No Amor e Na Guerra
26 Capítulo 26- Beco sem saída
Notas iniciais
Emma abriu os olhos de repente e sua respiração estava acelerada. Respirou fundo e olhou ao redor. A primeira nevasca do ano começava a cair do lado de fora da janela. Levantou-se com cuidado e foi se dirigindo até a sala, onde se aproximou com passos silenciosos até a frente da lareira. Podia ficar o resto da noite encarando o fogo sem que se cansasse.
Os dias que passou dormindo agora pesavam e não deixavam o sono voltar, além dos seus pensamentos, que impediam que sua mente ficasse relaxada. Algo a incomodava, os sonhos que vinha tendo eram cada vez mais terríveis e Emma não se importava de passar um pouco de tempo ali para que tentasse entendê-los melhor. Tentar entender o que ela e Regina realmente tinham... O que será delas quando a guerra acabar?
Mary Margareth, que dormia no sofá, fez um barulho súbito que fez com que Swan se virasse.
– Desculpa, não queria te acordar.- disse.
– Não tem problema, Emma, eu já estava tremendo de frio e ficar aqui é agradável. Posso me juntar a você?- perguntou ela. Mary Margareth vinha tentando conseguir maneiras de se reaproximar de novo da filha, mas os tempos difíceis as impediam de fazer com que isso realmente acontecesse.
– Claro, senta aí.- disse a loira, dando tapinhas no chão indicando que a mãe poderia sentar-se ao seu lado.
– Então... Que loucura esses últimos dias. Espero que nós possamos sair daqui o mais rápido possível.- disse a morena, quebrando o silêncio.
– É, eu também.- respondeu Swan, olhando por um tempo para a mãe que não parava de encarar o fogo. Sabia que ela estava desconfortável, que elas não tinham passado muito tempo juntas e que agora elas se juntaram subitamente de novo. E ainda havia Zelena, que parecia incomodar Mary Margareth, ou na verdade ela sempre acreditou que a ruiva fosse uma mãe melhor que ela e que foi o melhor para Emma.
– Olha, eu sei que o que está acontecendo é horrível, e que o que aconteceu no passado também é horrível. Mas você e o papai sempre vão ser especiais para mim...- completou. Mary Margareth começou a deixar com que as lágrimas corressem no momento que Emma citou o falecido marido. Tentou falar mas não conseguiu, enquanto a loira continuou o diálogo tentando acalmá-la.
–O tempo pode ter nos separado mas a verdade é que vocês sempre vão ser os meus pais.- finalizou, enquanto a mãe caia no seu colo, chorando com mais intensidade. Emma deixou que ela o fizesse. Sabia que a mãe tinha passado por uns maus bocados e não conseguia imaginar a dor que ela tinha sentido ao ver a pessoa que ela amava morrer. Não tinha passado nem pela metade das torturas que Mary Margareth provavelmente passou e, mesmo que se despedir dela e do seu pai tivesse sido difícil, ela era pequena, e não sabia que realmente tinha sido uma despedida. Já a dor de ter que dizer adeus para um filho deve ser imaginável.
– Eu... Eu sinto tantas saudades dele!- soluçava.
– Eu também.- dizia Emma, acariciando os curtos cabelos negros da mãe. Aguentou firme para não chorar, e aos poucos Mary foi se acalmando e quando Swan viu ela já estava dormindo.
Uma mão tocou gentilmente as costas de Emma e Regina sentou ao lado dela com cuidado. Pegou uma almofada para que Mary ficasse confortável e se aproximou do rosto de Emma. Acariciou sua bochecha e beijou sua testa. A loira de ajeitou no colo dela enquanto a morena continuava fazendo cafuné no cabelo dela.
– Eu sinto tantas saudades dele, Regina. Sinto saudades de tudo que a guerra me tirou- falou, deixando finalmente as lágrimas que a atormentavam caírem.
– Eu sei, meu amor. Eu resgataria tudo que a guerra tirou de nós duas se eu pudesse. Mas as coisas não são tão fáceis assim e temos que aproveitar ao máximo ao que ainda nos resta.- respondeu a morena.
– Promete que não vai deixar a guerra levar você de mim?- disse, com uma voz fraca e meiga.
– Prometo- cochichou Regina, dando um sorriso para Emma. Puxou uma coberta que havia trazido e as duas passaram a noite abraçadas em frente à lareira.
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– Acordem, por favor!- suplicava Zelena, enquanto as fortes batidas na porta se intensificavam. Emma gelou na hora. Regina a segurou forte tendo em vista o pânico que se espalhava na loira.
– Regina, quem é?- falava Emma, em meio a respiração acelerada.
– Eu não sei, meu amor, mas vai ficar tudo bem. Vá para o meu quarto e se tranque no closet com a sua mãe. Eu e a Zelena podemos cuidar disso.- dizia, olhando no fundo dos olhos de Emma e conseguindo enxergar o quanto a loira estava apavorada.- É sério, Emma, está tudo bem.
A loira o fez e sentou-se no chão do closet junto com Mary Margareth. Ela tremia e estava chorando baixinho enquanto a mãe a abraçava com um olhar triste. E se fosse o Gold? E se ele estivesse buscando vingança e a matasse? Vários pensamentos passaram pela cabeça dela mas ela se concentrou na voz da morena dizendo "É sério, Emma, está tudo bem." Não dava para entender exatamente o que estavam conversando, mas Emma pode perceber uma exaltação no tom de voz de Zelena.
Regina passou alguns segundos encarando a irmã, esperando o sinal dela de que realmente deveriam abrir a porta. Quando Zelena acenou, Regina abriu a porta com convicção e permaneceu com a expressão serena. Era Robin quem estava do outro lado da porta. Zelena pensou em avançar, mas Regina a segurou sem que o sujeito percebesse.
– Regina. Zelena.- disse ele, as cumprimentando.
– Robin, o que você está fazendo aqui?- disse a morena de primeira. Pode perceber que a ruiva começava a se exaltar e que não poderia manter a situação como estava por muito tempo.
– Eu vim avisá-las. O inimigo está vindo e Gold vai ir embora. Mas ele não pretende deixar que nada fique para trás pra contar a história.- falou Robin. Zelena se exaltava quase vez mais, e quando estava a ponto de explodir, Regina falou:
– Obrigada pela informação.- fechando a porta. Robin colocou o braço entre a tranca e a porta, impedindo que ela se fechasse.
– Por favor, vão embora o mais rápido que conseguirem.- completou. Zelena não aguentava ouvir mais nenhuma palavra dele, e Regina não sabia bem o que tinha acontecido na noite que resgatou a irmã, mas tinha certeza que não tinha sido nada agradável. Podia ver que Robin atormentava os pensamentos dela, e muito.
– Você que tem que ir embora! Ainda tem a cara de pau de vir aqui nos ameaçar e dizer que Gold vem nos matar. Vai embora com aquele bando de nazistas imundos que você se juntou e esqueça que existimos, por favor!- explodiu Zelena, em um choro puramente de raiva. Regina a abraçou e encarou Robin. Ninguém atrevia a contestar aquele olhar.
– Vai embora, agora.- disse. O homem virou-se e foi embora, sem mais nem menos.
A morena a conduziu até o sofá e deixou que ela se deitasse para se acalmar. Foi em seguida até o armário e indicou que Emma podia abrir a porta. A loira abriu com
Rapidez e deu um abraço apertado na morena.
– Vamos dar uma volta.- disse Regina.
– Agora?- contestou Emma.
– Sim, agora.- confirmou.- Mary, fique com a Zelena, por favor. Ela está precisando de alguém.
Swan seguiu Regina pelos corredores até o lado de fora. A tempestade de neve tinha parado e uma boa parte da camada de gelo já tinha descongelado durante a noite. Não havia sinal de guarda nenhum, mas ela continuou seguindo a morena mesmo assim. Confiava nela.
Chegaram ao estábulo e Regina foi pegando e encilhando Perseu com rapidez. Quando terminou, foi logo montando e ergueu a mão para que Emma subisse na garupa.
– Me concede a honra, Miss Swan?- Emma sorriu e montou logo atrás dela. Regina incitou o garanhão branco a correr e saíram campo afora. O vento frio ainda cortava os rostos das duas e Swan se abraçou em Regina com mais força. Perseu era rápido e o chão também não estava tão seguro. Seguiram pela floresta a dentro até chegarem a uma clareira.
– Uowww.- falou Regina, indicando para o cavalo parar. Ela desceu e estendeu a mão para Swan descer logo em seguida. A morena amarrou o garanhão e saiu caminhado, sacou a arma e deu alguns tiros na primeira árvore que encontrou pela frente.
– Regina, que porra está acontecendo?- contestou Swan. Ela continuou e deu mais alguns tiros.- Regina!- gritou. A morena parou de imediato.
– Eu cheguei a um beco sem saída. Isso que aconteceu! E eu não sei se vou conseguir cumprir o que prometi, Emma! Eu não sei se vamos sair daqui vivas!- finalizou.
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