Regina se inclinou, pedindo por mais. Swan assim o fez, beijando o seu clitóris enquanto o fazia. Ela gemia alto e prolongou o prazer até onde pode, mas acabou gozando escandalosamente.
A loira deitou do seu lado, enquanto a comandante sorria com cada músculo do rosto.
— Me lembre de vivermos perigosamente sempre, minha princesa. Não me deixe esquecer. Ou melhor, deixe, porque você sempre me surpreende em todos os aspectos. — exclamou Regina.
— Contanto que sempre acabemos juntas, eu faço qualquer coisa por você, minha rainha.- disse, dando-lhe um beijo prolongado.
Podiam ficar ali por horas a fio, somente observando as estrelas e o corpo uma da outra. Emma dizia a si mesma que o corpo de Regina era uma constelação, cheio de fontes de luz própria, linda e brilhante em cada detalhe. Mas precisavam retornar para casa, pois o amanhã seria o seu dia de liberdade. O dia em que, finalmente, poderiam viver cada momento sem ter que se preocupar com mais nada, somente em amarem-se.
“pra mim, amor verdadeiro é quando você ama sem prazo de tempo, sem um limite de acabar. Amor verdadeiro é quando você, mesmo estando triste por algum motivo, tenta fazer aquela pessoa rir, porque o que mais importa é a felicidade dela ao invés da sua. Amor verdadeiro é quando você encontra naquela pessoa o que faltava em você. E para ser verdadeiro, o amor não precisa ser igual ao diamante, inquebrável. Ele precisa ser como um vidro, um pequeno e frágil copo de vidro que, claro, ao cair no chão, se quebrará.” Emma Swan (29)
Zelena abriu a porta depois do que pareceu uma eternidade, e pelo sorriso no seu rosto, a noite dela e de Mary não tinha sido muito diferente.
— Boa noite irmãzinha, boa noite filinha.- a ruiva usava somente um lençol para tapar-se. Mary não pode deixar de soltar um riso, no quarto do final do corredor, à compostura da namorada.
— Então... Zel, me dá a chave.- pediu Regina. A irmã sorriu e entregou-lhe sem pestanejar.
— Você é a melhor, sis.- exclamou, beijando-lhe a bochecha e também a de Emma.- Filha, eu amo vocês.- disse, antes de fechar a porta e sair correndo em direção ao quarto.
— O que foi, Regina?- fitou Emma.- Está a procura de uma segunda rodada?
— Bem que eu queria, meu amor. Mas preciso te mostrar uma coisa.- disse, guiando a noiva até um alçapão no quintal da casa.
A entrada era um porta quadrada muito bem escondida por uma vegetação. Após aberta, uma escada estendia-se na diagonal. Regina acendeu uma luz, e só então o esconderijo mostrou que era bem maior que sua entrada.
— É um bunker.- exclamou a morena frente ao estado perplexo da loira.- Eu precisava te trazer aqui antes da batalha de amanhã.
Emma estremeceu.
— Regina, por que está me falando isso? Por que me trouxe aqui?- indagou.
— Emma...- segurou as mãos da amada.- Se eu morrer amanhã...
— Não diga isso. Não diga! Você sabe que não vai acontecer, que apesar da maldade da sua mãe, ela vai fazer de tudo para deixa-la segura.
— Eu sei, eu sei. Mas me ouça, por favor.- disse em voz baixa. Lágrimas escorriam do rosto da noiva. – Se algo der errado e eu morrer amanhã, quero que me deixe aqui. Beije-me a testa que eu partirei em paz. Qualquer gesto seu me traz paz, Emma. E é por isso que você tem que viver, porque eu vou viver dentro de você, Venha pra cá, salve quantas pessoas puder. Salve a sua mãe, salve a minha irmã, salve o nosso filho. Mas aconteça o que acontecer, não olhe para trás, minha princesa. Prometa-me.
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