No Amor e Na Guerra
14 Capítulo 14- Resumindo a felicidade
Notas iniciais
Emma utilizava um dos uniformes de Regina, o que podia ser entendido como o fato de ela ter conseguido chegar até ali. Regina nada falava e lágrimas começavam a brotar em seus olhos. Era terrível a dor que ela estava sentindo, mas Emma parecia não querer ceder ao emotivo.
–Você não me disse uma vez, Regina, que eu não lhe enganaria com os meus lindos cachinhos dourados e os meus límpidos olhos verdes? Pois então, você estava certa. Foi necessário só um pouco de raiva e a minha aparência para que todos me vissem como nazista. E sabe o que é engraçado? Esses malditos, que me tiraram praticamente tudo, nem perceberam que uma judia andava livre e solta pelo campo deles. É gozado até demais, porque eles se julgam tão superiores que nós, judeus, mas no final eu me passei por um deles e ninguém percebeu. Tem algum significado nessa porra toda? Eu acho que não!- Emma bufava, estava tomada pela raiva. A situação atual era de que, se Regina cometesse um deslize, tudo estaria acabado, se é que já não estava por aí.
–Emma, eu te magoei. Eu sei! Mas por favor, não faça isso com si mesma. Não é por mim, mas por você. Se me matar, quem vai sair ferida é somente você, porque eu já feri muita gente, e por dentro fui apodrecendo cada vez mais. Você é melhor do que isso.- Dizia Regina. Ela realmente não estava preocupada com o que lhe aconteceria, mas sim com Emma acima de tudo.
Sua vida havia sido vazia por muito tempo, o seu coração, negro e solitário. Mas por um instante, ao lado de seu amor verdadeiro, ela se sentiu completa. Era tudo o que podia desejar. Nada mais esperaria por ela. Ela somente olhou para loira, fitando-a firmemente. A trajetória de ambas e de tudo pelo que passaram juntas se refletia nos olhos de Regina, mas nos de Emma o que se via era dor, somente dor e desespero.Ela estava machucada por dentro, tudo havia sido tirado dela.
–Sabe qual é o problema, Regina? Não é o Neal, porque um dia eu o amei, mas como tudo na minha vida, ele só me machucou.- Os olhos de Regina lacrimejavam cada vez mais, ela soltou um longo suspiro quando Emma soltou as amarras de suas mãos e pés. Ela não ligou para a dor na perna, apesar de ser insuportável.
–O problema real-continuou Emma, ajoelhando-se diante de Regina- é que eu não consigo te odiar, nem somente por um segundo. É o que mais me machuca. E pior, eu não consigo mais viver sem que você esteja ao meu lado. E se você não estiver, a próxima bala vai ser para mim, porque eu não teria mais razões para viver.
Regina a beijou longamente. Aquela sim era a sensação pela qual se valia a pena viver: amor, e a esperança que ele proporcionava. Emma estampou seu lindo e singelo sorriso, aquele que era despercebido para muitos, mais que significava tudo para Regina. Suas testas de encostaram, e ao passo que a morena acariciava o lindo cabelo loiro de Emma, a respiração de ambas foi se tornando mais calma e prolongada.
Era oficial que, neste mundo, nada mais as separaria. Regina se levantou com a ajuda de Emma, que já estava pronta para quase carregá-la no colo, visto que não conseguia caminhar sozinha. Regina percebeu que Mary Margareth estava chorando assistindo àquela cena, estava realmente orgulhosa da filha ter achado um amor verdadeiro em uma pessoa tão amada e que a faria muitíssimo feliz.
–Amor, eu acho que você deveria abraçar a sua mãe. Ela espera por esse momento a tanto tempo!- Falou por fim.
A verdade era que Emma estava com medo, pois toda a sua vida, ela imaginava a sua mãe voltando para ela. As contagens dos dias se tornava cada vez mais longos, parecendo que isso já havia se tornado muito improvável. Ela jamais esquecera da linda voz que Mary tinha quando cantava para ela antes dela dormir, ou a maciez de suas mãos que a acariciavam quando ela temia a algo. Em vários aspectos, não físicos, mas de personalidade, ela se parecia com Regina, sendo altamente protetora e carinhosa.
–Regina, mas você não consegue andar e...- disse baixinho.
–Exato. Eu não vou a lugar nenhum, até porque eu nem consigo. Vai logo, que eu quero morrer de fofura por vocês duas aqui.- interrompeu a morena.
Emma, até então de costas para Mary, se virou muito lentamente. Ela tentava segurar o choro ao passo que abraçava a sua mãe, mas quando percebeu a outra já chorava também. Aquela sensação foi incrível, ter uma família novamente. E ela parecia mais completa agora, visto que Regina também se tornaria parte de família, ou até já fazia.
–Eu senti tanto a sua falta, filha!- Foi a única coisa que Mary conseguiu dizer.
Ela não parecia se interessar por dizer que ela sentia muito por tudo o que acontecera à Emma, nem o quanto se sentia culpada, porque ela realmente sentia, mas queria que a filha, daqui pra frente só tivesse momentos bons.
–Você está exatamente a mesma, mãe. Linda, carinhosa e branca, assim como a neve.- Dizia Emma, de mãos dadas com Mary. Ambas riram.
–Deixa eu ajudar a Regina, Emma. Eu acho que precisamos de um abraço em grupo depois de tudo o que ela fez por nós.- Regina grunhiu quando Mary começou a andar e a levá-la consigo.
–Eu também senti saudades, Mary.- Completou.
O caminho de volta das três não seria fácil, ainda mais com Regina na situação que estava. O ferimento continuava sangrando, e rápido.
–Você veio a pé, Regina?- Falou Emma.
–Não, amor. Vim com muito mais estilo: à cavalo.- Respondeu a morena. Cada vez mais a loira se convencia de que Regina havia sido feita para ela. Agora compartilhavam da mesma paixão! Só podia ser destino mesmo. Era engraçado como, apesar de Regina tem tantos carros e tanques a sua disposição, ela preferia o vento gélido no rosto e o cavalo a aquecendo, exatamente como Emma.
–Não vou dizer que eu não entendo, porque eu entendo. Cavalos são, simplesmente, o que me acalma a alma. Mas somos três, e o máximo que o coitado pode carregar seria duas de nós. E você já vai nele, obviamente. Mas a minha mãe não está com uniforme algum, está com uma roupa comum, sem roupa de detenta, pelos céus. O que que a gente faz?- Indagou Emma.
–Bom, eu acho que chamaríamos muita atenção entrando pelo portão principal, obviamente. Falando nisso, por onde foi que você passou? Os meus guardas são treinados pra metralhar qualquer um que tente passar sem ser eles ou eu.- Falou Regina.
–Ahhh que meiga, mas acho que, em mais um ponto, você precisa de mim. No tempo que passei no gueto com o Neal ele me ensinou alguns truques, inclusive como passar por qualquer lugar sem ser vista, podendo até levar algumas coisas comigo, por exemplo. Mas a questão é que não foi pelo portão principal, mas sim por um buraco no chão que dava para a floresta, acho que surgiu depois da chuva. Mas nunca passaremos por lá com esse cavalo e nem você conseguiria passar, ia infeccionar esse machucado com um monte de terra.- disse Emma.
–Ninguém disse que eu ia passar, amor. Vocês vão por lá. Como é de noite, não serão vistas e também não há guardas na florestas. Eu vou com o Perseu, sim, eu prefiro que você o chame assim, porque ele gosta de ser tratado pelo nome, e entraremos pelo portão.- Finalizou Regina.
A ideia era boa, mas Emma parecia discordar, mais uma hora, pelo menos, longe de Regina, quando a recém a havia resgatado, não soava bem.
–Calma, loirinha. Vai dar tudo certo. E depois vou ser toda sua, prometo.
Ótimo! Agora Emma ficava mais angustiada ainda! Regina a tirava do sério... Porque em toda santa frase ela tinha que acabar por deixar a desejar uns bons 30 minutos, ou horas, com Emma? Simplesmente não existia uma mulher assim.
Apesar que Emma quase roer seus dedos fora por causa de tanta angústia, ela e Mary passaram pelo buraco sem grandes problemas. Regina estava no estábulo, que ficava ao lado do prédio do comando, onde era seu quarto. Várias luzes rondavam o local. Em casa guarita, um guarda estava posicionada com uma metralhadora e outro com um cão.Que ótimo deveria ser, morrer com mil tiros ou com um cachorro mordendo e triturando cada parte do seu corpo.
As duas tiraram os sapatos para diminuir o barulho e quando a luz virou para o lado de fora do campo, correram em disparada. Regina quase teve um ataque quando, quando faltava mais ou menos dois metros para as duas chagarem até ela, a luz voltou, mas as duas saltaram e se encostaram na parede. Emma pegou Regina no colo sem grandes dificuldades, apesar da morena não querer por causa das novas novidades da loira. Esse assunto ia ser outro abordado, e como seria!
Ela a deitou na cama e Regina a instrui a pegar algumas gases, água oxigenada, a linha de pontos e a agulha, esparadrapo e uma anestesia injetável. Ela instruía Emma como cuidar do machucado passo a passo e era realmente incrível tudo o que ela absorvia. Quando Emma estava prestes a aplicar a anestesia, ela parou.
–Isso aqui já é demais pra mim. Eu nem sei dar um ponto em um botão, e vou saber dar na sua perna? Sua linda, maravilhosamente gostosa e sexy perna? Não, obrigada.
Regina riu, apesar de Emma não achar graça alguma. Mary Margareth se ofereceu, ela havia dado alguns pontos como enfermeira quando não havia médicos disponíveis no vilarejo onde ela, Emma e David moravam, mas também não se lembrava de nada. Ela ia aplicar a anestesia também, mas Regina a impediu.
–Pare, Mary, por favor. Eu prefiro que a Emma segure a minha mão e me conforte. Pelo visto essa anestesia vai ser muito mais útil em outras ocasiões que a sua filha quase me matar do coração...- Mary a olhava assustada, sem acreditar. -Pode deixar, eu aguento. A dor é psicológica, e precisa ser sentida para que eu lembre o que é dor de verdade quando o momento certo chegar.
A enfermeira concordou e, apesar de suas mãos tremerem, os pontos acabaram e ficaram perfeitos antes mesmo dela perceber. Regina não soltou um único som, somente olhava nos olhos de Emma.
–Essa é a minha mulher valentona.- Dizia a loira, com orgulho.
Mary Margareth foi se deitar. Regina decidiu que ela ficaria com ela e Emma por uns dias, e arrumou uma confortável cama para ela na sala. A morena se despia para tomar um banho, visto que seu uniforme estava totalmente ensanguentado e rasgado. Emma, que a observava, deitada na cama, resolveu ajudá-la. Ela estava esperando por aquele momento desde que Regina havia sumido, a cada segundo do dia.
Ela também se despiu e tirou o resto das roupas de Regina, a abraçando por trás, beijando seu pescoço e dando umas mordiscadas na orelha. Ela entrou no chuveiro e, com muita dificuldade, Regina também. Emma podia perceber a dificuldade que era para ela parar em pé, mas ela não pararia. Aquele seria o melhor dos castigos depois do que Regina fez.
–Agora, você vai ser minha, comandante, para aprender a nunca mais me abandonar. Feche os olhos.
A loira agarrou as fortes cochas de Regina e subiu até a sua bunda, agarrando-a e trazendo a morena para o seu colo. Regina a beijava loucamente, tendo que parar para respirar de tanto que ofegava em meio aos beijos e as gotas de água de caiam.
A verdade mesmo era que ela já estava molhada antes mesmo de Emma ligar o chuveiro. A loira desceu a mão até a cintura de Regina e mordia de leve. A outra suspirava fortemente. A seguir Emma desceu mais ainda, fazendo com que Regina soltasse um gemido. Ela posicionou a mão também fazendo a morena quase gritar, mas a loira reagiu com fortes beijos naquela carnuda boca, pensando novamente em deixar outra cicatriz sexy naqueles lábios. Regina arranhava fortemente as costas de Emma, e apertava a sua bunda com imenso prazer. Seu olhar se mostrou novamente irresistível, quando ela abriu os olhos. Mas não gostou do que viu. Era sangue, muito sangue.
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